Os passos de Pereira: nos trilhos da modernização

jan 3, 2008 by     7 Comentários    Postado em: Artigos e Análises

Pereira Passos
Pereira Passos

Hoje (3) completam 105 anos que assumiu o cargo de prefeito do Distrito Federal da Cidade do Rio de Janeiro, Pereira Passos. Fora nomeado em 30 de dezembro de 1902.

O principal propósito de Passos: extirpar da cidade a fedentina, os velhos hábitos sebosos e atingir um nível de salubridade tal que aproximasse a cidade da “civilização”. O modelo eleito? A “bela e evoluída” França da Belle Époque.

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Cortiço no Rio de Janeiro no começo do século XX

O Rio de Janeiro fedia. Era uma cidade infectada por doenças provenientes da falta de salubridade, no geral, infecto-contagiosa, ou transmitida por insetos que se proliferavam na imundície da cidade.

Para atingir esta meta, Pereira Passos decretou uma série de leis.

Proibiu que se cuspisse dentro de bondes; que se disponibilizassem escarradeiras para o povo nas repartições públicas; proibiu que se ordenhassem vacas leiteiras nas vias públicas; proibiu a mendicância; determinou a instalação de mictórios públicos em vários pontos da cidade para evitar a mijadeira nas ruas; em substituição às imundas vielas coloniais e dos cortiços, decidira construir largas avenidas e ruas; terrenos baldios usados como depósitos de lixo dariam lugar a praças arborizadas.

Avenida Central
Avenida Central, no Rio de Janeiro, co prédios em fase de conclusão das obras
vista do Pão de Açúcar ao fundo

Um dos atos mais contundentes de Passos, no entanto, foi a determinação da demolição de todos os imóveis existentes em locais definidos para a execução de novas obras.

E era assim: se o proprietário acordasse com um aviso de desapropriação na sua porta, estava lascado: poderia chorar ao Papa! pois deveria sair dali o mais rápido possível.

Destes atos, uma cidade renovada iria emergir da podridão. As ondas de modernização tomavam conta do ideário à época.

Bonde na Avenida Marechal Floriano
Bonde na Avenida Marechal Floriano, Rio de janeiro

Recife também não saiu ilesa. Tivemos nosso “Bota-abaixo” aqui também. As autoridades públicas de cá também se valeram de tais influências europeizantes para levar adiante os melhoramentos e “embelezamentos” da cidade. Em 1909, fora criada a Comissão de Saneamento, sob a responsabilidade do engenheiro Saturnino Rodrigues de Brito, o mesmo que empreendeu as reformas no Porto de Santos

Neste contexto de “salvação” da cidade das epidemias que sondavam a saúde pública ou já se alastravam pela cidade, deu-se início a uma série de projetos de reforma urbana e modernização da cidade na primeira década do século XX, priorizando-se as reformas do Porto e do Bairro do Recife. (leia mais clicando aqui)

No entanto, no Recife de ainda hoje, a fedentina e a insalubridade tomam conta da cidade. Quem anda nas vias do centro sabe disso. Aliás, nem precisa andar, basta enxergar e sentir o cheiro.

Mijão

“Em Recife, na falta de latrina/ em cada esquina uma urina…” Dizia os versos de uma crítica entoada nos carnavais de ruas da cidade no começo do século passado. Um século depois, a crítica ainda está viva.

Mais que apenas determinar um novo “bota-abaixo” em Recife, acredito que só com educação pública de qualidade se poderia revitalizar a cidade, através do aprofundamento do sentimento de civilidade e difusão da cidadania na população, que, no geral, não preza nem um pouco pela cidade.

“Recifede” não é um apelido infundado para nossa cidade, que ainda chafurda na fedentina das esquinas urinadas e nos amontoados de lixo que voam nas vias públicas.

7 Comentários + Add Comentário

  • Se o próximo prefeito do Recife não for JOÃO PEQUENO, que promete continuar o (des)governo de JOÃO PAI, sugiro que procure resgatar a salubridade de nossa cidade, a começar pelo centro, que está abandonado há oito anos. Esses caras não tem vergonha quando circulam na sete de setembro, hospício e adjacências, santo antonio , são josé? ou eles não circulam e não querem nem saber? eles se lembram como era antes, de Gilberto Marques Paulo até Roberto Magalhães, passando por Jarbas?
    Que se incorpore o espírito de PEREIRA PASSOS, se rasgue santo amaro, coque, urbanise-se as favelas.

  • Ô Ronaldo, vc é piadista, é?
    Desde quando os incompetentes prefeitos, citados por vc, se preocuparam com salubridade nas áreas centrais da cidade?
    Essa gente nem sabe o que significa salubridade, meu caro fenômeno.
    Na verdade, subjacente ao bota abaixo, que vem do final do século XIX até hoje, sempre existiu a justificativa da busca da eficência e da valorização e neste sentido, pergunte-se se seus idolos conseguiram algo razoável. Não, meu velho, só choro e ranger de dentes.

  • Claro que Pereira Passos, teve seus méritos e demeritos, mais se ele volta-se no tempo. Qual séria sua avaliação sobre o alcaide César Maia?
    Seria péssima, pois as ruas do Rio de Janeiro, a noite é igual antigos Cortiços, mais com ares de cortiços do século XXI. Com a higiene habitual, violência e a sepação de moradia miseráveis por papelão. Logo no local de onde ele tirou os cortiços, para erguer uma nova cidade, que vergonha, tanto dinheiro gasto por nada. Estamos no século XXi ou no Início do século XIX.

  • [...] Um bonde na avenida Marechal Floriano, no Rio de Janeiro [...]

  • Claro que Pereira Passos, teve seus méritos e demeritos, mais se ele volta-se no tempo. Qual séria sua avaliação sobre o alcaide César Maia?
    Seria péssima, pois as ruas do Rio de Janeiro, a noite é igual antigos Cortiços, mais com ares de cortiços do século XXI. Violência e a sepação de moradia miseráveis por papelão. Logo no local de onde ele tirou os cortiços, para erguer uma nova cidade, que vergonha, tanto dinheiro gasto por nada. Estamos no século XXi ou no Início do século XIX.

  • Pereira Passos foi um homem a frente do seu tempo. Se errou ou acertou está no ponto de vista de cada um Carioca. Atribuir a favelização da cidade ao prefeito perreira Passos é leviasno; compara-lo ao prefeito Cesar Maia é como comparar Pelé a Birobiro.
    Franciso Pereira Passos dedicou toda sua vida em busca de melhorias sociais, não só para o povo do Rio, e sim, para todos os brasileiros.
    Espero que o Brasil desse século produza Homens com espirito e sabedoria do “Chico passo” – Palavras do meu avô

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).