Cuidar da cidade é a melhor forma de comunhão
Por Bruno Bezerra*
para o Acerto de Contas
Dono de uma inteligência privilegiada, o arquiteto e urbanista Jaime Lerner é um dos mais competentes pensadores da dinâmica das cidades. Lerner certa vez disse “A maior atração de uma cidade é a qualidade de vida de seus moradores”.
Para um expressivo número de cidades Brasil afora, pensar e planejar estrategicamente o desenvolvimento sustentável com foco na qualidade de vida de seus moradores, ainda é um desafio sem data para ser enfrentado.
Quando a dinâmica da cidade não é pensada nem planejada, a população é quem sofre as mais cruéis conseqüências. Como também quando a cidade é pensada e planejada, a população é quem usufrui das boas conseqüências. E isso acontece por uma razão simples: nós não estamos na cidade, nós somos a cidade.
A maioria dos políticos – em especial os prefeitos – só pensa e planeja eleições. Um grande número de prefeitos passa a maior parte do tempo pensando e planejando política partidária e eleições, e a menor parte do tempo tentando administrar a cidade. É bem verdade que dentro dessa improdutiva realidade existem raríssimas exceções. O problema é que, o que é exceção, deveria ser a regra.
É aí que reside o perigo. Se você perguntar a respeito das próximas eleições, a maioria dos políticos é capaz de pensar e planejar os mais variados e vantajosos cenários nas inúmeras eleições dentro dos próximos 12 anos.
É assim que a imensa maioria das prefeituras tem trabalhado. A política partidária tem sido mais importante do que a cidade, e isso tem maltratado muitas cidades. Quando a cidade é maltratada, quem sofre de verdade são as pessoas que nela vivem.
A política partidária e as eleições são importantes pilares do processo democrático, mas na relação com a cidade o que precisa existir é um modelo de desenvolvimento sustentável onde a estrutura política funcione para fomentar a qualidade de vida na cidade, e não o contrário.
Para tanto, as prefeituras precisam de um conjunto de pessoas capazes de pensar, planejar e executar um modelo de desenvolvimento sustentável, que tenha como resultado primordial um elevado grau de qualidade de vida coletiva na cidade.
A cidade congrega vidas, mas não qualquer vida, a cidade congrega nossas vidas. E da mesma maneira como pensamos e planejamos o melhor para nossas vidas, precisamos pensar e planejar a vida da cidade.
O debate da cidade precisa girar em torno de temas como saúde, educação, segurança, urbanização, limpeza, infraestrutura, economia, cultura, mobilidade, meio ambiente e assim por diante. Se quisermos viver melhor, precisamos tornar nossa cidade cada vez melhor. A relação é diretamente proporcional: quanto melhor for a cidade, melhor será a qualidade de vida das pessoas que nela vivem.
Cuidar da cidade é a melhor forma de comunhão, é a melhor forma de cuidar de todos sem distinção. Pense nisso e cuide de você cuidando da sua cidade, afinal de contas… você é a cidade!
*Bruno Bezerra é adminstrador de empresas e diretor de desenvolvimento e empreendedorismo da CDL de Santa Cruz do Capibaribe-PE.
Twitter: @brunobezerra
Facebook: www.facebook.com/brunobezerrape
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As eleições no Brasil são pautadas por baixaria. Os políticos não querem debater o que fazer, pois seus financiadores já fizeram essas determinações.
Belo Poema, este seu, caro Bruno.
Reproduzo Gonçalves Dias, para deleite dos leitores do Blog.
[Canção do Exílio]
“Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.”