
por André Raboni e Andrei Barros Correia
O clima de pretensa “crise” gerado pelo decreto do III Plano Nacional de Direitos Humanos é simplesmente comovente! É uma crise para as grandes empresas de comunicação, para os setores conservadores da igreja, para ruralistas e, claro, para militares que insistem em fantasiar com o título de “revolução democrática” o golpe que afundou o país em 21 anos de obscuridade – ainda não clareados até os dias de hoje.
Não obstante o burburinho mediático acerca do decreto nº 7037, retratado nos veículos de comunicação como se este fosse o maior “atentado já visto à Nação brasileira” nos últimos… 510 anos!, (claro, os donos da mídia temem por suas concessões públicas e seus direitos de aloprar com as verdades factuais para dar vazão às suas mentiras camufladas e tendências partidárias maquiadas), sintomático mesmo é o fato de que a formalização do Plano, após diversas conferências estaduais e nacionais, mediaticamente se tornou “escandalosa” justo nos pontos relacionados a estruturas tradicionalmente assentadas nas redes do jogo do poder no País.
A pressão militar foi significativa, e o Plano acabou por receber modificações nos termos “repressões políticas” (no que diz respeito à criação da Comissão da Verdade – que, dessa forma, já surge engessada) para ser aprovado hoje (13) em um novo decreto. Ainda assim, em outros pontos não se praticaram alterações, o que é positivo. Resta saber se a “crise” atual vai prosseguir, ou se a próxima já está por vir.
Essa “crise” artificial berrada pelos agentes supracitados, e reforçada pela grande exposição na imprensa, tem tomado conta do pensamento de indivíduos e setores que poderiam, em contrário, mostrar que isso não passa de um alarde fajuto, de plástico, fake. Mas, muitos se entregam à repercussão acrítica do que se convencionou ser uma crise. Uns, muito provavelmente por ignorar de que se trata, e cultivar o hábito de repetir o que ouvem. Outros, por má-fé, mesmo.
É preciso atentar para o nome da coisa: plano. Um plano nada mais é do que um… plano. Isso significa dizer que o decreto em que foi publicado não tem um caráter imediatista de aplicação das assertivas ali planejadas. Nada se cumprirá efetivamente sem uma aprovação legislativa e/ou judicial. Convém lembrar que o direito brasileiro não conhece o regulamento autônomo. Assim, um decreto necessariamente busca seu fundamento nas leis, ou na própria Constituição. Isoladamente, não é apto a gerar quaisquer direitos ou obrigações. Pode configurar, como neste caso, uma espécie de declaração de intenções e só.
Afinal de contas, trata-se tão somente de um plano, embora o alarde mediático esteja, num dos casos mais aberrantes, dizendo que se trata de “um primeiro passo rumo à uma ditadura”. Essa proposição não somente beira, mas adentrou no ridículo sem limites. Seria inédito até para o Brasil que a proposta de discussão sobre direitos fundamentais – discussão a ser levada a cabo na sociedade e no parlamento, fosse o início de alguma ditadura. As ditaduras, mais comumente, começam com sublevações da caserna – pode ser em Minas Gerais – apoiadas por algumas naves de guerra, que podem ser nacionais ou estrangeiras.
Dizer que o III PNDH é fruto de um surto delirante e solipsista do ministro Paulo Vannucchi não é correto, porque o plano é resultado de uma série de conferências estaduais e nacionais que envolveram muitos setores da sociedade civil, e também do governo. Além disso, é bom saber que o III PNDH segue no esteio do primeiro Plano de Direitos Humanos, que remonta ao primeiro governo FHC – mais precisamente ao ano de 1996. Além disso, não difere demasiadamente do II – muito embora se esperneie de forma altamente desproporcional nesse início de 2010.
Esses planos de direitos humanos, por sua vez, resultam sobremaneira da Declaração de Viena, um documento subscrito por 171 países que tiveram assento na Conferência Mundial sobre os Direitos Humanos, que ocorreu em 1993. Esta informação é de fundamental importância, pois a Conferência Mundial marcou uma inversão da lógica predominante durante as décadas da Guerra Fria. Foi ali que se estabeleceu a interdependência entre os direitos humanos, o desenvolvimento econômico e os preceitos democráticos.
Esse avanço nos termos do direito global foi bastante significativo – ainda que as instituições globais de direito, em muitos casos, prestem-se mais a um papel meramente formal, e menos efetivo. Não obstante a evidente inefetividade do imenso catálogo de direitos humanos – ou fundamentais – está claro que eles foram enunciados e que os Estados signatários aderiram a quanto ali se declara. Inclusive, parte do compromisso assumido consiste em formatar o que será discutido e submetido à análise dos parlamentos. Ou seja, mais uma vez o óbvio incontornável, fazer planos!
Sem pretender adentrar em considerações teóricas profundas sobre teoria do Estado, está evidente que a confecção e publicação de um plano como o III PNDH é atitude absolutamente inserida na lógica da democracia. Ou seja, na lógica da discussão prévia e da tomada de decisões a partir da entidade competente para tanto: o Congresso Nacional.
O caráter de chantagem e de artificialismo da “crise” que se pretende decorrente do plano evidencia-se na consideração de que suas proposições podem ser rejeitadas no parlamento, assim como podem ser aprovadas. Em qualquer dos casos terá atuado o poder legislativo competente, mandatário da soberania popular. Pode causar escândalo a proposição de alguma matéria ao congresso? Não, evidentemente, pode causar aprovação ou rejeição.
Outra falácia é a suposta ineficácia do plano, tese que tem encontrado defesa em mentes ilustradas de verdadeiros decifradores de ideogramas. Ora, países que viveram processos muitas vezes mais traumáticos de violações escamoteadas por longos períodos propuseram-se a buscar suas histórias, sem que isso fosse elemento de chantagem de uma minoria, nem motivo de acusação de abordagem de assunto proibido. O caso da Espanha é emblemático. Não se fizeram indenizações, nem houve persecução penal. Todavia, valas de mortos do franquismo são abertas, tentam-se identificar os cadáveres e apontam-se culpados inequivocamente.
Esse é um precioso exemplo a recomendar às gerações posteriores que não embarquem nas experiências levianas. Contrariamente, fazer de conta que nada houve, ou que foi resolvido com dinheiro, é dar o exemplo de que os rompimentos da ordem legal e a prática de violações de direitos fundamentais valem a pena e não trazem quaisquer consequências.
A verdade histórica – não de interpretações, mas de fatos – convém às nações que pretendem atingir níveis elevados de estabilidade política institucional e de bem-estar geral. Ou seja, convém à pacificação da existência coletiva, que implica na crença na existência de limites e no respeito aos direitos. Contrariamente, onde se pratica e se pretende o vale tudo e onde se acredita que o futuro é o esquecimento do passado, os níveis de desagregação social e de instabilidade política institucional são elevados.
Na França, por exemplo, nunca se negou o período de Vichy (1940-1944), por mais vergonhoso para o orgulho nacional francês que isso seja. Nem se deixou de investigar eventuais ligações de alguém com o colaboracionismo. A Alemanha mantém como museus campos de concentração, por mais que isso possa parecer vergonhoso. O caso é que a vergonha é de quem se viu envolvido, não da nação. Esta, a nação, deve envergonhar-se é de pretender escamotear algo.
Parece evidente que todo esse esperneio observado contra o III PNDH é muita fumaça para pouco fogo. A questão central, como não poderia deixar de ser, é que interesses estão na iminência de serem contrariados. Mas a contrariedade veio de onde historicamente não costumava vir até aqui, que foram as várias discussões entre a sociedade civil e representantes de governos Estaduais e do governo Federal. Ou seja, o Plano está inteiramente inserido no jogo democrático, e ainda mais por se tratar de um plano, onde a aplicabilidade de suas propostas depende de aprovação legislativa.
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* André Raboni é redator do Acerto de Contas e bacharel em história pela UFPE.
** Andrei Barros Correia é Procurador Federal e editor do blog A Poção de Panoramix.
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Post piblicado originalmente às 19h56 de ontem.



Palmas pra dupla André e Andrei. Mais um texto sensato que esclarece como o escândalo da direita reacionária não condiz com a verdade.
Só acho que faltou uma denúncia mais envolvente dos interesses desses setores imundos — ruralistas, ICAR, milicos, PIG etc. — e que o texto vacilou aqui:
O poder legislativo no Brasil só é mandatário da soberania (e interesses) do povo na teoria. O legislativo que temos tende mais pra soberania dos latifundiários, dos pa$tores evangélicos, dos grandes empresários, dos capos da grande mídia… Enfim, das bancadas imundas que representam. Chegaram ao poder graças a jogos de manipulação das massas. Pouc@s ali ascenderam ao mandato graças à prevalência dos interesses dos eleitores.
Robson,
Não se ignora o divórcio real entre mandantes e mandatários. Todavia, do ponto de vista formal, o parlamento é a reunião dos mandatários da soberania popular mesmo.
Trata-se de abordar a coisa inclusive sob um prisma formal, para que seja modelável intelectualmente e mais difícil de sofrer objeções tolas, sem preocupações nem mesmo com algum rigor formal.
Acontece que muitos dos escandalizados estão prontos a discursar pela democracia representativa, ou seja, pelas formas. E convém apontar inequivocamente que o plano atende plenamente exatamente a essas formas. Ou seja, que é uma resultante válida do processo segundo as suas regras atuais.
Do ponto de vista material, convem apontar que nada mais é que um conjunto de proposições. E, na esteira disso, que é um conjunto vasto porque a matéria é vasta. Ou seja, a temática de direitos humanos é ampla, então qualquer abordagem será necessariamente ampla.
Se o plano fosse restrito, ou omisso, seria acusado por isso. Quer dizer, com um desiderato fixo, escolhem-se os argumentos depois.
Vendo por esse lado, então assim sim =)
Depois do texto infeliz e desinformado de Pierre, agora o Acerto de Contas estabelece bem a base para uma discussão séria sobre o PNDH.
Concorde-se ou discorde-se dele, tudo ali vai ser amplamente rediscutido (mais do que já foi nas conferências municipais, estaduais e federal) antes de ser colocado ou não em prática.
Além do mais, a grotesca reação dos setores mais conservadores a um plano bem parecido com a versão anterior, de 2002 (que diga-se: nunca recebeu nenhuma crítica desses mesmos setores) mostra como a direita brasileira está perdida.
Por um lado eu penso, como Otto Von Bismarck:
“Nunca se mente tanto como antes das eleições, durante uma guerra e depois de uma caçada.”
Por outro, não gosto desses decisões circunscritas a um grupo de pessoas, tais como foi o III PNDH.
Uma discussão dessa magnitude tem que ser aberta para todo mundo, com pagina na web e tudo mais. Não dá para reunir apenas um número limitado de barnabés e sindicalistas e pronto. Está errado!!!
Carlos,
Essa discussão, desde 1996, não foi propriamente restrita.
E, caso chegue ao congresso, será bem ampla.
Andrei e André, esqueci de dizer que o artigo está muito bom.
Sobre o que falei/escrevi, eu quis dizer, por exemplo, que eu não fui convidado para o debate. Eu nem sabia dele. Eu gostaria apenas que essas discussões fossem o mais pulverizadas possível.
Carlos,
Acho que o próprio modelo de conferências há que ser mais bem estabelecido. Isso, creio, se fará conforme o tempo e a maior participação da sociedade nos processos. Esses assuntos também ainda são pouco importantes para os grandes veículos de comunicação.
Veja, por exemplo, a Confecom: além de muitos representantes de organizações e grandes grupos de comunicação se retirarem do processo (visando mesmo sua deslegitimação), fizeram uma cobertura medíocre do assunto.
As concessões públicas da era Sarney, em que era ministro das comunicações ACM, ainda esconde muitos ovos de páscoa…
Houve 27 conferências estaduais e 11 nacionais desde o primeiro governo de FHC.
O Plano não é de agora, vem desde 1993 como foi mencionado acima, por idéia do Brasil e da Austrália na Conferência Mundial de Viena.
Saudações!
Obrigado pelo artigo. Claro, bem fundamento e justo em suas críticas às elites brasileiras.
Penso que nosso presidente deveria ter sido firme em não recuar quanto a tudo aquilo que havia sido conceituado e definido no III PNDH, especialmente ter mantido os termos “repressões políticas”, inclusive estendo a investigação de violação dos direitos humanos ao “outro lado” como disse o principe tucano, o iluminado fhc, porque assim a Comissão da Verdade, caso seja de fato criada, só teria uma verdade para descobrir: a das famílias dos mortos, desaparecidos e torturados pela ditadura militar.
Prezados:
Excelente texto. Corrijo apenas no último parágrafo: “…iminência de serem contrariados.”
Abraço
Corrigido, F. Valeu!
Parabéns pelo artigo. Muito bem fundamentado mostrando que não houve interesse de passar por cima dos poderes constituídos e que foi fruto de uma ampla discussão da sociedade e não algo criado por uma única pessoa. Os meios de comunicação, os ruralistas e principalmente os militares mandam de fato nesse país!!!
Há quando tempo, Djalma.
Esse cara estudou comigo no ex-Cefet, mas saiu rápido do curso.
Esse artigo foi uma aula! Sóbrio e bem fundamentado. O último parágrafo deu o golpe final.
Não existe o peso da mão do Estado, a imposição, uma vez que o plano foi elaborado em conjunto com a sociedade civil. E isso não é fake não, as conferências aconteceram, inclusive a de PE em 2008 realizada na Católica com diversas ONGs. Tinha desde representações de profissionais do sexo à indígenas. De técnicos em DH do Estado à coronéis de polícia.
Lembro que não foi o debate desejável, pq é simplesmente algo sobre-humano fazer consenso, organizar um debate com tanta diversidade debatendo, o pau comia nos debates, mas ainda sim foi feito um caldo positivo.
Acho que a discussão a respeito do III PNHD vai terminar no velho e bom “Direita x Esquerda”. Não vi nada demais no III PNDH, porém há alguns termos que deveriam ser esclarecidos. Exemplo, na parte que fala do ranking dos meios de comunicação , usaram o termo “acompanhamento editorial”. Dá para entender que haverá critérios para o ranking, mas esse termo em específico pode gerar a interpretação de que haverá gente do governo fiscalizando os meios de comunicação e censurando-os. Esse e outros trechos, levarão a discussões que serão pura perda de tempo, em cima de um PLANO, onde a maioria das intenções são bem genéricas ( não podemos deixar as criancinhas passarem fome, por exemplo ou temos que fomentar a discussão sobre o impacto da monocultura, ). Dessa vez concordo contigo Raboni, estão fazendo tempestade num copo d’água.
Diz o PNDH 3: “Elaborar critérios de acompanhamento editorial a fim de criar um ranking nacional de veículos de comunicação comprometidos com os princípios dos Direitos Humanos, assim como os que cometem violações”.
Onde isso é o primeiro passo para uma ditadura??
Apenas a criação de um Ranking.
O Jornal Nacional noticiou isso como mudanças para a IMPRENSA quando na verdade o PNDH 3 fala em “concessões públicas de rádio e de televisão” que são coisas diferentes.
Outro detalhe, é que o PNDH 3 conta com PROPOSTAS quando o Jornal Nacional menciona “de acordo com a Lei”.
Manipulação das boas. Quem quiser um resumo das manipulações da Globo, acesse o link da reportagem do Azenha…
http://www.viomundo.com.br/opiniao/fhc-pune-de-acordo-com-a-lei-lula-limita-acompanha-suspende-e-cassa-a-imprensa/
O nobre jurista José Paulo Cavalcanti faz, com a competencia que lhe é contumaz, uma avaliação correta e lúcida desse calhamaço de “diretrizes retrógradas”, diferentemente desse “solidário arremedo concebido à duas mãos”.
Tudo o que foi dito nesse post já era esperado.
Esquecem de citar, por propósito ou conivência, a outra face da moeda.
Mas como o blog é plural e sem censura, segue sugestões de leitura, para digamos, mostrar que nem tudo é azul da cor do mar.
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/todas-as-pessoas-mortas-por-terroristas-de-esquerda-3-a-impressionante-covardia-de-lamarca/?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+ReinaldoAzevedo+%28Reinaldo+Azevedo%29&utm_content=Google+Reader
Bom, parece que esta falsa “crise” inventada pela direita, com o devido respaldo da imprensa, já morreu de inanição. Bastou Lula mudar DUAS PALAVRAS no decreto. Pobre oposição, que não tem nenhum discurso para se contrapor ao governo. E pobre PSDB, que acabou de jogar fora sua história de luta pelas liberdades democráticas no Brasil.
Juan,
Esse é um efeito curioso e trágico da necessidade de opor-se a qualquer custo. Pode chegar a ser mesmo uma armadilha.
Opuseram-se a um plano de discussão de direitos fundamentais! Um plano muito parecido ao anterior, a que não se fez oposição.
A estória do plano chega a ser acaciana. Mas, semana que vem surge outra crise, importantíssima, e essa é esquecida.
Excelente texto. Na minha opinião, tão bom, objetivo e esclarecedor quanto o de Walter Fanganiello Maierovitch (se não melhor). É muito bom saber que texto dessa qualidade tenha sido produzido aqui. O que demonstra que nosso jornalismo é o que é, não pela ausência de talentos entre os que aqui habitam (tanto o jcoisa quanto o dp não recebem há dez anos um tusta meu). Sugiro, também, os textos de Elio Gaspari e Luiz Carlos Azenha sobre o mesmo tema. TS Eliot escreveu certa vez que só através do tempo, o tempo é conquistado. Quem teme essa conquista, essa memória? Ora, os de sempre! Não há mistério. Aqueles que, por exemplo, acham que o golpe de 1964 se deu em outra galáxia ou em outra era. Como o candidato que se viu acuado quando solicitada sua opinião sobre o evento… Os de sempre. Suspeito que a reação desmedida ao Plano tem motivação outra além do medo dos torturadores – há torturador que não seja medroso? No âmbito estritamente econômico – ou melhor ainda – no âmbito estritamente microeconômico: quem ganhou com a ditadura? Que benefícios foram gerados pela “ditabranda” a grupos e pessoas? Esta é, suspeito, uma importante raiz para a reação histérica em relação ao plano. O texto é daqueles que lava a alma.
ATENÇÃO MEU POVO!!!!
Vem aí mais um corredor de ônibus na RMR, desta vez a “felizarda” foi a Avenida Norte. Querem acabar com a fluidez da referida avenida. Se fizerem o mesmo que fizeram na avenida Cde da Boa Vista…….. Quem viver……verá…rsrsrsrsr
http://www.diariodepernambuco.com.br/vidaurbana/nota.asp?materia=20100114103420&assunto=62&onde=VidaUrbana
Excelente texto que vem juntar-se aos textos escritos pelos jornalistas isentos deste país. Que são poucos. Infelizmente. O que a Veja e seu menino tranquino diogo mainardi devem estar esperneando não é brincadeira. Vide o que fizeram para desqualificar a Confecom. Foi um terrorismo sem precedentes. Mas viva sempre, eternamente a liberdade de imprensa. Parabéns ao André e ao Andrei.
Parabéns André Raboni e Andrei Barros Correia!
Depois de alguns dias de posts não tão inspirados, eis que surge uma análise realmente profunda, objetiva e relevante!
Entretanto, como bem disse Andrei em um comentário acima, toda a balbúrdia não tinha a finalidade de discutir o mérito do assunto, mas produzir mais uma das infindáveis “crises” de que se alimenta o setor ainda muito forte chamado PIG.
Esse camarada é ******** completo. Não precisa de mais nada. É completamente ******* mesmo.
Comentário editado pela equipe do blog.
O pecado maior do artigo é caricaturar argumentos contrários. Onde os articulistas viram/ouviram que o PNHD III nos levaria a uma ditadura? Por certo, não se deram o trabalho de ler o documento, pois, apesar de estar longe de um AI-5, o malfafado contém sim embriões legislativos de inegável conteúdo autoritário. Nesse ponto o “contra-estardalhaço” do artigo é tão artificial quanto o mal que jura enxergar. Há pontos criticáveis sim, exemplos: o esvaziamento do conteúdo coercitivo das liminares judiciais nos conflitos agrários e a velada tentativa de controle de conteúdo dos meios de comunicação, pontos de questionável constitucionalidade; assim como a tentativa de revogar a Lei de Anistia. Além disso, a linguagem de diretporio acadêmico em que foi vertido o decreto, usando termos de retórica política como neoliberalismo, também dão a medida de como aquilo é uma peça de agitação política. Só isso. Talvez, para acalmar os nervos das franjas mais radicais do petismo, como uma compensação pelo pragmatismo continuítsta da macroeconomia lulista. Sou ateu, a única tv que possuo é uma de 20 polegadas e terra só tenho mesmo embaixo das unhas, mas mesmo acho que o tal decreto possui sim um viés autoritário. Tentar resumir as críticas a um muxoxo das elites é nivelar o debate por baixo. Que tal começarem lendo Gramsci?
Alexis,
O jornal da Band, numa desses entrevistas com seus “especialistas”, soltou essa de que o Plano era um passo rumo à uma ditadura.
Abs!
Perdão pelo erros de digitação, é que tento comentar nos segundos de intervalo do trabalho….
André, acho que você não entendeu meu comentário, pois o erro que apontei repetiu-se. Como falei, o artigo peca por tantar caricaturar as teses contrárias, resumindo a um beicinho de insatisfação das elites ou a uma paranóia olaviana, que tem pesadelos com comunistas embaixo da cama. Ou você acha que uma boutade do Boris Casoy resume tudo o que é criticável no PNHD III? Outro dia li algo interessante no Blog do Alon: “Pouco a pouco, implanta-se um modelo gerencial e de comunicação nas nossas administrações, em todos os níveis. Autoelogio maciço e sistemático, criminalização da crítica e achincalhamento dos críticos, difusão regular de teorias conspiratórias sobre a motivação de quem critica. O governante está sempre certo. Se você enxerga problemas, é porque tem alguma intenção oculta — e maligna.”
O artigo vai por esse caminho, servindo, mesmo que inadvertidamente, de caixa de ressonância ao oficialismo. É como te disse: não sou carola, barão da mídia ou latifundiário, mas vejo sim no decreto sementes de uma sociedade controlada por grupos de pressão incrustados no estado ou em volta deste, como mariposas em volta da lâmpada, tantando impor suas agendas. Ou você acha que os temas ali contidos teriam respaldo popular? Cadê o Leandro Konder para defender a democracia direta agora? A maior parte dos temas seria reporovada pela massa. Aborto? O povo é contra. Retirada de crucifixos? Idem. Invasão de terras? Pesquisas indicam que os atos do MST são repudiados pela população. Por aí vai. Querer dizer que houve um debate democrático anterior à edição do Decreto é esquecer que a grande maioria dos debates se dá entre grupos de prresão que, na verdade, em sua maioria, não passam de correias de transmissão do partido oficial. Por isso ler Gramsci é importante. Quer um fazer um teste? Como se sabe o tal decreto teve que passar pela Casa Civil, certo? Será que na campanha vindoura Dilma irá defender o aborto, a proibição de símbolos religiosos ou o controle de conteúdo da imprensa? Duvido…
Alexis,
Eu entendi muito bem seu comentário. Respondi o que julguei respondível, pois de resto, você partiu de duas premissas equivocadas.
A primeira foi supor que eu não li o decreto. De fato não o li como que o estudando, fazendo anotações, fichamentos, etc. Mas o li razoavelmente bem, e sei do que se trata.
Segundo, em momento algum do texto dizemos que o modelo atual de conferências é o melhor para o país. Acontece que até aqui, acho eu, ainda não tivemos um modelo melhor. Participei como sistematizador de debates de um grupo de trabalho em uma conferência estadual, e conheço bem as ineficácias e as eficácias desse modelo. Como tinha dito num comentário acima, creio que esse modelo tem que ser mais bem elaborado. Acho que isso acontecerá com o amadurecimento das formas, e a ampliação das participações e divulgação às pessoas.
Mas eu entendo seu pensamento, principalmente na parte da angústia. Quando participei da conferência que disse acima, sai realmente muito angustiado com seus resultados. Mas o que vi foi muito mais um modelo mal acabado do que pessoas sem vontade de debater questões significativas à sociedade. Isso eu vi bastante, e tinha gente de todo lugar do Estado.
Algumas coisas se constróem assim, aos poucos. E acho que nossa participação tem que se dar no sentido de interferir no aperfeiçoamento dos modelos, não em sua simples deslegitimação a priori.
Abs.
Só que o artigo abordou a questão do modelo apenas de passagem, centrando-se nas críticas ao conteúdo do documento, tentando desqualificá-las impingindo a manjada pecha de chiadeira das elites. Isso não contribui em nada para o debate. Aliás, apesar da enormidade de caracteres, não se toca no conteúdo das questões. Afinal, como parece que é sua opinião, se o malfadado decreto veio para provocar a discussão de temas relevantes, por que satanizar críticas legítimas, fazendo caricatura delas sem argumentar? That’s the point…
“críticas legítimas” tais como aquelas que dizem que o plano lida com “pautas falsas”, como está dito no texto de José Paulo Cavalcanti, postado abaixo das clipagens de hoje?
Falsas para quem? Repito, para quem?
Para mim, não são falsas.
Acabei de ler o texto do Zé Paulo. Ele usou o termo pauta falsa para demonstrar a falta de sintonia entre a agenda discutida pelos grupos de pressão em torno do poder e os anseios do país. Tudo bem que o tema dos Direitos Humanos é atemporal e sempre urgente, mas você vai querer dizer que o documento se restringe a isso? É como se diz por aí, de boas intenções o inferno está cheio. Tomando como mote algo de fato importante, resolveram infiltrar uma série de medidas alheias ao debate em torno dos direitos humanos, impondo a agenda de uma minoria. O Alon resume tudo:
” PT continua incapaz de entender, na essência, por que a maioria da sociedade brasileira está longe de apoiar o programa estratégico da legenda. Como portador da verdade e instrumento autonomeado de salvação coletiva, vê nessa resistência apenas um transtorno acidental a contornar. Daí que no discurso petista o líder tome o lugar do sistema político e a “sociedade organizada” dê um chega prá lá na representação eleitoral nascida das urnas.
Se não há maneira de convencer facilmente a maioria, que ela dê lugar a outra, idealizada e desenhada conforme as conveniências. Aí entra a democracia participativa. Não vou discutir o conceito, mas os fatos. Na prática, resume-se a isto: dar aos mobilizados em torno de certo tema o privilégio de definir a posição do conjunto da sociedade sobre esse tema.
Qual é a principal diferença, na prática, entre a democracia representativa e a democracia direta, ou participativa? É que desta última participa menos gente. Por isso, ela deveria ser só acessória, secundária, subordinada. Nunca a principal.
O governo diz que o PNDH nasceu de uma conferência nacional de direitos humanos. E daí? Quantas pessoas se envolveram nela? É a transposição para a grande política de certos (maus) métodos do movimento estudantil, ou sindical. Um punhado decide pelo todo. E decide qualquer coisa.”
Abs
Alexis,
Milhares de pessoas se dispuseram a perder horas e horas e horas e dias e dias de seu tempo discutindo exaustivamente uma série de temas, o que resultou no PNDH. Isso é a democracia direta.
Agora, o plano para entrar em vigor tem que ser submetido ao Congresso. Isso é democracia representativa.
Ou seja, todo o processo de discussão, elaboração e validação do PNDH é democrático.
Proposições muito menos discutidas na sociedade chegam ao congresso nacional e muitas são aprovadas.
Não causa escândalo público, nem desperta as ganas mediáticas, que o regramento de várias matérias que afetam diretamente as vidas de muitos sejam objeto de legislação desconhecida. E que tenham chegado ao parlamento sem qualquer discussão prévia suficientemente ampla.
Daí que o PNDH foi bastante discutido e amplamente divulgado, comparando-se com outras coisas. E, afinal, tudo desaguará no Congresso.
Nem formal, nem materialmente, cabe a caracterização de uma proposição obscura ou antidemocrática.
Juan e Andrei, até mesmo pela linguagem empregada e pela ausência de aplicabilidade imediata, o PNHD III é uma peça de agitação política. Se o petê e seus aparelhos, a tal “sociedade civil organizada”, expusesse a agenda durante a campanha, a coisa toda seria mais democrática. Ninguém aqui é besta pra acrditar que as “discussões” abrigavam posições contrapostas. No máximo, havia uma divergência de métodos, nunca de conteúdo, afinal grande parte dos grupos que “discutiram” os inúmeros pontos do decreto são peças de uma engrenagem só. Querer dizer que isso é democrático é conversa pra boi dormir. Andrei, seus pais nunca lhe ensinaram que o erro não justifica o outro? Até as pedras sabem que muito do que se discute no Congresso fica alheado de nós, reles mortais, mas isso não torna menos questionável o tal decreto e o modo como foi discutido e elaborado. Muito menos, impede que se questione seu conteúdo.
O PNDH não é uma peça de agitação política. Não é hoje, como não foi há mais de dez anos, quando começou a haver planos deste tipo. Não convém transigir com imprecisões ou tolices.
Claro que é uma peça que desagrada a fulano, beltrano ou sicrano. Mas, até o desagrado é seletivo. O que, no caso concreto, não reputo ser devido a alguma parcialidade mais elaborada, apenas ao imediatismo.
Nada impede que se questione coisa alguma. Mas, quando se propõem questionamentos a partir de balizas -embora os impedimentos continuem a não existir – fica-se adstrito às balizas.
“Peça de agitação política”???? Que termo ridículo!
Juan e Andrei, algum argumento além da série de adjetivos ou substantivos vazios, como “tolices” ou “ridículo”? Por exemplo, é flagrante a inconsitucionalidade da proposta de perda de força coercitiva das liminares judiciais. Alguém tem algo a falar? Juan, o termo peça de agitação política nada tem de ridícuo ou pejorativo. É só uma constatação. Referendada, aliás, pelos próprios articulistas, à medida que reconhecem que um dos objetivos do tal Decreto seria estimular o debate de temas importantes. Isso é agitação política, sacô? Só que atos como esses seriam mais democráticos se expostos numa campanha, uma vez que ampliaram o espaço de debates para além dos convescotes organizados pela patota, entendeu? Do jeito que as coisas estão sendo feitas, há a imposição da agenda de minorias politicamente organizadas goela abaixo da grande maioria.
Só que O Partido não é besta, sabe que boa parte da agenda, se exposta numa campanha, teria a reprovação do eleitorado. Não me incluo entre aqueles que acham que o “povo” é dotada de uma sabedoria inata, muito menos balizo minhas idéias pelo que esta entidade, mas uma coisa é certa, tal qual aconteceu com o plebiscito do desarmamento, há uma nítida falta de sintonia entre a agenda discutida pela tal “sociedade civil organizada” e a patuléia desorganizada.
Qual “O Partido”??? Se você não sabe, Alexis, 95% do conteúdo deste PNDH-3 já estava presente no PNDH-2, aprovado, discutido e decretado no governo do PSDB.
Isso destrói qualquer tentativa de atribuir a “O Partido”, seja qual for ele, a responsabilidade pelo plano. A não ser que você venha dizer que o PT mandava no governo do PSDB, o que seria, novamente…… um argumento ridículo!
E desde quando “estimular o debate de temas importantes” é sinônimo de “agitação política”?
Os dois PNDHs feitos durante o governo do PSDB não geraram NENHUMA polêmica. Os mesmos setores que reclamam agora calaram-se quando propostas muito semelhantes foram aprovadas em 2002. Por que, Alexis?
Apenas o meu depoimento sobre isso:
- Manda-se um caminhão de propostas absurdas
- a oposição se prende a alguns poucos
- passa o resto
E o resto para mim é dinheiro para o Estado brasileiro pagar.
Nojento, nojento.
O resto é o discurso INCAUTO de direita, esquerda, anistia, etc.
Só não vê quem não quer.
As pessoas às vezes esquecem que o corporativismo, no sentido mais primitivo da palavra, é algo imanente ao capitalismo. Mas isso só passa a incomodar quando a corporação ouvida se localiza na escala mais baixa da pirâmide social. Ao fim se trata da mesma coisa apontada pelo Andrei: indignação seletiva.
Para acabar com qualquer caráter “partidário” nos PNDHs, segue artigo publicado na Folha SP de hoje em que o ex-secretário de Direitos Humanos do governo do PSDB critica os militares e reclama da mudança – conservadora – feita por Lula no PNDH-3.
OPINIÃO
O constrangimento do silêncio
É preocupante que militares se arroguem como censores da linguagem de um decreto presidencial e exijam modificação do texto a seu comandante em chefe
PAULO SÉRGIO PINHEIRO
ESPECIAL PARA A FOLHA
NÃO FAZ PARTE da tradição política brasileira restaurar a verdade do passado. Depois da ditadura do Estado Novo, na Constituinte de 1946, por iniciativa do deputado e general Euclydes Figueiredo, foi criada uma comissão sobre os presos políticos de 1934 a 1945, mas não funcionou por falta de quorum. Quebrando essa tradição do silêncio, em 1985 o “Brasil Nunca Mais” documentava o uso que a ditadura militar fizera dos aparatos policiais e de estrutura militar do Estado para a repressão das dissidências entre 1964 e 1985.
Se havia alguma dúvida sobre a responsabilidade do Estado brasileiro pelos crimes cometidos nessa repressão, essa se dissipou. Ficou patente a responsabilidade incontestável do Estado brasileiro pelas violações de direitos humanos perpetrados pela ditadura militar, que afinal foi reconhecida pela lei 9.140/95, a lei dos desaparecidos.
Não deixa de ser patético que, 15 anos depois desse reconhecimento legal, um decreto sobre a Comissão Nacional da Verdade não possa utilizar a expressão “repressão política”. No processo de consolidação da democracia brasileira é preocupante que comandantes militares se arroguem como censores da linguagem de um decreto presidencial e exijam modificação do texto a seu comandante em chefe, aos quais devem hierarquicamente obediência. Se os comandantes militares em 1995 tivessem sido consultados a respeito da decisão do Executivo de criar um processo de reparação aos atingidos pelo governo militar, possivelmente até hoje não haveria o reconhecimento dos desaparecidos políticos.
Em nenhuma democracia consolidada militares opinam sobre decisões do governo ou se manifestam contra atos do governo ameaçando se demitir, gesto meio ridículo, pois nem ministros são e mesmos os ministros sabem que são demissíveis ad nutum, por um simples aceno de cabeça do governante.
Entre todos os exércitos saídos fortalecidos na democracia depois de ditaduras, como na Grécia, na Espanha, em Portugal, na Argentina, no Chile, no Uruguai, os militares não se solidarizam com seus antecessores que perpetraram torturas e crimes contra a humanidade. A formulação do novo decreto ao alterar a caracterização precisa do “esclarecimento público das violações de direitos humanos praticadas no contexto da repressão política” por “examinar as violações de direitos humanos” retrocede em relação ao reconhecimento da responsabilidade do Estado pelos crimes da ditadura então em vigor. Em vez de se “esclarecer” agora vai se “examinar” (poderia haver verbo mais asséptico?) num período indeterminado entre 1946 e 1988, fazendo desaparecer a periodização do regime militar definida na legislação sobre os desaparecimentos, 1961 a 1988. Agora as violações de direitos humanos pelo Estado da ditadura militar perdem toda sua especificidade, exorcizando qualquer risco que os crimes dos torturadores sejam reconstituídos -pois disso se trata, nenhuma comissão da verdade processa ou julga ninguém-, os autores, identificados e a linha de comando, desvendada.
Suavemente ainda abre-se “sotto voce” a porta para examinar o “outro lado” (as vítimas, as organizações não estatais armadas e as dissidências) claramente anistiado, inclusive por manifestação na época da Lei da Anistia pelo Superior Tribunal Militar. Esses do “outro lado”, que nos centros de detenção das Forças Armadas eram inicialmente sequestrados, interrogados e torturados e depois processados e julgados pela legalidade autoritária construída pelos atos institucionais e pela legislação de segurança nacional. Entre 1964 e 1979, 2.828 réus civis foram condenados pela justiça de exceção dos tribunais militares regionais, recebendo penas entre quatro e dez anos.
Finalmente, ao se renunciar a propor um projeto claro e definido de Comissão da Verdade, substituindo-a por um grupo de trabalho para formatar um projeto para o Congresso Nacional, corre-se o risco de não se ter Comissão da Verdade alguma. É improvável que a presente legislatura, tão desgastada, num ano eleitoral, vá queimar cartuchos votando tal comissão. Ou então, para não incomodar os comandantes militares, o projeto será tão aguado que a comissão não terá nenhum efeito em curto prazo, seja na reconstituição da verdade ou para a reconciliação, seja para trazer a paz e a justiça para os familiares dos desaparecidos políticos que lutam pela verdade faz 30 anos. E o Brasil continuará na rabeira de todos nossos vizinhos do Cone Sul que reconstituíram a história dos horrores e já se livraram das trevas das ditaduras. Que baita constrangimento.
PAULO SÉRGIO PINHEIRO, 66, é professor-adjunto de relações internacionais da Brown University (EUA) e ex-secretário de Estado dos Direitos Humanos.
E aqui, outro ex-ministro dos Direitos Humanos de FHC (José Gregori) também defende o plano, ressalta seu caráter de continuidade e minimiza a tal “crise”.
http://eticaglobal.blogspot.com/2010/01/comissao-da-verdade.html
Pois é. O plano chega a ser trivial em termos de abordagem do assunto direitos humanos. E não é de um governo ou de um partido somente.
Era o mote da crise da semana e só.
Notem que todos os “analistas de plantão” tentam negar a existencia de uma tal crise.
De fato não teve ainda nenhuma crise.
Para tanto sua excelencia recuou em alguns pontos e mandou retiar algumas frases de efeito.
Porque será que sua excelência recuou?
Logo ele, uma quase-unanimidade?
Lula recuou em DUAS PALAVRAS, talvez recue em mais alguma coisa. Isso só mostra que ele é um conciliador nato.
Tsc. Juan, O PNHD Reloaded também continha muitos vícios, só que é inegável a elevação do tom panfletário (termo como “neoliberalismo” num diploma legal?), a maior amplitude dos temas e o maior viés autoritário do atual. Mostre-me algo parecido com a imposição de uma instância intermediária como requisito para a coercitividade de liminares judiciais. Mostre-me uma defesa escancarada da descriminação do aborto como “direito de escolha da mulher”. Mostre-me a tentativa de revogação de diplomas legais do período entre 1946 e 1985. Ou, quem sabe, algo que se assemelhe ao controle de conteúdo dos meios de comunicação. O artigo aí de cima reconhece o óbvio. Durante o tucanato, de fato, reconheceu-se a culpa do estado brasileiro pelos desmandos dos milicos. SÓ QUE ISSO É MUITO DIFERENTE DE REVOGAR A LEI DA ANISTIA PARA TENTAR INCRIMINAR E PUNIR OS TORTURADORES, até porque é constitucionalmente questionável esta postura. Tanto se reconheceu a culpa que hoje há uma verdadeira indústria de indenizações, premiando quem merece de fato, mas também dando nosso dinheiro a espertalhões. Comparar o caso nacional a congêneres é ignorar que a Lei de Anistia foi uma construção política de um dado momento histórico e foi essencial para a reabertura democrática. A opinião do Gregori em relação à chiadeira dos milicos é válida, no entanto o plano III flagrantemente transborda o debate em torno desse tema, entrando em inúmeros outros, apesar do Andrei, com seu deserto de argumentos, insistir no contrário.
Abs
Você está totalmente desinformado, Alexis, ou tenta de forma deliberada desinformar quem lê seus textos.
- Controle dos meios de comunicação? Não há novidade. Veja o que o PNDH de 2002 já dizia:
“Garantir a possibilidade de fiscalização da programação das emissoras de rádio e televisão, com vistas a assegurar o controle social sobre os meios de comunicação e a penalizar, na forma da lei, as empresas de telecomunicação que veicularem programação ou publicidade atentatória aos direitos humanos”.
E também:
“Apoiar a instalação, no âmbito do Poder Legislativo, do Conselho de Comunicação Social, com o objetivo de garantir o controle democrático das concessões de rádio e televisão, regulamentar o uso dos meios de comunicação social e coibir práticas contrárias aos direitos humanos”.
- Revogação de leis antigas? Grande novidade: leis velhas, especialmente de períodos de exceção, existem para serem mudadas mesmo, caso o Congresso aprove. É natural. Onde já se viu defender que leis não podem ser revogadas?
- Não é aqui o caso da Lei da Anistia O PNDH-3 não tenta revogá-la. Diz expressamente: “colaborar com todas as instâncias do Poder Público para a apuração de violações de Direitos Humanos, observadas as disposições da Lei no 6.683, de 28 de agosto de 1979″. A lei 6683 vem a ser a lei da anistia.
- Mediação de conflitos no campo? A proposta apenas institucionaliza uma prática que já vem sendo feita por Gilmar Mendes no CNJ (será que ele é “petista” também?). E repetindo: o Congresso tem que aprovar pra entrar em vigor.
http://www.jusbrasil.com.br/noticias/2026627/orgaos-de-justica-abrem-em-maraba-o-primeiro-mutirao-nacional-para-mediacao-e-conciliacao-de-conflitos-fundiarios
http://www.direito2.com.br/tjpa/2009/dez/3/cnj-e-tjpa-abrem-nesta-sexta-feira-4-em-maraba-o-primeiro-mutirao
Proposta do PNDH: “Fomentar iniciativas de mediação e conciliação, estimulando a resolução de conflitos por meios autocompositivos, voltados à maior pacificação social e menor judicialização”. Qual é o problema com isso? Como você pode ver, não é nada muito diferente do que já está sendo feito.
- Aborto? A descriminalização é apenas uma proposta, que deve continuar sendo debatida pela sociedade. E o Congresso dá a palavra final.
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Eu insisto: é, NO MÍNIMO, estranho que tantos assuntos sejam tratados num mesmo diploma. Não dá para entender como SÉRIO algo nesse sentido.
Por isso que muitos já falam que se trata de uma nova “constituição”; imprensa, direitos humanos, MST, tudo dentro do mesmo balaio? É claro que é boi de piranha, para passar algo muito importante pelas fuças da população.
Quanto à crise, aceito tudo o que se disse, mesmo discordando. Só me lembra um comentário de um amigo meu quando o Brasil ganhou a Copa em 1994 (tô fazendo igual a Lula, usando metáforas futebolísticas):
“Ainda bem, já não aguentava mais só se falar nos craques de 70, entrevistas com eles, etc”
Pois é, até quando o Brasil vai remoer e mascarar a verdade, mais das vezes, essa conversa de revolução de 64 e suas vítimas? Precisamos de um “novo campeão mundial” para verificar que a importância dos “craques de 70″ deve ser contextualizada no tempo correto?
O que está ocorrendo no Brasil é a manutenção de algo que se perde no tempo, mas tem de ficar vivo não para não ser repetido (o objetivo correto), MAS PARA FICAR alimentando falsos mitos, elegendo falsos herois e, pior, enriquecendo gente que sequer merecia ganhar um real do Estado.
Mas continuemos discutindo a revisão da lei da anistia, se José Genoíno, José Dirceu, etc, foram herois, etc.
Quanto ao termo “agitação política”, creo que o Juan ainda não entendeu seu significado, que nada tem pejorativo. Só o cego não enxerga que o tom e várias mediadas propostas no PNHD III serviram como satisfação às franjas mais radicais do petismo, como contraprestação ao continuísmo pragmático da macroeconomia lulista. O caráter político do documento é flagrante. Coisa pra marcar posiçao mesmo, até pelo pantagruélico apetite em, num debate sobre direitos humanos, introduzir inúmeras outrs questões. Alguma luz sobre as inegáveis intenções políticas do Decreto pode ser encontrada aqui:
http://www.blogdoalon.com.br/2010/01/trilha-da-esperteza-1301.html
ou aqui:
http://www.blogdoalon.com.br/2010/01/entre-forca-e-fraqueza-1001.html
P.s: Acho que vai ter gente incluindo o Alon entre os membros do PIG…hehehehe
Outras intenções e distorções podem ser encontradas em muitos lugares. Exemplos:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=571JDB011
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=572CID001
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=572CID002
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Não entendo apoiarem uma lei que amordaça a imprensa … Se a nossa imprensa não é a que sonhamos (nenhum país faz parte desse sonho), pior é ficar sem ela !!!
Mas pelo que vejo a questão é mais política do que patriota !
Ou defenda o Lula e sua tentativa aloprada de amordarçar e ironizar tudo, ou é da direita, burguês !
SOU PATRIOTA… e vejo que esse tipo de postura do PT é algo que nos levará a ditadura, aprovada pelo povo que ama um presidente irônico ! É … to vendo ao longe um governo conhecido … VENEZUELA E CUBA .. exitem pessoas cultas que aprovam esses governos… Fazer o que né ?