Os iranianos e israelenses que querem a paz versus militares

abr 12, 2012 by     39 Comentários    Postado em: Artigos e Análises

ira x israel

Por Robson Fernando de Souza
para o Acerto de Contas

Uma notícia comovente marcou a semana passada entre israelenses e iranianos: pessoas das duas nacionalidades trocaram mensagens de paz e simpatia mútua, mostrando que não querem nenhuma guerra e rejeitam as hostilidades que vêm crescendo entre os Estados de Israel (compadreado pelos EUA) e Irã. Por outro lado, as máquinas militares de cada Estado se esquentam, com soldados coagidos pela disciplina robótica imposta e pelo medo de punições severíssimas.

É evidente nesse e em tantos outros casos que as vontades do Estado e de sua máquina armada são distintas dos povos governados – isso quando a mídia que apadrinha o primeiro não manipula o suficiente a opinião pública para fazê-la artificialmente apoiar a “opção” do conflito armado. A população diz não à guerra, à ação assassina das forças armadas, mas estas não querem nem saber. Afinal, democracia – seja ela em sua versão faz-de-conta baseada em eleições, partidos e representatividade, seja aquela em que o poder realmente é do povo – e corpo militar excluem-se mutuamente.

Os civis, parcialmente livres, demonstram que não têm absolutamente nada contra os estrangeiros que seu Estado ameaça de morte. Que não há qualquer razão objetiva para que os israelenses declarem ódio aos iranianos e vice-versa, que os dois povos se matem um ao outro. Já os militares, encoleirados pela disciplina casernal e pelo medo, lavados em seu cérebro pela ideologia interna totalitária defendida pelos “superiores”, nada podem opinar. Só podem obedecer cegamente às ordens de ferir e matar seres humanos.

Ai daquele que ousar fazer qualquer objeção dentro da caserna: será preso ou mesmo executado por insubordinação. Se cometer o “grave crime” de defender que os soldados das tropas consideradas “inimigas” não são pessoas ruins, que seu grande “pecado” é ser forçados a obedecer às ditas “ordens superiores”, e não merecem morrer, será punido com todo o rigor de uma lei fascista que distingue militares de civis como sujeitos morais e provê aos primeiros direitos de mentirinha e totalitários deveres.

Se o soldado israelense defender os direitos dos iranianos à vida e à paz, criticar o ultradireitismo beligerante e genocida do governo que o controla e se negar eticamente a ir a uma guerra que ele considera – com razão – desnecessária, será cruelmente castigado. O mesmo acontecerá ao subordinado iraniano que se recusa a apoiar o confronto armado entre as duas nações e considera Ahmadinejad um louco que não aceita a paz como solução para a humanidade.

O mesmo acontece quando o assunto do dia é uma dissensão entre diplomatas. Em última análise, se o cônsul de um país xinga o do outro, a ofensa pessoal se torna motivo para os robotizados soldados já serem prontamente armados e comandados a estar a postos para sair matando milhares de seres humanos que não têm nada a ver com a rusga entre os diplomatas. Quem discordar, “leva fumo” de uma das piores maneiras possíveis.

A humanidade, a racionalidade, o discernimento, a ética, tudo isso que poderia impedir que um Estado entrasse em confronto armado com o outro, é violentamente reprimido dentro do quartel. Prevalecem, ao invés, a obediência robótica – pior do que a obediência canina, porque nesta o cão pelo menos “corre o risco” de não atender imediatamente ao que o seu tutor ordena e nem por isso ser punido –, a irracionalidade, a automatização maliciosa do ser humano – este encoleirado a um “controle remoto” baseado na disciplina militar e no medo de ser humilhado, desonrado e confinado numa prisão.

A troca de amistosidades entre os dois povos, a simultânea surdez dos cruéis exércitos ante a população civil e a mãodeférrica censura interna de qualquer posicionamento dos indivíduos militares em favor da paz torna a vontade (?) das forças armadas – e, por tabela, dos Estados que controlam os soldados e os oficiais e governam o povo civil – totalmente distinta da vontade popular. E realça fortemente que as Forças Armadas não servem ao povo, ao interesse popular, e sim aos interesses privados, muitas vezes movidos por puro lunatismo e/ou ganância econômica, de governantes mal intencionados, seja nas ditaduras, seja nas “democracias liberais”.

O fato referido fortalece a convicção de que forças armadas mais Estados interesseiros e povo mais democracia excluem-se mutuamente.

39 Comentários + Add Comentário

  • O governo iraniano e ditatarial, nao importa o que eles digam. Tenho alguns amigos iranianos e conversando sobre esse assunto com eles, ficou claro de que a sociedade nao concorda com o governo e sofre bastante com as consequencias dos atos insanos de seu governo. Essa guerra e entre dois governos e nao dois povos.

    • entendi. vc conversou com alguns iranianos e teve isso como a opinião geral da população. ah tá.

    • Com toda certeza. Entre dois Estados insanos, e não entre dois povos, que se respeitam.

  • ” Já os militares, encoleirados pela disciplina casernal e pelo medo, lavados em seu cérebro pela ideologia interna totalitária defendida pelos “superiores”, nada podem opinar. Só podem obedecer cegamente às ordens de ferir e matar seres humanos.”

    Estranho seria se fosse diferente. Seria razoável cada soldado de um exército viver a questionar decisões de governos eleitos? Na América Latina, ao longo do século XX, militares viviam questionando governos civis eleitos ; o resultado não foi muito bom.

    Além do mais, esse artigo é pra lá de tendencioso, chama de “ultradireitista” um governo conservador comum (defender uma ação bélica não é elemento de classificação, governos de direita e de esquerda já optaram por isso).

    Além disso, desconsidera que a maioria da população israelense apoio a ideia de um ataque preventivo ao Irã, não por ódio irracional aos persas, mas… pelo evidente perigo representado pelo avança nas técnicas de processamento de urânio em um Estado que diz abertamente ao mundo inteiro que deseja “DESTRUIR” Israel.

    Para alguns, a Democracia só é boa quando convém. Se o governo de plantão não se enquadra em sua cartilhinha ideológica, então a Democracia é um “joco de cartas marcadas”, uma “democracia de faz de contas”, onde o povo é “manipulado pela mídia” etc. etc. etc.

    Lamentável.

    • SÓ PRA CONCLUIR…

      Na minha opinião, Israel etacará o Irã em, no máximo, um ano. Se fosse apostar, apostaria em dezembro desse ano. Para mim, ninguém pode censurar os israelenses por isso. Eles têm razões bem objetivas para fazer o que farão.

      • Interessante. E os muçulmamos não têm “razões objetivas” pra detestar Israel, país que foi “plantado” em terras árabes pelas potências ocidentais?

        • Não têm nenhum razão, Martins. Assim como os nossos índios não têm razão para odiar você e seus avós, por criarem um Estado-luso brasileiro na terra dos ancestrais deles.

          O Irão nem é um país árabe…. nada haver….

        • … é fácil falar mal da colonização alheia…. como se diz por aí : “… no dos outros é refresco.”

        • Israel foi criado em 1948. Há 64 anos, portanto.

          O Brasil foi descoberto em 1500.

          Em 1564, os índios tinham sim “razões objetivas” pra odiar os portugueses, holandeses, espanhóis etc que tomavam suas terras.

          512 anos depois, é claro que não têm mais.

          Comparação estapafúrdia.

        • Então é isso? É tudo uma questão de tempo?

          Nesse caso, basta os israelenses sustentarem a situação atual por mais uns trezentos anos (como aliás, fizeram os lusitanos) para tudo entrar nos eixos.

          Pois é isso mesmo que irá acontecer. Pois, por mais que os palestinos (só os palestnos, porque para os demais árabes e muçulmanos, a questão não passa de bla bla bla retórico e desculpa esfarrapada para seus fracassos), ninguém pode esperar que um país consolidado como Israel (a independência de Israel ocorreu em 1948, mas a comunidade israelita vive organizadamento por lá há cerca de cem anos, desde o início do sionismo internacional, em fins do século XIX e início do século XX) aceite passivamente ser DESTRUÍDO e ter toda a sua população MORTA ou LANÇADA AO MAR, como bradam os árabes radicais, apenas para satisfazer o ódio alheio – justificável ou não.

        • Não é “independência” de Israel.

          É “criação” de Israel.

          Rapaz, o negócio ali é complicado demais pra ser analisado em opiniões simplistas como as que estamos escrevendo aqui.

        • É martins o “jovem destemido” anime foi abduzido. Imagino que ele nao saiba que aproximadamente 30 mil judeus vivam no Irao, e sao bem tratados e suas sinagogas respeitadas, também imagino que ele nao saiba o que é fronteira Pré e pós. Também Imagino que ele nao saiba que o “DESTRUIR” que ele alude foi uma tradução errada dos termos que o mundo, sei lá qual, adora por na boca de Ahmadinejad “varrer” “mapa” “Israel” que ele jamais proferiu. Pode ter sido uma tradução tendenciosa? Nao se tem certeza, porém quando foram corrigir o estrago já estava feito, e muita gente até hoje acredita que ele usou tais termos. Devemos respeitar os 4 únicos estados teocráticos do planeta (Irao israel saudi arabya e Vaticano) mas nao precisamos, pelo bem do planeta, manifestar-nos em prol de beligerância. Uma pequena pesquisa no pode nos levar, nao defendo o Sr Ahmadinejad, ao vídeo de 2005 em que ele se pronuncia em Persa. achei também um POST interessante que pode ajudar:

          http://strassers.wordpress.com/2010/01/31/did-ahmadinejad-really-say-he-wished-to-wipe-israel-off-the-map/

          Respeito é bom, todos gostam, soberania nacional é essencial para a paz.

          Shalom aleikhem

    • Yusuke, falou e disse. O artigo é obviamente tendêncioso.

      Israel, mesmo atacando, visa se defender. Certo ou errado é algo “justificável” sobre alguns pontos de vista (que podem ser discutidos a exaustão)

      Mas aqui vale uma pergunta: Porque não atacam a Síria, o Sudão ou a Venezuela? SIMPLES: não oferecem qualquer perigo.

      O problema TODO dessa equação não são as forças ditas opressoras, mas os fatores de desequilíbrio destas forças:
      1. Poder demasiadamente belicoso de Israel
      2. Senhor Ahmadinejad (O amigo de Lula)

  • Robson, não existe isso de que democracia não pode ter forças armadas.

    Num mundo como o que vivemos, seria completa sandice um país que se preze não ter forças armadas.

    Vivemos hoje no mundo praticamente uma situação de Guerra Fria. As tensões estão aumentando muito pelo mundo. A Coréia do Norte já tem mísseis apontados para o ocidente e basta aquele playboyzinho maluco filho do ditador da Coréia acordar de mau humor… e sabe deus o que pode acontecer.

    Esse papo que vivemos hoje num mundo mais civilizado, mais humano, mais educado, mais diplomático é tudo balela. Com as armas poderosíssimas que existem hoje, uma guerra mundial acaba com o planeta em questão de poucos dias.

  • “Afinal, democracia – seja ela em sua versão faz-de-conta baseada em eleições, partidos e representatividade, seja aquela em que o poder realmente é do povo – e corpo militar excluem-se mutuamente.”

    Já li muita asneira na web, mas não paro de me surpreender. O que deveríamos então ter feito com o Eixo e suas ambições de dominação global? Chamado Hitler, Hiroito e Mussolini para uma cervejada? Um abraço coletivo? Dizer que essa história de eliminar as raças inferiores não tá com nada?

    PelamordeDeus!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    • Daniel,

      o pior é que antes da Segunda Guerram os países europeus até tentaram algo parecido… mas… infelizmente, nem sempre a guerra é uma escolha.

      Para um país como Israel – cercado por 22 países inimigos, que juram destruí-lo e têm, juntos, uma população mais de vinte vezes superior à sua -, pussuir forças armadas fortes, equipadas e bem treinadas não é uma escolha. É simples questão de bom senso.

      A para os que atribuem o suposto “belicismo” isrealense à “extrema direita”, lembro que das cinco guerras clássicas (entre exércitos) das quais Israel participou, quatro foram desencadeadas no período de governos de esquerda. Coalizaões de esquerda governaram Israel por trinta anos seguidos, desde a sua independência, em 1948.

  • Esse tal de robson só pode tá de brincadeira.

  • “Ai daquele que ousar fazer qualquer objeção dentro da caserna: será preso ou mesmo executado por insubordinação.”

    Aprendi a desconfiar de dados e informações passadas pelos esquerdopatas. Um das especialidades dessa gente é criar dados (na cara dura mesmo), estatísticas e fatos. Fui então verificar quantos soldados israelenses foram executados pelo governo por insubordinação. Na verdade não achei nenhum caso na net. Se alguém encontrar algo, favor postar.

    PS – Quanto ao militar ser preso por insubordinação, isso acontece em qualquer força armada do mundo.

  • Robson sempre escreve textos abobalhados, mas dessa vez ele se superou!!!

  • Como todos sabem, Israel é o único estado da região que não assinou o TNP(tratado de não
    proliferação) de armas nucleares. Talvez um Irão nuclear traga estabilidade para a região.

    Vejamos o que sucede se apenas Israel continua a ter armas nucleares:

    Os chefes das delegações europeias em Ramala e Jerusalém advertiram Bruxelas de que está se fechando rapidamente a possibilidade de uma solução de dois Estados ao conflito entre israelenses e palestinos, devido à progressiva apropriação da Área C da Cisjordânia por Israel.
    Em um documento interno elaborado pelos cônsules e diplomatas europeus ao qual a Agência Efe teve acesso, são sugeridas diversas medidas para que a União Europeia (UE) “apoie os esforços de construção estatal palestina” nessa área, que compreende 62% do território palestino ocupado da Cisjordânia e que os israelenses “estão progressivamente integrando a Israel”.
    O relatório, elaborado em julho e apresentado em Bruxelas em dezembro, aponta que através de medidas administrativas e de planejamento urbano Israel “mina a presença palestina na Área C”, uma tendência que “piorou no último ano e que, se não for interrompida e corrigida, tornará mais remoto do que nunca o estabelecimento de um Estado palestino viável nas fronteiras anteriores a 1967″.
    Para isso, propõe estimular Israel a mudar sua política e ajudar a reduzir a vulnerabilidade da terra e da população, oferecer uma melhor coordenação do acesso a necessidades básicas, promover o desenvolvimento econômico e melhorar a ação humanitária e de desenvolvimento na Área C.
    Os acordos de paz de Oslo (1993) dividiram a Cisjordânia em três zonas: a C, na que Israel exerce absoluto controle administrativo e de segurança; a B, que compõe 20% do território cisjordaniano e na qual o Estado judeu tem o controle da segurança, e A (18% do território), governada pelos palestinos.
    A Área C é o único território contínuo e comunica as localidades isoladas das zonas A e B, nas quais residem 96% da população, motivo pelo qual sem ela os palestinos nunca teriam um Estado geograficamente viável e se veriam reclusos em uma série de pontos isolados.
    O relatório europeu descreve em detalhes como Israel comete múltiplas violações da legislação internacional nessa área, entre elas a expulsão forçada dos palestinos, a demolição de suas casas e edifícios públicos, a proibição da construção e a restrição de seu acesso a grandes áreas.
    O Exército israelense também impede o desenvolvimento de infraestruturas necessárias para o desenvolvimento e incentiva e financia o estabelecimento de colonos na região, que cada vez são mais violentos e perpetram mais ataques contra a população local, segundo o documento.
    Para contornar a situação, os diplomatas europeus pedem que “se persiga em nível político” a reclassificação de partes da Área C como A e B.
    Também demandam que sejam realizadas ações como “pedir uma cessação imediata das demolições até que os palestinos tenham acesso a um planejamento justo e não discriminatório”, além de “apoiar a presença palestina oferecendo acesso à água potável, alimentos e apoio psicossocial

  • No caso de Israel, possuir armas nucleares é um fator de equilíbrio. Israel é um pequeno país, menor do que o estado de Sergipe, cercado por mais de vinte países, com mais de vinte vezes o número de sua população, interessados em DESTRUÍ-LO. Se não detivesse o poderio militar que detém, já teria sido varrido do mapa.

    Deter superioridade militar impede os vizinhos raivosos de dar vazão a seus ódios e, com o tempo, acaba por persuadir algus deles a ajustar uma paz razoável – como já ocorreu com o Egito e com a Jordânia.

    • Como se Israel fosse o Bem e os outros o Mal.

      • O fato de Israel ser o mais forte impede a região de mergulhar numa guerra total, de destruição. Isso é fato. Os árabes desejam destruir Israel, as ogivas nucleares israelenses freiam essas pretensões e, ainda, em alguns casos, “estimulam” Estados árebes a negociarem uma paz razoável.

        Acredita-se que Israel armazena asmamento nuclear há mais de vinte anos, pelo menos, e nunca lançou um deles sequer. A função dessas armas é persuasiva. Alguém imagina como seria se fosse o contrário, se o Irão tivesse armas nucleares e Israel fosse o lado mais fraco?

        • O Paquistão e a Índia têm armas nucleares e nunca usaram.

          O mesmo vale pra todos os países nucleares do mundo, exceto os EUA.

        • Da fato. Por isso não são molestados pela AIEA. A comunidade internacional os tolera. Mas, com o Irão e seus aiatolás doidões, cheiradores de achixe, a história é outra… Note que não são apenas EUA e Israel que pressionam contra o programa nuclear iraniano, mas… todos os Estados civilizados do mundo. Quem apoia o Irã são Estados delinquentes, como Síria e Rússia…..

        • Quanto maniqueísmo.

          De um lado, os “civilizados”.

          Do outro, os “delinquentes”.

          Ridículo.

  • Voo de Gagárin: ONU comemora o Dia Internacional do Voo Espacial

    Cosmonautas e cientistas celebram a data nesta quinta-feira (12), na sede da ONU em Nova York; há 50 anos, o cosmonauta soviético Iúri Gagarin, realizou a primeira viagem ao espaço.

  • Faz parte da ladainha esquerdopata, principalmente na América Latina, o discurso antiamericanista, atribuindo aos Estados Unidos todos os males do mundo moderno. Dentre as alternativas de potências imperiais que surgiram e continuam a surgir nesse século XX, como a União Soviética e a China, não tenho dúvida que a melhor opção continua a ser, sobre todos os aspectos, o bom e velho Tio Sam.

    Serei acusado, mais uma vez na ladainha esquerdista, de capacho dos Estados Unidos, colonizado, e outros adjetivos que procurarão ofender inclusive a minha masculinidade e honra. É curioso que essas acusações parta de pessoas que viram na URSS um modelo de sociedade ideal e continuam a cortejar e enaltecer as mais cruéis ditaduras do mundo do hoje (exemplos de Cuba e Venezuela). Mais curioso ainda é que nenhum desses arautos antiamericanos querem se estabelecer e residir nas nações que utilizam como exemplo de justiça social.
    Essa introdução se faz necessária já que tratarei de tema, apesar de muito discutido, ainda bastante polêmico: o lançamento das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki. Tentarei levantar aqui algumas questões para reflexão sobre o tema.

    1. O Expansionismo Imperial Japonês

    O Japão da primeira metade do século passado era governado por um imperador visto pelo seu povo como um deus vivo. Assim, seguiram cegamente o plano expansionista, militarista, imperialista e racista de Hiroito. Racista sim, pois assim como os alemães, havia a crença generalizada na superioridade racial japonesa diante das outras “sub-raças” orientais. Assim, antes da guerra estourar o Japão já havia invadido a Coréia, Taiwan (então pertencente a China), o leste da China continental e as Filipinas.
    Todas essas conquistas territoriais foram feitas a custa de muito sangue, inclusive de civis. Fala-se muito das atrocidades nazistas nos países ocupados da Europa mas pouco se comenta sobre os crimes cometidos pelos exércitos de ocupação japonesa. Lembrem-se do Massacre de Nanquim quando, segundo estimativas conservadoras, o exército imperial japonês matou em seis semanas de ocupação aproximadamente 200.000 a 300.000 pessoas. Não estamos falando de mortes em combate e sim execuções, torturas e decapitações. Sem contar outras centenas de milhares de mulheres que foram estupradas na frente de seus familiares e/ou levadas como escravas sexuais.
    Diante de tudo isso vimos manifestações de repulsa do povo japonês? Protestos contra essas atrocidades? Pelo contrário, esse povo exultava diante das conquistas gloriosas do seu Deus-Imperador.

    2. Quem começou?

    A Liga das Nações condenou e exigiu do Japão a libertação dos territórios ocupados. A resposta do Japão foi retirar-se dessa organização e aliar-se à Itália e Alemanha, formando o Eixo. Em resposta a política expansionista japonesa, que ameaça os interesses econômicos norte-americanos na região, os Estados Unidos declaram embargo de metais e petróleo ao Japão (80% do petróleo japonês vinha dos Estados Unidos). Enquanto os dois países aparentemente negociavam uma saída para a crise o Japão organizava seu ataque a base naval de Pearl Harbor, no Hawaí, que concretizou-se no dia 7 de dezembro de 1941. Portanto, o primeiro ato de violência partiu claramente do governo imperial japonês.

    3. Kamikaze

    Quando a guerra já estava irremediavelmente perdida para o Japão, este continuava a lançar seus jovens em ataques suicidas contra as tropas americanas. Era o velho espírito samurai,de não aceitar a derrota e a rendição como opções. Um exemplo que todos conhecem é a dos pilotos Kamikazes, que jogavam seus aviões contra as embarcações norte-americanas, causando muitos estragos, é verdade, mas sem em nada alterar o rumo da guerra. Fato que qualquer estudioso da Grande Guerra conhece é o desprezo que os japoneses nutriam pelos seus pares que se deixavam aprisionar. Os prisioneiros que os aliados fizeram no oriente eram vistos como traidores que não foram capaz de lutar até a morte pelo imperador. Falando em prisioneiros….

    4. Holocausto Japonês

    Historiadores hoje calculam entre 20 e 30 milhões o número de filipinos, malaios, vietnamitas cambojanos, bumeses e indonésios assassinados pelas tropas japonesas, e mais 23 milhões de chineses étnicos. A pilhagem sobre os territórios ocupados e o número de vítimas faz com que o japão se iguale e até, ousaria falar, supere em crueldade os regimes nazistas. Torturas, experiências com seres humanos, estupros em massa e outros atos hediondos não são, de forma nenhuma, exclusividade dos nazistas. Parece que a bomba atômica expurgou todos os pecados japoneses.
    O governo japonês fala em alguns excessos cometidos pela tropa mas nunca fez um pedido formal de desculpa aos países e povos arrasados.

    5. A Bomba Economizou Vidas

    Para muita gente o lançamento das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki não passou de um ato de intimidação contra os soviéticos. Assim, o povo japonês não passou de cobaia e exemplo do poderio militar americano. Os que defendem essa ideia, afirmam que a rendição do Japão, agora sozinho no conflito, era apenas uma questão de tempo. Que as autoridades japonesas estavam dispostas a negociar uma rendição.
    Afirmações como estas só podem ser atribuídas a mentes criativas ou doentes, que com mentiras procuram justificar a todo custo suas teses. Desafio qualquer um a demonstrar uma afirmação, um sinal, por menor que seja, de que as autoridades japonesas estavam dispostas a negociar a rendição. O que se via era um governo, e um povo, que a medida que a guerra avançava sobre “o solo sagrado do Japão”, lutavam cada vez mais obstinadamente (para não utilizar o termo fanaticamente). A partir de 1944, por exemplo, jovens que formavam a elite dos aviadores japoneses começaram a se lançar como bombas humanas, no que foi chamado de ataque Kamikaze. Recusar-se a defender com a vida o “Império do Sol Nascente” levava a uma inevitável pena de morte e o pior, a desonra completa do indivíduo e da família.
    As batalhas de Iwo Jima e Okinawa são exemplos claro do que aconteceria se os soldados americanos tentassem a invasão do Japão por meios convencionais. Especialistas americanos calcularam, na época, entre 500.000 e 1.000.000 o número de soldados americanos mortos nessa empreitada. Imaginemos então o número de vítimas no lado nipônico. Os planejadores mais otimistas das forças armadas americanas calculavam que sema bomba a guerra não terminaria antes de 1947, ou seja, estendendo-se no mínimo por mais dois anos.

    Uma conjetura agora é possivel: e se Truman não tivesse autorizado o lançamento da bomba? Acredito que esses mesmos que hoje o demonizam iriam culpá-lo por ter em mãos uma arma que poderia encerrar rapidamente o conflito, poupando milhões de vida, de não querer utilizá-la por pura perversidade ou vontade de ver um Japão completamente coberto de cinzas e cadáveres.

    • Pois é, Daniel.

      Mas o objetivo mesmo foi dizer para o mundo, especialmente para Stalin: “Tremei. Temos a bomba e não hesitamos em usá-la”.

  • resumindo…..prefiro a bomba com os EUA e o mundo livre.

    • Mundo Livre S/A.

  • Que textinho pobre, fala mal dos EUA de graça, chama os militares de cachorros, versa sobre um assunto que não conhece (isso está claro no texto), e ainda tem o Martins para comentar positivamente o texto dando exemplos de fatos que aconteceram a mais de 500 anos.

    O nível do blog está caindo muito de qualidade, nunca ví um texto tão ruim.

  • Chico,

    o próprio Martins reconheceu que o texto aí é pra lá de “abobalhado”.

    Uhauhauhauhauhauhauhauha!!!!!!

    Acho que o Robson aí escreveu isso depois de umas das lapadas de Pitú!!!

  • Eu, comentando positivamente o texto?

    Nem a pau!!!

  • Parabéns Robsón, mantendo a regularidade, mais um pífio texto, o selo da casa (sua não do AC).

  • Ele conseguiu fazer eu e o Martins concordarmos em algo.

    Uhauhauhauhauha!!!!!

    Textinho bizonho…. parece redação de aluno de quinta série….

    • Também concordo com sua relativização das críticas à gestão João da Costa, Yusuke (no outro post).

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).