Libertários e conservadores, uni-vos!?

mai 27, 2013 by     66 Comentários    Postado em: Artigos e Análises

Por Edilson Silva
para o Acerto de Contas 

Fui convidado dia desses para um debate num encontro de estudantes liberais ortodoxos. Estudantes Pela Liberdade, EPL, discípulos de Hayek, Mises e cia. O EPL se diz apartidário, trabalha conceitos como anarco-capitalismo, mas fora deste espaço tentam legalizar o novo partido político “Libertários”, que conta com o apoio entusiasmado do cantor Lobão. As interconexões levam-nos ao filósofo Olavo de Carvalho, dos maiores ícones do pensamento conservador no Brasil.

Apesar disso e por conta disso também, aceitamos o convite. Muitos jovens estariam presentes e, de fato, ao chegar lá, me surpreendi com algumas presenças, como artistas bem populares por aqui. O tema foi educação e liberdade, mas como já estava óbvio, as polêmicas entre socialistas e liberais não se limitariam ao tema focal proposto. Fomos além. O debate foi bom, com momentos de dureza, mas bastante respeitoso por parte deles, tanto dos debatedores como dos demais participantes. Deixo aqui minha impressão.

Os liberais ortodoxos partem de premissas bastante equivocadas. Talvez a mais grave seja não aceitar o fato da dinâmica irresistível, cultural, de evolução do processo civilizatório, tão visível nas gerações e dimensões de direitos que vão se acumulando ao longo dos séculos. Direitos sociais e difusos, para eles, são meros penduricalhos desnecessários e que atentam contra o sagrado direito de “liberdade”. Não à toa em todo o debate não me lembro de ter ouvido uma única vez da parte deles a palavra democracia. Não à toa eles defendem sim um estado forte, mas para proteger a propriedade.

Outra premissa equivocada: o balanço e as conclusões que tiram do século XX. Acreditam que faltou liberalismo neste século e é exatamente por isto que se explicam os insucessos econômicos e suas consequências. Não aceitam o principal ensinamento deste século: o capitalismo tem mesmo um metabolismo central – descoberto brilhantemente por Marx -, que mesmo tendo sido revolucionário e importantíssimo num dado momento histórico de superação da condição econômica e cultural anterior, na medida em que vai funcionando gera cada vez mais “subprodutos” que interagem politicamente na sociedade, impondo uma dialética luta de classes que impede a história de acabar. Este metabolismo origina, do ponto de vista econômico, inexoravelmente, concentração de produção, monopolização, desemprego e, o mais grave, destrói a própria demanda sem a qual o mercado não consegue alimentar seu processo de reprodução de capital. Há muito mais matemática que ideologia nisto, e o inverso é verdadeiro, quando se tenta afirmar a eternidade do capitalismo.  

Na medida em que não aceitam isto, estranham o receituário keynesiano, as leis anti-truste, por exemplo, que foram e ainda são mecanismos que refletem exatamente a compreensão correta por parte de gestores de economias de mercado de que este sistema tem este defeito estrutural. Deriva daí que não explicam de forma razoável a hegemonia do capital financeiro e seus truques e fraudes sobre o setor produtivo, que teve seu ápice na crise financeira de 2008, abalando a economia mundial e que foi considerada mais grave que aquela de 1929.

Deriva daí também que não aceitam que existam no mundo pessoas sem emprego, sem teto, sem terra, sem saúde, sem educação, sem cultura, sem território, sem qualidade de vida, e que estas condições não são necessariamente obra da incompetência destas pessoas – ou indivíduos como eles preferem -, em atuar ou venderem-se num mercado, mas sim fruto deste metabolismo que falamos acima, com suas consequências políticas. Estes indivíduos, que não raro se materializam em nações, foram excluídos ou já nasceram excluídos do que se chama hoje cidadania. Eles têm o direito natural de se organizar social e politicamente e disputar hegemonia na sociedade, inclusive o poder de Estado? Óbvio que sim. E chegando lá, estão obrigados a manter em funcionamento os mecanismos econômicos e políticos geradores da exclusão que lhes vitimou? Parece-nos ser bastante razoável que não. E especificamente em relação a isto não entramos no mérito de “para onde se vai ao se chegar ao poder”, mas o “porque se vai em busca disto”.

Mas é óbvio também que os liberais ortodoxos – pelo menos os mais esclarecidos, têm uma aguçada consciência de classe e sabem que é preciso mesmo caricaturar o século XX, seus atores e ideologias que tiveram mais protagonismo, desconsiderar as análises e lutas de outros pensamentos não experimentados neste século, de forma que reste, por gravidade, o liberalismo radical, sem luvas, como um paradigma aceitável. É uma postura desonesta intelectualmente, quase infantil.

O dogma empreendedorismo versus socialismo também foi debatido. Uma grande lição do século XX é que a única certeza que os socialistas devem afirmar é sua missão inequívoca na luta anticapitalista, de trabalhar na direção da superação deste modo de produção no que ele tem de estruturalmente inviável: sua tendência natural e inevitável à diminuição da taxa média de lucro, com todas as consequências daí derivadas. Dentro desta moldura deve estar a liberdade de empreender e também o mais amplo direito às liberdades individuais, políticas, civis, artísticas, enfim, a mais ampla democracia.

Como se constrói isto? É algo que os socialistas devem ter a humildade de reconhecer que está em construção, não existe receita pronta e nem modelo universal, e que, portanto, não se pode demonizar na realidade concreta propostas de reformas estruturais neste sistema, enquanto não se apresentam as condições objetivas para a realização plena de relações sociais de produção socialistas. Está claro que não se construirá um socialismo duradouro e saudável, também transitório é verdade, a partir de escombros e nas ruinas do velho capitalismo. Seria cair, de novo, nas armadilhas então inescapáveis do século XX.

Não foi tratado tanto disto no debate, mas é fácil ver nos sítios e blogs a pregação que os “libertários” fazem à unidade de ação entre supostos anarco-capitalistas e conservadores, para lutar contra o “comunismo” que está se construindo no Brasil. Se o apelo der certo, estarão juntos aí o Lobão, Olavo de Carvalho e talvez caberia até o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Ou seja, de libertário nada, apenas a exacerbação sem limite algum do mais puro individualismo liberal burguês.

Edilson Silva é Presidente do PSOL

 

66 Comentários + Add Comentário

  • Liberal ortodoxo = alguém que tem a liberdade como dogma…

  • Os Três Sistemas Possíveis De Organização Económica Dos Povos *

    1º Sistema: O Socialismo
    Características essenciais:

    a) Controlo da produção pelo Estado
    b) Planeamento da economia pelo Estado
    c) Abolição da propriedade (de direito e de facto)
    Consequências do controlo da produção:

    Controlo do consumo (pois quem controla a produção acaba por controlar o consumo) com a limitação, progressiva até à extinção, da liberdade de escolha.
    Redução da variedade dos produtos àqueles que são imprescindíveis e rudimentares.
    Consequências do planeamento da economia:

    Controlo de todos os instrumentos de actividade, o primeiro dos quais será a moeda. Com o controlo do valor da moeda, resulta imediatamente: limitação da deslocação das pessoas, que só poderão passar as fronteiras com quantidades mínimas de dinheiro, e condicionamento das importações que começará pelo impeditivo aumento das taxas sobre os livros, primeira forma da censura universal que o planeamento completará noutros sectores: aumento do custo do papel, etc.
    Controlo das formas de actividade, determinando quais as permitidas em função das finalidades que o plano estabelece, o que necessariamente implica: redução do ensino à preparação profissional para as formas deactividade permitidas, determinação dos empregosou «postos de trabalho» que hão-de existir, distribuição das pessoas por esses empregos sem dar possibilidades de escolha aos indivíduos.
    Consequências da abolição da propriedade:

    Abolição do mercado com tudo o que lhe é implícito ou inerente, designadamente:
    Extinção da determinação dos preços segundo o equilíbrio da produção universal ou segundo o mecanismo impessoal da lei da oferta e da procura, que constitui o princípio deverdadeira racionalidade da economia;
    Substituição desse princípio pelas decisões pessoais dos planificadores, resultantes ou de um simples arbítrio ou de um cálculo mental necessariamente errado por não haver possibilidade de conhecer todos os factores que intervêm na determinação do preço real, ou seja: substituição daracionalidade inerente à realidade económica pela irracionalidade davontade dos planificadores, com a consequente pobreza geral a curto prazo, miséria a médio prazo e caos a longo prazo.
    Extinção das categorias económicas que se formam a partir da propriedade – fruição, mercado, dinheiro – e esvaziamento das duas únicas que se manterão: a do trabalho, exclusivamente destinada a alimentar a força para trabalhar; estabelecimento, por conseguinte, do ciclo de servidão dos homens cuja existência decorrerá entre trabalhar para produzir e produzir para trabalhar.
    Nota: Há partidos e doutrinas que pretendem constituir formas diversas do socialismo: social-democracia, trabalhismo, socialismo moderado, comunismo, etc. Trata-se de uma distinção que só existe no processo preconizado de transição, gradual ou imediata, para o socialismo, o qual, uma vez realizado, terá inevitavelmente, aquelas características. Quando a transição é mais gradual, o processo começa pelo planeamento da economia, que logo implica o controlo decertos sectores da produção e acabará, necessariamente, por controlar toda a produção; ao atingir este controlo integral, a propriedade ficará abolida. Quando a transição é imediata, como preconizam os comunistas, a ordem do processo de transição inverte-se: começa pela abolição daproriedade, que imediatamente implica a administração de todos os recursos económicos pelo Estado, ou planeamento, e portanto o controlo de toda a produção.

    2º Sistema: o Capitalismo
    Características essenciais:

    a) Controlo da produção pelos monopólios
    b) Planeamento da economia pelos monopólios
    c) Abolição da propriedade (não de direito mas de facto)
    Trata-se de um sistema de organização da economia que inevitavelmente prepara e imediatamente precede o sistema socialista. Assenta nosmesmos fundamentos e tem as mesmas finalidades. O que os distingue, ao capitalismo e ao socialismo, são apenas as figuras do controlador daprodução, do planificador da economia e da abolição da propriedade.

    No socialismo, o controlador e o planificador são os poderosos funcionários do Estado; no capitalismo são os ricos capitães da indústria. Hayek emprega a seguinte expressão: “No capitalismo só os ricos são poderosos; no socialismo, só os poderosos são ricos.” Quanto à abolição da propriedade o capitalismo mantém a sua figura jurídica – que lhe serve para “cobrir” a ilimitada acumulação de capital ou o monopólio – mas destrói-a de facto. O que entre nós aconteceu no Alentejo com a propriedade agrícola – a propriedade por excelência – durante a fase pré-socialista ou capitalista, é bem ilustrativo da abolição, de facto, da propriedade: os poderosos adquiriam facilmente a terra, não para estabelecerem com ela uma relação de propriedade, mas para a explorarem ou industrializarem, fazendo dela um prolongamento ou um complemento dealguma indústria turística ou fabril (reduzindo-a, por exemplo, a coutos de caça ou a espontânea produtora de cortiça a apanhar denove em nove anos como matéria-prima de fábricas); deste modo, impediam a existência real da propriedade, que é uma relação dos homens com as coisas e das coisas com os homens, quer reduzindo-a efectivamente a uma posse exploradora ou industrial, quer apresentando essa exploração como o modelo mais vantajoso a seguir por aqueles que, aceitando-o, se deixavam transformar, de proprietários em possessores, com todo o cortejo bem conhecido de absentismo, desemprego, etc.

    O elemento característico da transição de uma real existência para a abstracta socialização, é o monopólio. Socialista e capitalistas estão de acordo em afirmarem que o monopólio é o resultado inevitável da complexidade da sociedade moderna e da produção tecnológica. O leitor pode encontrar, num outro capítulo deste manual, a refutação que Frederico Hayek faz desta afirmação.

    O monopólio incide, numa primeira fase, sobre os ramos de produção decada sector; em breve, porém, os monopólios dos diversos sectores se co-ordenam entre si levando à centralização de toda a economia. É então que a intervenção do Estado se torna necessária; é ela, num primeiro momento, solicitada e dominada pelos empresários organizados em monopólios, ou seja, pelos ricos que se fazem poderosos; mas logo, num segundo momento, os políticos, ou seja, os poderosos que se fazem ricos, tomam nas mãos, independentemente dos capitalistas, a intervenção do Estado, a centralização económica construída pelos monopólios. Esta substituição dos senhores da riqueza pelos senhores do poder costuma ser feita em nome da justiça social, da igualdade, das classes mais desfavorecidas, até da liberdade, mas, como é evidente, em nada se altera a situação das populações que apenas mudam de dono. O socialismo fica, então, instituído.

    Nota: Em rigor científico e na realidade, o capitalismo é apenas o que se designa na antiquissíma e muito mais clara designação de plutocracia, isto é, o domínio do Estado pelos valores – dinheiro, etc. – que a contabilidade dos guarda-livros resumem na rubrica de Capital, ou que vem à cabeça das contas.

    3º Sistema: o Liberalismo
    Características essenciais

    a) Mercado livre
    b) Produção pela concorrência
    c) Reconhecimento da propriedade
    Socialistas e capitalistas igualmente vêem no liberalismo o seu adversário irredutível. Ao atacarem-no, muitas vezes lhe atribuem, uns, estar ele na origem do capitalismo e, outros, estar ele na origem do socialismo, o que é igualmente falso e errado. O liberalismo, com o seu primado do indivíduo, com a sua concepção real e racional que tem da liberdade – que simultaneamente concebe como princípio do qual todo o sistema se deduz e como realidade vivida no indivíduo – com a confiança que deposita na perfeição do mundo e no aperfeiçoamento do homem, o liberalismo está igualmente distante das doutrinas capitalistas e socialistas, doutrinas afins uma da outra, que igualmente repudiam o individualismo, igualmente fazem da liberdade uma entificção abstracta e irrealizável, igualmente formam do mundo uma imagem tal que só podem propor-se dominá-lo ou transformá-lo.

    Ao contrário do paternalismo capitalista e do proteccionismo socialista que, ambos fundados numa misantropia sem remédio, igualmente aconchegam o homem numa servidão onde lhe é dadaa tranquilidade na impotência pessoal e na “segurança social”, o liberalismo confia no poder da natureza humana e na sua virtualidade de infinito aperfeiçoamento, e não receia adoptar o sistema que corresponde à realidade da natureza e à realidade do homem. Em vez da absurda e grotesca tentativa de”transformar a sociedade com homens que legitimam os seus direitos nas suas imperfeições”, o liberalismo deixa abertos oscaminhos para o aperfeiçoamento intelectual e ético, e o sistema económico que defende é o que exprime a mesma racionalidade iniludível do real inexorável: o mercado livre, que é o único processo capaz de fornecer a medida universal dosprodutos, a concorrência, queconstitui a única via para a prosperidade geral; a propriedade, que é a única relação do homem com as coisas do mundo.

    * Texto publicado no “Manual de Teoria Política Aplicada” da Editora Verbo em 2010

    mises.org.pt/posts/artigos/capitalismo-socialismo-e-liberalismo/

    • “Os Três Sistemas Possíveis De Organização Económica Dos Povos”.

      Engraçado, por que em letras maiúsculas? Como se tivesse sido escrito em mármore por algum Deus todo poderoso no início dos tempos.

      Vai ler um pouquinho de História e Antropologia. A capacidade humana de se inventar e se readaptar é praticamente infinita. Não existe uma natureza humana. A história não tem um fim, como querem as diversas narrativas históricas escatológicas. Essa é uma forma de pensamento que tem origem na crença religiosa em um fim redentor. Para o cristianismo a história acabaria com o segundo advento de Cristo, para os socialistas a história acabaria com a revolução proletária e para Fukuyama e cia a história já acabou depois da queda do muro de Berlim. A História e a Antropologia mostram que diferentes povos em diferentes épocas viveram sob arranjos sociais os mais diversos. Essa incapacidade de enxergar além, como se o estado de coisas atual fosse o único possível é a característica principal da ideologia neoliberal. É a ideia de “there is no alternative” da Thatcher.

      • O texto não fala do fim da história…

        • Mano, se só há Três Sistemas Possíveis, é porque todas as combinações e alternativas imagináveis já foram testadas e foi isso o que sobrou. Um tanto arrogante, não?

        • O texto não infere que todas as possibilidades foram testadas…

          O texto compara três sistemas, um que deu em merda, outro que está aí com seus problemas e um que tem dados indícios de ser mais eficiente que os dois primeiros por prezar pela liberdade humana…

        • *dado

  • Edilson Silva,o PSOL defende o confinamento desses jovens liberais ortodoxos em campos de reeducação? Ouvi algo a respeito por aí…. é boato ou verdade?

    • kkkkkk

    • Yusuke Hurameshi, desculpa a demora em responder, mas estava trabalhando longe da internet com teclado. O PSOL não defende isto q vc “ouviu por aí”. Fizemos questão de colocar o L de liberdade em nossa denominação exatamente para nos afastar de qualquer possibilidade de relativizar este valor.

      • Socialismo e liberdade tem se mostrado autoexcludentes…

      • Socialistas não em enganam.
        Adoram falar em LIBERDADE e DEMOCRACIA, mas quando chegam ao poder, sempre tentam diminuir a nossa liberdade e corroer as instituições democráticas. Adoram alocar seus militantes e bajuladores nas instituições.

        FORA SOCIALISMO !!!

  • Tatcher dizia que não havia sociedade, apenas indivíduos e suas famílias. Olavo de Carvalho fala que não há sociedade justa, apenas indivíduos justos. Fico intrigado essas afirmações, com a escandalosa desconsideração da realidade, já que são os mesmos que advogam a liberdade individual aqueles que mais lançam mão do Estado e dos corporativismos para efetivar os seus interesses. Não em vão nossa democracia está subjugada pelo sistema financeiro, pelas grandes redes de comunicação, pelos grandes oligopólios. Não em vão a liberdade reclamada em tempos de globalização é a liberdade de acessar, criar e estimular novos mercados para resolver as crises estruturais do capitalismo, enquanto a liberdade e a dignidade das pessoas fica restrita às leis do mercado, de forma que seja inexorável o estímulo ao desemprego para que se mantenha a meta de inflação ou a relação dívida/PIB, tudo em nome do bom ambiente para investimentos e da bendita competitividade.

    • Não, não. Você está confundindo. Eu sou a favor da liberdade individual e sou contra os corporativismos governistas. Você está num paradigma “socialismo X Capitalismo”, e a realidade é bem maior que isso.

      • Ivson, você realmente não reconhece que o capitalismo nasceu da “revolução ‘liberalista’”? Não consigo ver essa distinção. Essa imagem de 3 modelos é ilusória. O liberalismo está na base (para o bem e para o mal) dos sistema econômico e político atual.

  • Mas, Edilson, estás analisando as questões apenas pelo ponto de vista econômico. Claro que, nesse aspecto, os libertários se aproximam dos “conservatives”, pq eles são anti-estatistas.
    Mas, do ponto de vista das questões “morais”, da “guerra cultural” entre direita e esquerda: casamento gay, legalização das drogas, união poliafetiva, etc., os libertários me parecem ser muito mais próximos do seu partido, do que de qualquer tendência conservadora.

    • Pedro Jacome, desculpe tbém a demora em responder. Só agora tive tempo. Concordo com vc que em tese nas pautas morais e de guerra cultural como vc coloca, tem muito a ver. Mas acontece que na luta política concreta estamos vendo este apelo. Quando falei em interconexões que levam a esta realidade de libertários com conservadores, é pq o Lobão é um militante desta unidade, paradoxalmente. Lobão elogia o Olavo de Carvalho, que por sua vez afirma em artigo recente que o mais importante discurso feito em português brasileiro nos últimos 50 anos foi de uma pastora assessora da bancada evangélica no Congresso. Então, é este aparente paradoxo que se apresenta qdo se sai das teses acadêmicas e se desce para o play da política concreta.

      • Quer dizer que alguém que tem um viés libertário é obrigado a concordar em tudo com Olavo de Carvalho?
        Acho que a lógica booleana, dessa sua relação de implicação, não pode ser aplicada ao caso.

  • Acho engraçado esses socialistas de Rolex!

    • Eu usei um Technos por 12 anos, até levar uma queda, e então estou com outro Technos desde então, que espero vá até 2023 no mínimo. A relação custo/benefício é o que importa.

      • O nobre João Paulo e seu cumpanheiro João da costa nao pensam dessa forma.

      • E o iPhone? ;)

    • Socialismo é todo mundo poder ter um rolex. Acorda.

      • Concordo, Anita. Mesmo assim, prefiro a liberdade de saber que eu não preciso de um rolex para viver e ser feliz. Entre entre o socialismo estatista e o capitalismo liberal, fico com o último.

  • O hilariante desses debates sobre capitalismo X socialismo é que sempre tem bacharel em direito, filosofia, ciências sociais, mas NUNCA um economista.

    • Todos se acham experts em economia… mesmo mal sabendo somar…

    • Propagandalf, depois que assisti Inside Job a minha opinião sobre os economistas deu um salto de qualidade.

      • Depois que estudei o período stalinista da União Soviética, minha opinião sobre esquerdistas deu um salto de qualidade.

        É esse o seu argumento, Edilson?

  • Acredito ser difícil alguém viver, verdadeiramente, a bandeira socialista.

    Se tornou comum, ou até mesmo corriqueiro, ver socialistas/esquerdistas/etc portando iphones, tênis nike, consumindo filmes da Warner, etc.

    • Tudo bem, cada um consome o que quiser, o que não dá é pra defender o socialismo usando um notebook da Apple, comendo Mclanche feliz e tomando coca cola.

      Os metidos a socialistas veneram tudo que os liberalistas veneram, a diferença é que os liberalistas são menos hipócritas e assumem do que gostam, já os socialistas ficam com essa palhaçada de discurso comunista pra cima e pra baixo, mas, no fundo, adoram um tênis Nike e um Rolex. Che Guevara e Fidel Castro que o digam.

      O que os socialistas tem que aprender a abandonar é o discurso hipócrita.

      Não é crime gostar de Nike.

      O crime é gostar de Nike, usar tênis da Nike mas viver metendo o pau nela, chamando-a de imperialista.

      Ora, se não gosta da Nike anda descalço.

      • Pior que gostar de uma grife e reclamar quem gosta é defender o assassinato de seres humanos contrários às ideias desses indivíduos.
        Basta ver o histórico do socialismo no poder para entender o perigo àqueles que desejam ter uma opinião diferente.
        Em um mundo liberal, socialistas têm sua integridade respeitada. No socialismo, liberais são assassinados sumariamente.

        • Que Maggie Thatcher morria de tesão no Pinochet

    • E desde quando ser socialista é ser retógrado?

      • Desde sempre.

  • A idéia de uma “aliança” entre liberais e conservadores é muito mais defendida pelos conservadores que pelos liberais. Aliás, sob o ponto de vista social, os liberais concordariam muito mais com os socialistas que com os conservadores (casamento e adoção por casais gays, liberação das drogas, liberação do aborto, dentre outros assuntos são amplamente defendidos pelos liberais e abominados pelos conservadores).

    Recomendo que o Edilson (e o leitor interessado) veja o posicionamento deste texto (http://contrapolitics.blogspot.com.br/2008/10/vamos-formar-incrvel-invencvel-aliana.html), que talvez seja hoje a posição majoritária dentro do movimento liberal brasileiro.

    • Obgd pela indicação, Carlos. Vou ler.

  • O velho diálogo de Adão e Eva:

    - *********?
    - *********** *** *****!

    E etc… etc… etc…

  • Outro ponto importante foi levantado no debate.

    O regime comunista/socialista tem um histórico de massacres maior do que Hitler ou a Inquisição. Este regime, em sua propaganda anti-religião, quase levou o budismo a extinção através do massacre de monges (forçando Dalai Lama a se exilar), por exemplo.

    Infelizmente o histórico do comunismo/socialismo é pouco divulgado entre a população.

    Para quem se interessar:
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_ateu

  • O problema é que ultimamente defender bandido invocando os direitos humanos, posar de socialista e bancar o vegano virou moda. É como se fosse uma forma de dizer: “Olhem, sou consciente, sou cool, sou hipster, sou um cara legal, de bem com o meio ambiente e me diferencio da massa ignorante, alienada e comprada pelo capitalismo. Sou melhor do que vocês.”

    Cada vez mais as pessoas se preocupam mais com a aparência do que com o conteúdo. É por isso que o cara defende o socialismo usando Rolex no braço, ou seja, ele, no íntimo, quer usar e consumir tudo do bom e do melhor, mas para os outros ele empurra o socialismo.

    Eu sinceramente acho que o capitalismo é uma ditadura, não vou negar. O capitalismo é a ditadura do consumismo porra-louca, desenfreado, desequilibrado, inconsequente e impensado. Mas, diferente do socialismo, é uma ditadura que dá pra você não aderir a ela se você quiser, é uma ditadura com “brechas” pelas quais dá pra você escapar se não concordar com ela. Nem todo mundo é obrigado a consumir impulsiva e descontroladamente, pelo contrário, existem até campanhas dentro do capitalismo para que as pessoas consumam conscientemente. No socialismo, dificilmente haveria essa tolerância com o contraditório, essa liberdade para que o contraditório pudesse se expressar.

    O capitalismo é uma ditadura mais leve, ele de certa forma te permite escolhas, ele te dá certa margem de manobra para você viver do jeito que você quiser. É possível você ter uma filosofia e uma prática de vida contrária ao capitalismo mesmo você estando inserido nele.

    No capitalismo NÃO há uma obrigatoriedade de se viver de certa maneira, pode até haver uma “forçada de barra”, uma pressão do “sistema” pra você viver, pensar, se relacionar e agir de um determinado jeito, mas NÃO há uma compulsoriedade, uma obrigatoriedade como existe no socialismo.

    Exemplo: existem os tênis Nike no mercado, mas eu posso, se quiser, não usá-los. Eu não sou obrigado a usar a porra de um tênis Nike, eu coloco ele no pé se eu quiser, não há um agente do governo com uma arma apontada pra minha cabeça me obrigando a usar Nike. Essa é a beleza do liberalismo, a opção está lá, disponível, se você quiser pode fazer uso dela.

    No socialismo, você não tem essa liberdade de escolha, tem que fazer o que os líderes mandam e pronto, não tem conversa. No socialismo, cria-se a ideia de que o líder sabe o que é melhor pra você. Todo socialista é meio esquizofrênico, meio bipolar, daquele tipo que prega uma coisa, mas, na prática, faz outra geralmente contraditória ao que ele prega.

    • Caro Eduardo, experimente trocar as palavras Nike e Rolex por trabalho, saúde, moradia… verás que as coisas não são tão simples.

      • O grande erro do socialismo é achar que todos podem ter acesso a tudo, como
        se houvesse uma disponibilidade de recursos infinita capaz de proporcionar isso,
        e que o estado é uma entidade clarividente que garante esse acesso. Ideia
        mais do que pueril.

        O capitalismo se constrói com base na realidade de limitação dos recursos.

  • O mais engraçado – e que foi muito comentado após o debate – é o que o Emiliano defendia fins totalmente libertários, mas meios extremamente esquisitos para atingi-los.

    Exemplo, boa parte do debate o Emiliano defendeu que deveria haver uma descentralização da educação. Ora, não há nada mais libertário do que defender a descentralização do poder. Infelizmente, logo após sua bela defesa da igualdade de poder na sociedade, o homem vai lá e pede que para descentralizar tem que colocar tudo dentro do estado, nada para fora do estado. Entenderam? Nem eu.

    Em outra parte, o Emiliano – mesmo sem querer – fez a melhor defesa do homeschooling que todos nós já tínhamos ouvidos até então, para logo em seguida falar algumas bizarrices e dá a entender que ele achava que o ideal era que o estado tivesse fechado sua bem sucedida experiência individual.

    Infelizmente ainda falta um pouco de leitura da parte do Emiliano do lado liberal. Nomes como Hayek (que escreveu um artigo chamado ‘Porque não sou conservador’ à respeito), Mises, Sowell, Walter Williams, Bryan Caplan, Rothbard, Friedman (pai, filho e neto), continuam lamentavelmente – espero eu que isso mude – muito distantes da sua lista de leituras.

    E só mais uma coisa, falar em democracia é fácil, fazer o que é difícil.

    Você foi em um evento LOTADO de liberais extremamente radicais. Quantas vezes foi vaiado? Quantas vezes te desrespeitaram?

    Quando Yoani veio aqui, o que ocorreu com ela? Você acha que ela teve o mesmo tratamento? Podemos até pegar casos mais locais, quantos liberais você já viu discursar em uma assembleia de DCE sem sofrer vaias?

    Nós não precisamos falar de liberdade, nós a praticamos. Isso já é o suficiente.

    Ivanildo Terceiro – Coordenador EPL-PB

    • Onde tem Emiliano, leiam “Edilson”.

      • Pegar o destempero infantil da UJS com a blogueira cubana não me parece nem um pouco razoável.
        Ali é questão de falta de educação doméstica mesmo.

    • “Você foi em um evento LOTADO de liberais extremamente radicais. Quantas vezes foi vaiado? Quantas vezes te desrespeitaram?”

      Tinha pensado nisso… se fosse um evento esquerd(alguma coisa) iriam fazer do debate uma guerra e a gritaria de slogans seria grande…

      • Vide a visita da blogueira cubana. Democracia só funciona no socialismo quando
        a opinião é a favor. Do contrário é duramente combatida.

    • Começando a incomodar hein, amigo? Isso é fruto de um bom trabalho, e que continue assim.

    • Ivanildo Terceiro, para a minha segurança e para estudos posteriores, eu gravei todo o debate, em som e imagem, as minhas falas e a dos demais debatedores. No texto que fiz falando do debate, logo no início faço uma distinção ao evento. Fui muito respeitado, tanto pelos integrantes da mesa, quando pelo público. Seria estranho se fosse diferente, porque não fomos ali fazer uma disputa política, mas exercitar diferenças no campo das ideias. Mas não só por isto fomos respeitados, mas sim porque fizemos um bom debate e lhes apresentamos algo que pelo visto vcs ainda não conheciam, que é o socialismo com liberdade. Dizer que o Estado não pode impedir que eu faça uma escola com outros pais (dei meu exemplo pessoal, pois construí em minha casa uma experiência com a pedagogia Waldorf) e ao mesmo tempo que este mesmo Estado tem a obrigação de oferecer educação pública e gratuita para todos, é sim possível, e foi exatamente isto que falei e vi as expressões de aprovação na face de muitos que lá estavam, inclusive muitos aplausos.
      Confesso a vc que realmente não me dedico à leitura da bibliografia que vc indicou ali, o que eu li só um pouquinho foi a Escola de Chicago (Friedmam) quando estudava economia na UFPE, mas só de raspão. Mas eu sempre procuro ler ao menos os artigos mais curtos e antes de ir conversar com vcs olhei com mais cuidado o Mises.
      Sobre Yoane, achei uma estupidez aqueles atos contra a presença dela e contra a sua liberdade de expressão. Estupidez por dois motivos: a) ela tem o direito de falar; b) deram a ela mais publicidade, exatamente na temática em que ela denuncia o regime cubano: a falta de liberdade de expressão.
      Sobre praticar a liberdade, eu vejo assim, Ivanildo: na medida em que se tenta impor um receituário liberal mais próximo da ortodoxia, há uma natural reação dos que ficam excluídos da mais básica cidadania, e a tréplica dos liberais tem sido historicamente o atropelo da democracia. A América latina viveu isto claramente, mas pensadores como Bobbio, que não deixa de ser um liberal, elaboraram brilhantemente sobre isto. Gde abç e obrigado pelo debate.

  • Muito bom debater sobre isso, tema complexo, acabo achando tão utópico quanto o socialismo. Já em termos práticos…gosto de questionar sobre o basicão: qd começarem a chegar no poder, será q os libertários vão ficar confortáveis recebendo auxílio-paletó?? Tô cansado de ver comunistas/socialistas criticando capitalismo, mas enchendo o bolso com verbas bisonhas. Tb não me enganam liberais q criticam o bolsa-família, e tão de boa com sua bolsa-paletó-moradia-garçom particular-gasolina…..

    • Exemplifique, por favor…

  • Muito bom, o artigo de Edílson.

  • “As interconexões levam-nos ao filósofo Olavo de Carvalho, dos maiores ícones do pensamento conservador no Brasil.” Você realmente acha que as ideias do Olavo de Carvalho tem alguma influência sobre os Libertários? Já ouviu o que o próprio Olavo acha sobre os Libertários? O texto é típico de gente que não faz uma pesquisa antes de escrever.

    • É só pesquisar sobre as opiniões mútuas entre Rodrigo Constantino e Olavo de Carvalho…

      • O tal Rodrigo Constantino é um “bunda” completo, para não falar coisa pior. Cheio de ideia tosca, que se for pesquisar mesmo de onde vem, tais ideias são praticamente colhidas do próprio Olavo.

    • Felipe Barros de Amorim Silva, vc me dá uma boa notícia, então. Falo do que ouvi na conferência, de um dos debatedores, falando em unidade entre liberais e conservadores; do que li em sites como Capitalismo Para os Pobres, nos podcasts do MisesBrasil com o Bruno Garschargen; e no próprio site do Olavo de Carvalho. Mas eu sei como é isto. Nunca se tem consenso em questões como estas. Faz parte da realpolitik.

  • Já tô com saudade dos posts da telexfree.

    Não aguento mais esses posts de direita/esquerda, de gay doido pra dar o rabo, de ateísmo, de veganismo, de feministas revoltadas, de estupro, de capitalismo/socialismo, de minorias discriminadas, de piti de classe média com o trânsito, de rodízio… Ô bando de assunto pé no saco.

    O povo fica discutindo essas merdas inúteis e o país continua o mesmo lixo de sempre. Já que esse país não vai sair dessa merda nunca, é muito melhor se divertir com os posts da telexfree, são muito mais relax, é zuação garantida.

    Volta telexfree, pelo amor de Deus, queremos voltar a dar boas gargalhadas !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    • Quero crer que o seu comentário tenha sido irônico…

  • É a impressionante a “cegueira” que cerca os Socialistas (os do bem, porque os que realmente entendem de socialismo são os canalhas que mataram mais de 100 milhões no último século, sedentos pelo poder).

    Tentei começar a tentar escrever o que achei de errado nas conclusões de Edilson, mas confesso que foram tantas que desisti.

    Edilson não entende e não entendeu nada da essência do Liberalismo. E não o julgo por não ter cursado um curso de economia, pois conheço varias economistas que se recusam a entender também, e um dos maiores “economistas” vivo, para mim, é Ron Paul, um médico!!

    Julgo ele pelo ranço que ele tem sobre o livre mercado, pelas trocas voluntárias, sobre a livre iniciativa privada… Enquanto ele não se despir desse véu sinistro, ele jamais entenderá o verdadeiro liberalismo!

  • Sobre o liberalismo e os liberais: Resposta oficial da EPL-PE ao texto do blog do político Edílson Silva

    Falo por todo o EPL quando digo que ficamos muito felizes com a presença do presidente do PSOL-PE Edilson Silva para uma exposição e debate sobre educação no Brasil que organizamos em nossa primeira Conferência Regional do Nordeste. Nós nos identificamos como liberais e libertários, nada melhor, então, que confrontar nossa visão de liberdade com o representante de partido que tem “liberdade” no nome, certo?

    É uma pena, porém, que a tal liberdade esteja acompanhada da palavra “socialismo”, porque sabemos que é um socialismo diferente daquele exposto por autores como Thomas Hodgskin e Benjamin Tucker. Esses autores, reconhecidamente “socialistas”, abraçavam uma visão radical de uma sociedade livre e de mercado, que serviria principalmente para melhorar as condições de vida da população em geral e, em particular, dos trabalhadores. Autores como eles inspiram até hoje os libertários.

    O socialismo aludido no nome do PSOL é de tingimento marxista e esse é claramente incompatível com as nossas ideias mais básicas. E foi a esse socialismo que Edilson Silva recorreu ao escrever um texto (publicado em seu blog pessoal e no blog Acerto de Contas) comentando o evento que organizamos e nossas ideias.

    Rapidamente, devo corrigi-lo: o EPL não tenta legalizar partido nenhum. Alguns de seus membros se envolvem com o Libertários (LIBER), partido em formação, mas isso não tem, em si, nada a ver com nossa instituição. Talvez até não seja uma estratégia tão boa, já que o movimento estudantil está cheio de organizações de base para vários partidos de esquerda. Mas escolhemos o apartidarismo e vamos continuar nele.

    Além disso, o texto de Edilson já começa nos ligando a Olavo de Carvalho, como se as ideias dele fossem representativas do que pensam liberais e libertários. Devo dizer que não consegui seguir as “interconexões” mencionadas por Edilson. Ele também nos chama de liberais “ortodoxos”. Não sei se a palavra ortodoxo se aplica aqui; parece uma rotulação vazia. Agradeço, porém, por Edilson não ter utilizado o termo “neoliberal”.

    Tirado isso tudo do caminho, permitam-me comentar alguns pontos colocados por Edilson no texto.

    Os argumentos dele parecem ser os seguintes:

    1) Os chamados direitos sociais são uma dinâmica irresistível do processo civilizatório e necessárias para uma ordem social justa;

    2) O sistema de livre mercado gera inexoravelmente e observavelmente gerou ao longo dos dois últimos séculos monopolização, crises e desemprego, e, por isso, é instável;

    3) Os liberais não compreendem que existam pessoas que se encontrem em situação de pobreza (sem casa, terra, saúde, educação, cultura) não por demérito pessoal mas pela própria dinâmica econômica do mercado.

    Os três pontos são falsos.

    Os “direitos sociais e difusos”, como citados por Edilson, não são nem necessários nem auxiliam o estabelecimento de uma ordem social justa. Pelo contrário, os tais direitos que foram incorporados à letra da lei ao longo dos séculos não são meros “penduricalhos”, são bigornas jogadas nas costas das pessoas. São pesos que os indivíduos têm que carregar frequentemente em benefício de uma pequena elite que se beneficia dos efeitos da legislação.

    Um mercado livre também, ao contrário do que afirma Edilson, não ocasiona crises, monopólios e desemprego. Pelo contrário, o que se observa ao longo da história são crises seguidas ocasionadas pela ingerência estatal. No século XIX, os governantes, sem dúvida querendo beneficiar a si próprios e alguns apaniguados, desvalorizavam frequentemente a moeda e provocaram seguidas crises inflacionárias e de balança de pagamentos.

    No século XX, com os bancos centrais (efetivamente carteis bancários com chancela estatal), a manipulação monetária se institucionalizou no mundo todo. Não à toa, vimos a crise de 1929 e, mais recentemente, a de 2008. As crises são ainda pioradas pelas regulamentações, restrições e legislações que proíbem, dificultam ou encarecem diversos aspectos da vida econômica dos cidadãos.

    O texto menciona, por exemplo, as leis anti-truste, que segundo ele refletem uma compreensão correta da tendência do livre mercado de se monopolizar. Surpreende que Edilson não saiba que, no mundo todo, as leis anti-truste foram adotadas por pressão dos grandes empresários justamente para restringir a competição com seus negócios e, assim, facilitar sua consolidação oligopolística. Recomendo sobre o assunto os trabalhos do historiador da New Left Gabriel Kolko (notadamente os livros The Triumph of Conservatism e Railroads and Regulation).

    Por último, há a afirmação de que os liberais e libertários são insensíveis ao pleito dos mais pobres e que nós atribuímos quaisquer insucessos econômicos das pessoas à incompetência individual.

    Nada mais errado. Nós somos bastante sensíveis à situação de vulnerabilidade social de milhões de pessoas no Brasil e no mundo. Mas discordamos do diagnóstico das causas e do receituário da cura.

    O problema é a falta de liberdade, não o excesso dela. Com liberdade, as pessoas podem empreender, produzir, trabalhar. Com menos governo no caminho, a pobreza é fatalmente reduzida. Com menos regulamentações há mais concorrência entre negócios, os salários sobem, os preços dos bens caem e o bem estar aumenta. Não há mágica, não é perfeito, mas certamente seria um salto fenomenal da situação econômica em que nos encontramos.

    É por isso que colocamos tanto peso no empreendedorismo, que Edilson afirma ser um dogma: é porque queremos que os cidadãos sejam independentes, produtivos; donos dos meios de produção de um jeito muito mais palpável do que pretendem os socialistas.

    Devo dizer que os argumentos avançados por Edilson Silva não são novos para os liberais e libertários. Infelizmente são argumentos que já eram obsoletos quando Marx publicou o primeiro volume de O Capital em 1869, no meio da revolução marginalista na economia.

    Nós já estamos acostumados a falar sobre mercado, crises, desemprego, classes, pobreza e riqueza. Foi bom ter a oportunidade de debater o assunto e expor nossa interpretação para alguém que discorda tão diametralmente das nossas visões.

    E Edilson pode ficar tranquilo: o EPL em peso acredita que o liberalismo é forte o bastante por si só. O recrutamento de Geraldo Alckmin para engrossar as fileiras de um suposto movimento anti-comunista não entrou na nossa agenda.

    Erick Vasconcelos
    Conselheiro Executivo da Rede Estudantes Pela Liberdade

    • O certo seria um novo Post…

    • É bom debater. Parabéns pela réplica, mesmo eu discordando dela. Gde abraço!

      • Com motivos?

  • [...] resposta oficial do EPL-PE ao texto escrito por Edilson Silva e publicado em seu blog pessoal e no Acerto de Contas. Falo por todo o EPL quando digo que ficamos muito felizes com a presença do presidente do [...]

  • O liberalismo, posto que defende a liberdade produz resultados.

    Podemos afirmar, sem medo de errar que a liberdade, em especial a econômica é a que produz os melhores resultados, neste sentido podemos comparar quaisquer indicadores de melhoria de qualidade de vida, indicadores econômicos e também ambientais com os indicadores de liberdade.

    Estes indicadores apresentam um ranking de nações, e não é de se estranhar que o Brasil não está entre eles.

    Tivemos os Tigres asiáticos, agora temos os Pumas na América Latina e nós fazemos questão de tomar parte dos Macacos Latinos.

    1. “Index of Economic Freedom World Rankings” The Heritage Foundation.
    2. “Economic Freedom of the World: Annual Report” do The Cato Institute.
    3. “Economic Freedom of the World: Annual Report” do Fraser Institute.

    Veja também: http://www.youtube.com/watch?v=Qe9Lw_nlFQU

    Quem sabe um dia saibamos responder a algumas perguntas essenciais, as quais infelizmente requerem razão e não a ilusão

    Quais são as tarefas autênticas do Estado para que ele possa ser eficaz nos seus resultados?
    Em que nível, federal, estadual ou municipal, devem ser realizado? E qual é o papel de cada poder?
    Como controlar os gastos estatais e impedir que eles se expandam continuamente e que os recursos que deveriam ser destinados aos bens e serviços públicos não sejam retirados ou desviados por políticos e sindicalistas?
    De onde são retirados estes recursos para que o Estado venha a cumprir seu papel?
    E o Estado será mais eficiente e eficaz que a iniciativa privada na alocação destes recursos?

    Abraços,

    Gerhard Erich Boehme

  • Capitalismo = poder na mão dos porcos engravatados.

    Socialismo = poder na mão de burocratas incompetentes de partido.

    Escolher entre os dois é como escolher entre Satanás e Lúcifer.

  • [...] [Esta é resposta oficial do EPL-PE ao texto escrito por Edilson Silva e publicado em seu blog pessoal e no Acerto de Contas.] [...]

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).