Acredite: há quem ache que criar e propagar boatos e calúnias são maneiras de “construir um país melhor”

nov 15, 2015 by     9 Comentários    Postado em: Artigos e Análises

Por Robson Fernando
para o Acerto de Contas 

Obs. 1: Este post não é especificamente sobre o boato mal intencionado do Revoltados Online denunciado na imagem acima, mas considera-o um exemplo bem ilustrativo do problema geral abordado. Clique aqui para acessar a matéria dedicada a denunciá-lo.

Obs. 2: Caso você queira apontar que “a esquerda e os petistas também promovem sua própria boataria”, encorajo você a denunciar nos comentários exemplos (de preferência com links de referência) de boatos, de fora da época eleitoral, que podem ser identificados ou presumidos como vindos de “fontes” ligadas à esquerda ou ao PT. Este artigo, embora foque nos reacionários desonestos, não se isenta de estender a crítica a pessoas do outro lado que também estejam incorrendo nesse tipo de jogo sujo.

Algo que tem sido muito comum no Brasil – e, presumivelmente, em muitos outros países – é a propagação de boatos e calúnias com temas (e interesses ocultos) políticos. Acredite se quiser, isso reflete uma crença bizarra tida por muita gente: a de que propagar mentiras propositalmente é uma maneira de “exercer a cidadania”, “fazer política” e “construir um país melhor”.

Virou lugar-comum nos depararmos com boatos, por exemplo, contra a presidenta Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula e o filho dele Lulinha, parlamentares como Maria do Rosário e Jean Wyllys e outras pessoas tidas como alvos preferenciais dos mais sujos e mentirosos ataques. Outro exemplo é o hábito de colocar na boca (ou nos dedos digitantes) de celebridades declarações falsas de oposição ferrenha ou ódio ao governo federal petista, também bombardeado pelo que há de mais boateiro.

O WhatsApp tem sido um covil desses hoaxes. A todo momento, em grupos familiares, de amigos e de falsa politização na rede social móvel, aparecem novas notícias falsas sobre, por exemplo, supostas ordens de prisão contra Lula, o “anúncio” fantasioso de que Silvio Santos mandou apresentadoras de telejornal no SBT “baterem no governo até ele cair” e frequentes declarações caluniosas atribuindo ao deputado-ativista Jean Wyllys uma caricatura monstruosa.

O Facebook não tem sido, porém, menos infestado de mentiras do tipo.Páginas militantes de direita e extrema-direita apostam na propagação de boatos e calúnias como maneira de bater na esquerda e no odiado governo federal do PT e tentar transformar a criminalização do partido e das ideologias progressistas em “sonho” coletivo. Algumas delas, inclusive, têm na mentira proposital uma das principais “ferramentas de trabalho”, senão a principal.

Outro caso de propagação de conteúdo falso como instrumento de “militância” política, por sua vez marcante por ser obviamente criminoso, tem sido empreendida por alguns reacionários assumidos. Trata-se da propagação de um blog falso atribuído à militante e professora feminista Lola Aronovich (cujo blog verdadeiro e autêntico é e sempre será o Escreva Lola Escreva), contendo discursos absurdos que, tendo saído na verdade das mãos de um ou mais criminosos de ódio, Lola nunca escreveu.

O mais aterrador nesse caso, além do próprio cometimento do crime contra ela, é que muitos reacionários sabem que o “segundo blog” atribuído a ela é falso e o verdadeiro autor do mesmo incorre em diversos crimes, como calúnia e falsidade ideológica. Sabem que é uma tentativa de criminosos de demolirem a reputação da professora com base em discursos forjados. Mas mesmo assim, em sua sanha de “destruir a esquerda”, compartilham mesmo assim o tal blog como se fosse realmente uma “obra maligna das mãos de uma esquerdista desvairada” – enganando seus próprios seguidores e tratando-os como marionetes a serem manipuladas e controladas.

Em todos esses casos, é evidenciado que, entre muitos desses propagadores de tantas mentiras, há milhares de pessoas que dizem ter como bandeira política o “combate à corrupção”. Mas não sabem – ou já ouviram mas têm caráter de menos para admitir – que propagar conteúdo falso com o conhecimento da falsidade do mesmo é em si mesmo uma forma de corrupção. Ou seja, dizem “combater a corrupção e a desonestidade” mas são corruptos ferrenhos e usam métodos claramente desonestos, às vezes criminosos, para promover sua militância.

O mais bizarro é que esses indivíduos acham que promover de propósito notícias falsas para alcançar os fins almejados pela direita no Brasil é uma maneira de “ser cidadão de bem” e “fazer política com as próprias mãos”, além de um suposto meio de “construir um Brasil melhor” e “fazer valer a ordem e o progresso”.

Não sabem que estão fazendo exatamente o contrário daquilo que dizem defender no Brasil. Estão, na verdade, desmantelando totalmente qualquer senso de cidadania, violando a democracia em seus arroubos autoritários de “punir” discordâncias com violência muitas vezes criminosa, defendendo que a corrupção (que não se restringe a desvio de dinheiro público) é uma maneira válida de se fazer política e almejando um país onde a desonestidade e a mentira prevaleçam como formas de exercício de poder.

Fazem exatamente tudo aquilo que vivem acusando a esquerda e o PT de fazer, na mais pura projeção psicológica. Ou seja, atribuem características negativas de si mesmos ao outro lado, na tentativa de se mostrar “melhor” que o outro e não admitir que essas características são necessariamente suas.

Este artigo se conclui avisando a você: cuidado com pessoas que compartilham muitos boatos e mentiras e escoram sua atuação política nesse tipo de procedimento (e na demonstração aberta de ódio e fanatismo). Elas mesmas podem achar que estão “defendendo um Brasil melhor” com base em mentiras propositais, mas são elas próprias agentes da degradação ética na política brasileira. Confronte-as, caso se sinta disposto(a), a repensar se promover a mentira e a desonestidade são maneiras de “exercer a cidadania” e se estão realmente construindo um país melhor – ou terminando de degradá-lo e fazer triunfar a corrupção como costume político multicentenário.

E também aconselha a você mesmo(a), caso seja alguém que propaga muitas “notícias” antipetistas e antiesquerdistas desmascaradas como falsas: se contatos seus lhe têm chamado a atenção para o fato de que você está propagando muitos hoaxes, pare e pense. Pense se você, ao se deixar levar pela crença na veracidade desse conteúdo, não está fazendo mais mal do que bem para a causa que você diz seguir – o combate à corrupção e aos maus governos.

Reflita se o comportamento afoito de compartilhar tudo que seja detratação contra os políticos que você odeia não está fazendo você parecer exatamente aqueles que você diz querer combater. Ou seja, se você, ao continuar compartilhando tudo aquilo mesmo sendo avisado(a) de que está errando e reincidindo no erro, não está parecendo ou mesmo se tornando uma pessoa que, em desonestidade, usa métodos corruptos para atingir seus fins e jogando a verdadeira cidadania no lixo, tal como alguns dos políticos que “indignam” você.

No mais, pense em que país você realmente almeja para o futuro, se é um país onde a honestidade, a verdade, a transparência e o zelo pela ética prevaleçam e as pessoas sejam realmente engajadas em prol de uma sociedade mais humana que incorpora a ética à moral vigente. Ou se é um lugar onde, ao sabor da criação e propagação de boatos e calúnias por quem tem interesses escusos, o costume de fazer a política acontecer é pautado pela mentira e pela corrupção ética – mães de outros tradicionais atos de corrupção, como o desvio de dinheiro público e a aprovação e sanção de leis injustas com fins de beneficiamento pessoal.

9 Comentários + Add Comentário

  • O PT é doutor em se fazer de vítima. A Maria do Rosário votou a favor daquela lei para repatriar dinheiro sujo e isso p/ mim já basta.

  • Esquerdista adora pagar de vítima e se fazer de santo.

    O PT destruiu o Brasil, mas daqui a 100 anos ainda vão estar jogando a culpa na CIA, no “imperialismo malvado” e no “capitalismo opressor”.

  • O maior exemplo da indústria de boatos é a “Esgotosfera”, blogueiros e digitadores que recebem dinheiro para, na net, fazer propaganda positiva do pt e achincalhar os adversários sem qualquer escrúpulo.

    Isso é nojento!

    O pior é que é pago com dinheiro público ou oriundo da corrupção.

    Vide a Dilma Bolada…

  • QUEDE O PEDRO JÁCOME???

    Ouvi muitos boatos sobre os motivos da sumiço dele, kkkkk

  • O tema é importantíssimo, mas Robson escreve demais. Só li o começo. Pierre, tem que limitar a quantidade de caracteres? ehehehe

    Voltando ao tema, esses extremistas de direita são muito mentirosos. Os caras não têm nenhuma vergonha de mentir e plantar informações falsas. Assim como eles: a Globo a Veja e a nossa vergonhosa e incompetente extrema esquerda.

  • Acredite: há quem ache que este “Articulista de Desktop e Vegano da Ceasa” bate bem da cabeça e irá colaborar para “construir um país melhor”

  • Esse blog já foi melhor. Só digo isso.

  • Concordo que a publicação de factóides é nefasta e prejudica o enriquecimento político da sociedade, pois a prática nada mais é que um estelionato da opinião pública, pois visa deturpar, amplificar, ou até mesmo fantasiar situações, a fim de se obter ganho político. O que me estranha é o autor crer (se é que consegue crer nisso) que tais atos partem somente da esquerda. Se temos Veja de um lado, temos Carta Capital do outro, se temos Reinaldo Azevedo e Ricardo Constantino de um lado, temos Paulo Henrique Amorim e Franklin Martins de outro. A verdade é que a imprensa nacional está numa fase fundo do poço “nunca antes vista neste país”, portanto, nossa principal fonte formadora de opinião cria leitores medíocres com visão estreita e unilateral da sociedade e de seus desafios, como se estivéssemos todos num Fla – Flu insano, onde a irracionalidade de sua paixão clubístico-política prevalece.
    A verdade é que o extremistas, tanto de esquerda, quanto de direita têm uma visão muito parecida. São almas gêmeas que refletem seu avesso. Seus pontos de vista excluem qualquer possibilidade de diálogo e têm verdadeiro asco por qualquer opinião política diferente da sua. Precisamos amadurecer politicamente, pois essa boataria seletiva nada mais é do que imaturidade política decorrente simplesmente da ausência de argumentos. O fato é que um cidadão bem intencionado que se posiciona frente a uma banca de jornal, a fim de formar livremente sua opinião estará em sérios apuros, um campo minado por interesses inconfessáveis…

  • Realmente o blog caiu muito. Sinto falta das discussões sobre a política de Pernambuco, dos municípios, sobre tecnologia, atualidades, tempo bom……. e hoje ……só notícia do Cais do Estelita, ENEM, Uber, Governo Dilma e os artigos de Robson fazendo apologia ao governo do PT, que está afastando os leitores deste blog. Até entendo que devido ao compromisso profissional de Pierre, ele está impedido de publicar certas postagens, que no normal seriam criadas e publicadas aqui. Tempo bom do Acerto de Contas!

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).