O livro de Jó, o desmatamento de Suape e o ato de substituir vidas

Por Robson Fernando
para o Acerto de Contas
O desmatamento histórico que o Governo de Pernambuco quer causar nas cercanias do Porto de Suape já é conhecido por grande parte da opinião pública. Vem sendo tanto defendido por quem quer progresso incondicional para Pernambuco como repudiado por quem quer a continuidade do verde e uma economia sustentável para o estado. Um ponto, no entanto, a que poucos se atentaram é a previsão de compensação ambiental nos Artigos 2º e 3º e no Anexo II do projeto de lei 1496/2010 (o PL do desmatamento). Mas será que vale deixar a destruição rolar contando-se com a promessa de plantar uma área de extensão igual ou maior?
Pensando – criticamente – no conto bíblico de Jó, no qual a atitude de Deus foi muito semelhante à atual do governo Eduardo Campos, podemos concluir que a tal compensação, mesmo com boas intenções e pretendendo replantar talvez o dobro de vegetação, não é mais preferível do que deixar os 1076 hectares de ecossistemas intactos, preservados.
A tal história de Jó, contada no livro bíblico homônimo, escreve que Jó era um homem muito rico, senhor de muitos servos e rebanhos (a Bíblia não hesita em tratar animais e escravos como propriedade humana) e pai de sete filhos e três filhas, sendo “maior do que todos os do oriente”. Era também “íntegro, reto e temente a Deus e desviava-se do mal”.
Então um dia Deus, na intenção de provar, perante Satanás, que a fidelidade de Jó a ele era incondicional e irredutível, permitiu que o Coisa-Ruim matasse todos os filhos e servos do inocente homem e desse um fim aos rebanhos dele através de hordas militares de outros povos e catástrofes naturais, além de lhe causar “úlceras malignas, desde a planta do pé até ao alto da cabeça”.
Suape antes do porto
Jó manteve a fé em Deus mesmo em situação miserável, e no final o Divino “acrescentou, em dobro, a tudo quanto Jó antes possuía (sic)” e teve mais dez filhos (três meninas e sete meninos), além de, presumivelmente, ter curado as úlceras da pele.
Refletindo sobre o conto de Jó para a ética de nossa época – considerando que muitos cristãos utilizam a Bíblia como referência moral atemporal –, notamos que, mesmo tendo Deus ressarcido Jó com o dobro de suas “propriedades” e mais dez crianças, essa restituição nem de longe sanou a massiva perda que foi causada. Não foi uma ressurreição em massa, apenas a substituição das vidas perdidas, como se fossem de fato coisas substituíveis.
As vidas dos muitos servos, das sete mil ovelhas (única espécie que foi chacinada; os animais de outras espécies foram levados embora pelas hordas) e dos dez primeiros filhos foram ceifadas para sempre, irremediavelmente, sem volta. Todos esses seres (humanos e bichos) sofreram muito em suas mortes, pelas armas das hordas assaltantes, pelo fogo que caiu do céu e pelo vento do deserto. E isso, tantas mortes precedidas de sofrimento tormentoso, Deus não remediou no ressarcimento de Jó.
Em suma, o sofrimento e a perda de tantas vidas causados por Satanás – com autorização de Deus – não foi sanada, mas sim tratada com um tapa-buraco que consistiu na restituição com novos filhos e o dobro de novos escravos humanos e não-humanos.


Suape hoje
Fechando a Bíblia e olhando para a vegetação de Suape, vemos que a proposta do governo estadual é muito semelhante à atitude do Deus bíblico: mandar seus comandados destruírem 1076 hectares de ecossistemas de mangue, restinga e mata atlântica e em seguida plantarem cerca de 3 mil hectares de mata atlântica e 61 de restinga (a área de mangue prevista na compensação consta como a ser preservada, não a ser reposta).
Vislumbrando o cenário da destruição, pensamos: e a biodiversidade da enorme área com três ecossistemas diferentes que será derrubada? E as vidas dos milhões ou bilhões de seres vivos que habitam esses 1076 hectares? E o berçário local da vida marinha? A verdade é que, se o governo triunfar, tudo isso será ceifado, destruído. E a compensação ambiental não irá trazer de volta as incontáveis vidas e biodiversidades que serão abatidas, nem o berçário estuarino que será perdido.
Da mesma forma que Satanás respaldado por Deus, o governo quer causar morte e destruição em massa. E, assim como Javé acalmou Jó, tenta ludibriar os órgãos ambientais e o povo com uma proposta de compensação ecológica que, longe de trazer de volta a vida e a biodiversidade que serão exterminadas, pretende tentar substituir a riqueza do ambiente do mangue que será suprimido por um punhado de floresta atlântica cujas fauna e flora, além de não serem as mesmas que as do manguezal, irão demorar bastante para adquirir a exuberância de uma mata primária.
Para Javé e Eduardo Campos, os seres vivos abatidos com suas autorizações não têm um fim em si mesmos, nem um valor intrínseco, nem o direito à vida.* Não lhes são uma parcela da biosfera que deve ser respeitada e preservada, mas apenas coisas substituíveis, que podem ser repostas por outras novas – mesmo não sendo das mesmas espécies e não tendo as mesmas personalidades.
Devemos encarar o ecocídio de Suape com a mesma cara feia – leia-se reprovação ético-moral – com que podemos encarar a história do livro de Jó. Nem o Deus bíblico nem seu “É” Motosserra podem trazer de volta as vidas perdidas e a biodiversidade ceifada por suas atitudes. E, ao contrário das pessoas e animais do mito de Jó, a fauna e flora do mangue, mata atlântica e restinga do entorno do Porto de Suape nós ainda podemos – e, sob um olhar ético, devemos – defender e salvar.
*Reitero que os motivos pelos quais defendo a preservação da vegetação de Suape, tais como subentendidos neste texto, são os motivos próprios da natureza. Defendo-a pela ética, pelo respeito à biosfera, ao meio ambiente como fim em si mesmo, não apenas porque os seres humanos, incluindo pescadores, irão sofrer com as consequências da possível destruição daquele grande conjunto local de seres vivos.
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Do mesmo autor, aqui no blog:
“Megadesmatamento em Suape: ecocídio em nome do progresso”
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ATUALIZAÇÃO: Vejam resposta de Suape a este artigo
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Robson Fernando é graduando em Ciências Sociais pela UFPE e dono do blog Arauto da Consciência
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Postado em:
Não entendo o porque de tanto bafafá com mais essa coisa de Suape.
O mal maior já está feito. Além do mais, sempre esteve implícito que mais ainda adviria, o que é o caso…
Pierre parece os caras do PV de PE.
Verdes de fancaria…
Inacreditável este pensamento do Mello: se eu entendi, ele aceita qualquer mal que vier, sem reclamar? Meu Deus, é muita subserviência. Prefiro a posição dos “caras do PV”. Gostei da posição equilibrada divulgada hoje no Twitter do PV: http://twitter.com/PartidoVerdePE – “PV propõe que governo suspenda a Lei do Megadesmatamento e quer mais discussão sobre Suape” http://bit.ly/ajYXR0
A atitude do PV é bondosa, mas achei essa parte odiosa:
Robson, não entendi o porquê do ódio. Tô achando o discurso do PV moderno e responsável. Bem diferente das velhas ladainhas dos políticos tradicionais. E saindo do radicalismo fácil das ongs ecochatas. Achei interessante a analogia do mangue como “Fábrica natural” e “Bioprodutos” como resultado desta fábrica. Muito bom!
Quer dizer, “odioso” não foi a melhor palavra. Eu diria “detestável”.
Meu desgosto foi não pela posição do PV, mas apenas pela citação referida. E foi porque os animais são rebaixados a meros produtos, que só precisam ser embalados depois de tirados da água, não seres sencientes que merecem respeito.
Ninguém gostaria de ouvir que cães e gatos são “bioprodutos” com um “valor econômico e social”. Mas outros animais, que possuem as mesmas capacidades de manifestar sentimentos e sentir dor, assim são tratados sem o mínimo pudor – como coisas, como pratos ambulantes, como mercadorias.
Concordo ter sido um comentário detestável. Mas transformar tudo em dinheiro talvez seja a única abordagem que atinja os ouvido$ e mente$ dos nossos podero$o$.
O trecho soou antropocêntrico mesmo. Melhor se o mundo fosse recheado de ursinhos pandas, tartaruguinhas e golfinhos e outras megafaunas carismáticas. Afinal, pra maioria, peixes e crustáceos só servem para encher o bucho memso.
Subserviência??
Não.
Apenas realismo.
O local foi destruído para a implantação do porto.
Me parece que você nunca viu Suape em sua plenitude. Nem nunca verá.
Eu já.
Desde a “minha época” já dizíamos isso.
É só olhar o porto do Recife, que um dia foi igual a Suape, com uma linha de arrecifes e tudo o mais.
Com a diferença de que o Porto do Recife e a destruição
do estuário do Capibaribe são seculares, enquanto em Suape ainda podemos defender a vegetação que existe lá.
Robson, entendi o seu ponto de vista. Gosto desta sua visão cuidadosa. E acho um luxo este pensamento, diante de uma economia que trata a vida como mercadoria. Mas entendo a posição do PV como uma tentativa de mostrar que a natureza, além do valor ecológico, tem também um valor social e econômico. Entendo que esta posição é para mostrar que o desenvolvimento pode ser alcançado aproveitando os recursos naturais de forma equilibrada. Ou seja, o “progresso” não é só conseguido com construção de fábricas. Mantenho a minha concordância com a declaração do presidente do PV.
Sim, Fernanda, também concordo com o presidente do PV,
exceto na parte em que ele chama animais de “bioprodutos”.
Se o replantio vai ser em dobro, não há problema algum. Ganha a economia com os estaleiros, ganha o meio ambiente com mais vegetação. Isso se chama desenvolvimento sustentável.
Martins, como apontei no artigo (e outras coisas):
- não vai haver nenhum replantio de mangue, apenas a conservação de áreas já existentes. No máximo haveria o replantio de uma área de mata atlântica e de um pouco de restinga
- mesmo se 3000 hectares de mata atlântica sejam de fato plantados, vai demorar um tempo enorme pra se alcançar a biodiversidade que existe numa mata primária
- compensação nenhuma vai trazer de volta o enorme número de vidas silvestres (fauna e flora) que vai ser massacrado, tampouco a biodiversidade que existe naqueles 1076 hectares (a do mangue mesmo vai ser aniquilada)
- o estuário vai ser irreversivelmente afetado biótica e abioticamente
- fator humano: os extrativistas da área (coletores de frutas silvestres e pescadores) vão ser prejudicados severamente, vão perder sua única fonte de sustento, e o governo não tem nenhum plano pra lhes dar instrução e empregos alternativos.
Alguém se lembra de Tatuoca?
Tatuoca….tive oportunidade de trabalhar com umas amostras biológicas de lá…o que posso dizer, é que não sustenta, em absoluto, o berçário de vida marinha como o de áreas ainda “preservadas” do estado. Imaginem só, após a devastação do mangue, não somente pessoas subsistentes passarão fome, mas o próprio alimento do qual dependem: os peixes, crustáceos e afins.
Martins, a natureza não é uma continha de matemática. Achar que uma matança aqui pode ser compensada com o nascimento de uma vida acolá é um raciocínio muito ruim. Outra coisa: não tem como compensar mangue. Ou ele existe ali ou tudo morrerá.
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Vou fazer uma pequena provocação aqui. Essa coisa da preservação tem que ser melhor entendida. Não concordo com o preservar por preservar. No meu ponto de vista, existe um mal entendido sobre estas coisas.
Primeiro que a relação entre os seres vivos e o ambiente em que eles vivem não está em equilíbrio estático. Pelo contrário, este equilíbrio é dinâmico, muda continuamente. É só olhar o passar do tempo. Não notamos isso, porque vivemos muito pouco pra ver. Estou me referindo a tempos muito maiores que a vida humana.
Há cerca de 40 mil anos, boa parte da Terra estava saindo de uma era glacial. Quantos seres vivos deseparecem com nesta transição? Quantos seres vivos desapareceram com as mudanças climáticas da Terra muito antes dos humanos surgirem? e por aí vai…
Bem, claro que se pode argumentar que os efeitos que o ser humano causa a natureza está aumentando o processo. Nada mais fora da realidade. O que vai acontecer é que os seres vivos que forem mais aptos se adaptarão às mudanças, ou outros que não conseguirem se adaptar serão extintos. Se ninguém se adaptar todos serão extintos, inclusive nós humanos. Isto não me parece estranho. A vida é um fato raro, não encontramos vida em qualquer lugar. Só em condições muito particulares a vida ocorre.
A Teoria da Evolução das Espécies por Seleção Natural não é mera especulação. Ela é fato. Os seres vivos mais aptos sobrevivem às mudanças do ambiente e isto é bem claro. Acontece lentamente enquanto estou digitando aqui, mas seus efeitos só são visíveis em escalas maiores de tempo. Mas, talvez pela educação cultural de base judaica-cristã pensamos que somos mais importantes que os outros seres vivos. Não somos, pelo contrário. Nós seres humanos somos muito mais fracos que muitos animais. Existem na natureza verdadeiras “máquinas” de sobrevivência extremamente adaptadas. Animais que vivem em locais muito hostis sobrevivem porque se adapataram. Nós não teríamos chance alguma se vivêssemos onde alguns desses animais viviem.
Aliás, se dependêssemos da força, nós seres humanos não tínhamos ido muito longe na evolução da espécie. Veja as outras linhagem de hominídeos que foram extintas porque não conseguiram se adaptar as mudaças do meio ambiente e da relação com outros seres vivos. Só conseguimos chegar onde estamos porque usamos a cabeça, a capacidade de abstrair e raciocinar, modificando o meio em que vivemos, muitas vezes domesticando animais e plantas.
A vida é um equilíbrio dinâmico muito tênue e frágil.Por outro lado, a luta pela sobrevivência na natureza é muito violenta. É um ser vivo comendo o outro pra sobreviver. Só pra se ter uma idéia, de todos os seres vivos que já passaram na Terra, apenas 1% conseguiram chegar aos dias atuais. Ou outros 99% foram extintos. No percurso, muitos outros surgiram e depois foram extintos. Não existe preservação na natureza. O que existe é adaptação às condições de vida. Se não se adaptar já era. Depois de milhões de anos vira fóssil, pura e simplesmente. Só lembrando que a maioria destas extinções não foram causadas pelo ser humano, pois o mesmo tem menos de 1 milhão de anos e o homo sapiens menos de 150 mil anos.
Agora pensando em curto ou longo prazo como gostam os economistas. Precisamos definir o que é mais importante pra nós a curto prazo. Se decidimos o aumentar o nível de produção industrial, vamos ter que mexer na natureza (no meio ambiente) e com SUAPE ou outro grotão qualquer não será diferente. Bem, quanto a longo prazo, como diria Keynes, a longo prazo estaremos todos mortos, inclusive os mangues de SUAPE, mesmo se for preservado atualmente , mesmo replantando ou não.
Antonio, pergunto simplesmente:
É ético o ser humano causar uma extinção em massa?
Não vejo questão de ética nisso, nem vejo extinção em massa nesse caso de SUAPE. Explique melhor.
Falo da mesma ética que não nos permite eliminar
“raças” e etnias menos aptas. E a extinção em massa
de que eu falo resulta da junção de todos os ecocídios:
um Suape aqui, um Belo Monte ali, um bando de
madeireiras e carvoarias lá, uma plantação de dendê acolá…
Aliás, com essa argumentação temos liberdade de destruir toda a biosfera do planeta, já que estaríamos nada mais que “favorecendo os mais fortes”.
Não é o mais forte, é o mais apto. Tem diferença.
Foi isso o que eu quis dizer. Entenda como tendo o mesmo sentido.
Boa argumentação. Pena que ela leva uma coisa em consideração, crescimento econômico.
A longo prazo, longo prazo, a Terra deixará de existir. Logo vamos destruí-la antes, ou pelo menos inviabilizar a vida.
Antônio, seu discurso discovery-national geographic tem “algumas” falhas. Primeiro, acho que as teorias da evolução devm ser melhor esclarecidas. Simplesmente, ADAPTAÇÃO = LAMARKISMO isso não é mais aceito a muito, muito tempo. Ninguem se adapta a nada, senão, como você mesmo disse, teríamos nos adaptados a lugares hostis, não?! Já a seleção natural (por DARWIN), aí sim, juntamente com a genética Mendeliana e afins, sustenta o nosso conecimento do processo evolutivo. Ninguem se adapta, mas, pequenas mutações são selecionadas e recombinadas até o surgimento de uma nova espécie. Simples assim.
Depois de mais blá blá blá, extinções, blá blá blá…chegamos em importância a curto prazo. Bem, as espécies formam populações com diferentes pools gênicos. Sendo assim, imagino que a perda de um ecossistema, constituido de várias populações, empobrecerá a biodiversidade genética, você pode sim levar espécies à extinção ou concorrer para o não surgimento de outras. Agora, a longo prazo sim, estaremos todos mortos. Já o mangue de Suape, tenho minhas dúvidas, afinal seu poder de resiliência é tão grande né, não estaremos mais aqui mesmo…ótimo para ele!
Aposto que não terá replantio nenhum.
Aliás, até hoje não teve. Destruíram a praia e o mangue, mudou-se o curso das correntes e acabaram com a orla de BV, Piedade e Candeias, e ficou por aí.
Pois é, Pierre. Também acredito que não haverá replantio. Imagine se fosse replantar o desmatamento provocado pela colonização desde a chegada dos portugueses?
O pior de tudo é que não há mais espaço pra plantar mangue no litoral pernambucano. E o governo de “É” Motosserra já disse que não pretende replantar mangue, mas apenas conservar áreas já existentes.
Além do mais, inimigo do meio ambiente que é, duvido muito que vá plantar 3 mil hectares de mata atlântica. É até um contrassenso um governo que destrói ou ajuda a destruir em Suape, Maracaípe, Porto de Galinhas, Mata Norte (BR-408) e tantos outros lugares se dispor a plantar uma muda que seja.
Caro Robson Fernando,
O que eu quis dizer é que na natureza não tem questão de ética. A destruição vai apenas produzir novas adaptações e isto a longo prazo. Na prática, o ecossistema de SUAPE vai ser destruído e pronto.
A ética é uma criação humana a partir de certos princípios e com uma finalidade. Na natureza não existe ética, se uma colônia de bactérias estiver dispudando alimentos com fungos e tiver os meios pra eliminar os fungos, as bactérias farão isso e pronto.
A diferença é que os seres humanos hoje tem os meios pra eliminar qualquer ser vivo ou os seres vivos quiser, seja pelas armas nucleares seja por outros meios. O fato é que após extinção, não há garantias que o ser humano seja o mais apto a sobreviver, pois as novas condições de vida não são conhecidas. Só se saberá depois de houver a destruição em massa. Pode ser então que depois dessa destruição em massa, apenas os mais aptos sejam as baratas, ou bactérias. Mas, aí já era e seremos extintos.
Portanto, a ética que não nos permite exterminar “raças” menos aptas ou produzir ecocídios não é porque somos bons ou de bons costumes. É porque não temos certeza que somos os mais aptos a sobreviver sem os seres exterminados. Dados os exemplos que temos na história da humanidade, se o ser humano tivesse certeza que sobreveviria após o extermíno de certos animais, plantas, ou mesmo etnias, etc, já teria feito isso há muito mais tempo. Basta somente se sentir ameaçado, e se destrói o outro. Mesmo que seja uma ameaça econômica. Em tempos de crise mundial, e SUAPE sendo um meio de se ganhar dinheiro, pode ter certeza que vai sobrar pra o ecossistema de SUAPE.
Mas gostei de seus argumentos. São bons e alto nível. Ajudam a gente a pensar. Se quiser continuar o debate, é só contribuir.
Antonio, eu ficaria feliz se vc usasse sua inteligência e capacidade de argumentação para apontar um caminho inverso ao da destruição. Acabar com ecossistemas em nome do progresso é um discurso que vem se repetindo desde a chegada de Cabral. Agora é hora de pensar em formas sustentáveis de viver e ser feliz! Não trocaria uma bela praia limpa, por um monte de fábricas, poiluição e sufoco. Em Suape o pobre está sendo expulso da sua paisagem natural. Não é contratado pelas industrias (pois não tem qualificação) e não tem mais alternativas como pesca, turismo, pequena produção agricola… esta é uma historia antiga que todos conhecemos e que se repete em pleno século 21, em um governo dito socialista… Uma pena que muita gente boa, como vc, caia neste conto do crescimento econômico. O que está crescendo é o risco de colapso total…
Fernanda, legal sua argumentação.
Vc pede para eu argumentar em favor de alternativas. Eu estava apenas descrevendo como são as coisas. Mas tudo bem. Tentarei, mas mesmo se eu não conseguir, não fique infeliz por isso.
Vc fala em um caminho inverso ao da destruição. Este caminho existe e está relacioando ao modo de produção econômico. Além disso, o capitalismo tem se tornado basicamente uma técnica.
Qual é o objetivo das economias hoje em dia? Se é aumentar a produção, consulte os manuais de macroeconomia. Como a tecnologia não muda a curto prazo, a receita é simples. Veja como está sua função de produção e altere a quantidade de capital e trabalho. Quer aumentar seu bem-estar com um bem? maximize a função de utilidade daquele bem. É o que diz os manuais de macro e microeconomia.
O Capitalismo está se tornando uma técnica. E como toda técnica o viés ético depende de quem utiliza a técnica. No entanto são raros os livros, tratados ou grupos de pesquisadores em economia que pesquise alternativas ao modo de produção atual. A pergunta inicial poderia ser: Será que não existe outro modo de produção?
Acredito que sim, devem existir outros modos de produção econômica, afinal o atual modo de produção capitalista é uma produto humano, criado pelo ser humano. Portanto, outros modos de produção podem ser criados e desenvolvidos. Inclusive modos de produção que não destrua a natureza e que elimine a desigualdade.
Houve o socialismo como proposta. Por sinal, como vc mesma evidenciou, o próprio governo socialista de Eduardo Campos está desmatando Suape. Se é que Eduardo Campos é socialista, mas vamos dizer que é, né?
Ora, o socialismo me parece ter muito mais preocupação ética que o capitalismo. Mas da mesma forma que o capitalismo, o socialismo tem dois lados: Um econômico e outro político. E estes dois lados estão relacionadas intimamente. O problema é que o lado político criou diversas ditaduras e acabou criando mais problemas que resolvendo os que já tinha. Com a queda do socialismo real, ficou a impressão concreta que o capitalismo é a única forma de produção econômica.
Mas isso é apenas uma impressão que a ideologia (como diria os antigos marxistas) fez questão de transformar em certeza absoluta. Porém, se vc vier com uma alternativa socialista, vc será logo desprezada, dipensada. Na verdade, todas as alternativas, mesmo as altenativas economicamente sustentáveis só serão ouvidas se não alterarem o modo de produção capitalista.
O economista bem que poderia ser um planejador econômico, e se preocupar em como melhorar a condição da vida econômica das pessoas sem diminuir a qualidade de vida dos outros seres vivos ou da natureza como um todo. Ou como gostam os economistas, seria interessante achar as condições que gerassem um ótimo de Pareto entre modo de produção e meio ambiente. (Só esclarecendo, ótimo de Pareto ocorre quando vc melhora sua situação sem piorar a dos outros, ou seja se vc já estiver no ótmio de Pareto, vc não melhora sem degradar a situação dos outros).
Veja que isto está muito longe de acontecer em Suape. A natureza vai ser destruída e as pessoas que dependem do meio ambiente pra sobreviver vão aumentar a fila do bolsa família, se é que já não estão nesta fila.
Se a economia trabalha com recursos escassos, então o economista deveria ser um planejador econômico, buscar alternativas para melhoria de vida em geral, e não apenas de grupos, sem se importar com as consequências socioambientais. Se vc for em qualquer falcudade de Economia e perguntar aos alunos de economia porque ele faz economia, muitos vão dizer que é pra ganhar dinheiro. Acredito que é importante ter dinheiro, mas o dinheiro é um meio e não um fim em si mesmo.
Se não me falha a memória, Eduardo Campos é economista, mas não é um planejador econômico no sentido que falei acima. Na prática, as consequências socioambientais dos projetos econômicos são deixadas como problemas pra outros economistas e políticos resolverem quando se aproximarem as eleições, dizendo que farão isso e aquilo.
Pra finalizar não é bem um conto do crescimento econômico. Mas como o modo de produção é o capitalista, tem-se que só se pode alimentar a população (que o mínimo pra sobrevivência) se houver produção (pelo menos, produzir alimentos). Se a população aumenta (que o caso da população brasileira) só haverá condições de alimentar a população se houver crescimento econômico. Por isso, é que se fala tanto em crescimento econômico. A desigualdade vem do fato que não se divide corretamente. Com crescimento econômico a desigualdade já é grande aqui no Brasil, imagine se não houver crescimento.
Agora pra haver crescimento é necessário haver investimento econômico. Mas o investimento parte do princípio que há pelo menos uma expectativa de retorno, mesmo que seja público e não apenas privado. E sempre que ocorre investimento, há também um risco. Quanto maior o retorno, maior o risco, daí que os grandes investimentos econômicos podem criar grandes riscos socioambientais, mesmo que haja grandes retornos públicos. Agora imagine se for um investimento privado que visa maximizar o lucro … nem preciso dizer né?
Então podemos massacrar toda a biosfera, sem pudor. Assim estamos ajudando os mais aptos a prevalecer e limpando o planeta das espécies “inaptas”.
Você liga essa amoralidade da natureza a uma suposta liberdade nossa de destruir o meio ambiente. Se a natureza não tem ética e somos seres silvestres como qualquer outro animal não domesticado, a ideia que se tem é que podemos matar e destruir a torto e a direito. Incluindo pessoas que nada têm a ver com nossas vidas e não têm tanta aptidão de vencer numa humanidade darwinista.
Quer dizer que você só evita matar e ferir outras pessoas porque isso aumenta a probabilidade de a espécie humana ser reprovada no teste de aptidão da natureza?
E você vai deixar, ser conivente, ou mesmo apoiar, isso?
Obrigado.
Oi Robson, apenas comentando seu comentário.
Vc disse que: “Então podemos massacrar toda a biosfera, sem pudor. Assim estamos ajudando os mais aptos a prevalecer e limpando o planeta das espécies “inaptas”. ”
Eu não disse isso. O que eu quis dizer é que mesmo que não destruíssemos nada, os mais aptos sobreviverão. É o que tem acontecido até hoje.
Voce disse que: “Você liga essa amoralidade da natureza a uma suposta liberdade nossa de destruir o meio ambiente. Se a natureza não tem ética e somos seres silvestres como qualquer outro animal não domesticado, a ideia que se tem é que podemos matar e destruir a torto e a direito. Incluindo pessoas que nada têm a ver com nossas vidas e não têm tanta aptidão de vencer numa humanidade darwinista.”
De novo, eu não disse que podemos matar a torto e a direito. Mesmo porque os independente de matarmos ou não ou mais aptos sobreviverão ao que sobrar. Por sinal, considerando apenas a sociedade, só não cometemos esses extermínios porque a lei e poder coercitivo do estado impede. Aliás, a lei existe pra isso, para proteger as pessoas. Agora, com toda lei que temos a violência urbana já leva a altos níveis de mortandade. Imagine se não não houver lei, aí é que a quantidade de morte seria maior. Pra evitar o auto destuíção da sociedade, temos as leis. Mas com relação a isso, um advogado ou sociólogo pode explicar melhor.
Vc disse: “Quer dizer que você só evita matar e ferir outras pessoas porque isso aumenta a probabilidade de a espécie humana ser reprovada no teste de aptidão da natureza?”
Isso mesmo. Não matamos uns aos outros porque isso levará a autodestruição de todos os humanos. Seria uma barbárie completa e generalizada. Se a espécie humana for exterminada, não fará diferença alguma para a natureza. Será apenas mais uma espécie extinta. Mas fará uma diferença enorme para nós humanos.
Com relação a ser conivente, apoiar a destruição do ecossistema de Suape. Seu questionamento é interessante. Eu posso até discordar da política ambiental do governo, mas minha influencia não vai muito longe. Na verdade não vai além do voto que posso dar numa eleição. O problema é que o voto não é sucifiente.
Como os políticos saem de dentro da população, o maus políticos são exemplos de maus cidadãos que fazem parte da população. Além disso, mesmo votando conscientemente, a maioria da população elegem outros políticos que são ruins e não tem interesse no bem comum. Sem contar que muitas vezes a gente confia o voto no político e cara depois de eleito faz tudo ao contrário que disse na campanha. Casos como esses existem aos montes. Então, o voto não é suficiente pra resolver, e nem tenho influencia política para mudar as ações do governo, mesmo eu discordando, o governo continuará executando suas ações. E assim tem sido. Taí a transposição do rio São Francisco. Será que o pobre vai ver a água? e alguém do governo pensou seriamente no meio ambiente antes da
transposição?
Só corrigindo: Quando vc diz ” “Quer dizer que você só evita matar e ferir outras pessoas porque isso aumenta a probabilidade de a espécie humana ser reprovada no teste de aptidão da natureza?”
Eu não mataria e nem feriria alguém. Jamais faria isso, mas o que eu quis dizer que é na história da humanidade, os massacres se repetem e isso acabaria por dar fim a espécie humana. Então, é necessário que haja leis que protejam os serem humanos e evitem que eles se autodestruam. Se a espécie humana for extinta não fará diferença pra natureza, embora faça pra nós humanos.
Quer dizer que você não vê o ecocídio como um problema moral e pretende permitir, por consentimento, a destruição de Suape por essa neutralidade ética e por conformismo então?
Antonio, acho que você está simplificando muito a
teoria darwinista. Será mesmo que a teoria da
Evolução e da Seleção Natural se aplica totalmente
ao ser humano?
Concerteza somos parte da natureza mas nosso
comportamento não é determinístico ou
semi-determinístico como o resto dela. A nossa
inteligência nos permite modificá-la de modo a
transformar intensamente o mundo que nos cerca.
A capacidade de transformação de outras espécies
é de uma ordem de grandeza menor que a nossa,
fazendo com que as leis naturais possam modelar o
ambiente de foma mais sustentável. Já as nossas
ações sobre o meio ambiente podem ser tão
intensas que nos obriga a medir nossas ações
para saber se o ambiente consegue se manter
estável com essas alterações. Por isso acredito que
nós estamos modelando ativamente as leis da
seleção natural, tendo a responsabilidade,
compartilhada com o resto da natureza, de cuidar
para que ela não acabe por destruir o mundo que
nos cerca.
Aplicando o meu raciocínio à questão do porto de
Suape é sabido que a porção de mangue que
poderá ser destruída não será reposta. Aquele ecossistema será definitivamente destruído. Agora
a questão é saber o que mais essa atitude violenta
contra a natureza acarretará para nós. O fator
econômico realmente garantirá suporte a essa
atitude?
Antonio, vc começa a argumentação de uma forma interessante pq tem uma visão que nem todos tem, de pensar nos problemas da humanidade a longo prazo. No entanto não tenho como nao discordar completamente da sua lógica conformista.
Acho q o erro está em achar que “já que provavelmente mais cedo ou mais tarde seremos extintos mesmo, ou sobrevirão apenas os mais adpatados” então pra que se preocupar com as dinâmicas ecológicas e climáticas do planeta?
Não é bem por aí, apesar de observar as mudanças de uma forma macro, temos que pensar também nas coisas a “curto prazo”, do tipo, como estará o clima do planeta em 40 anos (tempo em que estaremos por aqui ainda). Não também imediatista como é o caso (vai gerar num-sei-quantos-mil empregos diretos na execução da obra), pq isso também é um prazo curto demais.
Pra não me alongar muito quero dizer que, retirar os manguezais não é uma ação isolada. Como o Robson citou, a natureza está interligada, existe toda uma biodiversidade que interage diretamente com aquele ecossistema. E não falo nem pelo valor intrínseco já bem explanado pelo Robson, mas do valor também para a humanidade.
Me explico, cerca de 90% dos peixes oceânicos dependem das baixadas costeiras, dos manguezais ou dos rios para a desova. Se você retira o manguezal, afeta diretamente essa atividade. Além do mais os manguezais reduzem a carga de sedimentos que correm para o Oceano. Os corais, que abrigam a maior parte dos peixes tropicais e são também responsáveis pela manutençao da biodivesidade, sao frequentemente soterrados com esses sedimentos ou sofrem com o aumento da temperatura.
Esses fatores já citados em escala aumentada levariam a uma crise no setor pesqueiro jamais vista na história. Boa parte da população mundial depende da pesca para se alimentar. (Seriam exterminados por não se adpatarem a viver sem comida?)
Sem falar que o aumento da temperatura, derrete as geleiras, que aumenta o nível dos Oceanos que pode vir a invadir as cidades litorâneas, ou seja as zona mais populosas do Planeta e provocar perdas cujas cifras não cabem nesse post. Isso sem citar o próprio porto que terá sido um investimento inútil se for coberto pelo avanço do nível do mar.
A agricultura e a pecuária também sofrem perdas irreparáveis com as mudanças climáticas. O aumento excessivo da população gera demanda, o que ocasiona devastaçoes cada vez maiores para expansão do pasto para o gado, ou com plantaçÃo de soja, pra alimentar o mesmo gado. Afetando principalmente a disponibilidade hídrica. O mar de Aral tá aí pra contar história (aliás estava!).
O défict hídrico é outro problema que teremos que conviver em pouco tempo. Sem falar de poluição atmosférica que já é responsável por mais de 70% das doenças respiratórias na cidade de Sao Paulo.
Pra finalizar, não é uma questão simples, deu pra perceber. Mas se quisermos viver com qualidade de vida até o dia da bendita extinção temos que mudar nossos modos de produção.
As soluções batem à porta, investir energias alternativas, em agricultura sustentável, em desenvolvimento urbano responsável, em pesquisas cientificas, em educação. Medidas de curto prazo como essa só beneficiam os grandes empresários, Chega de subserviência.
Lutemos pra garantir o que é nosso por direito.
Pelo direito à qualidade de vida para todos.
É por aí
(mais sobre isso ler EcoEconomia – Lester Brown, 2003)
Caro Antonio. Acredito que tudo que tenha dito esteja correto, o problema é que você deixa de ver o ponto-chave da ‘preservação’. Considere alarmismo ou não todo grito ambientalista, a questão vai além do longo prazo.
Tratar isoladamente uma questão ecossistêmica revela no máximo uma meia-verdade. O lance não é garantir vida a longo prazo, e sim não piorar nossas vidas a curto e médio prazo.
Como o Pierre disse acima, sentimos o impacto nas praias da zona sul.
Não sei se você gosta de andar na rua e aproveitar o que sua cidade tem. Eu gosto, mas os rios recifenses que antes se tomavam banho e era navegáveis para embarcações de pequeno porte, hoje fede, é assoreado, canalizado. As praias, pra onde corremos quando perdemos os rios, hoje estão cada vez mais poluídas, entre outros problemas. A própria rua é horrível de andar, com a fumaceira o barulho e o perigo dos carros, sem falar na violência. Praças? Parques? Paisagem?
Recife não nos apresenta mais nenhum atrativo verdadeiramente livre e democrático. A poluição nos rios no mar nas ruas nas fábricas e portos podem, como argumentam céticos, não fazer mal maior algum à terra, mas causam um mal terrível e imediato a nossa vida urbana.
Isso, em todo caso, não deve ser problema dos que vivem em ambientes climatizados e voltados pra dentro, se transportando em armaduras metálicas climatizadas e com música própria. Tendo suas experiências cada vez mais virtualizadas e seus pontos de lazer cada vez mais distantes e exclusivos. Não tem dinheiro pra isso? Foda-se.
O ambiente é absurdamente complexo, sem dúvida eliminaríamos o que fosse se pudéssemos calcular se sua falta não iria nos comprometer, sem dúvida não existe “ética” na natureza. Mas os homens vivem em sociedade estando sob limites definidos racionalmente. Limites esses que nos permitem inclusive viver toda a vida acomodados no estado de direito. Limites os mesmos que permitem a cidade como ela é (ou era) e o modo de vida dentro dela.
Se não a natureza ela toda (nós inclusos), destruições como a de Suape pode destruir (ou contribuir à piora d) o modus vivendi urbano.
E se não ficou claro, não sou cético.
Finalmente este governo admite que QUALQUER CRIME COMPENSA. Precisamos que os pernambucanos assistam o filme Avatar… Todos logo perceberão que o nosso governador é nada mais que o Corenel que queria, a qualquer custo, destruir uma reserva inteira só por interece econômico ou mesmo o desenterece pela vida. Não matem o pumão da praia mais bonita do Brasil. E cadê o Prefeito de Ipojuca? E o Deputado Carlos Santana? Esses subservientes de Dudu.
Cada pérola que aparece aqui. Uma perguntinha: o que é “pumão”? Será uma puma grande? Praia mais bonita do Brasil? Acho que você só conhece aquilo…500 metros de comprimento, 2 metros de largura e 2000 cadeiras espalhadas para extorquir os turistas…Vá conhecer Pataxo por favor.
Oie Antônio! Vc conheceu o Acerto de Contas, que bom! Mesmo, às vezes, não concordando com seus argumentos, tenho que admitir que eles aumentam o nível da conversa.
Por que em vez de ampliar o polo no manguezal, praticamente a beira mar, por que nao se incentiva a instalação de fábricas rumo ao interior e indeniza um dos inumeros engenhos da regiao….
#CHUPA Robson
#Chupa manguezais insignificantes, estuário que não serve pra nada.