Por Virgínia Barros*
para o Acerto de Contas
A Universidade de Pernambuco é uma das principais instituições de ensino superior do estado – não somente por ser a única universidade estadual, como também por comportar uma série de cursos que, de alguma maneira, relacionam-se com o desenvolvimento econômico e social da região.
Observamos, entretanto, que para atingir plenamente seu objetivo de produzir conhecimento voltado para a melhoria de vida da população pernambucana, a UPE precisa superar uma gama de dificuldades e contradições que ainda persistem em sua estrutura desde a sua fundação. Neste sentido, buscar soluções para o financiamento e a autonomia da universidade é hoje uma demanda urgente que está colocada para a instituição e para a sociedade.
Para discutir com a comunidade acadêmica e com o povo pernambucano este gargalo, a União dos Estudantes de Pernambuco, em conjunto com a UNE e diversas entidades estudantis, lançou no último período a campanha “Todos Unidos Pela Gratuidade”, no intuito de coroar esta mobilização estudantil que já dura mais de dez anos. A campanha vem conquistando a adesão de diversos sindicatos e entidades ligadas à educação e já conseguiu construir um bom canal de diálogo com o Executivo estadual e com os parlamentares da Assembléia Legislativa do estado.
A UPE é hoje a única universidade estadual do país que ainda cobra mensalidade, o que, a nosso ver, é inadmissível e injusto. Inadmissível porque a responsabilidade de sustentar financeiramente as instituições públicas provém única e exclusivamente do Estado. De certa forma, os estudantes já pagam para estudar na UPE. Assim como toda a sociedade pernambucana, que contribui cotidianamente com seus impostos esperando ter como retorno seus direitos sociais respeitados plenamente. Quando se paga mensalidade, é como se estivessem pagando pelo mesmo direito duas vezes.
E é injusto porque prejudica a permanência dos estudantes na Universidade. Os mecanismos de acesso para ingresso em uma universidade pública são hoje os mais concorridos do país, o que acaba por excluir grande parcela da juventude pernambucana da possibilidade de estudar neste tipo de instituição. Os que conseguem passar por este funil logo percebem que o acesso à universidade não é tão difícil quanto sua própria permanência na instituição.
Livros, fotocópias, passagens, lanches, refeições, moradia para os que vêm de longe… A permanência na universidade é muito cara e o pagamento de mensalidade soma-se a estes custos de maneira expressiva. E, ainda que em alguns cursos a “taxa” seja “simbólica”, o índice de inadimplência permanece alto, sobretudo nos campi do interior.
A gratuidade da UPE é luta histórica dos estudantes, servindo como ponte para uma discussão mais geral em torno da autonomia e financiamento da universidade e contribuindo para o estabelecimento de um orçamento global para a UPE, mais transparente e com maior possibilidade de ser distribuído para os setores os quais a universidade mais precisa.
É com este sentimento que os estudantes da universidade e diversos setores da sociedade civil se organizam, encabeçados pela UEP e pela UNE, em prol da superação desta mácula que persiste na UPE desde sua fundação: unidos em um só coro exigem o imediato fim de cobrança de mensalidade na instituição.
UPE e sociedade, todos unidos pela gratuidade!
* Virgínia Barros é estudante de Direito da Universidade Federal de Pernambuco e presidente da União dos Estudantes de Pernambuco
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* Post publicado originalmente às 21h40 de ontem.



Esse texto tras de forma clara, nao só o discurso da UEP, que tao brilhantemente encabeça esta campanha junto com a UNE, mas principalmente o desejo e acima de tudo uma NECESSIDADE da sociedade pernambucana e brasileira pela necessidade de um ensino GRATUITO E DE QUALIDADE!
parabens UEP, por colocar na rua o anseio do povo!
parabens vic pelo texto!
Eu defendo, em partes, pela gratuidade.
Primeiro que quem deveria pagar a mensalidade são aqueles que podem pagar uma Universidade, deixando a gratuidade àqueles que não possuem condições. Este é o melhor caminho. Não acham? =)
Não. Ela é pública e exatamente por isso sustentada por cidadãos de todas as classes através de impostos. Não tem sentido ninguém pagá-la 2 vezes!!
Digo : Não tem sentido alguém pagá-la 2 vezes.
Parabéns ao Movimento Estudantil em continuar cobrando do Estado que assuma definitivamente a sua responsabilidade com a Educação.
Estudei e me formei na UPE e sei que há vários alunos que, mesmo tendo estudado em escolas particulares, estudam com muita dificuldade, pois há diversos custos além da mensalidade.
Sei também que há muitas carências na UPE que ainda precisarão ser supridas mesmo com a gratuidade.
Ensino público e gratuito é bom, mas tem que ter qualidade.
A luta continua!
Totalmente apoiado! Só que esse discurso da UEP, UNE, DCE, etc é antigo e nada muda…
Muito bem colocada a questão.
A articulista mostra ser uma militante que faz jus a tradição da UNE.
Sem ser panfletária.
“(…) Os que conseguem passar por este funil logo percebem que o acesso à universidade não é tão difícil quanto sua própria permanência na instituição.”
Pergunto, a maioria dos estudantes da UPE, principalmente os dos cursos mais concorridos, não são advindo de colégios e cursinhos particulares?
Pagam educação pela segunda vez visto que os impostos, que deveriam financiar uma educação pública de qualidade, têm outros fins!
Alexsandro, repare como concordo com você: não tem sentido ninguem pagar duas vezes [De fato!]. Melhor pagar só quem está utilizando do serviço, com a exceção da gratuidade para os que não tem condição de pagar (estes sim sustentando por impostos ou por sistemas de bolsa auto criado pela própria fundação).
Discordo. Por esse raciocínio, o SUS deveria cobrar pelo atendimento. Não seria justo o cara ter de pagar saúde 2 vezes. Ou paga um plano, ou paga o SUS. Mas quem paga plano de saúde está pagando 2 vezes pela saúde. O certo seria o serviço público funcionar para todos, ou dar a opção de escolha ao cidadão : Ou paga imposto, para usar o público; Ou paga o serviço particular, sem imposto. Se fosse assim tudo bem!
Se a UPE não recebesse 1 centavo de dinheiro público, ou seja, fosse totalmente financiada pelo dinheiro da mensalidade, não seria mais pública, logo não teria sentido oferecer gratuidade a ninguém!
Uma atitude digna de pessoas comprometidas com o bem estar da sociedade através da luta de efetivação de muitos direitos que chegam a ser negligenciados por falta de (in)formação. Levanto a bandeira para este movimento e acredito que a tendência será mesmo trazer a gratuidade para a UPE e acabar com essa incongruência que complica a vida de muitos estudantes universitários. Parabéns pela iniciativa!
Quando eu era estudante, tinha um amigo que estudava na UNICAP. Ele metia o pau na gratuidade da UFPE. Eu defendia, lógico.
Depois que cortei o vínculo com a Universidade, comecei a pagar impostos e etc, mudei de ideia por um tempo. Virei liberal porque comecei a ver a ineficiência do estado.
Hoje em dia, voltei a defender a Universidade pública, mas acredito que o aluno tenha que dar algum retorno.
O estudante universitário fica meio alienado. Focando apenas nos seus direitos. É importante que a sociedade estabeleça um retorno social para o investimento público.
Exato, acho que deveria ser exigido um retorno para sociedade. Tem nego que faz medicina em UFPE ou UPE, por exemplo, e nunca pisa em um serviço público após se formar! Tem gente que termina a graduação, faz pós no exterior e fica por lá. Nesses casos, deveriam ser obrigados a reembolsar a sociedade! E Carlos, também pago meus impostos e e exatamente por isso que defendo saúde e educação gratuitos e de qualidade.
Mas, se o SUS funcionasse, o que seria dos planos de saúde ? Esses prestam serviço medíocre mas mesmo assim é melhor que o SUS. O SUS em vários setores é gerido por gente que não tem a mínima noção de saúde pública. Exemplo : Com a instalação das UPAs, tem prefeitura negligenciando o hospital municipal. Tem prefeitura “jogando” a responsabilidade para as UPAs.
A educação, essa nem comento mais!
E para onde vai tanto dinheiro ? Para meias, cuecas, bolsas e etc!!
Desconhecia o fato da UPE ser a única estadual do país que ainda cobrava mensalidade. Isso só mostra o enfraquecimento e a falta de combatividade do movimento estudantil no estado. Parabenizo a incetiva da UEP, mas não me iludo, isso é o mínimo.
É bom destacar que a UPE já possui um programa onde todos os alunos oriundos de escolas públicas não pagam as mensalidades. Assim, a mensalidade é cobrada apenas dos oriundos de escolas particulares (e em valores bastante módicos – um aluno de Medicina, por exemplo, que em faculdades particulares paga mais de R$ 2.000,00, na UPE paga menos de R$ 300,00 mensais). No meu entender, porém, o correto é a gratuidade para todos, posto que a UPE deve ser sustentada integralmente com os pesados tributos que já pagamos.
Alguns estudantes passam a vida inteira estudando em escolas particulares, mas, para fazer faculdade, ocupam os IES públicos. Quem estudou a vida inteira nas escolas públicas, dificilmente adentram nas Universidades “gratuitas”. Esta é uma atitude, ao contrário de algum comentário anterior, extremamente panfletário. A UNE e UEP têm sido organizações CHAPA BRANCA desde que o PT entrou no governo. Vamos ser francos, por favor.
As escolas e até universidades particulares apenas ocuparam um espaço que o poder público deixou vazio, em anos que os governos atendiam somente as parcelas privilegiadas da população. A UPE e a UNE sempre estiveram do lado do povo e dos demais movimentos sociais e agora é que vemos um governo demonstrar uma preocupação maior com as classes pobres. Há, evidentemente, muito há ser feito ainda, em todas as esferas da sociedade. Mas a Educação tem que ser prioridade, sempre. Cabe ao Movimento Estudantil cobrar essas ações.
Panfletária por quê? A mobilização não é legítima?
Quem estuda em escola particular não está fazendo nada senão pagar por educação uma segunda vez visto que já paga através de seus impostos !! Se as belezas que ocupam cargo público fizessem o correto, e não passassem os dias se preocupando com as chapas das próximas eleições, a educação pública teria qualidade ! Se vemos nas universidades públicas uma prevalência maior de alunos de escolasparticulares isso torna claro a mediocride do ensino público!
…Comentar o quê? De graça, todo mundo quer até injeção na testa (botox?), não é assim?
Será que a autora do post pode me informar qual o valor mínimo pago por um estudante da UPE e qual o valor máximo?
Ei galera… a parada não é qm paga ou deixa de pagar por saúde e educação e sim o que deve ser pago!!
Um instituição pública é pública sendo paga pelo estado, prefeitura ou união. No momento que um serviço público é cobrado isso acaba perdendo um pouco o sentido em si!
Imagine-se ao chegar acidentado No HR o médico verificar o sistema e peceber que vc possui um plano de saúde e dizer que você terá de pagar pela conta no hospital público ou se criar uma cobrança proporcional ao qnt vc possui…
Eu hj estudo numa das unidades da UPE e sei o qnt é erradioo o sistema de cobranças da instituição. Aumentos de mensalidade, cobranças de taxas e valores aos quais nem se sabe o que se paga vem todos os meses no boleto de mensalidade e qm recebe esse dinheiro?! Qm garante que o que eu paguei ficou na minha unidade!?
Sou a favor da gratuidade como seria em ql q instituição de ensino público. Sei que as universidades públicas então repletas de estudantes do ensino médio privado, mas isso é por falta de qualidade do sistema público.
O foco não é qm merece estar na faculdade pública, pois todos deveriam usufruir desse benefício, e sim de manter as universidades públicas em um bom nível e públicas… pois o retorno a sociedade não é dado em serviços e sim em desenvolvimento a nação.
Universidade Publica para os ricos e “Privada” para os pobres.
Desejaria imensamente ver a UEP encabeçar a luta pelas cotas nas universidades do Estado. E gostaria de vê-la lutar com igual ardor que tem lutado para “aliviar” os fardos dos mais afortunados, Lutando para incluir, os que mais pagam impostos nesse país de Cabral, e tem seus direitos historicamente negados.
“…,Acaso os opressores se encarregarão da obra libertadora dos oprimidos? “,……….,Apenas os Oprimidos podem libertar os oprimidos.”
Paulo Freire