Por José Carlos Cavalcanti
Dei-me conta na semana passada da existência de uma nova revista, intitulada Interesse Nacional, e que conta com um blog: http://interessenacional.com/ ! A revista, que tem em seu conselho editorial 25 membros, começou a circular no dia 08 de abril, e foi lançada em São Paulo, no dia 16 de abril, num seminário sobre a Globalização e o Interesse Nacional do Brasil: uma agenda para o futuro, no Instituto Norberto Bobbio. Ela também será apresentada em Belo Horizonte, no dia 08 de maio, com debate no Banco de Desenvolvimento do Estado de Minas Gerais e Brasília, no dia 14 de maio.
Interesse Nacional, com periodicidade trimestral (quatro números ao ano), segundo a divulgação no blog, “defende uma orientação editorial diversificada, como convém a um país complexo e multifacetado como o Brasil”.
Seu objetivo “é o de acolher as múltiplas visões que possuem sobre os destinos do País os diferentes grupos sociais e os vários interesses regionais. Em lugar de se bater pela convergência de opiniões, ela pretende, justamente, promover um grande debate de idéias, de propostas, de soluções aos problemas brasileiros, acima de posições partidárias ou ideológicas. Seu único compromisso, como confirmado pela escolha do nome, é com os interesses nacionais do Brasil, múltiplos como convém a uma sociedade democrática, inserida de formas diversas no cenário internacional”.
A revista diz que “vem para ocupar um espaço ainda não preenchido no mercado editorial brasileiro, pois se trata de uma publicação que fica entre o jornalismo e o texto acadêmico, uma mistura que facilita o aprofundamento dos temas sem a necessidade de apresentá-los como uma tese acabada. De tal forma, que o leitor possa entender, em relação a cada uma das questões em pauta, o que está em jogo e quais as posições mais relevantes sobre o que fazer e como fazer para beneficiar o País numa perspectiva de longo prazo”.
E continua: “Seu único compromisso é com o debate qualificado de idéias e com a relevância das questões levantadas, na intersecção crescente entre os assuntos domésticos e internacionais”, como explica o embaixador Rubens Barbosa, editor responsável da revista, que, inicialmente, terá uma tiragem de dois mil exemplares e será vendida em livrarias, algumas bancas e por meio de assinaturas. Ela pretende atingir os meios político, acadêmico, empresarial e a mídia.
Segundo afirma ainda o editorial do blog, no Brasil, a idéia de se discutir os principais assuntos políticos e econômicos, do ponto de vista dos interesses nacionais, ainda não se firmou com a força necessária. “Em países mais ativos na definição de estratégias de inserção no mundo global, a noção de interesse nacional permeia os embates parlamentares, as disputas eleitorais, o debate público em geral”, comenta Rubens Barbosa.
O primeiro número de Interesse Nacional tem oito artigos:
1) “A política externa do Brasil na América do Sul e o ingresso da Venezuela no Mercosul”, texto de Rubem Barbosa.
2) “A Opção Sul-Americana”, texto de Marco Aurélio Garcia (o ministro “top top” do governo Lula: lembram dele?)
3) “Inserção Externa e Desenvolvimento: o Consenso Envergonhado”, texto de Gustavo Franco.
4) “Inserção Externa e Desenvolvimento: Mitos do Consenso Liberal, texto de Luiz Gonzaga Belluzo.
5) “A Mudança do Clima na Perspectiva do Brasil”, texto de Everton Vieira Vargas.
6) “Uma Reforma Muito Além do Judiciário”, texto de Joaquim Falcão.
7) Internacionalização do Ensino Superior: Invasão de Farmacêuticos ou de Marcianos?”, texto de Cláudio Moura Castro.
São membros do Conselho Editorial: André Singer, Berta Becker, Carlos Eduardo Lins da Silva, Cláudio Lembo, Cláudio Moura Castro, Daniel Feffer, Demétrio Magnoli, Eduardo Giannetti da Fonseca, Eliézer Rizzo de Oliveira, Eugênio Bucci, Fernão Bracher, Gabriel Cohn, Glauco Arbix, João Geraldo Piquet Carneiro, Joaquim Falcão, José Luis Fiori, Leda Paulani, Luiz Carlos Bresser Pereira, Raymundo Magliano, Renato Janine Ribeiro, Ricardo Carneiro, Ricardo Santiago, Roberto Pompeu de Toledo, Rubens Barbosa e Sérgio Fausto.
Confesso a vocês que fiquei literalmente embasbacado, ou popularmente abasbacado, com a revista. Nunca vi um título, e proposta de um trabalho, tão destoantes entre “o que prega e o que pratica” (talvez isso seja próprio daqueles que têm algum tipo de dissonância cognitiva, como talvez possa ter o editor responsável, o Embaixador Rubens Barbosa, que parece não ter pisado em outro solo brasileiro além do Sudeste, ou de Brasília). Procurei entre os autores dos artigos alguém que fosse das regiões Norte, Nordeste, e Centro-Oeste (e talvez do Sul), e, pelo meu conhecimento, só identifiquei um nome fora do Sudeste, que é o do advogado Joaquim Falcão, que é pernambucano, mas mora no Sudeste há muitos anos. Quando se olha para a relação de nomes do Conselho Editorial a constatação é a mesma.
Independente da qualidade do material que foi publicado na primeira edição da revista (que, pela experiência dos autores, não poderia deixar de primar pela qualidade de seus textos), a revista começou muito mal! Além do mais, quanto ao que foi efetivamente publicado na primeira edição, entre o que saiu publicado no material impresso e o que consta no blog há uma distância grande (erro terrível de desinformação, principalmente na esfera dos blogs que se pretendem sérios!).
Não estou pregando qualquer regionalismo, ou bairrismo besta, mas se o propósito era para ser verdadeiramente do interesse nacional, seria interessante ver tal proposta ser efetivamente cumprida, e não somente “assumida” do ponto de vista teórico (o pior é que nem anunciaram que iriam lançar a revista fora do Sudeste e de Brasília (my goodness!). Por outro lado, por que os proponentes não definiram o significado do que entendem por Interesse Nacional?
Mas vamos torcer para que os próximos números venham com autores fora do chamado “sudeste maravilha”!
José Carlos Cavalcanti é Professor de Economia da UFPE, ex-secretário executivo de Tecnologia, Inovação e Ensino Superior de Pernambuco (http://jccavalcanti.wordpress.com)



[...] Esta é a introdução ao meu artigo desta semana no blog Acerto de Contas, que você pode acessar aqui! [...]
Prezado Professor José Carlos Cavalcanti,
Agradecemos por sua crítica construtiva e divulgação da revista Interesse Nacional através deste blog e do seu blog pessoal. Como foi expresso na apresentação da revista, “a revista buscará mobilizar os recursos intelectuais disponíveis no país – nos governos, nos partidos, no setor privado, nas universidades, nos sindicatos etc. – para destrinchar e esmiuçar, normalmente pelo contraste de pontos de vista diferentes, as questões concretas em que se desdobra a agenda de desafios para o desenvolvimento do Brasil.”
A idéia da revista não é de fomentar tão somente debate acadêmico, mas de promover um espaço onde idéias serão articuladas e contrapontos serão expostos tendo sempre como foco o interesse nacional.
Em relação ao tema do artigo do professor, “Interesse Nacional ????,”a proposta não é de entrar em um debate semântico sobre a definição do termo ou divagar em idéias abstratas, mas criar uma plataforma para que os assuntos relevantes para o Brasil sejam nele expostos. Na apresentação da primeira edição da revista tentamos articular o significado do termo e o motivo no qual decidimos utilizá-lo como nome da revista.
Respondendo a crítica da concentração de autores do Sudeste e de Brasília, o conselho editorial decidiu nas suas reuniões que buscará intelectuais do Brasil inteiro, e não somente da região Sudeste e Brasília como mencionou o professor. Como exemplo desta preocupação, o jurista Joaquim Falcão, que é pernambucano, contribui para esta primeira edição. O conselho editorial acredita na diversidade de opiniões e fará um esforço para diversificar os autores.
Agradecemos novamente os seus comentários e faremos o possível para manter uma diversidade editorial.
Ainda não conheço, por leitura de artigos, a Revista Interesse Nacional. Mas tomei conhecimento de artigo publicado no jornal O Globo (8/jul/2008) de autoria do Embaixador Rubens Barbosa (membro do conselho editorial), intitulado “Uma política para a indústria bélica.” O artigo repete um amontoado de declarações do Ministro da Defesa que nada dizem – não pode, poderá, poderão, deverá, etc, mas nada de positivo. Se foi realmente um artigo publicado pela Revista Interesse Nacional, desde já concordo inteiramente com a opinião do professor José Carlos Cavalcanti, a quem parabenizo pela lucidez e oportunidade da apreciação.
Atenciosamente
Ruy Capetti
…Brasil acredita de verdade na Educação
“Um galo sozinho não pode tecer uma manhã
Ele precisa de outros galos
Que junto a ele leve o seu canto
Há outros galos”
Gostei do espaço _faltou uma remix aí Oh dE PatrãooOO_rsrsrsr
Linduuuuuu!