O zeloso Bonner e sua piedade do Homer

nov 3, 2009 by     35 Comentários    Postado em: Artigos e Análises

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Há alguns dias, o apresentador Willian Bonner veio palestrar aqui na Unicap. Não assisti, mas fiquei sabendo que ele pegou uma discussão com um professor (que não sei o nome), sobre política, e tergiversou dizendo que estava ali pra falar sobre como ele produz e pensa o Jornal Nacional.

Quem não foi nessa palestra (como eu), não se desespere. Há uma forma de saber como Bonner pensa o JN. Pois é. Você que está aí, trabalhando, vai chegar em casa logo menos, à noite, cansado, assistir seu JN

Vale a pena saber como Bonner é zeloso contigo.

O texto abaixo foi escrito pelo sociólogo e professor da USP, Laurindo Lalo Leal Filho, e publicado na revista CartaCapital em dezembro de 2005.

“De Bonner Para Homer

por Laurindo Lalo Leal Filho

“Perplexidade no ar. Um grupo de professores da USP está reunido em torno da mesa onde o apresentador de tevê William Bonner realiza a reunião de pauta matutina do Jornal Nacional, na quarta-feira, 23 de novembro.

Alguns custam a acreditar no que vêem e ouvem. A escolha dos principais assuntos a serem transmitidos para milhões de pessoas em todo o Brasil, dali a algumas horas, é feita superficialmente, quase sem discussão.

Os professores estão lá a convite da Rede Globo para conhecer um pouco do funcionamento do Jornal Nacional e algumas das instalações da empresa no Rio de Janeiro. São nove, de diferentes faculdades e foram convidados por terem dado palestras num curso de telejornalismo promovido pela emissora juntamente com a Escola de Comunicações e Artes da USP. Chegaram ao Rio no meio da manhã e do Santos Dumont uma van os levou ao Jardim Botânico.

A conversa com o apresentador, que é também editor-chefe do jornal, começa um pouco antes da reunião de pauta, ainda de pé numa ante-sala bem suprida de doces, salgados, sucos e café. E sua primeira informação viria a se tornar referência para todas as conversas seguintes. Depois de um simpático ‘bom-dia’, Bonner informa sobre uma pesquisa realizada pela Globo que identificou o perfil do telespectador médio do Jornal Nacional. Constatou-se que ele tem muita dificuldade para entender notícias complexas e pouca familiaridade com siglas como BNDES, por exemplo. Na redação, foi apelidado de Homer Simpson. Trata-se do simpático mas obtuso personagem dos Simpsons, uma das séries estadunidenses de maior sucesso na televisão em todo o mundo. Pai da família Simpson, Homer adora ficar no sofá, comendo rosquinhas e bebendo cerveja. É preguiçoso e tem o raciocínio lento.

A explicação inicial seria mais do que necessária. Daí para a frente o nome mais citado pelo editor-chefe do Jornal Nacional é o do senhor Simpson. ‘Essa o Homer não vai entender’, diz Bonner, com convicção, antes de rifar uma reportagem que, segundo ele, o telespectador brasileiro médio não compreenderia.

Mal-estar entre alguns professores. Dada a linha condutora dos trabalhos – atender ao Homer -, passa-se à reunião para discutir a pauta do dia. Na cabeceira, o editor-chefe; nas laterais, alguns jornalistas responsáveis por determinadas editorias e pela produção do jornal; e na tela instalada numa das paredes, imagens das redações de Nova York, Brasília, São Paulo e Belo Horizonte, com os seus representantes. Outras cidades também suprem o JN de notícias (Pequim, Porto Alegre, Roma), mas elas não entram nessa conversa eletrônica. E, num círculo maior, ainda ao redor da mesa, os professores convidados. É a teleconferência diária, acompanhada de perto pelos visitantes.

Todos recebem, por escrito, uma breve descrição dos temas oferecidos pelas ‘praças’ (cidades onde se produzem reportagens para o jornal) que são analisados pelo editor-chefe. Esse resumo é transmitido logo cedo para o Rio e depois, na reunião, cada editor tenta explicar e defender as ofertas, mas eles não vão muito além do que está no papel. Ninguém contraria o chefe.

A primeira reportagem oferecida pela ‘praça’ de Nova York trata da venda de óleo para calefação a baixo custo feita por uma empresa de petróleo da Venezuela para famílias pobres do estado de Massachusetts. O resumo da ‘oferta’ jornalística informa que a empresa venezuelana, ‘que tem 14 mil postos de gasolina nos Estados Unidos, separou 45 milhões de litros de combustível’ para serem ‘vendidos em parcerias com ONGs locais a preços 40% mais baixos do que os praticados no mercado americano’. Uma notícia de impacto social e político.

O editor-chefe do Jornal Nacional apenas pergunta se os jornalistas têm a posição do governo dos Estados Unidos antes de, rapidamente, dizer que considera a notícia imprópria para o jornal. E segue em frente.

Na seqüência, entre uma imitação do presidente Lula e da fala de um argentino, passa a defender com grande empolgação uma matéria oferecida pela ‘praça’ de Belo Horizonte. Em Contagem, um juiz estava determinando a soltura de presos por falta de condições carcerárias. A argumentação do editor-chefe é sobre o perigo de criminosos voltarem às ruas. ‘Esse juiz é um louco’, chega a dizer, indignado. Nenhuma palavra sobre os motivos que levaram o magistrado a tomar essa medida e, muito menos, sobre a situação dos presídios no Brasil. A defesa da matéria é em cima do medo, sentimento que se espalha pelo País e rende preciosos pontos de audiência.

Sobre a greve dos peritos do INSS, que completava um mês – matéria oferecida por São Paulo -, o comentário gira em torno dos prejuízos causados ao órgão. ‘Quantos segurados já poderiam ter voltado ao trabalho e, sem perícia, continuam onerando o INSS’, ouve-se. E sobre os grevistas? Nada.

De Brasília é oferecida uma reportagem sobre ‘a importância do superávit fiscal para reduzir a dívida pública’. Um dos visitantes, o professor Gilson Schwartz, observou como a argumentação da proponente obedecia aos cânones econômicos ortodoxos e ressaltou a falta de visões alternativas no noticiário global.

Encerrada a reunião segue-se um tour pelas áreas técnica e jornalística, com a inevitável parada em torno da bancada onde o editor-chefe senta-se diariamente ao lado da esposa para falar ao Brasil. A visita inclui a passagem diante da tela do computador em que os índices de audiência chegam em tempo real. Líder eterna, a Globo pela manhã é assediada pelo Chaves mexicano, transmitido pelo SBT. Pelo menos é o que dizem os números do Ibope.

E no almoço, antes da sobremesa, chega o espelho do Jornal Nacional daquela noite (no jargão, espelho é a previsão das reportagens a serem transmitidas, relacionadas pela ordem de entrada e com a respectiva duração). Nenhuma grande novidade. A matéria dos presos libertados pelo juiz de Contagem abriria o jornal. E o óleo barato do Chávez venezuelano foi para o limbo.

Diante de saborosas tortas e antes de seguirem para o Projac – o centro de produções de novelas, seriados e programas de auditório da Globo em Jacarepaguá – os professores continuam ouvindo inúmeras referências ao Homer. A mesa é comprida e em torno dela notam-se alguns olhares constrangidos.

* Sociólogo e jornalista, professor da Escola de Comunicações e Artes da USP

35 Comentários + Add Comentário

  • obrigadório pelo link com uma materia de excelente teor “jornalístico”,

    inscritutal.

    Claro que o Hommer não é “Ele”, nem muito menos os assistintes,

    o Hommer é o brasileiro ideal intentado todos os dias. O que pena, ma(i)s goza (?).

    Ao menos, disso poderia gabar-se? De “gozar”?

    Quer dizer, ele pode gozar de falar de seu gozo. Isso lhe é dado.

    Entretanto, o mesmo talvez pressupõnha a materialização-objetivação de um não-tido, falar pode estar tão próximo quanto falhar, já que o falho… póde não ter h.

    Mais ainda, neste ideal é “produzido” um outro lugar, ideológicamente – como deveria ter ficado explíticito – digamos melhor Preparado. Neste espaço ele é preparado para reproduzir o que virá como “realidade da produção”, que é na verdade, a verdade… ou seja, a vida…

    e a vida, é a novela.

    O brasileiro hommeriano é o que vai ver a novela depois de ter sido preparado pelo JN. É o que sentiu e ressentiu, o que amou e odiou. É o feliz “burro que perdeu a orelha pelo jumento) (referência a matéria no blog veiculada sobre o jornalismo G1. É uma profusão de quereres e poderes idealmente relativos, que enfim, encerram a todos.

    Só que nosso brasileiro, parece querer pouco, e talvez saiba que para cada mais querer-ter, haverá aquele que mais vai ganhar do seu querer.

    Bom, não vou continuar pq vai virar um artigo dentro de um artigo que é artigado. Ou seja, se já não é, deverá tornar-se “um vir-a-ser” URTIGado.

    Além do mais, precios continuar a trabalhar em outro problema, que é o mesmo… mas que também não encerra, como tal, o qual.

    O que gostaria de salientar, ou redundar, é mais do que a direção e o sentido da produção efetiva da notícia, como ela deve soar ao Hommer, e como ele deve entende-la… é o que abre espaço para que ele possa “ter-saber”, ou seja, o que o delimita como ser de sentidos, como o que “goza” a vida, independente de sua “estrutura social”…

    “Nóis sofre mas nóis goza”.

    O que é uma pobre transfiguração de um dito árabe no qual “A abundância de um homem está em como goza o que possuí, e não o que possuí”

    Que nada mais é que “viver a vida”. Independente de como ela se lhes nos impõe-zesse.

    Pois é, vivamos a vida como ela nos impõe… no mundo do “possível”.

    Sim, é uma crítica em aberto.

    BOA NOITE Fátima, até amanhã.

    • Ele foi preconceitoso , mais depende do ponto de vista!
      Cada ser humano pode se deparrar com uma situação!

  • Não sei se chego a discordar frontalmente de William Bonner, não… :-?

  • O recalque e a mania de perseguição do Raboni parecem não ter fim… O sujeito pensa que a Globo é uma organização diabólica de direita. Como se ela não dependesse de empréstimos do BNDES para sair do buraco.

    Esquerdistas agem como torcedores de futebol, que reclmam quando o juiz erra contra seu time mas esquecem dos erros cometidos a seu favor. Em se tratando de Rede Globo, esquecem as muitas omissões e reportagens a favor do governo nos últimos anos… A Veja sim, possui uma posição política claramente de direita. Criticá-la seria natural para eles, eu entenderia tranquilamente. Mas a Globo quer apenas continuar lá em cima, é uma espécie de PMDB da mídia… Age de acordo com seus próprios interesses e não seguindo uma cartilha da tal direita brasileira, que alguns dizem ainda existir. Aliás, duvido que Lula ache ruim aparecer no JN ou no Fantástico!

    O mundo ideal para ele, é aquele mundo na qual todos lêem apenas o “diário oficial ilustrado” chamado Carta Capital e assistiriam a um telejornal estatal apresentado por Paulo Henrique Amorim, com comentários de Luiz Nassif e Franklin Martins.

    O pensamento da esquerda é muito similar ao dos fundamentalistas árabes, talvez por isso tenham se aliado. Ambos tem um ódio irracional e buscam a erradicação total do “inimigo”. Não toleram a existência do outro, nem admitem haja dialeticidade na política (apesar de adorarem falar em aberrações tais como “pluralismo jurídico”). Arrogam-se uma imagem divina e sacrossante, como se fossem seres “moralmente superiores”. Esquecem os fatos na hora de argumentar.

    E, por fim, acham que o totalitarismo estatal que defendem seria sim uma “democracia”.

    • “O recalque e a mania de perseguição do Raboni parecem não ter fim… ”

      “De Bonner Para Homer”
      por Laurindo Lalo Leal Filho <<<<<<<<<<<<<<

      fumou? sabilenaum?
      rtfp

      e ainda vem de "dialeticidade" pra cima da gente, francamente…

    • Apoiado!

    • Esse tipo de violência verbal de baile de máscaras, expediente do leitor Danilo (meu psicocônsultor particular e que atende no domicílio), faz-me pensar que se o camarada tivesse poder, tiraria o blog do ar, e me colocaria num banho maria bem longe daqui…

      • Quem perderá tempo se ocupando em “fechar” este bloguinho? Está se atribuindo muita importância, rapaz! Menos, muitíssimo menos…

        • pedro T chegando na retaguarda de danilo… ui… isso tá virando obsessão hem… a vantagem é que esse tipo de amor não procria…

    • Tsc… e eu, que jurava que a Globo era MESMO uma organização diabólica de direita, quase uma seita satânica?

  • Assisto ao JN quando posso. Sei qeu eles fornecem notícias editadas e unilaterais, porque são mais fáceis de entender. Porque o que interessa é que a audiência são os preciosos espaços publicitários nos intervalos, que serão visto por milhões de pessoas, potenciais clientes – que em seguida vão assistir à novela, que vem junto com outros tantos anunciantes. Tudo é grana.

    Nem Veja nem CartaCapital. Cada uma contém um pouquinho de verdade (a segunda mais do que a primeira, provavelmente), mas ninguém é o dono dela, e por isso folheio uma Veja sempre que posso – mesmo sabendo que dificilmente vou encontrar uma verdade. Pelo menos para ver as frases da semana.

    Porém, é fácil comparar o tom de Veja, apaixonado pela direita, com o tom da CartaCapital, apaixonado pela esquerda. É a mesma paixão, o mesmo ardor, o mesmo olhar lacrimoso. A Veja ataca as massas enquanto CC ataca a “zelite”. Com as mesmas armas, só muda a munição.

    “A direita e a esquerda como as conhecemos não existem mais. Longe de seguirem direções opostas, elas convergem tal qual as pontas de uma ferradura.” – Prof. Marcelo Medeiros.

  • “A direita e a esquerda como as conhecemos não existem mais. Longe de seguirem direções opostas, elas convergem tal qual as pontas de uma ferradura.” – Prof. Marcelo Medeiros.

    Sujeito fala isso para disfarçar que é de direita.
    São suspeitas essas afirmações categóricas que incentivam a inércia.

    • Para mim, a afirmação “categórica” parece mais de centro, ou então ela serviu para que alguém, tendo entendido corretamente o meu comentário, perceba que eu não me arrasto muito para um lado nem para o outro.

      Discute com o prof. Medeiros então. Você pode encontrá-lo no CCSA.

  • Gostei quando o Danilo comentou sobre a Globo: não se alia a direita ou esquerda, quer apenas continuar lá em cima. Já tive meu período de ódio total à Globo. Hoje não morro de amores, nem raiva. Sei que tudo lá é superficial, desde à relevância das notícias ao valor do entretenimento promovido pelas novelas. O que posso fazer? Assistir o menos possível, e indicar coisa de qualidade para as pessoas a minha volta. Por outro lado, é preciso admitir a competência da emissora em se manter no topo, apesar do começo, digamos, obtuso.

  • O texto que Raboni citou já foi comentado por Reinaldo Azevedo:

    “Eu nunca tinha ouvido falar de um certo Laurindo Lalo Leal Filho. Descobri que ele existe porque um amigo me recomendou que lesse um texto assinado pelo jornalista William Bonner (este mais conhecido, suponho, do que o presidente Lula), publicado no site Observatório da Imprensa. O editor-chefe do Jornal Nacional escreveu uma pequena crônica bem-humorada como resposta a uma covardia de que foi vítima, assinada justamente por aquele senhor, que se apresenta como “sociólogo, jornalista e professor da Escola de Comunicações e Artes da USP”, a famosa ECA. O texto do aliterado fora publicado, originalmente, na revista Carta Capital. E, por isso, eu ignorava o ataque. Sou assinante de Tendências e Debates, a revista do PT, mas não sou leitor da Carta. O Observatório reproduz o artigo em que ele critica Bonner.

    Antes que continue, a síntese do que se passou: a Rede Globo convidou alguns professores para conhecer o funcionamento do Jornal Nacional, no que cometeu um erro (falo disso mais adiante). Os “especialistas” eram, assim, como um Big Brother da academia assistindo à farra da imprensa burguesa. Laurindo relata uma reunião de pauta de Bonner com sua equipe. O editor-chefe do JN tem uma metáfora para designar o homem comum, aquele que não é especialista nos assuntos que ditam o cardápio de política e economia: “Homer Simpson”. E, segundo relata Laurindo, ao derrubar uma reportagem, Bonner comenta às vezes: “Essa o Homer não vai entender”. Com isso, depreende-se, descartaria matérias mais complexas.

    Para Laurindo, Homer é a síntese do pateta ignorante, que fica escarrapachado no sofá, a comer rosquinhas e a beber cerveja. Bonner tem outra leitura da personagem, com a qual compartilho, diga-se. Não conheço quem tenha pelo simpático pai de família a repulsa demonstrada pelo “sociólogo-professor-jornalista”. Ao contrário: há até uma relação de carinho com aquele homem meio simplório. Laurindo não cai nessa. É muito sabichão. Está imbuído da tarefa de levar luz à estupidez. Ele tem a pior impressão do marido de Marge, que não escapa de sua fúria iluminista. Olha para ele com um misto de nojo e desdém. Homer encarnaria a tolice, o nivelamento por baixo, o cretinismo. E Bonner, segundo se depreende do texto tão malvado quanto mal escrito de Laurindo, faria, então, o Jornal Nacional para essa gente vulgar. O editor-chefe de um dos noticiários mais vistos do mundo seria, assim, um cavaleiro do obscurantismo.

    O “professor-sociólogo-jornalista” escreve mal pra chuchu. Fazendo uma pesquisa na internet, descobri que o texto publicado em Carta Capital não é exceção, é regra. Ele não sabe nem pontuar frases, e tudo piora muito quando elas se encadeiam em períodos longos. É tão cru, que cheguei a supor que se tratasse de um professorzinho boboca, quase imberbe, tentando se afirmar com ataques à Rede Globo. Mas o bodum ideológico me advertia de que poderia ser um daqueles casos patéticos em que um velho fala e se comporta com a irresponsabilidade de um jovem. Se, neste, certa graça compensa a ignorância e a inexperiência, naquele, a maturidade torna ainda mais ridícula a leviandade. Deu a segunda. E uma leviandade dolosa porque duplamente covarde.

    O ataque a Bonner é covarde, em primeiro lugar, porque o tal Laurindo, em momento nenhum, evidencia que a sua crítica é tão-somente ideológica, jamais técnica. Ele omite dos leitores que está submetendo as escolhas do editor-chefe do Jornal Nacional ao corredor polonês de uma agenda ditada pela esquerda. Não! Ele finge um olhar clínico, especializado e isento, como se sua análise fosse o resultado de umas tantas evidências colhidas da árvore da vida. E, em segundo lugar, observe-se: não segue a ética mínima da prática jornalística. O objeto de sua fúria não é ouvido. Ao contrário, Laurindo estava preparando uma armadilha para Bonner. Poderão dizer que faço com ele o que ele fez com o outro. E também sem avisar. Não estou reportando seu ambiente de trabalho. Ele só me interessa como sintoma de uma doença do pensamento. Leiam o seu texto, em que relata a troca de olhares, superiormente “constrangida”, com seus pares de academia.

    Constrangida por quê? Até parece que o ambiente universitário respira uma ética superior e mais sábia. O texto de Laurindo prova que não. Os estudantes que saem da universidade provam que não. A pobreza conceitual, prática e teórica dos currículos dos cursos de jornalismo (ou rádio e televisão) prova que não. Fico cá pensando na sua excitação mesquinha, escrava, rancorosa, vingativa, ressentida: “Ah, peguei o homem do Jornal Nacional!”. Nessas horas, evoco sempre a criada Juliana do romance O Primo Basílio, de Eça de Queiroz. Ela é, para mim, o emblema do horror: é má, é burra, é feia, é pusilânime, é dissimulada. Mas se acha apenas uma injustiçada pelo destino e pela soberba alheia.

    Laurindo, me informa a internet (pesquisem), é também um militante de ONG. Está empenhado na defesa de uma certa rede pública de TV e se coloca como um gerente de conteúdo dos meios de comunicação. Não sei quem lhe conferiu esse papel de juiz da atuação alheia, mas é assim que ele se sente. Fala em nome da “qualidade” da programação, embora a sua vocação seja mesmo para censor. Se preciso, para provar as suas teses, não hesita em fraudar os fatos. Dou um exemplo.

    Escreve o aliterado Laurindo Lalo Leal ao relatar uma passagem da rotina no JN: “A primeira reportagem oferecida pela ‘praça’ de Nova York trata da venda de óleo para calefação a baixo custo feita por uma empresa de petróleo da Venezuela para famílias pobres do estado de Massachusetts. O resumo da ‘oferta’ jornalística informa que a empresa venezuelana, ‘que tem 14 mil postos de gasolina nos Estados Unidos, separou 45 milhões de litros de combustível’ para serem ‘vendidos em parcerias com ONGs locais a preços 40% mais baixos do que os praticados no mercado americano’. Uma notícia de impacto social e político. O editor-chefe do Jornal Nacional apenas pergunta se os jornalistas têm a posição do governo dos Estados Unidos antes de, rapidamente, dizer que considera a notícia imprópria para o jornal. E segue em frente.”

    Escolhas, ideologias
    Com discordâncias que não são pequenas — mas, reitero, discordâncias ditadas por minhas escolhas ideológicas, políticas, intelectuais, éticas, por meus preconceitos também! —, acho Bonner um ótimo jornalista, e seu trabalho no JN me parece muito competente. Já discordei dele e escrevi a respeito. Crítica clara, sem pegadinha. Meus critérios estão sempre à mostra. Não sou Laurindo, mas sou leal. Acho o jornalismo brasileiro excessivamente condescendente com as esquerdas, especialmente em tempos de PT no poder. Mais do que esquerdismo, ele está contaminado pelo petismo, que é a fase senil do comunismo. Nem o Jornal Nacional escapa da minha crítica.

    Pode parecer ridícula a minha afirmação de que a Rede Globo, ainda o Satã da esquerda bocó, está cercada de esquerdismo por todos os lados. Mas está. E não seria difícil prová-lo. Não raro, nem se trata de promoção industriada de valores, mas de uma maré influente. Há, por exemplo, “pobres” demais no JN de Bonner. O que quero dizer com isso? Exemplares do “povo”, volta e meia, aparecem em reportagens especiais, com a exaltação de seu saber natural e telúrico. Acho isso um porre. Por qualquer incrível razão que não sei identificar, pobre, quando aparece na televisão, canta, dança ou faz artesanato.

    São escolhas que eu não faria. Se eu editasse o JN, provavelmente cortaria essas matérias, derrubaria a audiência do jornal e levaria um pé no traseiro. Justificado. Isso quer dizer que se deva fazer o programa sempre de olho no Ibope? Não! Quer dizer que ele é um dado importante da equação. Dali vem o pão que garante a festa. É, sim, preciso pensar no Homer Simpson, não naquele idiota de Laurindo, mas naquele cuja definição William Bonner adotou para si mesmo: “trabalhador, pai de família protetor, meio Lineu, meio Homer”.

    “O”, aquele meu leitor implacável que não aceita ser identificado, escreveu-me: “Nessa polêmica entre William Bonner e os professores da USP, inclino-me a desapoiar os dois lados: os professores da USP, para quem o Jornal Nacional deve ser (tal qual, provavelmente, as aulas que ministram…) um ‘instrumento de transformação social’; Bonner, responsável por esse Frankenstein que todos os dias seleciona as notícias que mais profundamente tocam a alma religiosa e conservadora de 100 milhões de brasileiros para travesti-las com roupagem ‘politicamente correta’. Bonner já pagou seu tributo aos professores da USP (e à intelligentsia nativa): deu ao JN um sotaque de esquerda. É pouco, para eles. De posse da estética, agora querem a ética. Bonner nunca fará o que pedem, pois, ao contrário dos professores da USP, conhece o público do JN, sabe que ele não é de esquerda. Ao encerrar a polêmica, porém, produziu uma verdadeira pérola de ironia. Dirigindo-se a professores de jornalismo que, por definição, devem conhecer a diferença entre uma metonímia e um projeto político, ‘desculpou-se’: ‘Eu, como trabalhador, pai de família protetor, meio Lineu, meio Homer, reconheço humildemente meu fracasso no desafio de ser claro e objetivo para todos os meus interlocutores’. Como diria Millôr Fernandes, ‘grande alegria de um homem inteligente é se fazer de idiota diante de um idiota que se faz de inteligente’.”

    Como sempre, “O” não perdoa, desnuda. Posso não concordar inteiramente com o teor do seu e-mail, mas se trata de uma pérola da síntese. Concordo com ele que o JN ganhou uma inflexão à esquerda nos últimos anos e que abriga aspectos do pensamento politicamente correto. Se é uma imposição de quem fala, todos os dias, a muitos milhões de brasileiros, isso, para mim, não está claro. Acho que não. E, é fato, a esquerda acha pouco. Vejam lá: Laurindo considera uma notícia de “impacto social e político” que “uma empresa venezuelana” (sic) venda óleo de calefação a preços mais baratos em Massachusetts. Não toma nem o cuidado de informar o leitor que se trata da PDVSA, a estatal de petróleo venezuelana. Em lugar de Bonner, talvez eu tivesse levado a matéria ao ar, mas não ao gosto do “professor-sociólogo-jornalista”. Dispensaria à notícia o tratamento de uma das pantomimas de Chávez, que eu chamaria de protoditador vagabundo, que mata os venezuelanos de fome, desemprego e falta de futuro, mas usa o combustível farto em seu país para fazer proselitismo nos EUA.

    Se eu fosse Ali Kamel, diretor-executivo de jornalismo da Rede Globo e profissional de primeiro time, a esta altura, estaria satisfeito, gozando a sensação do dever cumprido. Laurindo, um esquerdista com, desconfio, simpatias por Hugo Chávez (como quase toda a esquerda brasileira), considera que o Jornal Nacional emburrece a nação. Eu, que não sou de esquerda (esta diz que sou de direita, um xingamento para eles, não para mim), ao contrário, acho que a emissora escorrega, e não apenas no JN, na metafísica influente do esquerdismo. Entre os supostos extremos, o principal noticiário televisivo do país pode continuar a fazer o seu trabalho, com a competência técnica habitual — o que é sempre um fator a mais de irritação para a patrulha comuno-stalinista.

    Diferenças
    Não, eu não me quero o positivo ou o negativo de Laurindo. Eu não uso o truque vagabundo de me dizer um observador ou um especialista isento e neutro. Não sou nem uma coisa nem outra. Não troco “olhares constrangidos” com as donas Marocas da reputação alheia. Os meus critérios estão claros: no “meu JN”, invasor de terra seria tratado como alguém que esbulha a legalidade e merece é cana; no “meu JN”, a miséria jamais seria pretexto para a violência (porque não acredito nisso e acho a tese mentirosa); no “meu JN”, rap, funk e outras escatologias (nos dois sentidos) seriam considerados o que são: fundo musical do crime organizado, e não “manifestação da cultura popular”; no “meu JN”, a cobertura de uma invasão da propriedade alheia iria até o fim: o sujeito foi preso, conforme pede a lei, ou o Estado foi lá passar a mão na sua cabeça? Vai ver é por isso, entre outras tantas diferenças — e o talento não é a menor delas —, que é Kamel o diretor-executivo de jornalismo da Globo, e não eu; que é Bonner o editor-chefe do JN, e não eu. A diferença de talento, bem entendido, seria dispensável dizer (mas não quero ruído), conta a favor deles e contra mim.

    E a diferença vai mais longe. A minha crítica, inclusive ao professor Laurindo — e também ao JN —, é, como se vê, escancaradamente ideológica, mas não no sentido perturbado do termo, que lhe empresta o marxismo cretino. Segundo este, “ideologia” se resume às “mentiras” que a burguesia conta para enganar o povo. Como seria um mal de mão única, eles, os comunas, julgam que não produzem nada além de verdades ontológicas. As minhas “verdades” são nada além de escolhas: econômicas, políticas, morais, éticas. Se o pensamento estivesse minimamente organizado no Brasil, eu estaria entre aqueles que, na Europa ou nos EUA, são considerados “conservadores”? Acho que sim. Da “direita democrática” talvez. Embora, por exemplo, o meu apreço (a falta dele) à política econômica de Antonio Palocci me afaste de alguns outros que se querem meus parceiros em determinados valores. Kamel e Bonner, se lerem este texto, saberão que, à diferença de Laurindo, eu não julgo portar “a verdade”. Isso é tão-somente uma leitura do mundo: parcial, precária, imperfeita, como a de qualquer um. E há ainda outra coisa importante: não dou aula a ninguém. Não transformo num ministério as minhas parcialidades.

    Compreendo, mesmo quando não concordo com as escolhas, que um noticiário como o Jornal Nacional ou uma revista como a VEJA tenham de fazer certas escolhas que atendem também às exigências do telespectador ou do leitor médios. Isso não significa que não possam contribuir de forma definitiva para o aprimoramento da democracia ou das liberdades públicas. Ao contrário. Ambos têm tido um comportamento na crise que me parece absolutamente correto. Mesmo quando não exaltam as virtudes generosas de Hugo Chávez com os EUA…

    Climão
    Falei aqui de um climão que toma conta do jornalismo, que tange as cordas do esquerdismo chinfrim. Na GloboNews, há pouco, a garota de 13 anos que participou do incêndio deliberado do ônibus da linha 350 — que matou cinco pessoas e feriu gravemente outras 14 — concedeu uma entrevista. Foi tratada como uma vítima das circunstâncias, uma besta-fera hobbesiana (ou pré-hobbesiana) a quem faltaram educação, escola, atenção do Estado. Logo, ela faz o quê? Frita as pessoas num ônibus, ora essa, como desdobramento natural da sua história triste.

    A moral subjacente é a de que os culpados somos todos nós. Supõe-se que uma pessoa de 14 anos, por causa da miséria, é completamente desprovida do senso do certo e do errado. Ou, infere-se, ela não faria o que fez. É um misto de precariedade sociológica, precariedade teológica e resquícios de sub-Rousseau: “Perdoai-os, Pai, eles não sabem o que fazem porque são muito carentes; vieram puros ao mundo e foram corrompidos pela sociedade”. Pouco se falou das vítimas da assassina de 14 anos. Estamos é sendo convidados a nos comover com os protagonistas do terror.

    Muda-se o canal. No SBT Brasil, fala um dos promotores que denunciaram cinco diretores da Daslu, a loja de roupas dos ricos e famosos do Brasil. Ele não teve dúvida. À moda de um Robespierre dos Trópicos (ou um Saint-Just, a julgar pelos cabelos cuidadosamente longos), decretou: “Acabou a fase de punir apenas os pobres; agora, os nobres, os patrícios, também vão para a cadeia”. Que coisa! Ele poderia ter explicado por que foi oferecida a denúncia. Preferiu fazer um discurso, que foi ao ar, em que a Justiça se transforma em mero instrumento de sua particular versão da luta de classes — que está mais para um arranca-rabo. Deve ter falado outras coisas, mas aquele era o pedaço mais saboroso. Prestemos atenção ao “agora” de sua fala. O que ele quer dizer? A qual tempo, exatamente, ele se refere? Parece ser um tempo que não é histórico, mas político. Neste mesmo jornal, já vi uma invasão do MST a uma propriedade privada ser meticulosamente acompanhada, desde o planejamento à execução. Os miseráveis que servem de massa de manobra a um movimento político expunham a sua falta de dentes e de sorte. O crime estava social e moralmente justificado.

    O julgamento dos assassinos da freira Doroty Stang, também nas TVs de hoje, mobiliza o mundo. É justo. Luiz Pereira da Silva, o policial capturado, torturado e assassinado num assentamento do MST, em Pernambuco, já virou o húmus onde viceja a mistificação. Não era um homem-causa. Não é um mártir do reino da justiça das esquerdas, aquele construído sobre uma impressionante montanha de cadáveres, de que Hugo Chávez, o do óleo barato, é a versão pateticamente atualizada.

    Laurindo certamente acha que isso ainda é muito pouco. Ele pertence a ONGs e grupos empenhados em conferir “função social” ao jornalismo de rádio e TV e em monitorar o conteúdo da programação, já que a radiodifusão, no país, é uma concessão pública. Como ele se quer o representante desse “público”, embora uma representação auto-outorgada, não hesita em fazer a sua crítica como se habitasse o promontório da independência. Uma vez que o jornalismo foi cedendo à patrulha esquerdista — em parte porque a maioria dos jornalistas é petista, mão-de-obra que Laurindo, suponho, ajude a reproduzir e a repor com suas aulas —, os policiais de consciência querem mais. Já seqüestraram o debate. AgorA, ficam cobrando sucessivos resgates.

    E olhem que já lhes são dadas coisas aos montes. Enquanto escrevo, a TV noticia que o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, voltou a defender, nesta quinta, o fim de Israel. Há dois dias, caiu um avião em Teerã. Morreram ao menos 115 pessoas. O noticiário do mundo inteiro, também o brasileiro, na TV ou nos jornais, observa que o embargo americano impede o Irã de repor peças de suas aeronaves. Está explicado. Quando ocorre um acidente aéreo em Teerã, a responsabilidade, claro, é de Washington. Quando dois aviões derrubam as Torres Gêmeas em Nova York, a culpa também é de Washington. Sabem como é: o unilateralismo bushiano maltrata humanistas da qualidade de Ahmadinejad… O antiamericanismo é a doença fúngica do esquerdismo.

    Chega!
    Já fui longe. Acho que o JN e William Bonner foram vítimas de uma trapaça intelectual, ideológica, jornalística e política. Se a minha solidariedade valesse de alguma coisa, aqui estaria. As pessoas têm o direito de falar e escrever, como faço, o que lhes der na telha — respondendo, é claro, pelo que falam e escrevem. Mas atacar pelas costas é vedado ao bom guerreiro. Foi o que Laurindo fez. De certo modo, a Rede Globo paga o preço — um preço ridículo, é verdade (eu sou um dos únicos que dão bola para a academia no Brasil) — do flerte com os adversários.

    Cada um faça o que quiser de sua empresa. Não sei que diabos os acadêmicos foram fazer na Globo ou o que tinham a ensinar aos jornalistas. Nos debates de que tenho participado ou nas palestras que tenho conferido em universidades, percebo que a maioria dos estudantes considera os meios de comunicação “inimigos do povo” e uma fábrica de falsidades a serviço do capital. Quem lhes ensina isso são seus professores, dublês de mestres e militantes políticos. Chamam “técnica” o que não passa de juízo de valor e ideologia rombuda. A maioria dos que ensinam é incapaz de fazer um lead inteligível. Como se vê, até a gramática e a sintaxe lhes são claramente hostis. Ademais, boa parte jamais botou os pés numa redação.

    Não sou do tipo avesso à teoria, não. Muito ao contrário. Gosto dela. Naqueles encontros a que aludi, costumo fazer referência a alguns clássicos do pensamento político, social, econômico, nomes muito citados em discursos na sala de aula. A maioria amarela e não vai além do clichê e dos livros (agora Google) de citações. Quem se opõe contenta-se em me chamar de “reacionário”. Posso ser. Mas li o que boa parte diz ter lido. Trata-se de gente que evita o debate com a sua ignorância olimpicamente superior. Quero, sim, o concurso dos acadêmicos. Que nos ajudem a fazer jornais melhores, revistas melhores, sites melhores, jornalismo de TV melhor. Mas é preciso ter honestidade intelectual.

    Arremato aplaudindo, também eu, a sutileza da resposta de Bonner. É isso, meu caro: você superestimou parte da platéia que estava ali para vigiá-lo. Supôs que ela tivesse, ao menos, o nível de entendimento de Homer Simpson. E, de fato, tratava-se de um Dino da Silva Sauro. Bonner, está provado, faz muito bem em não superestimar a inteligência alheia.”

    • Falta ler um pouco de Psicologia, Ecologia e Filosofia. Física Quântica também não faz mal.

      Ainda bem que tu admitiste ser reacionário. Teu comentário é tão corrompido pelas ideologias quanto o do Laurindo.

      No mais concordo que os debates acadêmicos tendem aos clichês.

      Quantos suas posições sobre movimento social e crime, isso é uma discussão gigantesca para se fazer nesse espaço do blog.

      Só uma pequena consideração: TV como qualquer outro négocio é para dar dinhero. É isso que Bonner aprendeu a fazer, prender o Homer com as notícias que o Homer quer ver! Lucrando muito com isso, aliás, fazendo com que a Globo lucre.

  • A verdade machuca, mas não há nenhuma mentira nem desprezo na tática do Bonner, apenas a mais pura realidade.

  • Observa-se que na patrulha ideológica da turma de direita, falar mal de William Bonner ou da Rede Globo é proibido. E que quem falar mal deles, necessariamente é de esquerda e é radical e não tem argumentos… Interessante.

    Eu não sabia que a Globo ainda era a queridinha dos direitistas.

    Eu também concorde que a Globo, hoje, desistiu de ser a bastiã da direita. Prefere a direita, mas não é por isso que deixe de dar suas namoradas com a esquerda, desde que isso traga mais IBOPE.

  • acho que tudo está mais que escancarado né?

    calo-me antes que possa ser identificado.

  • Discordo quando apelidam o “brasileiro médio” de Homer. Diante do “brasileiro médio”, Homer é um gênio.
    E eu não aguento esse chororô ô ô ô ô ô………………….
    chora o Joselito
    chora o Raboni
    chora o MarciôôÔ

    • Por que chorar, Alexsandro? A Globo me é indiferente. Aliás, das TVs abertas é a melhor que tem – o que não quer dizer muita coisa.

  • Chororô = tudo é uma conspiração das elites com a imprensa malvada manipulada pela direita.
    O que seria dos “esquerdistas” sem a “direita” ? Falam mais em “direita” que a própria “direita”. As vezes acho que os “esquedistas” são Homers confusos na frente de um espelho!

    • Aí é que está, Alexsandro. Ninguém estava dizendo que havia uma conspiração da direita ou das elites. Apenas que Bonner é um jornalista que despreza a inteligência das pessoas e que se acha acima do bem e do mal.

      A crítica não foi à Globo ou à imprensa. Apenas ao modo como Bonner seleciona o que será colocado no ar (dentro do que é produzido pela própria Globo).

      Quanto à esquerda falar mais em direita que a própria direita, eu só conheço duas pessoas de direita que se dizem de direita. E olha que nenhuma delas é política ou comenta aqui no blog.

      Tirando esses dois (um é professor universitário, o outro é ruralista), a turma da direita aqui no Brasil tem vergonha de se assumir. Aí, ou diz que é de esquerda (não sei como) ou vem com esse papo furado de que direita e esquerda não existe ou ainda vem com essa lenga-lenga de dizer que quem é de esquerda é débil mental. Como se alguém tivesse visto a luz e soubesse qual é a verdade absoluta.

      • Deixa pra lá, Márcio. O lobotomizado acima já deu mostras mais do que suficientes de que almeja, talvez, chegar onde o “Mr. Burns” da mídia nacional, junto com seu alter-ego Alho Gargamel (KKKKKKKK) está…

        Na posição de levar um chute no traseiro após a CONFECOM!

        • Tem “turma” que mais despreza a inteligência alheia como os “esquerdistas” ?
          Para eles, o mundo ideal seria aquele onde todos vestem vermelho, onde todos trabalhem, mais o fruto do trabalho vá para o partido comunista
          (talvez daí a raiva das igrejas ), um mundo onde todos repitam fielmente as cartilhas de Mao, um mundo onde a elite do PC mame e todos aceitem na maior tranquilidade. Um mundo em que as crianças aprendam a ler, mas só possam ler o que o PC determina. Um mundo em que, ou concorda, ou é enforcado ou deportado. Um mundo onde, na ausência de produtos básicos todos concordem que a culpa é do “Império do mal”! Um mundo onde os membros do PC importem seus luxos do “império” mas o restante se cale e aceite passar por racionamento de alimentos, energia e água. Nesse ponto, realmente temos “igualdade social” entre todos que não são da elite do PC.
          E “direita” e “esquerda” realmente existem. Até o cara se eleger.

        • Meu caríssimo lobotomizado.

          Lembre-se dos fatos recentes do mundo, e você terá o retrato mais fiel possível do mundo que você pinta: este aqui, REAL (não seu mundinho imaginário de socialismo mal-feito como foi na Rússia).

          Agora mesmo, será que:

          - Todos que trabalham não são obrigados a vestir alguma farda (ode às empresas onde estão, POR ORA), mas que vestem na verdade o cinza da ideologia RACISTA da AUTOPROCLAMADA “direita”?

          - Não são todos obrigados a entregar o fruto de seu suor a uns metidos a sabichões que bebem uísque como água em troca de ferrar com a vida de quem está “abaixo” deles na “escala social”?

          - Igrejas (e me perdoem os evangélicos SENSATOS e pessoas de outras denominações) não são outra forma de dominação e castração do potencial humano?

          -Você já recitou sua cartilha da Universidade de CHICAGADO hoje?

          - Você sabe ler, mas é analfa plenamente funcional. Já percebeu que a literatura de “negócios” de hoje em dia está mais para AUTOAJUDA que para mover o indivíduo em direção ao sucesso (com boa dose de transformação do mercado em Deus)? Aliás, que tipo de sucesso é esse em que ninguém, além do próprio “vencedor”, tem regozijo?

          -”Um mundo em que, ou concorda, ou é enforcado ou deportado” (sic). Acorda cara, teu ex-embaixador TIROU OS SAPATOS para os agentes da alfândega estadunidense, e você acha que isso pode vir de um governo popular como o atual???

          - Existe, sim, ausência de produtos básicos. Então, que se produza mais soja, milho, sorgo, etc. e caterva, não para nos alimentar (e isso é somente um dos itens), mas para alimentar o gado que os estadunidenses e europeus comem, para que nossos próprios criadores se afoguem em bebida e conversa FIADA durante os caríssimos leilões de “matrizes e reprodutores para melhoramento” (científico, não?) e todo mundo, VOCÊ INCLUÍDO, que coma legumes produzidos por CADA VEZ MENOS AGRICULTORES FAMILIARES, COM CADA VEZ MAIS AGROTÓXICO!!!

          - Sua elite importa tantos mimos luxuosos do exterior, há tanto tempo e sob tantas escaramuças, que só recentemente ficamos sabendo, graças ao trabalho do PODER PÚBLICO, via Polícia Federal, dos esquemas de SONEGAÇÃO de quem arrota arrogância e dinheiro…

          - Racionamento de alimentos, já comentei um pouco, quanto ao racionamento de energia e água… você tem CERTEZA de que quer ver a privatização do pouco que resta dos serviços que o Estado deveria prover, segundo a CF/88? Parece, né? Coisa de LOBOTOMIZADO mesmo…

  • O Blog ultimamente está cruel. Parece que estão sem assunto. E não só é esse não, já passei por uns 5 agora à noite e estão todos nesse patamar. Tomara que Pierre e Amanda voltem logo a escrever, com todo respeito aos demais. Enquanto isso, conto piada de advogado:

    PRESO AS TRÊS DA MANHÃ

    O TELEFONE TOCA NA CASA DO ADVOGADO
    - ALÔ! (P. DA VIDA)
    - DOUTOR, EU ESTOU PRESO. TÔ PRECISANDO…
    O ADVOGADO DESLIGA O TELEFONE E VOLTA A DORMIR, 5 MINUTOS DEPOIS O TELEFONE VOLTA A TOCAR
    - DOUTOR EU TÔ PRESO E PRECISO DOS SEUS SERVIÇOS
    - MEU QUERIDO, SÃO TRÊS HORAS DA MANHÃ, UM FRIO DO CACETE. FIQUE TRANQÜILO QUE LOGO MAIS EU PASSO AI..
    DESLIGA O TELEFONE JÁ P…. DA VIDA E TENTA VOLTAR A DORMIR QUANDO O TELEFONE VOLTA A TOCAR.
    - DOUTOR O SENHOR NÃO ESTA ENTENDENDO..
    - QUEM NÃO ESTÁ ENTENDENDO É VOCÊ. ESTOU TENTANDO DORMIR E VOCÊ FICA ENCHENDO O SACO. JÁ DISSE QUE MAIS TARDE, OU QUEM SABE AMANHÃ EU PASSO AÍ.. DESLIGA O TELEFONE E QUANDO ESTÁ SE AJEITANDO PARA DORMIR O TELEFONE VOLTA A TOCAR E ELE LEVANTA P…, JÁ PARA EXPLODIR
    - DOUTOR EU ESTAVA COMEMORANDO O PRÊMIO DA MEGA SENA QUE EU GANHEI, QUANDO O DONO DO BAR CHAMOU A POLÍCIA…
    - MEU FILHO, VOCÊ É INOCENTE, FIQUE CALADO, NÃO DIGA MAIS NADA…ME DIGA ONDE VOCÊ ESTÁ..

  • Tem um aspecto que está sendo ignorado pela turma da “esquerda” : todo Homer tem o direito de querer ser Homer. O único problema é que nosso governo faz de tudo para a população ser formada por Homers. Todos devem ter acesso as oportunidades para não serem Homers, se assim o quiserem. Mas temos de respeitar os Homers por opção. Parece que é isso é difícil para a cabeça dos Homers confusos em frente ao espelho. Pena que não dá p desenhar.

  • a burguesia fede, a burguesia quer ficar rica,

    enquanto hover burguesia,

    não,

    não vai haver proesia.

  • “PLim, PLlim”…….heheh….e viva os 40 anos do JN.
    hehe…eu adoro as pessoas aqui se “matando” como se seus comentários fossem alterar alguma coisa na história desse país….ai meu Deus….comentar sim,mas brigar, discutir, ferir a ideologia alheia….já é muito pra mim !!!….

  • O texto do Laurindo Lalo Leal Filho é muito bom. Já o havia lido tempestivamente.

    Já os fãs de Reinaldo Azevedo que me desculpem, mas este cara faz parte do esgoto do jornalismo (palavras de Nassif). Cheio de ódio. Mistura mentiras com verdades, colocando tudo no mesmo balaio para parecer tudo verdade.Sem falar na delonga.
    Se finge de intelectual. É só assistir suas passagens no Roda Viva, ao vivo. O cara, além de reaça, é altamente desonesto, do ponto de vista intelectual.

    Já a Globo. Fala sério. Bonner é da escola Kameliana (Ali Kamel). Querem impor para sociedade suas convicções. Querem dizer para a sociedade o que nós devemos pensar…

    Isso é muito grave. Eles querem impor a Agenda Política nacional. O que se pode ou não discutir.

    Eles odeiam a internet. Odeiam a possibilidade de qualquer perrapado poder, pela web, conhecer o mundo. Ter contato em tempo real com a imprensa estrangeira.

    Antes só eles podiam nos dizer o que acontece fora da nossa província. Eles eram os donos da janela pela qual os brasileiros podiam:

    1) Falar com outros brasileiros (em larga escala);
    2) Ler a imprensa estrangeira;
    3) Interagir com pessoas de outros paises. Saber como funciona outros Estados. Regras, legislações e etc.

    A única verdade que tinhamos acesso era a verdade deles.
    Com a web, isso acabou. No entanto, de quando em vez, os seguidores de Bonner vêm aqui pedirem para fechar o Blog.

    Nunca pediram para não renovar a CONCESSÃO da Globo, mas querem fechar um blog… Esse pensamento, seja de direita ou de esquerda é reacionário, conservador e desonesto.

    Por último, gostaria de indicar essa entrevista de Ali Kamel ao Instituto Millenium, onde nas entrelinhas ele demonstra a incapacidade de lidar com a internet, e diante disso, reprova o uso dado atualmente. Retrocesso puro.
    http://www.imil.org.br/artigos/copyright/

    • Concordo contigo Carlos.

      Não é à toa que o JN tem sua audiência em queda, que o Fantástico está nos seus piores dias e as manhãs da Globo já não são as mesmas há tempos.

      ************

      Quanto à visão romântica que Bonner e Reinaldo tentam dar ao Homer, por favor, é uma saída estúpida. Não conheço uma pessoa sequer que ficaria feliz de ser comparada a este personagem (um cara legal, mas idiota!).

  • Alias, o Acerto de Contas poderia postar aqui a matéria, vai dar uma ótima discussão.
    Seria melhor que não existisse aquilo que você não pode controlar…é isso? É o que a Globo pensa…

  • embora eu não goste muito da Globo, eu não esperaria uma reportagem diferente da Carta Capital sobre essa rede.

  • [...] Bonner, o famoso âncora do Jornal nacional, disse certa vez que edita as matérias do jornal para que o público médio entenda. Ele chamou a figura desse [...]

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).