Por uma história da ocupação dos Sertões de Pernambuco

set 26, 2008 by     16 Comentários    Postado em: Artigos e Análises

por André Raboni
Bacharel em História pela UFPE
Redator do blog Acerto de Contas

I – A EPOPÉIA DO ESPÍRITO AVENTUREIRO: PROCURANDO O DESCONHECIDO / NAVEGANDO PELA HISTÓRIA

Navegar é preciso, Viver não é preciso
Domínio Público

Procura pelo prazer de procurar, não pelo de encontrar
Jorge Luis Borges,
Fragmentos de um Evangelho Apócrifo

Investir no desconhecido é um desejo inato e antigo ao espírito das sociedades humanas. O Ser Humano necessita ter o Saber sobre as coisas. Todo o mundo quer saber as histórias que não se sabe: daquilo que foi esquecido com o passar do tempo, ou daquilo que ainda não foi inventado. Entre os seculares pores-do-sol e auroras, as sociedades transformaram a paisagem natural ao passo em que a natureza também transformou o Homem produzindo em nós mudanças que permanecem.

Há mais de 3.100 anos atrás, os gregos antigos navegantes inventavam já o desconhecido. Seres Imaginários e Fantásticos habitavam as paragens mais remotas dos horizontes além de onde a vista alcança: na própria imaginação da mente humana… Ou (quem sabe…?) até mesmo na realidade.

Jasão e seus Argonautas atiraram-se ao mar para desbravar os lugares mais ermos do Mundo. Terras de labirintos e rios onde habitavam soberanas as Hidras. Serpentes com várias cabeças que para cada cabeça que tinha cortada nasciam-lhe mais duas, e intermináveis cabeças duplicadas… Apenas Hércules e seu amigo Iolahs foram capazes de derrotá-la, perfurando com suas flechas em brasas os pescoços da Hidra. O Minotauro de Creta caiu frente à bravura de Teseu. E nem o Canto das Sereias seduziu ao Odisseu Ulisses[1].

Por volta do ano 1.000 antes do ano zero, o espírito aventureiro e zombeteiro dos antigos gregos foi perpetuado em grandes poemas épicos de poetas que narravam os fatos heróicos de um passado fabuloso. O Mito era o modelo grego de refletir e compreender os significados e as possibilidades da existência. Com o Mito se eternizava o saber e as tradições dos grandes aventureiros e desbravadores de mundo das épocas passadas.

Nos idos de 700 anos antes de zero, teve iniciou um rápido progresso estético nas representações artísticas dos gregos. Também as formas de pensar o mundo se transformaram para eles. A Filosofia em seus primeiros passos produzia novas explicações para os fenômenos da natureza. O Mito era aos poucos substituído pela Ciência na arte de explicar a vida.

O lema: “Conhece-te a ti mesmo”, foi inscrito no pórtico do Oráculo de Delfos[2]. A busca pelo desconhecido do “mundo-além” foi trocada pela busca do desconhecido que existe em cada individuo. Ninguém podia escapar ao seu destino.

Conhecer seu próprio destino era conhecer o mundo que o cercava. Cada indivíduo havia se tornado seu próprio Odisseu! O ser humano tornou-se aventureiro de si mesmo por um longo tempo na História.

II – OS NAVEGANTES DA MODERNIDADE E O RETORNO DO ESPÍRITO AVENTUREIRO

Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver, de ver somente!

Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E da ânsia de o conseguir.

Viajar assim é viagem

Mas faço-o sem ter meu

Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu
.”

Fernando Pessoa

Saltando no tempo, encontrarmos o retorno do espírito aventureiro, revigorado nos navegantes portugueses, italianos, espanhóis, etc.. Grandes poetas, como Luís de Camões, narraram em epopéias os feitos dos novos desbravadores de mundos.

O espírito do renascimento cultural emergiu em pleno crepúsculo da Idade Média. Ao revalorizar a Cultura Clássica (greco-romana), possibilitou seu ressurgimento renovado pelo horizonte histórico. Com os estudos científicos acerca de novos conhecimentos náuticos, as técnicas de navegação foram aperfeiçoadas[3], o homem foi conduzido para destinos ainda não revelados.

Os portugueses lançaram-se ao mar a partir do século XV e fizeram colônias na costa africana (Ilha de Madeira e Açores) para o plantio de cana-de-açúcar com base na mão-de-obra escrava antes mesmo de chegarem às Américas.

Os perigos do Mar Tenebroso (oceano atlântico) assombravam os espíritos dos navegantes. Porém, os homens mais audazes não se entregaram ao medo: lançaram-se em direção ao pôr-do-sol. Suas intuições lhe sugeriam em presságio: “o mundo é redondo!”.

Eles estavam certos. Uma aventura e tanto para a limitada tecnologia de navegação da época. Ela só foi possível graças à coragem desses desbravadores do mundo…

III – A SOCIEDADE-CARANGUEJO E SUA METAMORFOSE

Fidalgo: Esta barca onde vai ora,
Que assi está apercebida.
Diabo: Vai pêra ilha perdida?
e há-de partir logo ess’ora.”

Gil Vicente

Auto da Barca do Inferno.

Certa vez o Padre Vicente do Salvador (nos idos do século XVI), disse que no Brasil se formou uma ocupação de caranguejos. Homens que ocupavam apenas as costas dos territórios colonizados. Nos primeiros tempos deste século, as povoações se fizeram nos litorais. No Brasil não foi diferente.

Portugal nessa época era um reino Talassocrático[4]. O desenvolvimento das técnicas de navegação e mesmo a sua localização as margens do Oceano Atlântico, fez com que a proximidade com o mar se tornasse decisiva para a formação de seu povo.

Conta a lenda que a chegada de Pedro Álvares Cabral ao continente americano teria sido resultado de um mero acidente provocado pelas correntes marítimas em uma de suas viagens à costa africana: sua embarcação teria sido levada à esmo até chegar às Américas.

Portugal já havia colonizado algumas ilhas na costa da África, e aventurava-se na idéia de contornar este continente para atingir as Índias. Numa dessas viagens teria ocorrido o infortúnio casual do destino: os portugueses chegaram ao continente americano e, pensando terem chegado às índias, logo chamaram os moradores do lugar de Índios.

Esses povos autóctones[5] testemunharam o desembarque dos portugueses. Ao lermos a Carta de Pero Vaz de Caminha e usarmos nossa imaginação, podemos visualizar o assombro do encontro entre índios e europeus. O Português era o alienígena para o Índio; e o Índio era o bárbaro para o português. Um era o Outro do outro.

Com o assombro inicial desses encontros, foram dados os primeiros passos dos caranguejos portugueses. Com o estabelecimento inicial da empresa colonizadora (que nos primeiros anos se fez no litoral), construiu-se uma relação de troca de produtos com os índios que habitavam o litoral.

O Pau-Brasil, ou Pau-de-cor como era chamado, era o principal produto extraído pelos primeiros colonos, que nem chegaram a se instalar de fato, montando apenas algumas feitorias[6]. O Pau-Brasil era utilizado na construção de casas e navios e também na tintura de roupas.

As feitorias eram instaladas em locais estratégicos aonde a madeira era explorada de forma predatória, e enviada para a Europa. Após serem esgotadas as reservas do lugar, as feitorias eram abandonadas e alocadas em outros pontos.

A mão-de-obra para essa empresa inicial era basicamente indígena. Em troca do corte e do transporte da madeira até os navios, recebiam alguns objetos, como espelhinhos, numa relação de trocas chamada de escambo.

Os portugueses enviaram tropas guarda-costas para expulsar esses piratas franceses e espanhóis. A presença desses corsários (traficando madeiras cortadas pelos índios) fez surgir a necessidade de os portugueses enviarem tropas guarda-costas para expulsa-los do Brasil.

Quando eram banidos de um lugar, os contrabandistas logo ocupavam outras regiões onde houvesse a madeira desejada. Eram como moscas sobre o mel. Até o ano de 1530, Portugal pouco havia se interessado pelo território brasileiro. Aquele Mel não nutria os cofres da corte.

O alto lucro com o comércio no Oriente atraía bem mais a atenção da coroa. Uma empresa colonizadora seria difícil naquele momento, em que a população do Reino era pouco numerosa. Não deveria ser nada fácil povoar uma costa tão imensa como a do Brasil. Imagine povoar também os sertões do continente.

Quando se viu ameaçado de perder suas posses para os corsários, Portugal se viu obrigado a empreender de fato a colonização e o povoamento do território brasileiro. Não era mais possível apenas “arranhar” o litoral. Havia de se abandonar as virtudes dos caranguejos e iniciar a interiorização do Brasil.

IV – O IMAGINÁRIO DO SERTÃO

O Sertão era um mundo insondável para os primeiros colonos que se estabeleceram no território da América Portuguesa. Suas florestas escuras e retorcidas faziam dessa região um lugar impossível de se alcançar. Apenas através da imaginação se poderiam sondar os recônditos do desconhecido. O ameaçador mar tenebroso já causava menos medo, dúvida e assombro do que essas ermas, distantes e misteriosas regiões.

Nesse primeiro século, desbravar os Sertões[7] brasileiros era um ideal do projeto colonizador. Falava-se em ouro e metais preciosos no interior do Brasil. As entradas no território brasileiro se fizeram em caminhos que acompanhavam os leitos dos rios. O rio São Francisco (que já havia sido descoberto em 1501, por Américo Vespúcio), era o roteiro mais utilizado. As regiões do vale do rio São Francisco eram terras muito cobiçadas.

Durante certo tempo, os habitantes do litoral cultivaram a idéia de que tribos indígenas se ornamentavam com pedras preciosas e diamantes nessas “terras de dentro”. Esse mito se fortaleceu e se difundiu no imaginário dessas pessoas quando os espanhóis descobriram metais preciosos nas minas da América hispânica. Podemos imaginar como os ânimos dos aventureiros ficaram acesos com a proliferação desse mito no litoral.

O desejo de encontrar as pedras preciosas inflamava a esperança de enriquecimento desses homens. D. João III ordenou ao então Governador-Geral Tomé de Souza, que desse início a uma expedição de exploração da região do vale do rio São Francisco, ainda no século XVI.

Bruza Espinoza formou a primeira companhia responsável pela expedição. Ele também solicitou um sacerdote para acompanhar os trabalhos. O escolhido foi o Padre Aspilcueta Navarro. A partir desta viagem, foram produzidas as primeiras informações a respeito do rio São Francisco.

Muitos esperançosos e desesperados (alguns eram degredados do Reino) iniciaram essas buscas. Procuravam um sonho. Não encontraram o que desejavam. Nessa busca vã do espírito humano, o “buscar” tornou-se condição primeira dos aventureiros. Ganhou novas dimensões.

O litoral era bem mais agradável: as movimentações comerciais nas feitorias e primeiros engenhos ofereciam mais oportunidades de enriquecimento do que o mar de árvores espinhosas que fechavam as portas dos sertões. Mas, com as lendas da existência de ouro e metais preciosos naquelas regiões esquentou os ânimos dessa população ávida por terras e riquezas.

Esse mar sem águas foi rompido com a coragem e a sagacidade desses desbravadores aventureiros, que se atiraram ao interior. Encontraram um mundo até então impensável.

V – OS DESAFIOS DOS SERTÕES

Desbravar as “terras de dentro” (Sertões) não era tarefa fácil: diversos desafios se impuseram aos que se aventuraram nessas jornadas. Outros personagens compunham esta história. A Natureza sempre esteve presente junto ao Homem: os xiquexiques, as juremas e os animais, a água e a terra têm sua participação na construção desse mundo sertanejo.

A vegetação: seca, espinhosa, incisiva, que cortaria a carne dos desavisados caso não usassem roupas capazes de protegê-los contra os xiquexiques e as juremas. Cair em cima de um xiquexique não deve ser nada agradável! E para saber arrancar as raízes de juremas (o Pau-de-Ciência, como a chamam os índios Truká de Cabrobó), sem se furar nos espinhos dela, é preciso ter Ciência. E essa ciência, os brancos não conheceram. No último mês do outono, a vegetação costuma estar verdejante nessa região.

O clima semi-árido racha o solo em algumas épocas do ano e resseca a pele do Homem. É bom lembrar que não há muito tempo a indústria farmacêutica e cosmética inventou os protetores solares! Os Homens do passado tinham apenas suas roupas e sua coragem. O couro do boi por muito tempo serviu e serve ainda como matéria-prima de roupas e acessórios.

Os insetos voadores e os animais peçonhentos, como as aranhas, as cobras e os lagartos certamente amedrontaram alguns desses desbravadores. Com a construção de casas e o estabelecimento de povoados houve uma grande redução no número de insetos. Talvez alguns deles tenham até sido extintos.

O fato de as distâncias percorridas serem muito longas tornava grande a necessidade de água para saciar a sede dos animais transportados e dos homens que os transportavam. Assim, a falta de água e de caminhos por terra obrigou-os a fazer essas entradas margeando os rios que conduziam ao Sertão de Pernambuco, e foram na margem dos rios que se fixaram as fazendas de gado.

Além das muitas dificuldades naturais mencionadas, a presença de um antigo personagem deveria ser encarada: os índios que habitavam a região. Lembremos que estes povos, sobretudo os Cariris, fugindo do processo de colonização do litoral (que os escravizava em troca de bugigangas), refugiaram-se nessas “terras de dentro”. Muitas outras tribos habitavam a região.

Mais melindrosos para encarar os desafios naturais dessa região, os gentios adaptaram-se a ela e nela fizeram moradas. Expulsos de seu antigo lar (o litoral), nutriam uma hostilidade sem igual contra os brancos. Atacados por todos os lados, “(…) foram uns mortos, outros reduzidos a aldeamentos, outros agregados a fazendas, fundindo-se e confundindo-se com os colonizadores alienígenas.[8] Com a “pacificação” dos Cariris (por volta do século XVIII), um grande território ficou livre para que se formassem as fazendas de gado.

Mas, os conflitos não se deram apenas entre índios bravios e brancos: as tribos indígenas entravam em guerras entre si constantemente, e as que já residiam no sertão, certamente não abrigaram amistosamente em suas aldeias as tribos corridas do litoral.

É possível ainda que houvesse conflitos internos, dentro de uma mesma tribo. O processo de colonização separou e dividiu muitas famílias indígenas, e não poderia ter outra conseqüência, senão a aliança entre tribos antes rivais. Ante a ameaça branca, índios rivais se aliaram em fugas para o sertão. Essas alianças artificiais poderiam ser quebradas facilmente. Ou, pelo contrário, podem ter sido fortalecidas criando elos que duraram muito tempo.

VI – OS CAMINHOS DOS SERTÕES

Como se pode imaginar, não era tão simples assim viajar até aquela região. Os Homens dos séculos passados não dispunham de meios seguros para realizar esse percurso. Além de perigosa, a viagem era longa e cheia de surpresas. O isolamento da região dificultava as comunicações e o transporte. O Sertão foi aos poucos revelado. Missionários e bandeirantes investiram nas regiões mais remotas do território brasileiro. Os acessos eram poucos e problemáticos. Os rios eram as principais “estradas” que conduziam às “terras de dentro”.

Um dos roteiros para o sertão foi descrito pelo Padre Martin de Nantes. Entre 1672 e 1683 (século XVII), realizou algumas vezes o percurso. Ele nos indica três pontos de passagem, indo de Salvador, Capital da Colônia: a aldeia de Canabrava, hoje Ribeira do Pombal, nas margens do rio Itapicuru, cruzando Jeremoabo, nas águas do rio Vaza-Barris, e atingido o rio São Francisco nas proximidades das ilhas de Pambu e Aracapá, termos do sertão de Cabrobó[9].

No documento legado pelo capuchinho, o povoamento chegou a atingir o rio Salitre, no Piauí, nas imediações aonde o rio São Francisco faz a curva que o leva a se dirigir para o sul nas proximidades de um famoso sobrado, que teria dado nome à cachoeira de Sobradinho.

Além do caminho descrito pelo Frei Martim, outros três caminhos conduziam ao sertão do São Francisco, alcançando Rodelas (região de Cabrobó) e complementavam o trajeto até a região da Barra da Cariranha, no Alto São Francisco. Esses percursos foram traçados em 1738. Da Capitania de Pernambuco, esses três roteiros conduziam ao sertão do rio São Francisco.

O primeiro caminho é o do rio Capibaribe. Acompanhando suas águas até a região de suas nascentes, cruzando o sertão da Paraíba, seguia até a ribeira do rio Pajeú nas proximidades dos municípios de Itapetim e São José do Egito, e, cortando o Brejo do Gama, descia até a região de Cabrobó.

O segundo caminho, mais ao Sul, acompanhava o leito do rio Ipojuca, e alcançava o rio Moxotó, pelo qual se descia até o rio São Francisco nas proximidades da Boa Vista, ao Norte de Tacaratu.

O terceiro caminho, já no início do século XIX (1802) foi aberto durante a administração do então Bispo-Governador Azeredo Coutinho, e tinha o propósito de examinar as acomodações para a criação do gado. Ele partia de Recife passando por Moreno, Vitória de Santo Antão, Pombos, Gravatá, Bezerros, Caruaru, atravessando por Buíque até cruzar o rio Moxotó mais à frente, alcançando o São Francisco em Tacaratu e subindo o rio até Cabrobó.

Os dois lados do rio se tornaram alvo de povoamento. O caminho para se atingir o sertão de Pernambuco no século XVII vinha do sul, de Salvador. Só depois, no século XVIII, as entradas começaram a ser feitas pelos caminhos que partiam do recife e Ipojuca.

Vê-se que apesar de poucas, as possibilidades de se atingir os sertões eram concretas. Margear os rios Capibaribe, Ipojuca, Pajeú, Moxotó, e São Francisco, eram as alternativas mais viáveis. Nas margens desses rios se estabeleceram povoados, que posteriormente tornaram-se vilas e mais tarde, cidades.

VII – QUANDO O GADO CRUZA O RIO

Antes mesmo de se estabelecer as rotas até o sertão, num (in)determinado dia da História, um homem anônimo (que nunca saberemos o nome), inventou uma forma de o gado cruzar os rios. Colocava-se uma armação de boi na cabeça e atravessava o rio nadando no vau em que a boiada poderia passar.

Nas margens dos rios os rebanhos dispunham de bons pastos verdejantes. Nos sertões, o leite e a carne de vacas eram as principais fontes de alimentos dos fundadores das muitas fazendas ribeirinhas ao longo do rio São Francisco. Os gados foram os grandes companheiros dos homens (brancos, índios e africanos escravos) no processo de expansão para o Sertão.

As boiadas seguiam vagarosamente, acompanhando o canto melancólico e preguiçoso dos monótonos refrões das cantigas dos vaqueiros: “E cou mansão… E cou… ê caõ!…“. Eles conduziam seus rebanhos através das sendas das caatingas. Aquela voz como que acalentava o gado. Um fazia companhia ao outro.

VIII – A CASA DA TORRE: OS PRIMEIROS TEMPOS DOS SERTÕES DE PERNAMBUCO – UMA ÉPOCA DE GUERRAS

Logo, a necessidade de conquistar territórios deu início à epopéia dos caranguejos metamorfoseados. Aventureiros, bandeirantes, e futuros senhores de gado investiram contra os índios do interior do Brasil: muitos destes índios fugidos do litoral. Os missionários se colocaram entre os colonos e os índios para atenuarem os danos dessas “guerras justas”.

Tomé de Sousa fundou Salvador para ser Capital da Colônia quando veio para o Brasil, em 1549. Ele assumiu o cargo de 1º Governador-Geral, e foi incumbido pelo rei para garantir a posse da terra, organizar a produção, instalar o governo e converter o gentio. Um dos Homens que veio com Tomé de Sousa foi o almoxarife Garcia d’Avila, fundador da Casa da Torre.

Logo ele se tornou proprietário de uma grande sesmaria, doada pelo Governador-Geral, sob aprovação do Rei, na expectativa de que se achasse ouro e outras riquezas minerais no Sertão. As terras se localizavam no norte baiano, na região de Itapoá, mas logo foram ganhando grandes dimensões territoriais e se estenderam até o Piauí e Ceará, cruzando Pernambuco e Paraíba.

Garcia d’Avila construiu a chamada Casa da Torre, por volta de 1551, e esta não tardou a tornar-se um distrito. A partir dela se irradiou uma grande área de influência. Seu interesse em conquistar as terras do vale do São Francisco logo seria revelado.

Nos tempos de Francisco Dias d’Avila, neto do fundador, consolidou-se o poder da Casa da Torre sobre muitas léguas de terras. Em 1624, o Rei concedeu formalmente (através de carta Régia) poderes para que fossem explorados os lugares mais ermos dos sertões do Brasil. O objetivo principal era encontrar prata, ouro, pedras preciosas e minerais. Encontrou-se o salitre (utilizado nas fábricas de pólvora), nas paragens do rio que ganhou o mesmo nome (rio Salitre, ou Vereda da Tábua, depois das atuais cidades de Petrolina e Juazeiro). Os domínios da Casa da Torre invadiram o Piauí e só pararam no Maranhão, na altura do rio Jaguaribe.

Nesta época, o governador de Pernambuco, André Vidal de Negreiros, concedeu diversas sesmarias aos senhores da Casa da Torre, para compensar o fornecimento de gado às tropas de campanha das guerras de Restauração. Essas sesmarias pertenciam ao território pernambucano. Assim a Casa da Torre estendeu seus domínios desde a região do rio Pajeú, até o rio Salitre.

A primeira grande investida da Casa da Torre foi contra os Índios Rodelas que habitavam a região entre Cabrobó até as margens do Pajeú. No ano de 1669, Dias d’Avila congregou amigos, agregados, a soldadesca do seu corpo de ordenanças da Torre e partiram para o ataque liderados pelo sertanista Domingos Rodrigues de Carvalho, Capitão da ordenança do distrito da Torre. Um ataque dos Gurguéias aos currais dos senhores instalados na região havia causado este novo conflito. Queimavam casa e matavam vaqueiros.

Foram muitos os contra-ataques dos índios Rodelas nos anos subseqüentes à instalação dos gados da Casa da Torre. Eram freqüentes as investidas surpresas contra os currais dos senhores locais. Queimavam casa e matavam vaqueiros e varriam os gados para suas terras. Em 1676, mais um ataque. Dessa vez contra os senhores de gado que habitavam as margens do rio Pajeú. A Casa da Torre suspendeu as missões jesuíticas. Em 1678 obteve permissão para iniciar uma “guerra justa” contra uma congregação de índios que se formou na região.

Entre 1678 e 1699, aconteceram diversas guerras entre os brancos e os índios, que muitas vezes dispunham de outros índios e escravos africanos em suas tropas. Essas Guerras ficaram conhecidas como “Guerra dos bárbaros”. Elas aconteceram no mesmo período das investidas contra o Quilombo dos Palmares, na região de Alagoas (que, na época, pertencia a Pernambuco). Alguns bandeirantes paulistas haviam sido contratados pelo governo da capitania de Pernambuco para lutar contra os palmarinos. O líder desses bandeirantes era Domingos Jorge Velho, futuro aliado da Casa da Torre.

Quando os bandeirantes liquidaram Palmares, tentaram se instalar no território esvaziado do Quilombo. No entanto, o governador de Pernambuco não permitiu que ficassem nessas terras. Nessa época, esses bandeirantes aliaram-se às ordenanças da Casa da Torre. Esta Instituição foi responsável por grande parte do esvaziamento das regiões em que as fazendas de gado viriam ocupar. A Torre obteve também concessões para explorar as terras do sertão do Araripe.

A Casa da Torre foi elevada à categoria de Morgado no ano de 1681. Quando Dias d’Avila veio a falecer, em 1694, foi sepultado na Torre. Por volta de 1700, os herdeiros da Casa da Torre, os sucessores de Antônio Guedes de Brito (grande latifundiário no Alto Sertão da Bahia) e os de Domingos Afonso Sertão, eram donos de quase todas as terras no sertão pernambucano. Essas terras eram arrendadas por familiares, ou por terceiros, que lá fundavam suas fazendas de gado.

O herdeiro de Francisco Dias d’Avila, Garcia d’Avila Pereira legou as posses da Casa da Torre ao seu bisneto Garcia d’Avila Pereira de Aragão. Este não deixou herdeiros, e passou em testamento os bens do Morgado da Torre à sua sobrinha, Dona Maria de São José Aragão. Ela havia se casado com o capitão-mor José Pires de Carvalho e Albuquerque.

Durante o período Regencial (1831 – 1840), no Brasil Império, os termos jurisdicionais “morgados” são extintos. É quando se dispersa o poder da Casa da Torre. Mas, suas grandes propriedades hão de continuar pertencendo aos seus antigos donos, ou sesmeiros, que arrendavam essas terras. Em suma, pode-se dizer que não houve um fim propriamente dito para essa história. O que acabou foi a existência de um termo formal, chamado “Casa da Torre”. Esta Casa tornou-se um Mito na História do Sertão. Entretanto, a posse desses latifúndios permaneceu (e, em parte ainda permanece) a esses tradicionais latifundiários. Hoje senhores de gado, políticos ou grandes comerciantes.

IX – A FORMAÇÃO DE NÚCLEOS URBANOS: CARACTERÍSTICAS DAS HABITAÇÕES E INDÍCIOS PARA MENTALIDADES

Como vimos, foi a partir da segunda metade do século XVII que se iniciou a penetração ao longo do sertão do São Francisco. No século XVIII, são fundadas diversas fazendas de gado nessa região. A partir dessas fazendas começam a formação de alguns povoados. Os vales de afluentes do São Francisco eram as localidades mais cobiçadas: o rio Moxotó, nas proximidades de Tacaratu e o rio Pajeú (com seus afluentes: o riacho do Navio, riacho dos Mandantes e o do Capim-grosso).

A geografia dessa região era muito adequada para a criação de gado. Também se fazia uma breve agricultura de subsistência. Nas proximidades dos vales desses rios (tendo o São Francisco como referência), e afluentes, diversas fazendas de gado foram fundadas. Lentamente, ao longo da segunda metade do século XVIII, e começo do XIX, as populações foram se estabelecendo e construindo casas nos arredores dessas fazendas.

Essas casas na maior parte das vezes eram feitas de alvenaria ou taipa. Uma porta e uma ou duas janelas frontais. O chão das casas no geral era de barro batido (conforme as posses da família poderiam variar em pisos de tijolos queimados). Eram praticamente inexistentes as salas de visita. Havia uma sala principal, mobiliada por tamboretes (com fundo de sola ou de couro curtido) e algumas cadeiras. Nas salas de jantar, podia ser encontrada uma mesa grande de baraúna ou aroeira, rodeada por bancos ou tamboretes. A cozinha e o banheiro se localizavam na parte exterior da casa.

Fala-se de um espírito de ajuda mútua entre essas populações nos períodos de seca ou epidemias. Talvez daí se explique o fato de algumas casas (sobretudo nos núcleos urbanos que surgem a partir do século XVIII) serem de paredes pegadas umas às outras. Isso poderia decorrer de uma política de redução de custos, visto não ser necessário levantar uma parede, já que se poderia escorar na do vizinho (o que também possivelmente produzia uma sensação de segurança, já que estavam “todos no mesmo barco”). O fato é que todas essas explicações podem ser condensadas, compondo um complexo de fatores que produziram essas características habitacionais. Ou seja, uma síntese entre necessidades econômicas, sociais, e também das mentalidades.

X – EXTENSÕES DO TERRITÓRIO PERNAMBUCANO ATÉ MEADOS DO SÉCULO XIX

O território do Estado de Pernambuco era bastante extenso no período colonial (1534 – 1822). As terras ao norte de Pernambuco aonde se encontram hoje os Estados do Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba, no Sul Alagoas, e à Oeste a comarca da vila-da-barra, estavam sobre o julgo da província de Pernambuco até meados do século XIX. Aos poucos, Pernambuco foi tendo seu território desmembrado.

Em 1799, sob carta Régia de Portugal, os territórios do Ceará e da Paraíba foram separados. Fatores de ordem políticas como alguns problemas causados pela dependência e subordinação aos Capitães-Generais e Governador de Província (lembremos que nesse período dirigia a Província pernambucana o Bispo-Governador Azeredo Coutinho – fundador do Seminário de Olinda e inaugurador de uma rota oficial que ligava Olinda ao Sertão da freguesia de Cabrobó. É bem provável que o fato geográfico das distâncias (que constituía um entrave à velocidade das comunicações que só foi vencido em parte com a construção de ferrovias no Nordeste do Brasil a partir da segunda metade do século XIX (1840 – …)

XI – DAS FREGUESIAS ÀS MUNICIPALIDADES: MUDANÇAS POLÍTICO-ADMINISTRATIVOS (SÉCULOS XVIII, XIX E XX)

No século XVIII, foram criadas as seguintes freguesias:

- Tacaratu: criada em 08/09/1761 e instalada em 1764;

- Pajeú das Flores: 11/09/1783 – Norte da atual cidade de Floresta;

- Cabrobó: 14/11/1786;

- Caripós: 20/01/1787. – Atual cidade de Santa Maria da Boa Vista;

- Fazenda Grande 11/09/1801. – Atual cidade de Floresta;

Ao longo desses séculos, os povoados que se constituíram no sertão foram ganhando dimensões de vila, e posteriormente de cidades municipais. Vamos ver uma cronologia da formalização dos antigos povoados transformados nas cidades que compõem o Vale do São Francisco pernambucano, em ordem alfabética:

Afrânio: inicialmente, Afrânio era distrito de Petrolina. Emancipou-se e foi elevado à categoria de cidade no ano de 1963.

Belém do São Francisco: no começo pertencia à freguesia de Cabrobó. Com a construção da Igreja de Nossa Senhora do Patrocínio, no ano de 1840, ganhou dimensões de povoado. Em 1902 foi elevada à Vila. 1928 tornou-se município.

Cabrobó: de freguesia em 1786, tornou-se cidade em 1928.

Floresta: Freguesia de Fazenda Grande em 1801. Em 1843 foi elevada à categoria de Vila de Floresta. Tornou-se cidade em 1907.

Jatobá: emancipou-se de Petrolândia 1995.

Lagoa Grande: emancipou-se de Santa Maria da Boa Vista em 16/06/1997.

Orocó: emancipou-se de Cabrobó em 20/12/1963.

Petrolândia: pertencendo inicialmente ao termo de Tacaratu, foi elevada à categoria de cidade em 1909.

Petrolina: torna-se vila em 1862. Município autônomo em 1893 e em 1895 é nomeada cidade.

Santa Maria da Boa Vista: antiga povoação de Igreja Nova foi fundada em 1872.

Tacaratu: no final do século XVII já se mencionam povoações não-indígenas na região. fundada como cidade em 1953.


[1] A palavra “Odisseu” pode ser entendida como alguém que está perdido, desterrado. Alguém sem identidade, afastado de sua terra natal. Sendo então “Odisseu” uma alcunha, muitos podem ter sido, ou mesmo ainda serem, os “Odisseus“.

[2] No Oráculo de Delfos, o deus Apolo, deus da precisão e da ordem das coisas, sabedor do passado e do futuro, revelava aos Homens coisas sobre seus destinos

[3] A invenção do Astrolábio possibilitou aos navegantes uma exata orientação do rumo de suas embarcações. As tabelas utilizadas para se calcular latitudes, distâncias percorridas, etc. permitia a anotação exata da posição do navio a cada momento em um mapa. Eram as “Cartas de Marear”. Além de um mapa, os comandantes recebiam um regimento, que registravam os perigos e segredos das rotas. Das viagens, os comandantes trazim as novidades, que eram estudadas por equipes de cartógrafos.

[4] De Talassocracia. Palavra que indica as sociedades que baseiam sua economia em atividades marítimas.

[5] Que tem sua cultura originária no próprio lugar.

[6] Entrepostos comerciais, aonde se realizavam as trocas com índios, e de onde se embarcava a madeira para a Europa.

[7] Sertão é um lugar desconhecido, distante do litoral, as “terras de dentro”, terras sobre as quais se tem pretensões expansionistas, como os portugueses tinham nos Sertões do Brasil.

[8] ABREU, J. Capistrano de. Caminhos Antigos e Povoamento do Brasil. São Paulo: editora da Universidade de São Paulo, 1988. Pág. 41.

[9] ABREU, J. Capistrano de. Op. Cit. Pág. 53.

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Indicações bibliográficas:

ABREU, J. Capistrano de. Caminhos antigos e povoamento do Brasil. Belo Horizonte:
Itatiaia; São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1988.

FERRAZ, Carlos Antônio de Souza. Floresta do Navio – Capítulo de História Sertaneja.
Recife: Centro de Estudos da História Municipal, 1992.

FURTADO, Celso. Formação Econômica do Brasil.

HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. 26º ed. São Paulo: Companhia das
letras, 1995.

MELLO, Jeronymo Martiniano Figueira de. Ensaio sobre a Estatística Civil e Política
da Província de Pernambuco.
Reedição da publicação datada de 1852.
Recife: Conselho Estadual de Cultura, 1979.

MELLO, José Antônio Gonsalves de. Três roteiros de penetração do território pernambucano
(1738 e 1802)
. Instituto de Ciências do Homem. Recife: Imprensa Universitária, 1966.

PADILHA, Antonio de Santana. Petrolina no Tempo, no Espaço, na vez. Recife, FIAM /
Centro de Estudos de História Municipal, 1982.

PRADO JR., Caio. História Econômica do Brasil. 13º ed. São Paulo: brasiliense, 1970.

ROSA, Hildo Leal da. Floresta do navio – primeiros anos de sua História. In: Revista de
História Municipal
. Recife: Centro de Estudos de História Municipal, 1991.

SILVA, Maria Beatriz Nizza da. Brasil: colonização e escravidão. Rio de Janeiro:
Nova Fronteira, 2000.

SODRÉ, Nelson Werneck. Formação Histórica do Brasil.

16 Comentários + Add Comentário

  • muito bom!

  • André

    Belo texto, o seu. Tomo a liberdade de sugerir um assunto histórico, relativamente pouco abordado. Se merecer sua atenção, quem sabe não temos o privilégio de vê-lo bem dissecado?

    Trata-se da visitação do santo ofício a Pernambuco e Itamaracá, por volta de 1594. Os autos de visitação foram editados pela companhia editora de Pernambuco, acho que em 1979.

    É onde se encontra o início do processo de Branca Dias e outros tantos. Interessantíssimo notar as denúncias de práticas judaizantes, feitas por vizinhos, geralmente por intriga.

    Acusavam-se as pessoas de não comer peixe de couro, deitar água fora quando morria gente, usar roupa branca e limpa aos sábados e não aos domingos.

    Houve algumas condenações, pelo Tribunal de Lisboa.

  • Gostaria de conhecer (ler) as sesmarias que deram origem ao alto pajeu, como conseguir.

    • Como conseguir a história da distribuição das terras do Sertão do Pajeu (Sesmarias).

  • Gostei muito do seu artigo sobre a ocupação do Sertão. Estou preparando um projeto de pesquisa para estudar a formação econômica e a organização social do território de um determinado município aqui do Sertão Paraibano e fico buscando fontes bibliográficas para fundamentá-lo. Quero resgatar a história de um vaqueiro que
    depois tornou-se fazendeiro e teve um papel importante nesses dois aspectos que quero pesquisar. Sua história está só na oralidade e quero registrá-la antes que desapereça com a memória dos que morrem. Climídia

  • muito legal sou pernambucano e não conhecia uma das historia do sertão pernambucano vou me aprofunda mais nisso pois sou uma pessoa que quase não paro pra lê mais vou me dedica agora que achei uma historia interessante

    boa noite.

  • eu precisava desse olhar para compreender melhor a historia de sertania . parece um mundo de encantamento e misterio Rico de saber.

  • Ótima a matéria publicada sobre as ocupações dos Sertões de Pernambuco, no entanto, peço venia, para estranhar a exclusão do Município do Brejo da Madre de Deus onde em território da sua então jurisdição política e administrativa, nasceu na LAGÔA DO ANGÚ (hoje em Poção) o RIO CAPIBARIBE. Outrossim, a Freguesia do Brejo da Madre de Deus foi criada em 1997 e instalada em 1799, também não comentada na sua matéria, tendo sido o 1º Vigário o Padre Manuel d’Assumpção. Desculpe, Newton Thaumaturgo- Caruaru-PE

  • A data da criação da Freguesia do Brejo da Madre de deus-PE é 1797 e não 1997 como digitei no Comentário anterior. Newton

  • em uma pequeno livro sobre a familia Calado comecei a justificar o aparecimento da familia. Ambientando-os no território de Brejo da Madre de Deus me inspirando no texto de Newton Thaumaturgo. Comecei a questionar a demarcação do Brejo da Madre de Deus, como era administrado, havia uma instância ? Havia, portanto o equivalente a prefeito e a vereadores? Talvez por ter uma população pequena as questões políticas e administrativas se limitavam principalmente as pessoas que moravam nos povoados mais próximos e de fácil comunicação. Será que era assim? Tomei a liberdade de consulta-lhe, sobre quando efetivamente foi demarcado o território. Diferença entre Frequesia, Vila, Cidade. Obrigado. Zadir Calado

  • Muito bom seu trabalho, bem distribuido e de uma maneira de fácil compreenção. Por gostar do assunto, fico tentando conseguir uma forma de conhecer as Sesmarias (distribuição de terras) da região do Pajeu, se possível, me informe.

  • eu ñññññññññññññ achei o eu queria

  • adorei a materia, pois estou pesquisando sobre a história de petrolândia, e estou procuando descobrir realmente como tudo se iniciou, de quem eram estas terras, como foram adquiridas, quem foi seus primeiros donos, enfim, pois petrolândia desde seu inicio foi muito importante para o estado de Pernambuco, principalmente por haver aqui uma das primeiras usinas Hidreletricas, mesmo que iniciou com um pequeno motor 400HP, e em muitas vezes citam outras cidades circunvizinhas como se fossem as mais importantes e esquecem de Jatobá/Itaparica/Petrolândia que é seu nome atual desde 1943

  • Muchas gracias por todos sus conomtaries. Encontrar aliados en esta misif3n es primordial. Sf3lo trabajando juntos, como sociedad, lograremos vencer los retos educativos del siglo XXI.Continuaremos generando informacif3n de valor para ustedes. Prf3ximamente encontrare1n las grabaciones de todas las sesiones a su disposicif3n.Saludos.

  • Mioto bom, esclarecedor. No entanto, Gostaria de saber se por acaso, durante suas pesquisas, você não se deparou com o nome de um indivíduo chamado SABINO JOSÉ DOS SANTOS, que provavelmente como muitos outros saiu do litoral para criar gado no sertão de Pernambuco, na região onde hoje se localiza o município de SÃO JOSÉ DO EGITO.

  • OUTRA QUESTÃO: O que sabe sobre etnias que ocuparam essa mesma região, municípios de SÃO JOSÉ DO EGITO E BREJINHO?

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).