Como o Uber pode ajudar os aplicativos de taxi

ago 10, 2015 by     17 Comentários    Postado em: Artigos e Análises

Por Felipe Liberal
para o Acerto de Contas 

Estamos todos no meio de um grande caldeirão fervendo, com a tampa fechada e o fogo no máximo. Em todos os sentidos: política, partidarismo, religião, maioridade penal ou qualquer tema que possa minimamente direcionar para um caminho dualista. O dualismo tomou conta das redes sociais de forma assustadora, onde o bem e o mal só dependem do lado que você está.

No “Caso Uber”, este que virou debate nacional e internacional abordando temas como empreendedorismo, legalidade, justiça e “opressão do capitalismo sobre os taxistas” (vejam só!), a coisa foi um pouco mais além, pois não lembro de nenhum outro aplicativo para celular gerar tantos protestos, discussões e violência.  Neste texto não vou entrar no mérito se o Uber é justo ou não, mas, alertar de como os taxistas e os empreendedores do setor taxista podem usufruir do caos instalado.

Os aplicativos para celular que auxiliam a logística dos taxis (99taxis ou Easytaxi) chegaram com uma proposta de oferecer segurança e conforto para o passageiro que consume o serviço, porém, muitos taxistas são reticentes com a proposta achando que conforto ou segurança são “besteiras” ou simplesmente tem certa aversão por tecnologia.

Considerando que o Uber veio para ficar – não acredito que pressão alguma destrua uma inovação e um avanço dos meios de locomoção – os taxistas não tem outra alternativa a não ser se render aos aplicativos e outras inovações que virão dentro do conceito “conforto e segurança”.

O lema do Uber é quase este: taxi não é seguro, portanto, venha conosco. Ou seja, nos próximos 10 anos quem inovar na proposta de salvar o taxista do Uber sairá na frente, pois o mesmo Uber sobreviverá à guerra…e o taxista também. É uma guerra em que perdem os dois, pois ambos terão que reconstruir os escombros depois. O tempo perdido na guerra deveria ser um tempo dedicado à inovação e busca de uma revolução dentro da própria categoria.

A tendência é que mais taxistas devam aderir aos aplicativos de taxi e cada vez mais inovações sejam criadas para competir com o Uber. Dificilmente o taxi morrerá, fazendo então com que os aplicativos de taxi cresçam cada vez mais, nivelando por cima a disputa onde quem ganha é a mobilidade urbana. Que bom!

Sair da zona de conforto é difícil, todos nós sabemos, mas é necessário. O taxista que não se integrar às novas tecnologias, este sim, perderá a guerra.

17 Comentários + Add Comentário

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  • Sou 100% Uber. Tecnologia, qualidade e inovação a serviço das pessoas. Não adianta os taxistas espernearem feito crianças, vão perder tempo competindo com tecnologia, essa guerra já está ganha pelo Uber. Quem ficar contra a tecnologia só vai se desgastar a troco de nada, o Uber veio para ficar.

    • O Uber não é a tecnologia em si, é uma empresa que usa a tecnologia – de forma inescrupulosa em alguns casos – pra ganhar dinheiro. Sim, a tecnologia veio pra ficar, quanto a isso não se discute. Já a empresa Uber, pelo menos na sua atual configuração, não deve ser considerada a salvação da lavoura. Seria terrível para a sociedade ficar refém de algo assim.

      • Taxistas oferecerem um serviço péssimo, explorando, muitas vezes, motoristas com suas dezenas de “permissões” e diárias, com a total conivência do estado, não é nada inescrupuloso. Entendo que o Uber não pode atuar de forma irrestrita, mas é uma alternativa sadia, interessante e necessária para esse problema do transporte de passageiros. Será que o Whatsapp, netflix, facemessenger, também seriam inescrupulosos?!

      • “Inescrupuloso” = oferecer um serviço melhor.

        Os taxistas são reféns apenas da própria incapacidade de competir com o Uber.

        • O Uber flutua preços, chegou a cobrar 100 dólares no dia daquele sequestro em Sydney – o preço da corrida do táxi, por exemplo, é tabelado; há diversos casos de ações antiéticas por parte da empresa (tipo chamar corridas pra motoristas de aplicativos concorrentes e depois cancelar, perseguir críticos); não existe a classe trabalhista “motorista de Uber”, ou seja, não há direito trabalhistas pra os “colaboradores/parceiros” ou qualquer outro benefício; não pagam um real de taxa pra usar as vias públicas. Esses são alguns problemas.

          Basicamente, o Uber é um atravessador. Não tem frota, não tem vínculo legal com os motoristas (consequentemente não tem ônus algum), não paga impostos e leva 25% de cada corrida apenas por fornecer o sistema. Como disse, a tecnologia sim é revolucionária, já o que o Uber faz não tem nada de novo. É precarização do trabalho pura e simples.

          Não é por que o táxi é uma porcaria que o Uber vai ser solução. Trocar um problema por outro não ajuda em nada.

        • OK Felipe, mas tudo isso que você mencionou não outorga o direito aos taxistas de proibirem o Uber.

          O Uber é um produto da tecnologia, criado por uma mente visionária que teve uma boa ideia, não tem como proibir um “fenômeno” tecnológico desse tipo.

          Além do mais, os taxistas querem ganhar na força, na brutalidade, na selvageria e essa atitude retira deles a legitimidade e a razão perante a sociedade que não quer mais ficar refém da truculência dos taxistas.

          No jogo da modernidade o mais avançado ganha, o mais ultrapassado perde. Isso já aconteceu milhões de vezes na história recente.

          Por exemplo: a internet vai superar a televisão um dia, mas por enquanto as duas mídias convivem harmoniosamente. Não adianta os barões da televisão (Roberto Marinho, Silvio Santos, Edir Macedo, João Saad etc) se juntarem para tentar acabar com a internet.

          As pessoas tem que entender que a vida é assim, uns ganham, outros perdem. O mesmo processo de superação que acontece na natureza, acontece no mundo da tecnologia.

          No caso agora, o Uber fatalmente vai levar a melhor. É perda de tempo lutar contra a tecnologia. Quem quiser que se adapte ou assuma o risco de ficar para trás. Não dá pra ser de outro jeito. A tecnologia veio para ficar. É melhor os taxistas aceitarem para a situação não ficar mais traumática.

  • Essa guerra é do mesmo tipo que foi travada anos atrás, quando disseram que a imprensa digital iria acabar com os jornais de papel. Adivinha só, os jornais de papel continuam aí com toda a força.

    Ergo, uma absoluta perda de tempo.

    • Toda força? Que o diga os passaralhos na redações. De fato há ainda muita coisa sendo impressa, mas jornal impresso como negócio é uma indústria falida.

      Entendi teu ponto, mas o exemplo foi péssimo.

  • Acredito que o Uber é uma inovação. Porem assim como os taxistas, eles tem que ter uma licença da cidade para trabalhar. Portanto seria uma especie de empresa de transporte ou frota de taxis. Não pode é chegar e sair operando sem a devida licença, já que não é corona é um serviço pago.

  • Não vejo problema com o Uber. Uma pessoa pode tranquilamente sair por aí oferecendo carona aos amigos, parentes, familiares, conhecidos etc, se você for levar um tio ou primo para o aeroporto, qual o problema? Os taxistas vão perder fácil essa luta, eles não podem impedir o Uber, não tem como.

    • O único problema é justamente a cobrança Edson. Se for carona não gratificada, tudo bem. Mas se houver algum pagamento tem que ser regulamentado.

      • Brasileiro não pode ver alguém ganhando dinheiro que já quer meter a mão. Mentalidade de caranguejo danada.

  • Coopetaxi
    Teletaxi
    Cooperativas diversas de taxi

    Todas prestam um péssimo serviço. Centrais que demoram para atender e serviço lixo, com carros velhos e detonados

  • Uma das justificativas dos taxistas, talvez, seja na incapacidade deles de oferecerem automóveis luxuosos (para a nossa realidade) juntamente com um bom atendimento. Mesmo que eles ofereçam um bom atendimento, muitos taxistas se portam como se fossem carroceiros, dirigindo como loucos, com um aspecto horrível… entre outras. Para piorar: já tentou escolher um carro específico (mais luxuoso, ou modelo do agrado), de um motorista com melhor apresentação em uma fila de taxis?? Em muitas “praças” pode sair briga!!

    Sem contar que a própria concessão pública é uma moeda de troca… Comprar uma praça para rodar taxi no Recife a pessoa tem que desembolsar na faixa dos R$100mil Reais. Imagina em outras cidades maiores como São Paulo, Rio e Curitiba? Passar a concessão é: (i) uma garantia de retorno financeiro em tempos difíceis; (ii) um mercado estabelecido.

    Qual taxista vai querer perder o seu?? O mesmo paralelo pode ser feito para uma pessoa que compra uma franquia de outro indivíduo, estabelecido em um local com clientela conhecida. Vai vender/atender no mínimo da mesma forma que o dono anterior.

    O UBER, como ouvímos na mídia, não é como o UBER acontece em outros lugares. O Haddad em São Paulo está querendo conversar com todas as partes para resolver o problema… Dá uma olhada nas idéias dele: Conversa Afiada – Fernando Haddad

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).