Cangaceiros, coronéis e a nossa república de máscaras

Hoje (28) completam 70 anos da morte de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e Maria Bonita. Foram mortos em uma volante comandada pelo tenente João Bezerra, na fazenda Angico, em Poço Redondo (SE), em 1938.
Não é incomum encontrarmos referências a Lampião como um herói popular, ou mesmo um rei. Afinal, quem foram os cangaceiros?
Antes de responder essa pergunta, buscaremos nos desviar das respostas enlatadas que costumamos reproduzir. É preciso compreender um pouco o contexto social e político em que viveram Virgulino Ferreira e seu bando, bem como as relações de poder que vigoravam è época.
Lampião nasceu em Serra Talhada, sertão de Pernambuco, no ano de 1897. Morreu em 28 de julho de 1938. Assim, viveu 41 anos, no período que vai da Primeira República (1889-1930) até pouco depois do golpe getulista do Estado Novo (1937).
A realidade política e social era bem diversa de hoje (embora muitas relações ainda subsistam – sobretudo as relações de poder local e a pobreza de parte significativa da população). Outro cuidado que precisamos ter ao buscar alguma espécie de avaliação da figura de Lampião e seus aliados é que o Cangaço não foi atividade exclusiva deles, mas que também existiram outros grupos de cangaceiros.
Em primeiro lugar, gostaria de falar um pouco do contexto político da Primeira República brasileira (conhecida pejorativamente como República Velha – eu pergunto: por que Velha? Simples resposta: porque quem a cunhou assim foram estudiosos do Estado… Novo em diante. É comum encontrarmos classificações de períodos históricos que demonizam o passado a partir do presente – outro exemplo seria quando os ditos modernos crivaram o período anterior ao seu como Idade Média, ou Idade das Trevas).
A Proclamação da República (1889) prometia inúmeras conquistas sociais em detrimento do atraso monarquista. Entre elas, acabar com o centralismo do poder. Em troca dessa centralização imperial, iriam emergir formas descentralizadas de governos, em sua forma federalista. E, isso aconteceu de fato?
Não. Apesar de ser uma prerrogativa constitucional, os princípios de autonomia municipal acabaram por não sair do papel. Podemos até dizer que os municípios foram sufocados pelas práticas políticas à nível nacional e estadual. Durante o governo do paulista Campos Sales (1898-1902), iiniou-se a chamada ‘política dos governadores’. O que é isso?
A instabilidade política dos anos seguintes à Proclamação tornava necessária a fundação de bases políticas que desse governabilidade aos presidentes da república. A forma arquitetada por Campos Sales foi justamente estabelecer vínculos de compromissos com os governos estaduais, baseados na troca de favores, nas nomeações para cargos burocráticos, no repasse de verbas e nos investimentos vários (conquistas materiais e simbólicas, como luz elétrica, trens, telefones, etc. eram a coqueluche do momento). Por sua vez, os governadores de estados firmaram os seus compromissos com os presidentes, para garantir a ‘passividade’ das bases políticas em um nível municipal. Para isso, outra cadeia de interesses e compromissos foi firmada entre os governadores e os chefes políticos locais (alguns, coronéis).
Como você pode perceber, a estrutura arquitetada é como uma teia política, um sistema no qual as relações de interesses permeavam toda a realidade política. Foram esses compromissos que fizeram emergir de forma mais acabada as relações políticas do sistema coronelista. Dessa forma, não eram “coronéis” apenas aqueles que ainda matinham seus títulos da Guarda Nacional. Mas todo chefete político (padre, médico, comerciante, advogado, delegado, fazendeiro, etc.) que arregimentava currais eleitorais, para garantir a estabilidade política aos governadores, principalmente durante as eleições, em troca de nomeações em cargos públicos, envio de tropas para combater as famílias rivais, repasse de verbas e bens simbólicos, etc.
Com esse sistema articulado e funcional, quem sofre as suas consequências? Os municípios, claro. Essas unidades político-administrativas viram sua autonomia plenamente sufocada com a instauração das relações de compromissos entre a União, os Estados e, por último, os Municípios. E, isso era ruim? Depende do ponto de vista. Vejamos: o sufocamento dessa autonomia prevista na Constituição garantia às famílias mais aquinhoadas dos municípios a manutenção de seu poder político e econômico local, haja vista sua força em repassar votos. Ou seja, para essas famílias era muito bom. Por outro lado, a população menos abastada era quem mais sofria as consequências desse federalismo tosco, bem como a própria Carta Magna também exalava ares de ficção e mentira. Não foram poucos os debates jurídicos nesse período acerca de uma reforma constitucional.
O cangaço no contexto político da primeira República: anseios e práticas
O que ocorre é que as práticas do Cangaço estão envoltas nesse contexto político. Não estando inseridos nas discussões bacharelescas, claro, os cangaceiros adaptaram-se à esta realidade, manobrando-a de várias maneiras e adequando-a aos seus anseios.
Quais eram esses anseios? Aqui reside uma série de divergências. Uns dizem que suas motivações eram algo próximo ao que conhecemos como Robin Hood, ou seja, que os cangaceiros eram espécies de justiceiros, que trariam ao povo o resgate da cidadania estuprada pelos chefes políticos. Mas, essa tese cai totalmente por terra quando percebemos que não era incomum os bandos de cangaceiros se aliarem aos chefes políticos locais, sejam eles padres, fazendeiros, etc. Outras interpretações, mais críveis, talvez, fossem as motivações de vingança. Mas, a vingança, após efetivada, teoricamente deveria cessar as práticas. Não era o que acontecia, em regra. Depois de inserido em um bando, o cangaceiro assumia um estilo de vida.
Em que tipo de relação se baseava essas alianças? Bem, a resposta para isso pode variar muito. O certo é que os cangaceiros também tinham seus interesses, dentro de toda essa cadeia de interesses. Estes podem variar muito: desde de recebimento de dinheiro ou bens materiais (armas, roupas, etc.), até mesmo proteção por parte do coronel ao qual o bando se aliava. Parece estranho, mas cangaceiros também se aliavam com coronéis em relações de proteção mútua, e isso já não é segredo pra ninguém.
O estilo de vida quase-nômade dos cangaceiros davam a eles um grande poder de mobilidade e sagacidade para escaparem das forças do Estado – quando as forças policias se opunham a eles -, fortalecido pelos vínculos de proteção e pelo conhecimento profundo das regiões de caatinga do nordeste brasileiro.
O medo que pairava nos povoados, certamente dava aos cangaceiros o seu status de bandos violentos e perigosos. As práticas cruéis, como o esfolamento, brigas, assassinatos, roubo, etc. eram comum, e garantia-lhes manter essa política do medo assentada sobre o banditismo social.
Como bandos semi-nômades, os cangaceiros forjaram uma máquina de guerra que, paradoxalmente, os afastava e os ligava ao contexto político da época. Manobrando em seu favor as práticas políticas de poder local, garantiam não apenas seu status, como a sua própria existência.
Se os cangaceiros são bandidos ou mocinhos, não posso responder. O certo é que estavam inseridos em uma trama social na qual compromissos e interesses estavam em jogo, em todas as esferas políticas. Isso confere um caráter dúbio às práticas dos cangaceiros. Ao mesmo tempo em que são bandidos (por causa dos assaltos, das brigas, assassinatos), também são ‘justiceiros’, na medida em que o inimigo perseguido é é também inimigo de quem observa. É apenas uma questão de referencial.
Dessa maneira, não acho que devemos estigmatizar os cangaceiros, nem muito menos vangloriá-los. Nem como heróis sociais (visão ampliada com a profusão do movimento mangue-beat, que convence os mais jovens, quando embebidos em seus anseios pseudorevolucionários de revolta – a revolta pode até ser legítima, mas o arsenal ideológico é falacioso), nem mesmo como meros bandidos (apesar de suas práticas).
Penso que, se existe um sujeito que deva carregar algum estigma, esse sujeito é abstrato. Podemos chamá-lo de poder local, ou, ainda, cadeia de interesses.
Mudanças aparentes encobrem permanências
Após a Revolução getulista de 1930, a perseguição ao cangaço se intensifica. Mudam-se as formas de garantir os interesses. Via de regra, também mudam-se as elites dominantes no país. O fim da ‘política dos governadores’ mostra como novas relações de poder político são intaurados. A perseguição aos grupos políticos de esquerda também tem sua vertente na perseguição aos cangaceiros – pretensos justiceiros que ampliariam o poder do povo sofrido, usurpando-o das elites. Sendo também uma ameaça so Estado (em muitos casos pelas próprias alianças com chefes locais), deveriam ser exterminados.
Essa última análise, de caráter ideológico, é discutível. No entanto, é menos discutível o fato de que a intensificação da perseguição aos cangaceiros pode nos mostrar que estava sendo operada uma uma nova guinada na política nacional. Com o golpe do Estado Novo (1937) e a instauração de interventoriais nos estados (os interventores eram os governadores nomeados pelo governo federal), o anseio por um Estado forte e eficaz no combate ao banditismo social e ao domínio local por chefetes e coronéis, foi uma máscara que escondia por trás de si um rosto bizarro… anti-democrático e, mesmo, fascista. Por sua vez, as políticas de massas, como as seqüentes conquistas trabalhistas, davam area de progresso nos centros urbanos.
Não era o fim do elitismo, mas sim o deslocamento de elites no poder. Em muitos casos, as elites se mantiveram na base do “sou coerente e nunca mudo de lado: estou sempre com a situação“. É nesse sentido que as práticas de poder local se mantém. O fim do coronelismo é o fim de um sistema, não o fim de uma prática de dominação política e econômica – esta se mantém ainda, de diversas formas, até os dias de hoje – mas, é mais prudente chamar a isso de mandonismo local.
O fato é que logo após o golpe do Estado Novo, o bando de Lampião foi esfarelado, sobrevivendo apenas alguns remanescentes que se refugiaram em várias partes do país.
Por alguma conclusão
Essa história de mudanças e permanências evidencia que, além do fato de sermos um país muito atrasado, também somos um povo que adora se enganar. Mudamos as formas, mas as práticas, em regra, são as mesmas. Com o devido cuidado, podemos fazer relações do tipo: não temos mais coronéis, mas mantemos nossas ‘lideranças’ comunitárias (se entermos o Coronel como aquele que paga as contas, veremos que atualmente ainda existem milhares de coronéis por todos os lados…); não temos mais cangaço, mas temos nossos traficantes que agora se pretendem domesticadores de populações, praticando até mesmo o extinto voto de cabresto.
E, além de tudo isso, ainda preferimos dar ares de elegãncia ao nosso banditismo social, nomeando nossos bandidos como “reis do pedaço”. É rei de palha aqui, rei da bola acolá, rainha loira daquilo outro, princípes de araque que tornam nossa república um Império simbólico.
Enquanto isso, vamos mantendo nossos sonhos de transformação social e política com os mesmos signos do passado: não se tira máscaras, elas apenas são substituídas por outras, mais adornadas para desfilarem em nossos carnavais gloriosos e repletos de artistas-ou-não fantasiados de heróis.
Assim prossegue nossa república mascarada.
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Postado em: 

André,
Talvez nas respostas “enlatadas” constasse a data correta da Proclamação da República. Posso estar enganado, já que minha formação é jurídica, por isso apelo aos seus conhecimentos históricos: Proclamou-se a República em 1889 (informações enlatadas) ou 1891 (seu texto)?
[...]
Essa informação é até irrelevante, mas se resolveu colocar a data, ao menos que apareça a correta.
A data de proclamação da República é 1889.
Gustavo Holanda, você tem razão,
eu errei mesmo a data. Creio ter sido na hora que editei a primeira vez o texto original, quando ainda a utilizava me referindo à “promulgação da Constituição” (1891).
Vou reeditar o texto.
Obrigado pela correção, e perdoe-me o erro.
P.S.: essa não é uma informação “irrelevante”, se consideramos que a elaboração da Constituição começou nos idos de 1890. Como elaborar uma Constituição antes de ser Proclamada a República? Isso não faz sentido e certamente seria motivo para conflitos terríveis.
Obs.: agora, se me permite, uma correção: não são essas “informações enlatadas” que eu me refiro. Você me interpretou equivocadamente. Considero as datas extremamente importantes, por sinal. Doravante, faço referência aos textos jornalísticos e publicitários que inventaram e difundiram uma imagem de Lampião que, a meu ver, não condiz com a realidade.
Abraço!
Piranhas é município de AL
É verdade Paulo. Obrigado pela correção. Acabei de ajeitar lá no post.
Abraço!
Eu estudaria esse aqui pq eles espricam mais coisa pra gente.
Nossas reflexões sobre o estudo da cidadania feminina é delimitado ao período da República Velha (1900-1930), mais especificamente após a 1ª Grande Guerra Mundial, tendo em vista o aparecimento de várias associações femininas que buscavam a inserção da mulher no espaço público.
O fato que nos chama atenção é que dentre estas associações, em sua maioria, o caráter assistencial é mais presente do que a luta pelos direitos políticos. A Federação Brasileira pelo Progresso Feminino constituiu-se em uma instituição que durante este período alcançou destaque pela organização da luta feminista e a inclusão da mulher no espaço público de forma efetiva.
Demonstramos esta característica traçando um paralelo com uma outra instituição desta época, a Associação das Senhoras Brasileiras, entidade filantrópica que tinha entre as suas finalidades auxiliar a mulher que trabalhava fora do lar e constituir um núcleo de encontros, além de propiciar instrução. Nessa associação foi fundada a 1ª Escola Comercial Feminina e funcionava um restaurante onde as mulheres desacompanhada pudessem freqüentar.
Um dos traços mais marcantes, desde sua criação, foi a religiosidade. Tendo sido criada sob orientação do arcebispo do Rio de Janeiro, como forma de se bloquear o avanço de outra instituição feminina protestante, não projetava a discussão dos direitos políticos da mulher.
Na literatura corrente sobre o estudo de gênero no Brasil encontramos uma conexão das articulações da Federação ao sufrágio feminino. Entendemos que entre os seus objetivos estava, não somente a luta pelo voto feminino como, também o de promover a emancipação feminina, através da instrução e criar um núcleo de sociabilidades, no qual coexistissem o lazer (trocas de informações sobre prendas do lar, por exemplo) e demais atividades pedagógicas que orientassem o contingente feminino para uma atuação política dentro do espaço público de poder.
A década de 20, comumente reconhecida como um período de euforia, ficou marcada pelo auge do liberalismo econômico do pós-guerra, reafirmando os ideais da Revolução Francesa de liberdade, igualdade e fraternidade; e pelo sistema econômico vigente: o capitalismo.
Tais ideais são reconhecidos, pela antropologia política e social, como representações do imaginário coletivo que se tornaram um divisor de águas dentro do pensamento moderno e formador de uma nova noção de cidadania.
A contribuição da mulher dentro deste movimento de transformação da sociedade, ocorrido desde a Revolução Francesa até a 1ª Guerra Mundial , levou a busca da ampliação de seus direitos dentro desta sociedade outrora restritos ao espaço do privado, ou seja, o da família.
No entanto, esta inserção foi dificultada, conforme observamos através de três argumentos utilizados por Rosseau, um dos teóricos da Revolução Francesa, que justificava o patriarcado:
1º – Por que deve haver uma autoridade final [masculina] para decidir, no caso de haver divergência de opinião;
2º – A mulher, pela sua função de reprodução, é inferior ao homem;
3º – É indispensável que o homem tenha autoridade sobre sua mulher para ter certeza de que os filhos dela são seus.
Estas justificativas centralizam e uniformizam o lugar destinado às nossas protagonistas, o espaço privado: a família e o lar.
Estas proposições, teorizadas por Rosseau, provocou na mulher a nítida certeza de que, embora tivesse participado da derrubada do poder, não poderia fazer parte da esfera política, tornando-se mera espectadora.
Os direitos políticos não lhe cabiam; os direitos de cidadã não lhe fora concedida nem alcançada, coube-lhe lutar pelos mesmos. É nesse ponto que nós identificamos a cidadania enquanto um mito e a luta pelo sufrágio feminino como um ritual de sua obtenção.
Ressaltamos que, em nosso entendimento, a identificação da cidadania como mito não faz dela um sonho ou uma utopia, mas uma narrativa da busca feminina de representar-se frente à sociedade. Para as feministas o “…ser cidadã significa ter direitos e deveres, ser súdito e ser soberano”, ou seja interferir no espaço público do poder de todas as formas.
Assim, as lutas feministas que ocorreram desde o século XVIII, buscavam obter uma equidade de inserção no espaço público do poder o Estado que conforme verificamos não condizia com o pensamento vigente.
Ainda, em 1791, temos na Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã, redigida por Olympe de Gouges, um ataque ao domínio e ao poder no espaço privado, nas relações entre homens e mulheres, que trouxe à tona outra contradição fundamental da sociedade burguesa: “… a contradição entre o poder aparentemente pacificado no monopólio do poder do Estado e a exclusão e submissão das mulheres sob a aparência do direito matrimonial ou no espaço livre do direito à privacidade”.
Durante as primeiras décadas do século XX observamos, no inconsciente coletivo a associação de liberalismo-capitalismo à democracia. Mas, na realidade, esta sociedade democratizada não é uma sociedade de homens livres e iguais, mas sim uma sociedade regulada, de tal modo, que os homens que a compõe são mais livres e iguais do que em outra forma de vivência.
Esta concepção é de fato o que norteia a sociedade brasileira na República Velha, apesar dos projetos integralizadores. No Brasil, como em todo o mundo ocidental, não há igualdade e liberdade para todos, mas sim para alguns, ficando a maior parte da população relegada à exclusão.
No universo feminista brasileiro identificamos uma preocupação muito grande com as classes menos favorecidas. Na direção da luta ficaram as camadas médias e altas o que conferiu à Educação, via instrução escolar, o papel de agente condutor à cidadania, e portanto, à participação no Estado.
A Federação não se limitou apenas à luta pelo sufrágio feminino, mas promoveu também discussões e trabalhos sobre infância, direito trabalhista, direito civis etc. Visando à participação feminina nas demais esferas componentes do Estado e universalizando sua atuação. Apesar deste avanço, encontramos em seu seio alguns preconceitos que se traduziram, entre outros, na preocupação de lutar pelo espaço público sem perder a feminilidade.
Dessa forma havia uma clara distinção nas profissões consideradas pertinentes ao universo feminino, como taquígrafas, secretárias, professoras etc; a preocupação do não alinhamento com as anarquistas as “sufragetes” inglesas que se mostravam “agressivas” , muitas vezes se confrontando fisicamente na luta feminista. Deixando-nos entrever uma distinção do socialmente correto, percebido como civilizado, e o incorreto como pertencente à barbárie.
Essas ações acabaram por reforçar o modelo da exclusão, pois ao nosso ver, ao se compartimentar os espaços das mulheres, havia o reforço do preconceito sobre o universo feminino. Na realidade, identificar alguns espaços não amplia o campo de atuação, pelo contrário o restringe.
Identificamos, neste primeiro momento do movimento feminista brasileiro, o conceito de estadania utilizado por José Murilo de Carvalho, referente aos excluídos do processo político brasileiro, como o mais adequado.
A estadania significa uma maior participação por parte daqueles que pertenciam ao grupo dos excluídos, buscando se obter direitos políticos e civis dentro do Estado. Participava-se do poder não através de articulação política próprios mas a partir da máquina governamental, ou em contato direto com ela.
Dessa forma, a luta para se obter este junto ao poder público não se faz contrapondo-se ao Estado estabelecido, mas se utilizando do mesmo e tornando-se um co-participante deste.
O projeto republicano foi fruto de promessas democratizantes feitas por ilustres representantes dessa época, que introduziram uma concepção integralizante, na qual o povo aparecia como uma entidade abstrata e homogênea. Segundo José Murilo de Carvalho defendendo interesses comuns, entretanto, esta proposta não se evidencia no campo político, havendo uma distinção entre os componentes da sociedade brasileira divididos em duas categorias,
cidadãos ativos, os que possuem os direitos civis e os políticos e;
cidadãos inativos ou cidadãos simples, que têm os direitos civis mas não os políticos, estando incluídos nesse grupo as mulheres, os analfabetos, mendigos, os menores de idade, os membros das ordens religiosas, as praças de pré e os pobres por não terem rendas.
A diluição de conflito entre esses grupos ocorria dado o projeto multifacetado da República brasileira, que os açambarcava, conferindo-lhes integração através das noções de povo e pátria, colocadas de cima para baixo.
Os excluídos procuraram penetrar no espaço decisório do poder originando diversos movimentos sociais e, é neste momento que a Federação, na década de 20, organiza de maneira mais eficaz a luta feminina, não só pelos direitos civis mas também pelos direitos políticos.
A atuação da Federação na luta pelo sufrágio feminino através da via jurídica, o que para alguns se traduziu numa via reformista, buscava na realidade uma co-participação dentro deste Estado.
Baseada nessa concepção, a Federação respaldou suas reivindicações partindo do pressuposto de que não estando na Constituição o veto ao voto feminino havia a possibilidade do mesmo se efetivar, desde que se tivesse vontade política para assim o fazê-lo.
Nessa linha de pensamento as negociações junto ao governo, ou em torno daqueles que o influenciavam foram sempre buscadas e ressaltadas dentro dos núcleos da Federação estabelecidos nos estados, procurando-se sensibilizar aqueles que tinham poder decisório para regulamentar o voto feminino em sua região.
Daí, o destaque ao governador do Rio Grande do Norte que, em 1927, fez inserir um artigo na constituição estadual suprimindo as barreiras ao voto feminino, permitindo participação da mulher nas eleições daquele estado. Este ato foi suspenso pelo poder Legislativo daquele estado, o que gerou um fortalecimento da posição da Federação em todo o país e uma corrida ao alistamento eleitoral.
A decisão do Legislativo no Rio Grande do Norte colocou em xeque o princípio federalista de autonomia dos estados e a dissonância de se considerar juridicamente proibido o sufrágio feminino, quando ele não existia. Daí, portanto, a Federação se utilizar a via jurídica como forma de contestação do direito ao voto feminino.
A crítica ao sistema econômico vigente e ao Estado estabelecido não foram levantadas pelas federadas já que se encontravam comprometidas com o poder constituído, tanto por laços de parentesco, como por vínculos empregatícios e origem de classe.
Na verdade, o que a Federação desejava era ampliar sua atuação dentro do Estado, contrária à atuação dos anarquistas.
Dessa forma, a luta feminista neste início do século XX mostrou-se pacifista e reformista, para alguns, sendo que ao nosso ver demonstrou um avanço na conquista feminina pelo espaço público, um refletir sobre a própria condição feminina e sua organização, ou ainda, de se institucionalizar a luta feminista de maneira a “arranhar” o status quo vigente.
Andre, parabens pelo texto, gostaria de saber se vc tem referencia bibliografica sobre esse tema.
Eu odeio Historia
É POR ISSO QUE NÃÕ SE DA BEM
eu tb odeio d+!!
Gostei muito,me ajudou bastante pois na proxima semana estarei participando de um debate na escola onde acusarei lampião.
E este blog me ajudou bastante mesmo,tenho certeza que estarei fazendo uma excelente apresentação.
Estou muito curiosa para saber qual o verdedeiro nome de Corisco e sua mulher. Se possível for me informem. Agradeço.
André,
Sensacional o post.
Gosto muito de história, e sei que essas antigas relações de poder e de domínio sobre as massas é o elo que transformou a sociedade no que temos hoje. É por isso que, a mídia que prega a fantasia é tão mais suceptível a crença do que os meios que exaltam a vida real.
Grande abraço
Estes lanpeoes sao irados e sao muito maneiros falo gentalha eu gosto delis de mais…..
Olá,
tenho um trabalho e preciso sintetizar os objetivos gerais do cangaço. teria como destaca-los para mim?
agradeço desde já.
pode mandar pro meu e-mail se preferir.
obrigada
att
Vanessa
OLÁ VANESSA FAVAR DE LAMPIÃO E FAVAR DE CORAGEM SEM DÚVIDA TENHO IMENSO PRAZER EM PODER TE AJUDAR BASTA PEGAR O MEU E-MAIL BEIJOS
Olá amigos fá do cangaço….. fá de Lampião
Eu sou Arnaldo mas um fá do homem que teve a coragem de enfrentar a elite o poder dos grandes coroneis mas não vem o caso…. ok
Estou defendendo meu TCC sem dúvida, claro Tema LAMPIÂO..A Vítima Um Produto da Miserioa no Nordeste Brasileiro
Eu defendo Lampião não um heroi nem bandido para mim pouco importa…. mas sim a vitima ou seja um produto da miseria no nordeste brasileiro . Eu vejo lampião como vitima sabe porque ESSE sistema que deveria dar uma vida mas digna ao nordestino , ao sertenejo só chicoteava, masacrava, ou seja tudo estava consentrado em torno do coronel do latifundiario . Quem era o dono da terra o coronel, o Juiz era amigo do coronel, o padre e amigo do coronel, a professora era filha do coronel ou seja tudo estava em volta do coronel e quem era a vitima o sertanejo e quem era lampião um simples sertanejo em busca de uma vida mas digna para sua familia trabalhando dia e noite na roça, como suas tropas de burros sempre em busca de dias melhores.
A fica a pergunta e se vc fosse vitima o que vc faria….
No meu ponto de vista Virgulino não nasceu com o com a vocação de ser bandido e sim o proprio sistema o trasformo……
Nomeu ponto de vista de houve-se justica não haveria lampião como não houve justica houve lampião…
Esperou que minha linha de pensamento der certo e vamos laaaaaaaaaaaaa;.Abraços
oichatos;*
Viva João Bezerra! Conseguiu botar um basta no cangaço.
Cangaço = bandidagem. Se coloquem no lugar das vítimas dos cangaceiros, que eram pegas de forma covarde e torturadas e mortas, pessoas do povo que além de oprimidas por uma elite dominante, ficavam a mercê da sanha por dinheiro dos cangaceiros. Quantos pais sem filhos, filhos sem pai, esposas sem marido, quanta violência!! Isso é o Cangaço. Os cangaceiros não produziam nada, apenas roubavam. Viva o verdadeiro sertanejo que acorda cedo, ainda na madrugada e vai arar, plantar, ordenhar… TRABALHAR! Dar de comer a sua prole com o suor de seu rosto!! Este é o verdadeiro sertanejo, gente de bem! Parabéns as volantes! Policiais que apesar de ganhar pouco arriscaram suas vidas e derrotaram Lampião, nos livrando dessa escória humana!
Viva a omissão, viva a rede globo, viva o analfabetismo politico, viva as mentiras da Historia do “brasil”.
Com certeza esse energumeno não é nordestino
Gostei do texto, muito bom!
Achei muito interessante a forma que você se posiciona quanto as ações dos cangaceiros, quanto ao fato deles não serem nem os mocinhos e nem os bandidos.
Eu gostaria de estar no Angico no dia do massacre, avisar o Lampião e seu bando para fugirem. Quem se acovardaria depois do que fizeram para o pai de Lampião, eu me vingaria da mesma forma, ai do coronel que cruzasse meu caminho. Bandido era os coroneis e a Milícia, que matavam inocentes e culpavam o bando de Lampião para levar o povo contra ele. No Brasil sempre foi assim, veja a hist´ria de Roberto Freire, Tiradentes, Ulisses Guimarães, Tancredo Neves. Foi o bicho papão que deu sumisso neles?
Parabens vc é dos meus, é la de nóis.
toma no cu
dessa botsaaaaa
aff explica nada essa bosta toma no cyu]
fdp da porra
Fazendo vistas ao comentario sobre o cangaço
e tudo que acontece ate hoje de errado no bra-
sil. A resposta esta na sediçao aplicada ao no-
sso imperador,o Brasil tinha na epoca a segun-
da forças armadas do mundo, muitos nao sabem
Deodoro se arrependeu de ficar conivente com
aquela farsa,nao queria receber militar fardado
em sua casa, resultado; nosso Imperador mor-
reu em um quarto de hotel em Canes-França,
era chamado´´Ditador da Honestidade…
vivi a pseudo-ditadura de 64 quando era defendido o estado
acima de tudo, fui fiel; uma fatalidade de um acidente em servi-
ço, quase perdi a vida, so fiquei com o emprego, mas aqueles
que faziam subverçao hoje sao; Doctores Honoris Causa;Rainha,
presidentas, ministras, arquiduquesa; idem, idem. Se alguem fi-
zer um seminario de historia do brasi nesses ultimos 152 anos
vera que o verde da bandeira atual tem outro significado, inclu-
sive as outras cores, nem por esses fatos dexarei de ser Patri-
ota que e uma faculdade.
O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever, Patria!!!!!!!!!
sério vey vcs poderiam ser mais claros
Isso aqui é pra quem frequenta Escola.
eu to com um trabalho pra fezer.
Sobre:motivos,lideres, e objetivos dessa revolta.
mais só q ñ entendi nada mano sobre os objetivos e os motivos.
alguém pode me ajudar ???
e posso e chato mesmo mas eu adoro estoria vc so presisa tentar rasiosinar vc vai entendr bm mais ta
odiei orivel v ter q me vestir dessa porra caralho q saco
oi tudo bem eu gostaria se possível você poderia me mandar historia sobre o currisco pois tenho que fazer uma peça de teatro muito obrigado desde de já
parabéns por todos os relatos …
gostaria de saber quais as consequências e as camadas sociais, das seguintes revoltas:Revoltas Canudos Contestado Cangaceiro Juazeiro Vacina testestismo
não é exatamente oq eu keria tem pOukissinas informações diante do q preciso,,, mais valeu pelo blog, muito bem elaborado………. bjs