Cultura como negócio

abr 23, 2007 by     6 Comentários    Postado em: Artigos e Análises

Conheço André Freitas há 21 anos. Sempre foi músico, sempre foi engajado, sempre foi polêmico. A partir de hoje, ele passa a compartilhar conosco as idéias que borbulham na sua mente inquieta de produtor cultural. Seja muito bem-vindo ao Acerto de Contas, André!

Cultura como Negócio

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Encerrado mais um período carnavalesco, torna-se oportuno um momento de reflexão sobre a produção e consumo de bens culturais no estado e seus possíveis desdobramentos.

Com ampla cobertura da imprensa os dados econômicos revelados indicam cifras na casa dos milhões de reais.

Para ser ter uma idéia, o setor hoteleiro alcançou 100% de ocupação no período segundo jornais locais!

Tais resultados nos levam a uma questão fundamental:

No que se refere a produção cultural do estado, já que temos um calendário anual consolidado de eventos e festividades, por quê é tão difícil para nós atingir ou gravitar perto desses índices durante todo o ano?

Algumas questões levantadas a seguir talvez apontem para o(s) problema(s) e suas possíveis soluções.

O estado pelo volume,qualidade e diversidade de sua produção cultural é referência no país e no exterior em vários segmentos de expressão artística (cinema, música, moda e artes plásticas por exemplo ), em 2004 por exemplo, dos músicos da nova cena brasileira que o verão europeu recebeu a maioria era de pernambucanos para citar apenas dados do segmento musical.

Esses números são significantes não para alimentar a emblemática megalomania do estado ( o maior bloco de carnaval, o maior espetáculo ao ar livre, o maior São João, o maior Cuscuz do mundo…) mas para tentar entender como isso acontece, gera emprego e renda fora do país e as emissoras de rádio e tv continuam a ignorar fatos inquestionáveis igorando os artistas da cena independente !

Vale lembrar sempre: emissora de comunicação é uma concessão pública!

Apesar desses números expressivos , a cadeia produtiva artística em geral ainda enfrenta gargalos que impedem o salto qualitativo capaz de sedimentar o mercado.

Todos os atores envolvidos no processo : artistas,poder público, iniciativa privada e o público consumidor, tem sua parcela na conquista do sucesso presente como também na manutenção dos problemas históricos do setor.

Para os artistas falta entender seu trabalho como produto e ser capaz de estabelecer metas com objetivos definidos através de planejamento fundamentado e consistente.

Estar inteirado das novas formas de produção e compartilhamento em meio digital .

Ter habilidade para formatar projetos via lei de incentivo a cultura nas três esferas de poder público. Ser capaz de calcular o valor de sua obra/hora de trabalho, e buscar formas alternativas de comercializá-la .

Para o poder público falta ainda a definição de políticas claras para o setor. Políticas que ultrapassem o efêmero formato dos grandes eventos de rua. Falta um calendário regular no que diz respeito aos editais das leis de incentivo a cultura, com regras definidas e processo de avaliação transparente. Como balizador tome-se o exemplo de Minas Gerais que entre outras coisas envia para cada proponente , aprovado ou não, uma carta com a análise detalhada do projeto destacando suas virtudes e seus eventuais defeitos para posterior correção.

Falta o investimento a fundo perdido para projetos inovadores, que trazem questionamentos estéticos e apontam outros caminhos, que não se encaixam no formato da indústria do entretenimento de massa, e que sem o apoio estatal , dificilmente conseguirá financiamento direto.

A iniciativa privada deveria acompanhar a tendência nacional de apoiar projetos artísticos de comprovada qualidade que agregam valor à sua marca, dando-lhes em alguns casos, chancela de responsabilidade social, sem a exclusividade de patrocínio com renúncia fiscal através das leis de incentivo a cultura. Leis que por sinal exibem claros sinais de esgotamento dada a impossibilidade de atender a crescente demanda do setor a cada ano.

Na ponta do processo está o público consumidor, sufocado pela indústria cultural de massa, o achatamento no poder aquisitivo e o universo clandestino dos produtos piratas.

Apesar da inconsistência do mercado, e isso é um grande paradoxo, dispomos de uma boa infra-estrutura e recursos humanos, mas não conseguimos firmar o mercado. Como se este fosse uma quimera invencível e não um segmento a ser criado e mantido !

Só no âmbito musical, para que um grupo se apresente, uma enorme engrenagem de atores envolvidos tem que ser movimentada direta e indiretamente.

São estúdios de ensaio,lojas de equipamentos e instrumentos,técnicos de som e iluminação,contra-regras,produtores executivos, firmas de aluguel de som e luz, transporte, carregadores, montadores, seguranças, programadores visuais, gráficas, divulgadores, vendedores ambulantes, cambistas, flanelinhas .

Não podemos perder o momento favorável .

Pernambuco já possui eventos tradicionais consolidados no país , projetos que investem na formação/renovação de artistas e técnicos.

Precisamos que as entidades de classe representativa de cada categoria se renovem, se articulem e atuem de maneira mais efetiva e propositiva acompanhando a tendência natural de intersecção das linguagens artísticas .

Esse espaço servirá como mais um fórum para debates e compartilhamentos de idéias coerentes na busca por soluções possíveis para os problemas que enfrentamos diariamente.

Nos próximos artigos iremos detalhar os itens comentados.

Não deixe de acompanhar os editais que estão em andamento: a Caixa Econômica recebe inscrições para a ocupação de seus centros culturais até o dia 16/03 , o Funcultura abriu inscriões na última semana e recebe até o dia 09 de abril.

O Rumos ITAÚ Cultural abriu no último dia 07 novo edital para as áreas de música,literatura, jornalismo cultural e pesquisa em gestão cultural.

Garanhuns realiza em abril entre os dias 21 a 28 , o 3º Festival de arte e música com prêmios de até R$ 25.000,00 .

O Conselho Municipal de Cultura recebe projeto para Lei Municipal até o próximo dia 09 de abril.

O Projeto Multicultural da Prefeitura da Cidade do Recife recebe projetos de oficinas até o próximo dia 15.

Para as Artes cênicas segue uma lista de endereços dos produtores/curadores de vários projetos do país .

LINKS e contatos:

www.caixa.gov.br/cultura

www.femuartenhus.com.br (3º Festival de Garanhuns)

www.fundarpe.pe.gov.br

www.itaucultural.org.br

www.feiramusica.com.br

cultura@recife.pe.gov.br(81) 3224-8492, ramal 25 e (81) 3224-1327

I Festival de Teatro de Garanhuns (21 a 28 de abril), que integra o III Festival de Música e Arte de Garanhuns. Informações: www.festivaisdobrasil.com.br/femuarte (link Festival de Teatro, com premiação em dinheiro)

III Abril –Teatro e Danças, em Serra Talhada (de 14 a 29 de abril). Informações: (87) 3831.6461 ou 9619.7044 / carlossilvaator@hotmail.com

IV Festival de Teatro Para Crianças de Pernambuco (30 de junho a 31 de julho). Informações: (81) 3423.1568 / 3088.6650 / 9974.1736. E-mail: metron.producoes@uol.com.br
Festival de Teatro de Curitiba (PR):

* Não competitivo

Mostra Oficial Adulta e Infantil; Fringe – Mostra Paralela; Risorama – Mostra de Humor e Mostra de Teatro pela Região Metropolitana

Período: final de março e início de abril

Contato: Victor Aronis

www.festivaldeteatro.com.br
Filo – Festival Internacional de Londrina (PR)

Teatro adulto, infantil e de rua; dança, circo e música

Recebe propostas de atividades formativas

Período: 06 a 23 de junho de 2007

Contato: Luiz Bertipaglia (diretor) luiz@filo.art.br

Rua Souza Naves, 182, sala 402 – Londrina/PR. CEP: 86.010-160.

Tel. 43 3324 9202 / www.filo.art.br
14° Porto Alegre em Cena

Atrações locais, nacionais e internacionais

Contato: Luciano Alabarse ou Alexandre Magalhães

Inscrições até março

Período: setembro

lucianoalabarse@hotmail.com ou alexandreemcena@hotmail.com

www.poaemcena.com.br

Tel. 51 3235 2995
Festival de Dança de Joinville (SC):

*Competitivo para todos os estilos

Há uma Mostra Especial de Dança Contemporânea com atrações convidadas

Período: julho

www.festivaldedanca.com.br

Festival de Dança de Londrina (PR):

Contato: Leonardo Ramos

Mostra Estímulo (competitiva, com prêmio em dinheiro) e Mostra de atrações convidadas

Recebe propostas de atividades formativas

Inscrições a partir de março

Período: 08 a 14 de outubro de 2007

www.conexaodanca.art.br / apd@conexaodanca.art.br
1,2 Na Dança (Belo Horizonte/MG):

Contato: Jackie de Castro

No Teatro Alterosa, para solos e duos de 15 a 20 minutos

Período: 17 a 30 de setembro de 2007

Participação de até quatro convidados de outros Estados

Av. Artur Bernardes, 58, apt. 101, Santa Lúcia – Belo Horizonte/MG. CEP: 30.350-310.

Fone/fax: 31 3296 7219. Celular: 31 9993 8011

jackiecastro@uol.com.br / wagner@alterosa.com.br
VIII Cena Contemporânea – Festival Internacional de Teatro de Brasília (DF):

Contato: Dimer Monteiro (coordenador de programação)

Teatro (para adultos e crianças) e Dança (preferencialmente unindo várias linguagens)

Período: 28 de agosto a 09 de setembro de 2007

Grupos participantes obrigatoriamente mandam proposta de bate-papo e oficina.

SHCN CL 2005, Bloco C, Loja 25 – Brasília/DF. CEP: 70.843-530.

Tel. 61 3349 3937 / 3349 6028

cenabrasilia@cenacontemporanea.com.br / www.cenacontemporanea.com.br
Bienal de Dança do Ceará

Período: 20 a 28 de outubro de 2007

Contato: Ernesto Gadelha

Produção contemporânea de dança

Rua Andrade Furtado, 1195, apt. 401, Papicu – Fortaleza/CE. CEP: 60.190-070.

linharesdavid@hotmail.com / www.bienaldedanca.com
II Festival de Dança do Litoral Oeste

Período: Outubro de 2007 (seis dias de evento)

Apresentações nas praças das várias linguagens da dança

Recebe propostas de atividades formativas

dinafa7@hotmail.com; ernesto@dragaodomar.org.br / www.dancanolitoral.blogger.com.br
Centro Dragão do Mar

Contato: Ernesto Gadelha

Pode fechar parcerias de apoio para produções que cheguem ao Ceará

Rua Dragão do Mar, 81, Praia de Iracema – Fortaleza/CE. CEP: 60.060-390.

www.dragaodomar.org.br

fonte: Leidson Ferraz

Tel. 81 9292 1316

leidsonferraz@uol.com.br

6 Comentários + Add Comentário

  • Excelente o artigo de André Freitas. Sem dúvida uma ótima aquisição para este blog que vem melhorando a cada dia.
    De fato, carecemos de mais espaços para discussões sobre políticas públicas de cultura. E espaços que não sejam criados, geridos e direcionados por (ou a) quem está ocupando as esferas governamentais apenas. Mas a todos que se interessam pela valorização das nossas raízes.
    Parabéns pela estréia. Esperarei ansioso pelas novas colunas.

  • Boa iniciativa do blog, mas alguns prazos e datas de inscrição não foram atualizados…

  • Parabéns pelo comentarios André, em pernambuco há o movimento da Economia Solidária o qual apoia totalmente “Cultura como geraçao de trabalho e renda” . Atravez do Forum de Economia Popular Solidária de Pernambuco que tem apoio da SENAES ( Secretaria Nacinal de Economia Solidária ) que apoia as iniciativas de grupos, associaçôes, redes e cooperativas.

  • Só complementando, é contemplada também as cadeias produtivas.

  • Concordo plenamento com o comentário de Gilberto Sobral

  • Olá, gostaria que vcs me envienssem neste endereço o edital 2009 de 1 e 2 na dança.
    Obrigada. Renata Mara.

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).