Cuidar da cidade é a melhor forma de comunhão

jun 11, 2012 by     2 Comentários    Postado em: Artigos e Análises

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Por Bruno Bezerra*
para o Acerto de Contas

 

Dono de uma inteligência privilegiada, o arquiteto e urbanista Jaime Lerner é um dos mais competentes pensadores da dinâmica das cidades. Lerner certa vez disse “A maior atração de uma cidade é a qualidade de vida de seus moradores”.

 

Para um expressivo número de cidades Brasil afora, pensar e planejar estrategicamente o desenvolvimento sustentável com foco na qualidade de vida de seus moradores, ainda é um desafio sem data para ser enfrentado.

 

Quando a dinâmica da cidade não é pensada nem planejada, a população é quem sofre as mais cruéis conseqüências. Como também quando a cidade é pensada e planejada, a população é quem usufrui das boas conseqüências. E isso acontece por uma razão simples: nós não estamos na cidade, nós somos a cidade.

 

A maioria dos políticos – em especial os prefeitos – só pensa e planeja eleições. Um grande número de prefeitos passa a maior parte do tempo pensando e planejando política partidária e eleições, e a menor parte do tempo tentando administrar a cidade. É bem verdade que dentro dessa improdutiva realidade existem raríssimas exceções. O problema é que, o que é exceção, deveria ser a regra.

 

É aí que reside o perigo. Se você perguntar a respeito das próximas eleições, a maioria dos políticos é capaz de pensar e planejar os mais variados e vantajosos cenários nas inúmeras eleições dentro dos próximos 12 anos.

É assim que a imensa maioria das prefeituras tem trabalhado. A política partidária tem sido mais importante do que a cidade, e isso tem maltratado muitas cidades. Quando a cidade é maltratada, quem sofre de verdade são as pessoas que nela vivem.

 

A política partidária e as eleições são importantes pilares do processo democrático, mas na relação com a cidade o que precisa existir é um modelo de desenvolvimento sustentável onde a estrutura política funcione para fomentar a qualidade de vida na cidade, e não o contrário.

Para tanto, as prefeituras precisam de um conjunto de pessoas capazes de pensar, planejar e executar um modelo de desenvolvimento sustentável, que tenha como resultado primordial um elevado grau de qualidade de vida coletiva na cidade.

 

A cidade congrega vidas, mas não qualquer vida, a cidade congrega nossas vidas. E da mesma maneira como pensamos e planejamos o melhor para nossas vidas, precisamos pensar e planejar a vida da cidade.

 

O debate da cidade precisa girar em torno de temas como saúde, educação, segurança, urbanização, limpeza, infraestrutura, economia, cultura, mobilidade, meio ambiente e assim por diante. Se quisermos viver melhor, precisamos tornar nossa cidade cada vez melhor. A relação é diretamente proporcional: quanto melhor for a cidade, melhor será a qualidade de vida das pessoas que nela vivem.

 

Cuidar da cidade é a melhor forma de comunhão, é a melhor forma de cuidar de todos sem distinção. Pense nisso e cuide de você cuidando da sua cidade, afinal de contas… você é a cidade!

 

*Bruno Bezerra é adminstrador de empresas e diretor de desenvolvimento e empreendedorismo da CDL de Santa Cruz do Capibaribe-PE.

 

Twitter: @brunobezerra

Facebook: www.facebook.com/brunobezerrape

2 Comentários + Add Comentário

  • As eleições no Brasil são pautadas por baixaria. Os políticos não querem debater o que fazer, pois seus financiadores já fizeram essas determinações.

  • Belo Poema, este seu, caro Bruno.

    Reproduzo Gonçalves Dias, para deleite dos leitores do Blog.

    [Canção do Exílio]

    “Minha terra tem palmeiras,
    Onde canta o Sabiá;
    As aves, que aqui gorjeiam,
    Não gorjeiam como lá.

    Nosso céu tem mais estrelas,
    Nossas várzeas têm mais flores,
    Nossos bosques têm mais vida,
    Nossa vida mais amores.

    Em cismar, sozinho, à noite,
    Mais prazer encontro eu lá;
    Minha terra tem palmeiras,
    Onde canta o Sabiá.

    Minha terra tem primores,
    Que tais não encontro eu cá;
    Em cismar — sozinho, à noite —
    Mais prazer encontro eu lá;
    Minha terra tem palmeiras,
    Onde canta o Sabiá.

    Não permita Deus que eu morra,
    Sem que eu volte para lá;
    Sem que desfrute os primores
    Que não encontro por cá;
    Sem qu’inda aviste as palmeiras,
    Onde canta o Sabiá.”

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).