A esquerda que não mobiliza mais e a cultura da indignação impotente no Facebook

mai 30, 2015 by     11 Comentários    Postado em: Artigos e Análises

Por Robson Fernando
para o Acerto de Contas 

É costume de muitas pessoas de esquerda ver seu mural do Facebook todo dia parecer um rio caudaloso de notícias ruins que dão a impressão de que a humanidade “não tem jeito”. E isso aparenta ter piorado em 2015, com as tantas postagens e artigos de fanpages, sites e blogs de esquerda incitando a consternação diante de um Congresso e um governo federal totalmente desconectados do interesse público. Vale refletir sobre essa cultura de indignação impotente, e como a esquerda brasileira contemporânea não tem mais conseguido converter a comoção das pessoas em ação política popular – leia-se protestos e demonstrações físicas de revolta sociopolítica.

Esse primeiro semestre do segundo mandato de Dilma Rousseff e do plantel parlamentar mais conservador desde o golpe militar de 1964 tem proporcionado o recrudescimento desse “rio de más notícias”. Aparentemente mais do que em outros anos, facebookianos brasileiros progressistas têm se deparado com uma esmagadora vazão de novidades negativas.

Ataques ininterruptos aos direitos civis, humanos, trabalhistas e ambientais; corrupção de opositores do governo petista protegidos pela impunidade e pelo silêncio cúmplice da imprensa e da direita militante; malícias diversas de gente como o deputado Eduardo Cunha; radicalização da corrosão do já precário sistema político brasileiro; medidas governamentais opressoras que nos dão a impressão de que elegemos Dilma mas quem assumiu foi Aécio Neves ou Pastor Everaldo; desmatamento urbano que não para em incontáveis cidades brasileiras; “guerra às drogas” que continua assassinando em massa jovens negros pobres; obras da Copa do Mundoinacabadas ou virando “elefantes brancos”; reacionarismo autoritário e fanático em desimpedida ascensão; consciência ambientalista praticamente esquecida… São incontáveis as notícias ruins que fazem tanta gente, como diz a expressão popular, “inchar feito baiacu”.

O agravante é que muitas delas têm sido compartilhadas, por exemplo, pelas páginas de deputados do PSOL, único partido brasileiro ainda de esquerda com representação parlamentar federal; movimentos sociais que, até pouco tempo atrás, não tinham tanta dificuldade para mobilizar pessoas, nem que fossem em passeatas de pouca gente; portais e opinadores defensores da esquerda e fanpages progressistas com dezenas de milhares de curtidores.

As notícias são dadas de uma maneira que o público leitor se sente totalmente impotente, incapaz de reagir também fora de casa e longe do computador doméstico. Deixam claro que essa imprensa alternativa tem agido igual à mídia hegemônica, dando notícias ruins de uma maneira que ao mesmo tempo planta a indignação e a faz decair em resignação, em sensação de impotência e no fatalismo de achar que “o Brasil não tem solução” e a humanidade vai apodrecer viva sem que nada possa ser feito contra isso.

Textos e mais textos aparecem todos os dias, opinando sobre a última “sacanagem” antipopular cometida pelo Congresso conservador ou a mais nova medida de arrocho trabalhista do Governo Dilma. Mas nada além de textos. Ignora-se que Dilma, o ministro da Fazenda Joaquim Levy, Eduardo Cunha e seus aliados das bancadas BBB – Boi, Bìblia e Bala já mostraram múltiplas vezes ser insensíveis à indignação de grande parte da internet brasileira.

Fica a impressão de que os veículos alternativos de comunicação online e os políticos do PSOL acreditam que o mundo pode ser (re)construído e modificado apenas ou principalmente a partir da mera e simples emissão de palavras e opiniões, sem a necessidade ou possibilidade da ação física, dos protestos e ocupações. Outra impressão que se fixa é que o levante das massas de junho de 2013 e mesmo aqueles protestos de porte menor contra Jair Bolsonaro, Renan Calheiros, Marco Feliciano, a usina de Belo Monte, o super-reajuste salarial de deputados e senadores e o novo Código “Florestal” nada mais são hoje do que lendas de tempos remotos e saudosos.

Tem havido exceções para esse fenômeno, como o #OcupeEstelita no Recife, que tem conseguido mobilizar on e off-line um número robusto de manifestantes para uma cidade do tamanho e população da capital pernambucana. Mas o quadro geral, nacional, é de desânimo e conformismo, e o movimento recifense parece um “corpo estranho” num país de resignados.

Está mais do que na hora de repensarmos essa postura de passividade diante do que tem acontecido de negativo para a esquerda. Precisamos problematizar essa sensação de impotência e a carência de incitações diretas à mobilização de rua. É muito necessário refletir sobre por que não estamos mais conseguindo transformar a indignação emocional em ação e mobilização, nem mais fazer valer nossas pautas de reivindicações.

Pensemos: por que estamos agindo como se não houvesse mais esperança? Por que estamos ou parecemos estar esperando que a esperança seja incitada de fora para dentro ao invés de alimentada pela consciência, de dentro para fora? O que aconteceu que nos divorciou silenciosamente das ruas?

11 Comentários + Add Comentário

  • Quanta baboseira. Perdi 1 minuto da minha vida lendo esse texto ruim de um petista ressentido.

    • Robson Melancia está de volta!

  • Que análise profunda, Robson.

  • Que texto mais ruim…

  • Haja ovo para aguentar esses ptebas ressentidos, como sempre a culpa é dos outros.

  • Parabéns pelo texto

  • É o que acontece quando a direita virá panfletário de esquerda no nosso país de 1º mundo Tupiniquim,
    melou geral, PT não é mais PT e DEM( o que é isso ), PSDB não são mais partidos é tudo quebrado ideologicamente e o que funciona mesmo é a putaria politica no congresso, é mais interessante os vídeos educativos.
    O PSOL, há o psol, cadê o sol ?

  • Infelizmente passamos por um momento conservador, do qual deixará marcas profundas na sociedade brasileira por muitas décadas. Os avanços sociais obtidos nos últimos anos, retrocederam em poucos meses com esse congresso infeliz que elegemos. É lamentável que quanto o alvo da mídia seja Dilma, quem verdadeiramente governa o país é o Eduardo Cunha e não se veja nenhuma indignação, nenhuma panela batida, sobre isso.

  • De volta o Ativista Militante de Desktop.

    Robson, já terminasse a faculdade de Sociologia ou trancasse ?

    Só Pierre prá dar corda prá tú, visse? Francamente …

  • Vai escreverbosta assim lá na pqp…

  • Rapaz, vendo os comentários nos textos do Robson (textos que são bem chatos e previsíveis) dá pra sentir que a reaçada cada dia piora. No lugar de rebater com argumentos, ou ignorar, repetem as mesmas tentativas de ridicularização (falácia ad hominen) típicas de gente mesquinha.
    O Acerto de Contas é um grande blog e serve quase como uma experiência sociológica pois boa parte dos comentários mostra que a sociedade anda devagar demais e que no Brasil ainda se discute política a base de indignação rasteira e muito cinismo.

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).