Como melhorar a Educação?

jul 28, 2010 by     51 Comentários    Postado em: Artigos e Análises

educacao

Por Eduardo de Carvalho Andrade*
para o Acerto de Contas

Depois de oito anos de governo de cada um dos principais partidos, PSDB e PT, pode-se dizer que eles apresentam uma mancha nos seus currículos. Nenhum deles foi capaz de melhorar a qualidade da Educação. Os nossos alunos continuam na lanterna nos resultados dos testes de proficiência internacional. Os custos para a sociedade são significativos. Em 75 anos, o PIB do Brasil seria 35% maior em termos reais, se o governo adotasse uma política que aumentasse gradativamente a qualidade da Educação de forma a reduzir pela metade, dentro de 20 anos, a diferença que nos separa da qualidade média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A grande questão que deveria ser colocada nos debates presidenciais deste ano é como melhorar a Educação brasileira e a peça-chave é o bom professor. As evidências de que ele faz a diferença são acachapantes. Durante um ano letivo, ele é capaz de ensinar o equivalente a 1,5 ano. Já um professor ruim ensina o equivalente a 0,5 ano.

Isso ocorre mesmo com ambos lecionando na mesma escola, estando sujeito às mesmas condições de trabalho e tendo alunos com as mesmas características. Apesar dessas diferenças de desempenho, os seus salários não guardam nenhuma relação com a sua contribuição para o aprendizado do aluno. Uma nova política educacional deveria ser formada pelo tripé composto pela identificação dos bons professores, incentivos adequados para reter e atrair os bons profissionais e mudança na legislação. Vejamos cada um dos seus componentes.

Caracterizar um bom professor não é tarefa simples. Um bom professor não necessariamente é aquele que realiza vários cursos de especialização, que tem vários anos de experiência em sala de aula, que tem notas altas em exames sobre o conteúdo da sua disciplina ou qualquer outra característica observável pelo gestor. Esses são exemplos de fatores utilizados hoje no Brasil para promover os professores. É preciso criar um sistema capaz de identificá-lo.

Por um lado, o governo federal poderia dar uma importante contribuição. Se a Prova Brasil fosse expandida para outras séries e outras áreas do conhecimento, seria possível saber qual é a efetiva contribuição do professor da turma (ou do grupo de professores) para o aprendizado do aluno. Essa informação tornaria possível a identificação dos melhores professores. Por outro lado, estudos mostram que os diretores, quando perguntados, são capazes de prever quais são os professores excelentes ou péssimos em termos de contribuição para o aprendizado do aluno. Eles não são capazes de ranquear os professores medianos. Os pais que acompanham a evolução acadêmica dos seus filhos também sabem quem são os melhores professores.

Não raro pedem para os seus filhos serem alocados nas suas classes. Surpreende que o atual sistema não seja capaz de utilizar informações como essas para premiar os profissionais mais capacitados.

Passa-se então para a segunda ponta do tripé. Deveria ser estimulado que cada município e Estado crie um sistema de remuneração que use as informações sobre o desempenho dos professores, obtidas ou pelos resultados dos seus alunos ou com diretores e pais. Os bons professores devem receber uma bonificação significativa.

Depois de alguns anos observando seus desempenhos, de forma a impedir avaliações apressadas e injustas, os piores professores devem ser demitidos. Deve-se colocar à disposição durante esse processo programas de treinamento. Mas, ao mesmo tempo, deve-se ter em mente que os seus impactos podem ser limitados, pois não se sabe muito bem como "construir" um bom professor.

No Brasil, é comum que a política de pagamento de bonificações nas escolas públicas seja igual em número de salários adicionais para todos os professores, em função do desempenho da escola como um todo em termos de melhorias das notas dos seus alunos nos testes de proficiência. A justificativa é que todos contribuem para o sucesso e fracasso da escola e também para manter o necessário espírito de unidade e colaboração entre o corpo docente.

No entanto, dado que os professores contribuem de forma tão diferenciada para o aprendizado dos alunos, é fundamental que parte significativa (talvez 50%) das bonificações seja em função dos seus desempenhos individuais e o restante em função da performance global da escola. Com a adoção de um sistema meritocrático e o correspondente aumento das remunerações dos bons professores, espera-se que para a profissão sejam atraídos novos e bons profissionais. O impacto pode ser significativo.

Estudo feito para a situação dos Estados Unidos mostra que se os 10% piores professores fossem substituídos por professores, não excelentes, mas medianos, a qualidade da educação subiria do atual patamar (posição 35 no ranking de matemática) para o nível finlandês (top 2). Se o impacto fosse semelhante no caso brasileiro, reduziríamos pela metade a nossa distância da média dos países da OCDE.

A última ponta do tripé envolveria uma necessária mudança na legislação trabalhista. Hoje, um professor concursado não pode ser demitido caso fique comprovada a sua incapacidade de ensinar. Uma nova legislação deveria explicitar que os novos professores contratados já estariam sujeitos ao sistema meritocrático descrito acima, com maiores salários, sim, mas sujeitos à demissão.

Com os conhecimentos existentes hoje, as mudanças sugeridas acima são aquelas mais prováveis de gerar uma melhoria na qualidade da educação. São políticas fáceis de sugerir, mas não tão simples de implementar, pois exigiria um enfrentamento do corporativismo. Quem teria a ousadia necessária para a sua adoção: PSDB ou PT?

________________________________
Eduardo de Carvalho Andrade é PhD em economia pela Universidade de Chicago e professor do Insper

51 Comentários + Add Comentário

  • Talvez nenhum dos dois. Mesmo o governo “socialista” de Eduardo Campos trata os professores como animais de laboratório – muito mal.

    Os governos de hoje em dia só sabem olhar números e estrutura física pra “saber” como anda a educação. Por isso vemos tanta propaganda papagaiada sobre “novas escolas, com laboratório de informática, biblioteca e quadra poliesportiva”, “escolas reformadas” e “x% mais alunos”. Não lhes interessa como os professores e alunos são tratados.

  • Prezado Eduardo,
    Gostaria de fazer duas perguntas e adicionar as suas considerações algumas impressões empíricas, fruto da vivência no ensino médio, tanto privado quanto público, em PE.
    Bom, primeiro gostaria de saber qual a base de cálculo utilizada para afirmar que “durante um ano letivo, o bom professor é capaz de ensinar o equivalente a 1,5 ano. Já um professor ruim ensina o equivalente a 0,5 ano”.
    Em seguida, gostaria de saber se o seu ponto de vista sobre a meritocracia baseia-se em qual teoria pedagógica, supondo-se que além de sua experiência como aluno e economista, estejas difundindo paradigmas educacionais mais adequados a nossa realidade.
    Veja, por diversas vezes, em minha vida profissional, enfrentando o absurdo com que a educação pública em PE vem sendo tratada em PE, imaginei que a profissão de professor estivesse fadada a extinção, assim como os dinossauros no passado. Porém, a cada ano vejo entrarem na profissão, incentivados pela nossa LDB, novos aprendizes, vindos das brenhas escuras que são a indústria de ensino superior em PE, inclusive a querida UFPE. Estes novatos, quase sempre muito dispostos a obedecer e se adequar as velhas práticas de ensino e gestão educional em PE, até por medo de “dançar” durante o probatório, não têm, apresentado inovações significativas. Me parecem produtos semi-acabados, às vezes, com defeito de fabricação, despejados no mercado pelas faculdades e universidades privadas e públicas. Creio que questionar a eficiência e qualidade dos produtores de “professor” seja um dos caminhos para entender o problema. Entretanto, o buraco é maior. Existem muitos fracassados em áreas limitrofes a educação (vide advogados ensinando filosofia ou economistas como gestor pedagógico) que migram para o mercado do ensino, tanto como professores como consultores. Esta estratégia de sobrevivência seria até salutar se tais indivíduos, verdadeiros educadores improvisados, não exercessem a atividade como bico para complementar orçamento ou ilustrar curriculum vitae. Não se interessam por lutar por seus direitos e reproduzem todo o tecnicismo instalado nas propostas curriculares e nas políticas de compensação social do governo, (até porque não possuem autonomia intelectual para ensinar ninguém). Alguns colegas usam a terminologia “prostitutos da educação”, o que não concordo. Agora, imagine tais pessoas na função de identificar os “bons professores” que vc busca. Estabelecer criterios para tanto não será algo facil. Por outro lado, afastar as aves de rapina (vide políticos que se locupletam do educação pública, através de indicações, remoções, ameaças e mesmo apropriação de recursos) seria outro caminho, o que implica afastar o PT, PSDB, e todos os outros partidos existentes. Como fazer isso? Pode-se alegar que são parte de nossa realidade ou que eu esteja sendo muito radical moralmente, mas é fato. Supondo que a educação é uma arte que precisa ser estudada, do que resulta que o bom professor é, ele próprio, um eterno aprendiz”, não tenho certezas, mas sei quando certas propostas estão fadadas ao fracasso.

    • Bom comentário.

    • Comentário magistral!

    • Comentário looooongo… Mas eu li tudinho. =D Só não achei que sua generalização a respeito dos partidos tenha mais base do que a relação 0.5:1:1,5 a que se referiu o articulista.

      • Prezado Zambo, apenas fiz divagações que deve ter atingido mais ao Pierre que ao autor do post, embora sem maldade alguma, pelo menos foi a intenção. Já tenho certa experiência para não me deslumbrar com análises rápidas, rapidíssimaaaas, mesmo que eivadas de certa dose de convicção e arrogância, ilustradas por títulos acadêmicos que “conferem” a aura da “refinada” categoria intelectual, tal qual a famosa “palavra abalizada”. Como não estamos falando de resenhas de futebol e sim, de algo muito sério, e estratégico para o desenvolvimento de PE, me senti tentado a alongar as “carícias provocativas”.
        Sem mais para o momento, desejo-lhe um bom fim de semana, repleto de temas mais amenos.

  • postagem cheia de falácias.

    Professor ruim simplesmente não ensina nada durante todo tempo, tem apenas um emprego público.

  • A primeira coisa que esse pessoal que vem divagar sobre educação deveria se perguntar é por que o ensino das Escolas Técnicas Federais, Colégios Militares e Colégios de Aplicação está bem acima da média das demais escolas públicas.

    Professores que passam por um concurso até respeitável, recebem um salário digno e tem um número de turmas e alunos aceitáveis.

    Escolas onde ainda há alguma disciplina e onde os professores são respeitados… e nem por isso são ditadores…

    Alunos que entram nas escolas através de processo seletivos… e nem por isso são traumatizados…

    Educação pública de qualidade pra todo mundo num país desse tamanho não existe… no mais, a sociedade precisa de garis, estivadores, pedreiros, etc.

    • Quanto ao seu último parágrafo, creio que vai num ponto importante: por que agora tudo tem que ser para todo mundo, como se fôssemos todos iguais?

      Se tem gente que não quer estudar, por que obrigar? Ainda entendo que esta obrigação seja dirigida às crianças, pois estas não têm informações suficientes para tomar tal decisão. Mas universidade para todos? Isso é insano e improdutivo. Agora as turmas na universidades são de 60, 70 alunos e tem gente que acredita que vai sair alguém realmente formado nesse ambiente.

    • Krishnamurti

      Ah, o país precisa sim de profissionais garis, estivadores, pedreiros. Mas isso não quer dizer que a nossa educação seja voltada pra formar pessoas em sua maioria pra exercer essas profissões.

      No mais, concordo com você. E digo mais: a situação da educação como a vemos hoje decorre da desvalorização do professor e esta pelo baixo salário (o professor tem que se desdobrar pra receber o que realmente vale) e pelo baixo prestígio. Baixo prestígio porque qualquer um pode ser “professor” fazendo um curso de fim de semana de pedagogia numa FaFeFiFoFu da vida. Também temos a falta de valores familiares que contribuam para aumentar este prestígio de que gozávamos em tempos idos e idos.

  • *processo seletivo

  • O problema é que fazer o que deveria ser feito dá muito trabalho e ninguém quer ter esse trabalho. Além disso, o que deve ser feito não dá votos e no feudo dos políticos profissionais isso é inadmissível. O ensino tá uma merda (não achei um termo melhor) ? Aprova todo mundo! Os governantes ficam felizes pois podem usar os números nas campanhas e os bobos alegres ficam felizes com o “diproma”!

  • Este é o comentário que eu quero que FIQUE

    Bom, detesto certos tipos de quantificação, acredito que números não condizem com a realidade e a forma que os alunos são preparados para o vestibular distancia-se bastante do desenvolvimento intelectual do aluno e, ainda mais, limita a capacidade do professor.

    Concordo que há o professor bom e o ruim, contudo, não vejo como identificá-lo de forma concreta. Da mesma forma que o bom juiz não é medido por sua prova, não dá pra se medir um professor com tanta simplicidade quanto medimos qual tom de cor fica melhor com uma gravata amarela.

    Segundo o texto:
    “Caracterizar um bom professor não é tarefa simples. Um bom professor não necessariamente é aquele que realiza vários cursos de especialização, que tem vários anos de experiência em sala de aula, que tem notas altas em exames sobre o conteúdo da sua disciplina ou qualquer outra característica observável pelo gestor. Esses são exemplos de fatores utilizados hoje no Brasil para promover os professores. É preciso criar um sistema capaz de identificá-lo.”

    Isto eu concordo, mas qual seria essa forma? Consultar pais e diretores? Seria, então, uma forma de avaliação totalmente abstrata. Na qual o mais carismático seria o melhor professor. O que não é sempre verdade.

    Outro ponto controverso, para mim, é considerar o professor pelo aproveitamento de sua turma. Ora, não é possível dizer que o professor é o único fator responsável pela educação de uma criança. Ele é, sem dúvida, contributivo, mas o que a Escola constrói, deve ser mantido pelo ambiente familiar e vice-versa. Se pegarmos, por exemplo, famílias carentes, não há como exigir um grau intelectivo satisfatório, não apenas por culpa do professor, mas, também de que se a criança não tem nem como se alimentar, um fator que limita o aprendizado. Se não tem as condições básicas de estudo, como esperar um bom resultado numa prova a nível nacional? Como culpar o professor pelo baixo desempenho?

    Ainda mais, saindo de uma criança carente, indo para uma mais favorecida. A família, se não tiver uma boa base, pode mais atrapalhar o que o professor faz, do que ajudá-lo. Primeiro, como já houve uma charge deste teor neste blog, os pais acusam os professores de darem notas ruins para seus filhos, contudo, nem sempre o professor é um neurótico, mas muitas vezes, e eu, como estudante, vejo muito isso, a culpa é do aluno que não estuda como deve.

    Digo-lhes, por experiência pessoal, na minha universidade há muitas reclamações de professores, contudo só pude sentir que elas são plausíveis com um único professor. Todo período tenho um professor cavernoso, estou indo pra o 9 período e só um era um maníaco. Como, então, acusar os outros professores de serem ruins, como quantificá-los, se o cenário que temos hoje é de pessoas que só buscam “restart”, na qual o papel da mídia de ajudar a educação da criança tem sido a desconstrução indiscriminada dos valores familiares e dos trazidos pela escola? Na qual se alimenta atrocidades como a lei que proíbe palmada, quando já há leis que proíbem agressões! Jogar a responsabilidade exclusivamente para o professor é ser bastante simplista, é esperar que o professor seja Deus e, assim sendo, coloque todo o ensinamento na cabeça do aluno. Como Ele ainda não reencarnou para salvar-nos de nossos pecados, temos que ajudar os professores, em todos os segmentos da sociedade para que ele seja um fator de mudança.

    O professor é indispensável, ele contribui de maneiras variadas para o crescimento do aluno. Eu, quando gosto de um professor me sinto estimulado a estudar o assunto, buscar soluções, já quando o professor é medíocre ou ruim perco o interesse. Esta é uma postura que eu adotei pela minha criação, por falta de orientação na escola, por falta de hábito de estudar. Hoje, luto contra um hábito, o que não é fácil e tenho PLENA NOÇÃO que minhas deficiências não são culpa dos meus professores, então não me sinto no direito de julgá-los, ou de achar que eles são bons e ruins e eu sou SÓ conseqüência disto.

    Por nossa capacidade de aprender e mudar, se a sociedade colaborar com o trabalho do professor vejo grandes possibilidades de melhora. Se o núcleo familiar, base de toda a sociedade, contribuir com o trabalho do professor, resgatando-lhe a autoridade, ensinando as crianças o prazer da leitura e a importância disto, vejo, para o nosso país, um grande crescimento.
    ———————————————————————-
    Segundo blog de Rodolfo Araújo, que trazem dois ótimos textos sobre motivação, o fator DINHEIRO não é chave para a motivação, contudo VER SENTIDO E SIGNIFICADO DAQUILO QUE SE FAZ é muito mais proveitoso. É por isto que ainda há médicos e professores que se submetem a estes salários. Não que o baixo salário não contribua pra desmotivação, pois mostra o quão importante são para o Estado o que acaba, a meu ver, por tirar parte do significado.
    http://rodolfo.typepad.com/no_posso_evitar/2010/06/the-upside-of-irrationality-dan-ariely.html
    http://rodolfo.typepad.com/no_posso_evitar/2010/07/the-upside-of-irrationality-motivacao-e-vinganca.html

    • [i]É por isto que ainda há médicos e professores que se submetem a estes salários.[/i]

      Médico? Está de sacanagem não é?

      Professores se submetem a tais salários quando não têm outra coisa pra fazer da vida e precisam sobreviver, comer, sabes?

      • Médicos do Estado ganham pouco e trabalham muito. Não acredite no que o parente do governador disse que médicos ganham sete mil reais de um vínculo.

        No estado de PE, um médico deste estado ganha cerca de 2800 bruto. Vai me dizer que para um mês, isso é muito? Ele consegue sustentar uma família assim? É por isso que eles entram em jornadas de trabalhos que superam e muito a carga horária de um trabalhador normal. Sim, se ele tiver consultório ganha 35 reais para uma consulta com direito a volta, então dá 17 reais a consulta? Só que um consultório não se sustenta sozinho, paga imposto, então, quantos pacientes ele precisa atender pra ter uma renda?

        • Professor do Estado em PE em início de carreira recebe menos que R$6,50 brutos por hora de aula.

        • Carissimo,

          segundo minha tia, professora aposentada, pode chegar a menos que isso… E o professor tem que dar, no mínimo, 200 aulas por mês…

          Pra mim as duas situações são pessimas. Ambas são fundamentais e deveriam ser remuneradas como os juizes. Se estes ganham muito, que se diminua seu salário a fim de garantir vencimentos iguais a todos que compõem a base de uma sociedade: professor, médico, juiz e policial.

  • O ensino vai muito ruim em Pernambuco. É o Estado que paga o pior salário do país aos professores. O dinheiro é mal gerido, muitas vezes o dinheiro recebido com convênios internacionais não chegam às escolas. A Secretaria de Educação de Pernambuco é a secretaria que possui o maior orçamento público do Estado, só para terem uma idéia. Concordo com os outros fatores já comentados acima. http://veja.abril.com.br/gustavo_ioschpe/index_270908.shtml

  • “Hoje, um professor concursado não pode ser demitido caso fique comprovada a sua incapacidade de ensinar.”

    Errado. Qualquer concursado (seja ou não professor) pode ser exonerado em razão de baixo desempenho na realização de suas funções. Conferir art. 41, §1º, III, CF/88.

    • Fale um caso, apenas um, em uma universidade federal.

      • O autor do artigo afirma que, devido à legislação brasileira, não é possível demitir um professor em razão da baixa qualidade do seu ensino.

        Só mostrei que isso não é verdade, e que a lei prevê que qualquer servidor ocupante de cargo efetivo pode ser exonerado em razão de “baixo desempenho”

        Se não há exemplos em universidade federal, a culpa certamente não é da legislação, e sim das pessoas que não a aplicam.

      • Por causa do corporativismo de você, ora.

  • Um professor bom é aquele que se preocupa com o futuro das pessoas. É aquele comprometido com a transformação do indivíduo, apesar de sua bagagem social, através do conhecimento.
    Como reconhecer e bonificar esse profissional não é impossível, uma vez que temos exemplos de escolas públicas de qualidade aqui mesmo. Falta vontade de executar um plano de valorização desse profissional. Sem mero aumento de piso salarial, que isso é lorota pra sindicato faturar contribuição.
    O professor precisa de boas condições de trabalho, recursos e garantias de segurança pra executar suas atividades com tranquilidade.

    • É simples, cara Dulce. Como a maioria dos professores são ruins, se forem bonificar os bons, eles perderão votos da maioria ruim, que além de serem maioria são os que usam as aulas apenas para fazerem discursos políticos. Político só quer voto. Eles sabem perfeitamente que quem botar a cara a tapa para reformular a educação será mal visto e outro que não fez nada, ao colher os frutos da mudança, é que será considerado o santo. Pontanto é melhor aprovar todos.

      • Essa é uma perola tipica da filosofia Pedro de Lara.

        • Ué, mas é exatamente isso que acontece na rede de educação pública estadual e municipal.

      • Realmente, sem vontade não se faz nada nesse país.
        Sinceramente, o que eu penso sobre a educação é que o governo deveria fazer um “Prouni” para a educação.
        Literalmente deveria comprar vagas nas instituições particulares e delegar a elas tarefa de oferecer ensino no mesmo padrão. Se já provaram ter competência, então pra quê dar “murro em ponta de faca”?
        Pra quê investir em prédios, estruturas, cursos, laptop, se o componente humano (professores) não corresponde?
        Aí vão gritar: NÃO PODE PRIVATIZAR A EDUCAÇÃO.
        Mas, pode condenar uma geração inteira à falta de condições de concorrer igualmente às oportunidades!!

        • Só completando.
          Lembro de uma entrevista que a Viviane Senna deu em que ela dizia que 1 aluno do instituto custava R$50,00 por mês. Hoje, no site do instituto há informação sobre diversos programas (Gestão Nota 10), inclusive alguns adotados aqui em Pernambuco. Então, por quê não ampliar? E sistematizar?
          http://senna.globo.com/institutoayrtonsenna/

        • Dulce, esquece que até mesmo nossas escolas particulares ensinam mal?

          Tanto que o aluno brasileiro é um dos últimos, não consegue interpretar textos, não desenvolve raciocinio lógico.

          O governo PAGA pelo prouni, ele só estaria pagando pra um empresário fazer o que ele não faz, porque ganha voto do mesmo jeito…

        • Dulce,
          Você acha mesmo que Viviane Senna iria encontrar algum defeito em sua própria instituição?

    • Sem mero aumento de piso salarial?
      Não seria melhor convocar voluntários, a começar por vc!

      • Se ela não estiver sendo irônica só pode estar sacanagem mesmo…

  • Quanto a família: crie-se uma lei que responsabilize e puna os pais quando o aluno não faça a lição de casa repetidas vezes… vai ser tanto nego preso…

    Educação nesse país só serve pra fazer propaganda, como o atual governo de PE está fazendo…

    Educação de qualidade em busca da excelência não casa com todas essas teorias pedagógicas babacas com teor marxista que é ensinada no CE’s das universidades país afora.

    O número de unidade de escolas técnicas federais tem aumentado, pelo menos em PE. Tomara que o nível não caia em nome da educação em massa…

    • Eita!
      A culpa agora é das teorias pedagógicas de teor maxista, é?

      • Estou bulindo em casa de marimbondo não é?

        • Tá sim. Mas não tá sozinha.

          Na verdade, eu comecei licenciatura em Matemática na UPE. E das cadeiras que eu pagava que tinha “X da educação” só prestou aquela em que o X era “Filosofia”. O professor era bem caxias e cabeça dura, mas pelo menos não era um Freirolóide (nada contra o mestre Paulo, mas ele é muita vezes usado como desculpa pra trocar aula por conversê).

          Abandonei a licenciatura e fui fazer Ciência da Computação. Mas tô ensinando Matemática tanto como voluntário quanto como remunerado. Apesar de não ser professor formado na disciplina, não troco a minha paixão por ensinar por muita licenciatura que tem por aí.

      • E o que é a UFPE, por exemplo, se não um reduto de filhinho de papai metido a revolucionário ? O paradoxo é que são tão “revolucionários” que se submetem a serem capachos de professores, que se acham deuses, por notas, inclusão em trabalhinhos (que dizem ser científicos) inúteis só para encher linguiça nos curriculos !

  • Acho que a primeira providência deve ser restaurar a disciplina na escola. Como fazê-lo? É preciso que a lei permita a suspensão e até expulsão de alunos. Hoje o guri bate no professor, estupra a colega na biblioteca, leva arma de fogo na sala de aula, desrespeita a direção da escola e fica tudo por isso mesmo. Assim não dá.

  • Tornando a me intrometer no caso, vejo que muitos comentários continuam desfocados, tanto do que se propõe o autor a defender, quanto a se aproximar das verdadeiras causas do baixo aprendizado estudantil. Por falar nisso, por que o autor do post não responde aos questionamentos feitos?
    Estoue sperando…. sentado, é claro!

  • Não estou vendo nada desfocado por aqui, além do artigo que abriu esse tópico, como o Marcelo escreveu aí, um dos principais problemas das escolas hoje é a total falta de disciplina.

  • Os dinamarqueses (O país campeão mundial de felicidade) são como que guiados pelo Janteloven, ou Leis de Jante. Jante é uma cidadezinha imaginária criada pelo romancista Aksel Sandemose em 1933 no livro Um fugitivo cobre seus passos. Os traços básicos dos habitantes de Jante refletem o dinamarquês médio. Uma frase das Leis de Jante resume o espírito da coisa: “Você não é melhor que ninguém”. Logo, ninguém também é melhor que você. A Janteloven estimula a modéstia e a simplicidade – e acaba sendo uma armadura contra golpes na auto-estima. As Leis de Jante têm o efeito de fazer os habitantes da Dinamarca sentirem que ninguém é superior a eles.
    Se aplicada aqui, esta filosofia de vida corrigiria tudo falado antes, diga-se, com muita propriedade pelos postulantes. Como dar boas aulas se existe desigualdade até no chão que se pisa nas diferentes salas de aulas. Escolas diferentes entre si, professores tratados diferentemente independente de sua qualificação ou esmero, apenas a sua unidade escolar determina o seu contra cheque.
    Disciplina, pais, ECA, tudo junto e separados são responsáveis pelas mudanças de tudo que dava certo na escola. Já notaram como alunos indisciplinados mudam quando se alistam e estão nas forças armadas?
    Carteiradas, cargos públicos com discrepâncias exorbitantes nos salários. Falta de visão de futuro nas escolas públicas para estes alunos de comunidades pobres. Pensam, nunca vou chegar lá ou nem sabem o que existe alem de sua comunidade. Desigualdade tem sido a grande responsável conduzida com maestria pelos políticos e suas gerações neste país.
    Achei fantástico o posicionamento de Reci e mais alguns outros porém chego a pensar que a educação é um doente em estado terminal e somente um tratamento de choque e inovador resolveria mas que não seria aceito pelos que criam as leis.
    Quanto a idéia ou colocação sobre aqueles que permanecem são incompetentes ou não buscam outra opção por falta de qualificação é muito mesquinho e chega ao limite da falta de conhecimento do espírito humano. Imagine se os grandes musicistas ou pintores da idade média tivessem este pensamento e certamente pelos ganhos que obtiveram com suas obras primas mudariam de profissão e nos teriam frustrado de tantas obras primas.
    Portanto, Continuar médico ou professor, independente dos salários, é vocação e talento. Trabalhar mais motivado depende das outras colocações e razões anteriormente colocadas.
    Quando se fala em pesquisa no mundo, equipamentos e condições de trabalho fazem diferença? a resposta se aplica também na educação. Estes pesquisadores são classificados de melhores ou piores independente de condições?

  • “Portanto, Continuar médico ou professor, independente dos salários, é vocação e talento.”

    Isso é utopia, pra começar, médico só vive mal se for muito burro. Já professor da rede pública estadual e municipal se não tiver outro emprego está fodido, isto é fato.
    E a maioria deles é ruim e malformado em alguma uniesquina da vida.

    • médico, se escolhesse um emprego, viveria mal.

      Caro, você tá distante da realidade médica, viu?

      O médico se submete a carga horária imensa, e por isso ganha muito. Não é tão simples quanto um juiz, que não passa das 8 horas de trabalho, é traalhando até 18 horas por dia, lidando diretamente com vida, é um trabalho estressante, mas que claro, assim como professor, tem que ser operado com paixão.

      Agora, não é a dinamarca um país que ganha em suicidio?

      • Laccosta, no Brasil,antes que vc pense em se suicidar um marginal já fez esse serviço para vc!

  • Não gostei do tom do artigo, que vem cheio de números e opiniões fundamentadas na lógica econômica. O assunto é realmente como melhorar a educação?

    Toda vez que se discute este assunto, eu fico em dúvida se estão querendo resolver o problema do aprendizado ou da educação das pessoas. Quanto ao primeiro problema, dou uma sugestão curta e, talvez, grossa: professor ensina, aluno estuda e o problema do aprendizado está resolvido. Já o problema da formação das pessoas, aí este é mais complexo e não será resolvido apenas na escola. Se os pais continuarem sendo irresponsáveis e deslumbrados com seus filhos, se o estado continuar a ser corrupto e se a sociedade continuar a valorizar preguiçosos, incompetentes e desonestos, não tem escola nem proposta pedagógica que altere esse processo.

  • Acho engraçado como muitos PHD’s em Economia tem habilidade para comentar sobre temas especificos como Educação.
    O que se nota por trás de todo este bla-bla-bla é que boa ou ruim, a Educação no Brasil é um mero produto que podemos quantificar numa Estatística para atender a padrões internacionais.
    O que ninguém fala é que Educação hoje deve ser conceito de valor pessoal, de formação de cultura e opinião, de fator de união das pessoas, e em especial (o que é contraditório) da melhoria de qualidade de vida. Por exemplo, hoje se fala em política de “Educação Profissional” Técnica, mas ninguém mostra que os Técnicos estão ganhando apenas 15% a mais que um salário mínimo no nosso Estado. E esta porcentagem é fruto de mais um cálculo realizado pela “Ciência” de nosso ilustre Economista.
    Temos que nos conscientizar que Educação não é o que se ensina na escola em 12 matérias, mas sim o que se vê nos lares na criação dos filhos, na nossa sociedade, nos meios de comunicação e dentro dos nossos ambientes empresariais. Se não chegarmos a esta consciencia, vamos continuar alimentando as fábricas de Diplomas que existe no nosso Estado e fazendo como que muitos “Drs. e Phds” fique falando estas abobrinhas tecnicistas e decidindo o rumo de nossas vidas em Sociedade.

  • Reflitam… Um Professor da rede Estadual de ensino em Pernambuco com Doutorado e em final de carreira , de acsrdo com o atual Plano de cargo e carreiras recebe igual a um Policial civil no início, ou deja pouco mais que R$ 2.000,00.

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  • “O homem de bem é um cadáver mal informado. Não sabe que morreu.”
    Nelson Rodrigues.

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Informação com Humor

MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).