O vivaldino de Angelim

dez 29, 2012 by     44 Comentários    Postado em: Artigos e Análises

Por Heitor Scalambrini Costa
para o Acerto de Contas

Diz-se que um indivíduo é vivaldino quando é muito vivo, bem esperto. É uma pessoa que pratica a “lei de Gerson”, que quer levar vantagem em tudo.

Será esse o conceito que ficará “colado” em um desconhecido, que por ser ungido a deputado estadual e depois a prefeito da cidade do Recife pelo seu padrinho político, bem quisto pela população recifense, acabou sendo eleito prefeito do Recife?

Na sua biografia disponível, é possível saber que já aos 8 anos começou a ajudar seu pai, pequeno comerciante no município de Angelim, dono de um mercadinho. Portanto de origem simples, classe média. Tornou-se engenheiro agrônomo e cursou administração, em universidades publicas do Recife. Entrou no mundo da política estudantil, e se filiou ao Partido dos Trabalhadores (PT). Começou então sua vida política partidária com seu quase eterno padrinho político um ex-prefeito, dono de 2 mandatos consecutivos. Acabou rompendo esta parceria logo depois de tomar posse em 2008 como prefeito eleito, em um episódio até hoje guardado a sete chaves pelos próprios personagens deste episódio.

Ao longo do seu mandato, foi se afastando (foi afastado) dos próceres mandatários petistas do Estado, chegando a situação de ter seu desejo de se candidatar para mais um mandato impedido pela cúpula nacional do PT. A partir daí tornou-se um “traira” do próprio partido que o acolheu. Não apoiou o candidato oficial de seu partido. Mas debaixo dos panos, apoiou o candidato de outro partido, que ao vencer as eleições lhe abriu as portas para as tradicionais e manjadas indicações de nomes para compor o primeiro, segundo, terceiro e quarto escalão. Uma vez traira, …..

Nestes quatro anos em que (des)governou a capital pernambucana, marcas profundas deixou como legado. Desnecessárias aqui mencionar, pois são vistas “a olhos nus” por toda cidade. Sendo ao meu ver, a mais desastrosa para os moradores da capital, sua relação promiscua com as empreiteiras. A elas tudo foi permitido, em detrimento da qualidade de vida das pessoas que habitam Recife. Sua administração foi desastrosa, não só pelo que podemos ver, ouvir e sentir; mas também pelo total descompromisso pelo planejamento, por um olhar para o Recife do amanhã. Obviamente a equipe que montou, seus auxiliares, ajudou muito nesta tarefa, que soube com maestria executar.

Neste final de mandato, o balanço feito de seus 4 anos de governo municipal, divulgado e propagandeado pelos órgão da grande imprensa pernambucana, é um acinte a inteligência dos homens e mulheres de boa fé desta cidade. O que grupos econômicos aliados a administração municipal se beneficiaram nestes 4 anos perdidos, infelizmente, somente dentro de alguns anos serão desvendadas (?). Mas ai, quem sabe o chefe destes desmandos não conseguiu um mandato de deputado, e poderá assim se safar das acusações que certamente serão feitas a ele, até talvez, por enriquecimento ilícito.

Infelizmente o município de Angelim, situado na agreste na região de Garanhuns, a 200 km de Recife, será lembrado por um filho seu, que foi pela voz do povo, considerado o pior prefeito que Recife já teve nos últimos 30 anos (pelo menos). Já vai tarde, meu caro.
_______________

Heitor Scalambrini é cidadão recifense e Professor da UFPE 

PS: Meus agradecimentos ao leitor do Blog, Pedro Gomes pela inspiração do titulo do artigo.

44 Comentários + Add Comentário

  • PILANTRA PETRALHA.

  • Há uma falha na matéria.João da Costa não concluiu o curso de Engenharia Agrônoma e foi jubilado.Isso tem que ser dito!

    • Verdade. Foi jubilado.

      • Pra que estudo e educação? O cara se deu bem na vida, deve tá podre de rico e ainda tá rindo da cara dos recifenses.

        Como todo bom bandido, conseguiu fugir da justiça.

        • Acho que João Paulo deve está arrependido de ter indicado essa derrota à Prefeitura do Recife.

  • O problema não é ele ser esperto, o problema é ter otário o suficiente que permitem que esses metidos a espertos realizem suas malandragens com sucesso. É a tal história do artista que cobra uma fortuna por seus shows. O artista joga um preço absurdo pra ver se cola, o povo besta compra feito louco, o artista começa a perceber que dá pra botar o preço que quiser que o povo vai pagar. A mesma lógica vale para o que as montadoras fazem no Brasil. Um esportivo top de luxo nos EUA (um Maserati ou Jaguar, p.ex) custa 80 mil dólares. Aqui, esse mesmo esportivo chega por R$ 400 mil. As montadoras não são bobas e, se colocam esses valores obscenos, é por que sabem que tem consumidor débil mental disposto a pagar. Por que vender um produto pelo preço X, se o povo aceita comprar por 10 X?

    A formação cultural da sociedade brasileira está sobejada de exemplos onde reina a malandragem. Vários grandes intelectuais se debruçaram sobre esse “traço” característico da sociedade brasileira. E, no Brasil, esse traço se percebe do pedinte ao bilionário. É impressionante como a coisa é arraigada na cultura do povo.

    É isso. Eu não acho que os políticos sejam espertos. Os eleitores é que são burros demais. Sempre que um “esperto” triunfa, pode ter certeza que vários otários se deram mal.

    • Com toda a certeza, seu comentário está corretíssimo.

  • João da Costa, esta é para você.

    Pense bem no que você tem feito ao longo da sua vida.

    “Lei de ação e reação”, por Divaldo Pereira Franco

    http://www.youtube.com/watch?v=bt1c9Y97I3U

  • Obrigado José pela informação.

  • O pior prefeito dos últimos 100 anos. E dos próximos 100 anos também. João da Bosta fudeu o Recife. Quando a gente pensa que João Paulo tinha sido péssimo, vem essa criatura dantesca e consegue piorar e muito a gestão de JP. Afinal de contas que PT é esse? O PT que vai passar o resto da sua agonizante vida sem eleger outro prefeito em nossa amada e estuprada Hellcife. Lição amarga para todos nós otários que pagamos a conta de tanto lixo e tanto superfaturamento e tanta riqueza subtraída em transações obscuras e que jamais serão punidas. O anão sai rico (mais um) e nós continuamos pisando nos buracos das calçadas, suportando a fedentina do lixo mal recolhido e muito bem pago e muito bem superfaturado e nos lascando neste trânsito desarrumado em grande parte pela falta de uma gestão competente.Quem sorri? As nossas queridas e amadas super construtoras e suas favelas de 40 andares. E os endividados com suas SUV’s a perder de vista junto com os consignados ad eternum. Eita e cadê a oposição?

  • Estou estarrecido com tudo isto. Lamento que ele continui no PT e muitos males poderá ainda trazer a este partido. Pois ainda domina vereadores do PT. Aliado do PSB ainda poderá fazer muitos males a Recife. Vamos esperar se o PSB , matreiro como é vai querer como aliado depois que em boa hora for apeado do poder.È uma tristeza quando uma pessoa se presta a ser traíra.

  • Pierre,

    Você tem uma mansão em Apipucos? Não?!
    Mas de fora direta ou quase direta, é sócio de uma bela academia de ginástica no Monteiro?! Também não?!
    Ah! Mas, não vá negar que você tem um apartamento nunca habitado no Edif. Baronesa de Gurjahú, em frente à pracinha que fica por trás do Hiper Casa Forte?
    Se não tiver nada disso, melhor você ir para o interior tentar melhores oportunidades. Sugiro Angelim.
    Nota: Qualquer semelhança com alguma personagem real é mera coincidência.

  • Caso existisse no Brasil um mecanismo que comparasse o patrimônio pré e pós-mandato de um determinado gestor e ele fosse obrigado a justificar alguma “anormalidade” porventura constatada, muita gente iria ficar em maus lençois…..

    Quando falo “anormalidade” me refiro a crescimento exagerado de patrimonio e coisas afins….

    Explico melhro meu raciocinio: um determinado prefeito inicia seu primeiro mandato declarando ao Fisco, como patrimonio pessoal um ap tipo classe média e dois carrinhos usados.

    Ao termino do mandato, o dito prefeito já ostenta outro status……mudou-se para uma bela mansão e já não gosta de carros populares….

    Bem, como no Brasil os cidadãos não costumam atentar-se muito menos escandalizar-se com esses detalhes….então a lambança é quase regra geral….

    • Existe sim e já completou 20 anos.

      Lei 8.429/92 (Lei de Improbidade Administrativa).

      Só que não é aplicada.

  • Toda cidade comenta o crescimento do patrimônio desse ladrão e de sua mulher. É só o Ministério Público abrir uma investigação e vai apurar o envolvimento da presidente da URB e do seu irmão braço direito do vivaldin de angelin e outros personagem que vai transformar o mensalão em um pequeno caso de roubo de galinha. Promotores façam sua parte e não deixe de investigar a vida desse cidadão. Fica a dica!

  • Não é preciso ser gênio para perceber que o autor do texto não gosta de João da Costa. Entretanto, só apresenta ilações e preconceitos. Não apresenta um fato, uma situação concreta qualquer. O seu texto não passa de puro preconceito e maledicências. Inicialmente, João da Costa não foi “ungido” deputado estadual nem prefeito do Recife; foi eleito. E-l-e-i-t-o pelo povo. O seu afastamento do partido (se se afastou ou se foi afastado, não vem ao caso) é resultado do “saco de gatos” e da guerra hipócrita de egos dos caciques locais, que não pretendem um administrador; querem antes um preposto em quem possam continuar mandando. João da Costa ficou rico na prefeitura? onde estão os bens? aponte-os, doutor! a acusação sem provas virou moda. Somente a irresponsabilidade e a hipocrisia autorizam essa prática.

    • Vai no Edif, Baronesa de Gurjahú e pergunte ao porteiro quem é o proprietário do apto. 101. Váem Apipucos e pergunte quem é o dono de uma mansão de telhado azul. Vá naPraça do Monteiro e procure saber que são os sócios.

      Foi eleito deputado graças a João Paulo, a quem ele também deve a eleição para prefeito.

      Um nada que voltará a ser um nada.

      Não é ilação. É verdade. O baixinho ficou rico.

      • Meu Caro, você que foi perguntar, responde aí a quem pertencem esses bens que mencionou. Acho que assim fica esclarecido a quem pertence.

    • Você é burro assim mesmo ou está se fazendo?

      • Opa, minha pergunta foi pro Francisco Cavalcanti…

      • Não, meu caro! Não sou buro, nem estou me fazendo. A descontrução de João da Costa (ou da Bosta, como querem alguns) começou já no início de seu mandato, comandada pelos próprios caciques petistas locais, que não aceitaram a independência do ex pupilo. Se você analisar o texto direitinho, vair ver que ele foi escrito por alguém que tem uma forte admiração por João Paulo.

  • Os bens, estão na sua cara seu babão. Não precisa ser gênio das finanças,, para verificar que há uma desproporcionalidade.O João da Bosta, tinha um apartamento pequeninho lá perto do Canal do Cavouco, quando virou secretario de urbanismo, comprou um mega ap, na rua 17 de agosto, e em seguida, reformou seu sitio em aldeia, dizem com o dinheiro da URB. após a posse “comprou” uma mansão em Apipucos, de mais de R$ 3.000.000,00.ORa pra um cara que vive dizendo que passou 30 anos como militante, não era empresario, não tinha uma profissão definida fica estanho. Outra coisa, ele João da Bosta, jornais deste fim de semana diz que a sua esposa, para não dizer comparsa, tem uma pequena loja, é uma mentira deslavada, pois só a loja da Jaqueira vale outros tantos milhões…ele é um debochado, que não fala sequer com as pessoas que o sustentarm, ou até mesmo deram uma carona. O PT tem espulsar este ladrão.

    • O pt não expulsa ladrão, meu caro. Dá uma medalha e promove. Você é tão “ingênuo”..

  • Não é só João da Bosta que é um ladrão. O ex prefeito que colocou João da Bosta na prefeitura é outro bandidão que ganhou apartamento milionário por que ajudou construtora safada a dominar a cidade.

    Esses caras são todos marginais, colocam os bens em nome de terceiros laranjas, mulheres, filhos, amantes, se brincar até no nome de cachorro, gato e papagaio tem bens. Sem contar dinheiro lavado em outros negócios e remetidos ao estrangeiro por meios ilegais e doados a instituições que são isentas de tributação (ONGs, igrejas, instiruições de caridade, etc). Por isso que quando esses marginais entregam suas declarações à Receita e à Justiça Eleitoral os bens são tão pequenos e os otários acreditam que eles são pobres.

    Quando se tornam gestores, esses malandros se associam a outros ramos da bandidagem disfarçada tipo construtoras, concessionárias de veículos e banqueiros pra enriquecerem ainda mais.

    Não adianta nem sonhar com um Poder Público eficiente que punisse esses mafiosos e gangsters uma vez que o Poder Público também está completamente corrompido e prostituído.

    Ou seja, o povo está largado à própria sorte.

  • Mais uma pornografia brasileira:

    Brasileiros já pagaram em 2012 R$ 1,5 TRILHÃO de IMPOSTOS federais, estaduais e municipais, isso mesmo, UM TRILHÃO E QUINHENTOS BILHÕES DE REAIS EM IMPOSTOS SÓ ESSE ANO:

    http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2012/12/impostometro-alcanca-r-15-trilhao-um-dia-antes-que-em-2011.html

    Depois a gente não entende de onde vem tanto dinheiro pra manter a casta elitista de barnabés e marajás do Estado no meio de tanto luxo e mordomia. É por isso que nenhum presidente não quer nem ouvir falar no assunto da reforma tributária. Se a carga tributária diminuisse efetivamente pro cidadão trabalhador, acabava a festa para a marajolândia.

    É isso aí contribuinte, 2013 chegou e nós, os palhaços brasileiros, vamos continuar feito escravos levando chicotadas do Estado para trabalhar e suar mais e mais para manter essa opulenta MONARQUIA chamada Máquina Pública Brasileira.

    E depois tem brasileiro que, na maior cara de pau, critica o luxo em que vive a Rainha Elizabeth. Eu pergunto: quantas Rainhas Elizabeths sustentamos no Brasil, sem que essas rainhas brasileiras trabalhem ou produzam absolutamente NADA para o país?

    Brasileiros, ACORDEM!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    Nós sustentamos uma ARISTOCRACIA muito mais CARA, INÚTIL, ACOMODADA, INCONSCIENTE, MOROSA, IMPRODUTIVA, FÚTIL, VAGABUNDA e ARROGANTE que qualquer outra ao redor do planeta.

    Até quando o brasileiro suportará essa DEPRAVAÇÃO??????????????

  • Eu pensava que já tinha visto de tudo, mas… Alguém defendendo João da Costa é inédita!

    Esse cidadão aí vai tornar-se aquele advogado personagem da anedota que defendeu um cliente réu confesso com tamanha destreza que o próprio cliente ficou com dúvidas se tinha ou não praticado o delito.

    Ah, só mais uma coisa… Não é por nada, não é por nada, mas não esperem muito do Ministério Público enquanto Aguinaldo Fenelon for o Procurador-geral. Perguntem a qualquer pessoa de Paulista que ela te dirá o motivo…

  • Essa interessante reportagem mostra como foi criada a farsa do “espetáculo do crescimento” inventada por Lula e sua equipe econômica, chefiada por Guido Mantega, o rei da malandragem. Mostra também o modelo de crescimento baseado no consumo (estimulado pelo governo brasileiro), e como os bancos privados foram pressionados pelo Governo Federal a liberar geral o crédito, mesmo que as pessoas não tivessem condições de pagar sequer a primeira parcela da dívida.

    O título da reportagem é: “Um calote de 44 bilhões”.

    O link original: http://estadao.br.msn.com/economia/um-calote-de-rdollar-44-bilh%C3%B5es

    A técnica em enfermagem Wedna Bispo, 31 anos, ganha R$ 1,2 mil por mês e até outro dia devia quase R$ 34 mil na praça. Não consegue lembrar tudo que comprou, mas estava pendurada na loja de material de construção, em dois cartões de crédito, no banco e na faculdade. Estica prazo daqui, renegocia dali, agora só falta discutir R$ 2,6 mil com o curso de enfermagem. “Minhas dívidas viraram uma bola de neve. Se você não controla, só se lasca.” Wedna admite ter se perdido nas compras, mas hoje percebe que o descontrole não foi só dela: num dos cartões de crédito, a administradora lhe deu limite para gastar R$ 1,2 mil por mês – exatamente o valor de seu salário.

    Wedna é uma típica brasileira da nova classe média enrolada na armadilha do crédito fácil. Como ela, milhões de pessoas atraídas pela oferta de crédito abundante nos bancos se atiraram às compras em 2009, 2010 e no início de 2011. Este ano, a conta chegou. Para muitos, foi como acordar de um surto coletivo de embriaguez: as doses de crédito a mais desaguaram num calote total de R$ 44,2 bilhões em bancos, financeiras e no cartão de crédito. Para comparar, em 2010, a inadimplência total era de R$ 23,7 bilhões, quase a metade de hoje. As contas foram feitas pela economista Marianne Hanson, da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

    O reflexo do aumento da inadimplência e do maior comprometimento da renda das famílias com dívidas foi além do balanço dos bancos e respingou em setores da economia real. Depois do avanço de 7,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010, o País patinou e cresceu 2,7% em 2011 e deve avançar apenas 1% este ano. Para os especialistas, o impacto pode persistir até 2014.

    A ressaca só não é maior porque muitos inadimplentes renegociaram dívidas para limpar o nome. Foram pelo menos 15 milhões de pessoas apenas nos mutirões organizados – em escala recorde – por duas empresas de serviços financeiros, a Serasa Experian e a Boa Vista Serviços. “Tivemos uma bolha de crédito para o consumo. E a bolha sempre estoura com a inadimplência”, diz José Roberto Mendonça de Barros, sócio da MB Associados.

    Segundo várias avaliações, a maior parte dos inadimplentes são famílias emergentes que melhoraram de vida nos últimos anos e migraram da base para o miolo da pirâmide social. Parte dessa massa de 40 milhões de pessoas está tateando o mercado de crédito e acabou se perdendo no uso do cheque especial, do cartão de crédito e do financiamento sem entrada com parcelas a serem pagas em cinco anos ou mais.

    O Instituto GEOC, que reúne 17 empresas de cobrança de dívidas, captou uma mudança significativa no perfil dos inadimplentes. Cinco anos atrás, o principal motivo para deixar de pagar a prestação era a perda do emprego. “Hoje o consumidor está empregado e o motivo é que tomou mais crédito do que podia”, diz Jair Lantaller, presidente do instituto. Estudo do Ibope e da Serasa Experian, encomendado pelo GEOC, mostra que 87% dos inadimplentes e 69% de quem está com os pagamentos em dia chegam ao fim do mês sem dinheiro. “O brasileiro está cada vez mais endividado”, confirma Lantaller.

    Exageros. Passada a euforia, apareceram os exageros do festival de empréstimos. Não foram só os consumidores que erraram nas contas. Os bancos estavam entusiasmados com a nova classe média e emprestaram sem muito critério. O governo, empolgado com o aumento da renda da população, colocou os bancos federais para inundar a praça com crédito e alavancar a economia.

    O gerente de uma grande concessionária Volkswagen de São Paulo conta que há cerca de dois anos, na disputa pela classe C, os bancos pagavam comissões às concessionárias e aos vendedores de 5% a 10% do valor financiado – prática depois proibida pelo Banco Central. “O crédito era automático. Se o nome não estava sujo, era aprovado”, diz o gerente. “Na época, por exemplo, tinha muito camelô comprando carro bom e, como não tinha comprovação de renda, o banco pedia só o extrato bancário.”

    Um dos sinais mais marcantes dessa fase de exageros só apareceu mais tarde, na forma de um indicador que o mercado não costumava prestar atenção: de repente, os bancos descobriram que muitos dos que compraram carros em parcelas a perder de vista não pagaram sequer a primeira prestação. No Banco Votorantim, um dos líderes no financiamento de veículos, de 4% a 5% dos clientes deram calote já na primeira parcela entre 2010 e 2011. É o dobro dos 2% que o mercado costuma aceitar como índice máximo desse tipo de inadimplência.

    Para piorar, o sistema de checagem dos clientes era limitado. Os bancos não tinham acesso aos dados sobre o comprometimento total da renda do comprador. Até abril deste ano, o Sistema de Informações de Créditos (SCR), do BC, só informava dívidas individualizadas acima de R$ 5 mil. Mesmo que o tomador tivesse vários contratos abaixo desse valor, não era identificado pelo sistema. Assim, a loja vendia um carro sem saber que a renda do cliente já estava comprometida em outras compras.

    Hoje, dentro do governo, já há quem reconheça – com a condição de permanecer no anonimato – que houve exageros nas concessões de empréstimos em 2010. “Os bancos emprestavam sem entrada e por prazo superior à vida útil do bem. Se não tivéssemos atuado, o ajuste seria traumático”, afirma uma fonte do BC, lembrando que a autoridade monetária tomou uma série de medidas no fim daquele ano para frear o crédito.

    Os bancos são pragmáticos e encaram a inadimplência por outro ângulo: é o preço pago para transformar em clientes 36,2 milhões de pessoas que abriram conta em banco entre 2002 e 2011. “Os bancos não erraram, foi o preço que tivemos de pagar pela bancarização”, diz um alto executivo de uma das maiores instituições financeiras do País. “Fomos compelidos pelas circunstâncias a essa velocidade.”

    Política de consumo. O estímulo à popularização do crédito e o incentivo às compras foram produtos de uma política de crescimento baseada no consumo. Começou com o governo Lula, na crise de 2008, e foi reforçada com as reduções temporárias de impostos para a compra de carros, eletrodomésticos e material de construção. O governo mandou seus bancos de varejo, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, abrirem os cofres para financiar o consumo. Em abril de 2009, o então presidente do BB, Antonio Francisco de Lima Neto, foi demitido porque demorou a cumprir a ordem do ex-presidente Lula.

    No esforço de guerra para ampliar o crédito, o BB comprou quase metade do Banco Votorantim, da família Ermírio de Moraes. A Caixa comprou o Panamericano, mas essa estratégia deu errado porque o banco, que na época pertencia ao apresentador Silvio Santos, estava quebrado. Com a movimentação das instituições estatais, a banca privada sentiu-se pressionada a segui-las para não perder mercado.

    Além da pressão de Brasília, as instituições privadas sofreram outro tipo de influência para turbinar a oferta de crédito. Na visão dos investidores, havia uma demanda por crédito reprimida no País e os bancos que se lançassem agressivamente na conquista desses consumidores ganhariam mais mercado. Foi com a promessa de abocanhar parte desse crescimento que o Santander levantou mais de R$ 14 bilhões com a abertura de seu capital no Brasil, em 2009. A operação foi, na época, a maior do tipo já realizada no País.

    O caso do banco Votorantim foi exemplar. Na visão do mercado, o banco pisou forte demais no acelerador depois que o BB tornou-se sócio e passou a usá-lo como linha auxiliar na política oficial de estímulo ao consumo. Experiente no ramo de carros usados, o Votorantim passou a atuar também com veículos novos, segmento no qual a competição é maior. Como resultado, sua fatia no financiamento total de veículos saltou de 12% para 21% entre 2008 e 2011.

    A onda de calotes, que envolveu todo o sistema financeiro, pegou forte no Votorantim. De janeiro a setembro, a instituição registrou prejuízo de R$ 1,6 bilhão ante lucro de R$ 455 milhões no mesmo período de 2011. Desde o fim do ano passado, o banco passa por um processo de reestruturação. “Os impactos ainda são relevantes, mas os números estão melhorando e o pior ficou para trás”, diz o presidente do Votorantim, João Teixeira, que assumiu o cargo em setembro de 2011 para colocar a casa em ordem.

    Para analistas, a ressaca da onda de calotes deve se estender até meados do ano que vem, em algumas instituições até 2014. “Em 2012, os bancos foram mais criteriosos e a turma ruim (de maus pagadores) está indo embora”, diz Décio Carbonari, presidente da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef). “A água limpa que está entrando no lamaçal é pouca, por isso a inadimplência vai demorar a cair”, afirma Luiz Rabi, assessor da Serasa Experian. /MÁRCIA DE CHIARA, CLEIDE SILVA, RAQUEL LANDIM, MELINA COSTA E DAVID FRIEDLANDER

  • O Vivaldino de Angelin não está sozinho…….
    Estão na mesma canoa ele, Micarla de Souza (Natal) e Luis Henrique (Salvador)
    Todos deixam um rastro sujo…….

    http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,transicao-vira-guerra-em-tres-capitais-e-obriga-ministerio-publico-a-intervir,978808,0.htm

    • Politica no Brasil é isso: uma putaria!

  • O PT e

  • O PT e JPLS não podem dizer que foram traídos. Já conheciam o prefeitão. SÃO CÚMPLICES.

    Nunca esquecer:

    JOÃO É JOÃO. JOÃO É JOÃO. JOÃO É JOÃO. JOÃO É JOÃO. JOÃO É JOÃO. JOÃO É JOÃO. JOÃO É JOÃO. JOÃO É JOÃO. JOÃO É JOÃO. JOÃO É JOÃO. JOÃO É JOÃO. JOÃO É JOÃO. JOÃO É JOÃO. JOÃO É JOÃO. JOÃO É JOÃO. JOÃO É JOÃO. JOÃO É JOÃO. JOÃO É JOÃO. JOÃO É JOÃO. JOÃO É JOÃO. JOÃO É JOÃO. JOÃO É JOÃO. JOÃO É JOÃO. JOÃO É JOÃO. JOÃO É JOÃO. JOÃO É JOÃO. JOÃO É JOÃO. JOÃO É JOÃO. JOÃO É JOÃO. JOÃO É JOÃO. JOÃO É JOÃO. JOÃO É JOÃO. JOÃO É JOÃO.

    Como outro amigo petista,o Maluf, foi PItta.

  • É ladrão internacional, vamos chamar a INTERPOL, pode ser que de certo, pois ficamos sabendo que o VIVALDINO de Agelin, vai passar 15 dias na Europa, torrando o nosso dinheiro.

  • PRA FECHAR O MANDATO COM CHAVES DE OURO, MAIS UMA DO VIVALDINO DE AGELIN, ELE ONTEM INAUGUROU O PARQUE DE SANTANA INACABADO, QUE FOI LÁ COMO EU VIU QUE AINDA FALTAVAM ALGUMAS AREAS, A SEREM CONCLUIDAS. QUANDO OS REPORTES PERGUNTARAM A ELE, FICOU IRRITADO…AINDA BEM QUE ESSE CARA JOÃO DO BOI, OU DA BOSTA, NÃO É MAIS PREFEITO.

  • O Ministério Público precisa apurar essas denúncias que pululam, sem falar nas outras tantas, ditas a boca pequena, a exemplo das despesas de campanha a prefeito desse vilvaldino de Angelim, quando ainda era secretário do outro João. Consta, por exemplo, que a gasolina dos carros do comitê eleitoral era paga com dinheito da Educação Municipal. E hoje mesmo, como está o abastecimento dos postos de saúde da Prefeitura? O que foi feito com o dinheiro da Saúde? Cadê a insulina? Roberto Gurgel e Joaquim Barbosa precisam saber do que acontece na Prefeitura do Recife. Talvez só assim aconteça algo.

  • O que me admira no Brasil é a receita federal, que não criminaliza este crescimento financeiro do ex-prefeito do Recife!!

    A moura dubeaux sair de uma quase falência, será que foi injetado capital , por JCPM ou Nassau, e aprovar tudo que quis e desejou?

  • Tem que cobrar dos vereadores indicados pelo blog, também ¬¬.

    A função do vereador também a de fiscalizar a atuação do prefeito.

    Onde está Daniel Coelho?? respondendo pelas notas frias ainda???

  • O PT DEVERIA TER DEIXADO O VIVALDINO CONCORRER PRA QUE O POVO PUDESSE DEIXAR ESSE CARA EM ÚLTIMO LUGAR.O ESTRAGO QUE ESTE SUJEITO FEZ FOI TÃO GRANDE QUE LASCOU O PARTIDO.

  • Pierre, ouvi falar, dizem, que o tual presidente da câmara municipal de Recife, vereador do PSB, é aposentado por invalidez, doente do coração, como deputado federal. Como é isso? Inválido para deputado e válido para vereador? Eduardo sabe disso? Concorda com isso? Você poderia esclaecer isso melhor?

  • O eleitor agradece se você puder investigar isso.

  • Alguém tem uma foto da mansão do joão de angelin? gostaria de ver.

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).