“Ditadura do politicamente correto” x quem luta por respeito e ética

set 13, 2015 by     13 Comentários    Postado em: Artigos e Análises

Por Robson Fernando
para o Acerto de Contas

É muito comum ver gente que, diante de protestos contra atitudes machistas, racistas, homofóbicas, transfóbicas, gordofóbicas, xenófobas, elitistas etc., gritam que se está tentando impor uma “ditadura do politicamente correto”. Reclamam que “agora tudo é preconceito!” e “não se pode fazer mais piadas!”. Mas não sabem que o que estão defendendo, ao promover esse protesto, não é a soberania da liberdade de expressão, mas sim a perpetuação do descaso com a ética e com o respeito às diferenças.

Quando apontam essa suposta “ditadura”, dizem que nela “nenhuma piada é tolerada”, “liberdade virou tabu” e “tudo é tratado como preconceito”, incidindo numa mistura de falácia do espantalho (atribuir pontos fracos à ideia ou pessoa criticada os quais na verdade não existem) com distorção de fatos. Nessa crítica falaciosa, tratam respeito como se fosse um fardo ou uma censura.

Parece-lhes que o satisfatório (corrijam-me se eu estiver promovendo falácia do espantalho, e, por favor, justifiquem a possível correção) seria se, por exemplo, os “humoristas politicamente incorretos” fossem moralmente liberados a incitar o bullying contra minorias políticas e promover múltiplos preconceitos, que machistas fossem autorizados a ofender mulheres em eventos artísticos e palestras, que sacerdotes “cristãos” (sic nas aspas) tivessem oficialmente o direito de promover discursos heterossexistas no púlpito de suas igrejas, que “piadas” de ódio (gordofóbico, racista, homo-lesbofóbico, transfóbico, misógino etc.) proferidas por bullies contra suas vítimas fossem tratadas com impunidade nas escolas etc.

Tratam a obrigação ética de respeitar o próximo e seus direitos como se fosse um fardo imposto por um regime político autoritário. Subestimam e desvalorizam o humor, “pensando” como se fosse impossível ou inviável fazer piadas “zoando” opressores ao invés de oprimidos. Convertem desrespeito, violação ética e discursos de ódio em “manifestações da liberdade”.

A essas pessoas que “repudiam” a tal “ditadura do politicamente correto”, permitam-me dirigir algumas perguntas:
– O que é uma ditadura?
– O que é, por outro lado, uma democracia amiga da liberdade?
– Respeitar as diferenças é uma imposição autoritária?
– “Usufrutos da liberdade” que desrespeitem as liberdades alheias devem ser tolerados? Por exemplo, é justo alguém ter a “liberdade” de ser machista e, com seu machismo, erodir a(s) liberdade(s) de uma mulher?
– Quais as diferenças entre o moralismo e a ética?
– Para quais pessoas seria preferível uma “democracia tolerante ao politicamente incorreto” a uma “ditadura do politicamente correto”?

Vale tentar responder a essas perguntas e, com elas, (re)pensar se o que realmente queremos, quando protestamos contra atos e falas preconceituosos, é impor uma “ditadura do politicamente correto”. Ou é, simplesmente, exigir que se respeite um dos princípios fundamentais da democracia: o reconhecimento e zelo à dignidade, às liberdades e aos direitos de quem é diferente de você.

13 Comentários + Add Comentário

  • Indignação seletiva, desses esquerdistas:

    https://www.youtube.com/watch?v=c_2csPaWL4s

    • Rapaz! Se quiser se juntar a mim no face esteja convidado! Kkkkk

  • Já sabem, né? Textos escritos por Robson Fernando não merecem ser lidos. Grato.

    • Kkklkkkkkkkkk, mas servem pra rir dos comentários… Kkkkkkk

  • Robson e suas loucuras habituais.

    • Nem li o artigo de Robson Fernando, mas o curioso e’ que ele proprio de forma veemente quer porque quer que todo mundo pare de comer bisteca, sarapatel, galeto, javali, picanha, porco, jacare, toda a fauna, para comer brocolis, alface, cenoura, beterraba, pepino, etc etc etc …

      Quero ver ele quando for pai se vai impor isso na criacao da sua prole.

  • So este Blog pra dar audiencia pra esse Articulista de Desktop.

    Esse cara deve encher tanto o saco de Pierre, mandar SMS, aparecer na FG, na portaria do predio de Pierre atazanando a vida dele que termina cedendo.

  • Os comentários de vocês são de quem não leu o texto ou são analfabetos funcionais. Atacam o autor do post ao invés de debater com argumentos.

  • O PT pode falir a Petrobras e está tudo certo. O PT pode quebrar o país e gerar milhões de desempregos e está tudo certo. O PT pode saquear o BNDES e está tudo certo. Ninguém do PT responde por nada, ninguém devolve o que roubou, ninguém vai preso e ainda posam de vítimas indefesas da “elite malvada direitista e golpista”.

    Mas se eu disser a Jean Wyllys que sou contra o casamento gay, eu vou preso sem direito à fiança.

    Esse é o modelo “maravilhoso” da democracia petista/esquerdista.

  • Esse é de longe o mais fraco de todos que passaram por aqui.

  • “Fazer grande estardalhaço a propósito de uma ofensa de que fomos vítimas, não atenua o desgosto, mas aumenta a vergonha.”
    – Giovani Boccaccio

    • André, acho que você gostaria de Theodore Darlympe!

  • Muito bom!
    Amei***
    Acredito que quando alguém, que NUNCA sofreu nenhum tipo de agressão moral ou psicológica, por ventura venha a sofrer, a vingança e o ódio invade os nervos dessa pessoa que nunca sentiu na pele tais desrespeitos éticos. A dificuldade de se colocar no lugar do outro é uma questão de desenvolvimento lógico. Ou você desenvolve e exercita, ou você não terá a capacidade cognitiva de se colocar no lugar do outro.

    Respeitar os direitos dos outros é respeitar a do mesmo. Essa lógica é de difícil compreensão. Poucos aqui saberão o que significa verdadeiramente.

    Muito bom seu texto.
    Falta apenas revisar.

    Um abç.

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).