Tempo de rádio e TV favorecem ataque à gestão

abr 10, 2012 by     4 Comentários    Postado em: Artigos e Análises

image

Por Maurício Romão
para o Acerto de Contas

A prevalecerem as configurações constantes da Tabela que acompanha o texto (vide logo abaixo fundamentação que embasou os cálculos), a situação – assim chamada a aliança encabeçada pelo PT – composta por 10 partidos, teria um tempo de rádio e TV de 8 minutos e 28,8 segundos para defender a gestão atual do município e lançar propostas de avanços.

Pelo alinhamento político com o governo estadual, a fração de tempo igualitária do PSD se deve somar ao tempo total desse conjunto de partidos. Assim, a dita situação ficaria com um total de 9 minutos e 35,5 segundos.

A oposição (PMDB + PPS + PMN, DEM e PSDB), dividida em três candidaturas, teria um apreciável tempo de 10 minutos e 44,6 segundos de horário disponível no rádio e TV, cerca de 1 minuto e 9 segundos a mais que a situação. A oposição possivelmente usará seu tempo total para criticar a chafurdação da pré-campanha petista, que culminou com o instituto das prévias, criticar a administração da capital, e apresentar propostas de mudanças.

Lideranças do bloco alternativo, encabeçado pelo PTB, têm reafirmado a disposição de lançar candidato ao pleito do Recife, qualquer que seja o vencedor das prévias petistas entre os dois postulantes já declarados. Se este for realmente o caso, então podem ser contabilizados 6 minutos e 13,1 segundos de horário eleitoral que, pelo que se tem visto até agora, serão utilizados contra a gestão do prefeito petista, reservando-se uma parte para apresentação de propostas de mudanças.

Considerem-se, ainda, o PSOL, o PSTU e o PCB, siglas mais idológicas, que não costumam aliviar suas contundentes críticas aos modelos de gestão prevalecentes, especialmente o do PT, na capital. Esses três partidos, que já lançaram pré-candidatos, dispõem de 3 minutos e meio de horário gratuito, grande parte dos quais deverá ser canalizada para apontar defeitos na administração do município.

Se esses cenários constitutivos de coligações e partidos isolados se materializarem, dos 30 minutos de rádio e TV disponíveis as agremiações que defenderiam a gestão do PT contariam com um pouco menos de 10 minutos, enquanto que os partidos e coligações contrários ao modelo de administração petista teriam um pouco mais de 20 minutos para os ataques.

O fiel da balança dessa divisão de tempo é, naturalmente, o bloco alternativo. Se ele não sustentar a candidatura independente que vem alardeando e se bandear para a o lado da defesa, leva mais de 6 minutos de reforço para aquela banda, ao passo que, se isso acontecer, a tropa de ataque míngua seu tempo na mesma proporção.

 

Metodologia para a construção dos cenários

propaganda

O tempo total à disposição dos partidos e coligações que concorrerão ao pleito de 2012 na cidade do Recife, mostrado na última coluna da Tabela que acompanha o texto*, é preliminar e estará sujeito a alterações até que se finalize o processo de definição de candidaturas para as eleições deste ano. Ademais:

(a) Levou-se em conta que todos os partidos com representação na Câmara Federal no pleito de 2010 (vide primeira coluna da Tabela e & 1º do inciso II, da Res. TSE nº 23.370/11) disputarão a eleição do Recife em 2012, seja com candidatura própria, seja através de apoio a candidaturas fruto de alianças;

(b) Os partidos com pré-candidaturas declaradas, que tenham representação na Câmara (PSD), ou não (PCB e PSTU), participam da divisão do tempo igualitário;

(c) As bancadas dos estados na Câmara Federal são aquelas empossadas em 2011 (o que, eventualmente, podem diferir das bancadas eleitas);

(d) As hipóteses sobre coligações constantes da primeira coluna da Tabela baseiam-se nos desdobramentos recentes do cenário político no município (prévias no PT, candidatura alternativa no seio do bloco de partidos liderado pelo PTB, e perspectiva provável da oposição disputar com três candidaturas). Naturalmente, quaisquer alterações nesses cenários envolvem novos cálculos de tempo de rádio e televisão para todos os partidos e coligações. Por exemplo, na hipótese de o PPS sair com candidatura própria, o tempo igualitário baixaria para exatos 60 segundos (1 minuto), alterando marginalmente o tempo total de todos os partidos e coligações. O próprio PPS ficaria com um tempo total de um minuto e 35 segundos.

(e) O PSD participa, na Tabela, apenas da fração do tempo igualitário, já que a legislação reza que o tempo proporcional deve ser distribuído somente entre as bancadas eleitas no último pleito, em 2010, ano no qual o PSD não existia (o TSE ainda vai pronunciar-se sobre isso).
__________________________
*A metodologia dos cálculos está detalhada em “Horário eleitoral gratuito: tempo disponível aos partidos na eleição de 2012, no Recife, disponível no blog do autor (http://mauricioromao.blog.br).

Maurício Costa Romão, Ph.D. em economia, é consultor da Contexto Estratégias Política e de Mercado, e do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau. mauricio-romao@uol.com.br, http://mauricioromao.blog.br.

4 Comentários + Add Comentário

  • Pierre, Bahé,

    Dá prá perguntar pq o Maurício Romão, arbitrariamente, nos colocou, ao PPS e ao PMN, com o PMDB ou ele tá sabendo algo que eu, nós todos dos dois partidos, não sabemos?!!

    E também pq ele deixou o DEM isolado?

    Antecipadamente grato!

    Abs,

    Raul Jungmann

    • Pensei que você fosse mais polido, Raul Belens Jungmann Pinto, nas suas considerações.

      Usar o termo “arbitrariamente” contra o Professor Mauricio Romão acho que foi um pouco demais.

      Tem nada não, já votei em você uma vez. Não vou errar de novo.

  • Amigo Raul:
    Grato por sua leitura e comentário. Observe que no item (d) da metodologia, faço a ressalva de que caso o PPS saia com candidatura própria, o partido teria um minuto e 35 segundos. Haveria apenas mudanças marginais nos tempos alocados para todos os partidos e coligações. Quanto à definição dos agrupamentos partidários ou de postulações isoladas, chamei à atenção, ainda no item (d) da metodologia, que eles se baseiam “nos desdobramentos recentes no cenário político do município” [...]. No âmbito da oposição, o quadro mudou repentinamente com a muito provável candidatura de Raulzinho. O PMN nunca postulou cabeça de chapa e sempre esteve ao lado do PPS, DEM, PMDB e PSDB. O PSDB já definiu candidato e se afastou do grupo. O DEM, a julgar pelas recentes declarações do presidente local, sairá com candidatura própria. O PPS lançou candidatura, mas com ressalvas, no dia do próprio lançamento. Então, baseado nesse contexto, pareceram-me mais lógicos os cenários colocados na tabela. Eles podem estar equivocados, é claro, até porque são cenários e assentam-se em percepção particular desses ‘desdobramentos recentes”. Esperando ter esclarecido, estou sempre à disposição do distinto amigo. Abraço grande. Maurício

Tem algo a dizer? Vá em frente e deixe um comentário!

XHTML: Você pdoe usar as tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Enquetes

Em relação ao impeachment de Dilma Rousseff, qual sua posição?

Ver Resultado

Loading ... Loading ...

Frase do dia

  • A riqueza de uma nação se mede pela riqueza do povo e não pela riqueza dos príncipes.”, Adam Smith.

ARQUIVO

novembro 2018
S T Q Q S S D
« mai    
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930  

Informação com Humor

MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).