Viva a nova revolução!

mai 26, 2009 by     17 Comentários    Postado em: Artigos e Análises

impostos5

Por Bruno Bezerra*
para o Acerto de Contas

Durante várias passagens da história do Brasil inúmeras revoluções, revoltas e conflitos aconteceram em função da perversidade tributária brasileira vigente no período. Nesses períodos o que verdadeiramente importava era o quanto o governo precisava arrecadar para cobrir seu custo e manter o luxo, e não o quanto cada contribuinte (pagador de impostos) podia pagar. Em pleno novo milênio o cenário brasileiro não mudou muito.

Contudo, sinto que uma nova revolução começa ganhar corpo no Brasil, movida pela mesma indignação, pela mesma energia que moveu muitas revoltas e revoluções no passado: a perversidade tributária brasileira, o peso insuportável dos impostos no Brasil. Antes tarde do que nunca.

Na segunda-feira (25/05/2009) um protesto chamado de o Dia da Liberdade de Impostos pode ser considerado um dos sinais dessa nova revolução. O Dia da Liberdade de Impostos teve a proposta de conscientizar a população da perversa carga tributária brasileira. O protesto reduziu o preço dos combustíveis equivalente à porcentagem de impostos cobrados sobre esses produtos, e ofereceu em postos de combustíveis credenciados – em São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Belo Horizonte – a gasolina por R$ 1,462 o litro, enquanto o preço médio é de R$ 2,399.

Nós contribuintes (pagadores de impostos) pagamos sobre o preço da gasolina: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), tributos federais que correspondem a 13% do valor final do produto. Pagamos ainda ao governo estadual o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), algo em torno de 30% do preço.

Bem mais do que uma reforma tributária, precisamos de uma revolução tributária no Brasil, que passe necessariamente por uma estrutura de governo mais leve, mais eficiente, enxuta e menos corrupta, para que possa existir no Brasil um ambiente empreendedor menos perverso e mais produtivo.

Assim sendo, gritemos todos: Viva a nova revolução!

*Bruno Bezerra é diretor de desenvolvimento e empreendedorismo da CDL Santa Cruz do Capibaribe, na internet mantém o blog Atitude Empreendedora

17 Comentários + Add Comentário

  • Revolução contra tributos, no Brasil, não é propriamente uma novidade.

    Aquilo que ficou conhecido como Inconfidência Mineira foi uma revolta contra a tributação extorsiva da coroa.

    Habilmente, tomou-se uma figura secundária como mártir e símbolo, fez-se um feriado e passou-se a proclamar essa revolta como grande marco inicial de nativismo.

    Mas, o grande marco inicial de independentismo relativamente a Portugal encontra-se na Pernambucana de 1817.

  • No entanto, no entanto, no entanto, você esquece, com o “exemplo” da gasolina da bomba do posto, de dizer o seguinte: a CIDE, o PIS e o COFINS são tributos a ser pagos PELO DONO DA REDE DE POSTOS, posto que a primeira é para a ANP (autarquia, que se acha mais que o próprio governo, a exemplo de outras agências “reguladoras” – de coisa alguma) e as últimas, contribuições sociais sobre o lucro bruto do comerciante. Agora, me responda: por que, neste país, a maioria dos gestores de comércio e serviços reluta tanto em admitir que repassa isso aos preços por NÃO QUER ARCAR, ao invés de, NA CARA DE PAU, jogar contra o governo de plantão (principalmente se não for DEMotucanalha) e repassar tudo isso e um pouco mais aos NOSSOS BOLSOS???

  • Escutei nas repostagens por alto sobre esse acontecimento de ontem. O Dia da Liberdade de Impostos. Fora os impostos nos produtos, ainda vai ai o Imposto de Renda, IPVA, IPTU e outras mazelas mais que não recordo no momento. O governo aplica os impostos nos comerciantes, que repassam o prejuízo no preço final do produto para o consumidor (nós), que repassa o prejuízo para… ? Fazendo uma rápida conta de padaria, mais da metade do que ganhamos como proletariados vai embora em impostos.
    Dia da Liberdade de Impostos. Essa atitude foi como um “Ei! Isso tá doendo!”. Uma reação do nerd, magrinho e fracote, contra o valentão da escola, dizendo: “Cansei de ser capacho, meu!”. Impostos esses que DEVERIAM estar sendo convertidos em serviços. Estão? Bem, se estiverem não quero nem imaginar como seria esse país. Acho que seria algo meio Mad Max e a Cúpula do Trovão (Sem a Tina Tuner). Porque não vejo uma educação, saúde, segurança, etc., de qualidade equivalente ao que pagamos para tal.

    • Já falou um velho economista brasileiro:

      “No Brasil pagamos os impostos da Bélgica e temos os serviços públicos da Índia”

      E que venha mais uma revolução contra a carga tributária.

      • Resta saber se queremos os serviços da Bélgica ou os impostos da Índia.

  • Jota

    Você deve ser algum político corrupto ou um funcionário público que entrou no serviço público com algum pistolão e morre de medo de uma máquina pública bem ajustada pra não perder a boquinha né. Todo mundo paga imposto na hora de comprar pão ou gasolina. Todo mundo paga e repassa… paga e repassa… é assim que a coisa sempre funcionou. Apenas o governo é que só gasta, e gasta pessimamente bem. Seja ele governo tucano, seja governo do DEM, do PT, do PP, do PSB etc. etc. etc.

    • Independente de ser ou não funcionário público (E VOCÊ NÃO SABE SE SOU), também pago impostos. O que eu não admito é um empresariozinho safado qualquer bater politicamente no governo de plantão, dizendo: “Ô governo, baixe a carga!” e quando o governo vai e baixa, não há repasse desta redução para o destinatário final, o consumidor dos produtos que aquele camarada vende.
      Além do mais, é esporte bater no governo, mas quando ele aperta o cinto e arrocha em cima dos próprios servidores ou as regras em cima da iniciativa DE PRIVADA deste país, neguinho começa logo a chiar, né?

    • Além do mais, acho que quem gosta de viver de pistolão em pistolão são alguns empresários que, via de regra, por terem amigos no serviço público em cargos comissionados (e, portanto, mandando ver contra muitos servidores de carreira), sempre têm neles uma fonte de INFORMAÇÕES PRIVILEGIADAS, INCLUINDO MAS NÃO SE LIMITANDO A, LICITAÇÕES, NÃO É SEU ESPERTINHO???

  • Bastava um mes de greve sem pagar impostos ou simplesmente atrasa-los, o governo federal enlouquecia e empreendedores teriam peso nas decisões futuras!!!!!

    • É isso aí Fred, tô contigo e não abro!!!

      • Empreendedores do micro ao macro, mesmo com descontos de impostos na fonte ou postos fiscais, SERIA O CAOS E TERIAMOS A REFORMA POLITICA E TRIBUTÁRIA!!!!!!!

  • Este debate é mais do que pertinente, é vital para a economia nacional.

    Parabéns ao blog por debater o tema.

  • Por uma questão de complemento ao post:

    http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/05/26/toma-que-o-filho-e-seu/

    Informações sobre o Instituto por trás da campanha.

    Um dos principais problemas da cobrança de impostos do país, além do valor alto, é a sua incidência excessiva no consumo. Quem ganha um salário mínimo paga a mesma quantidade de impostos por um saco de feijão comprado por quem ganha dez salários. Isso é revoltante.

    • Nassif errou foi tudo. As informações corretas:

      “Falando sobre a campanha do Dia sem Imposto, Luis Nassif consegue não acertar nada nesse post. Diz que o Instituto Millenium, do Rio Grande do Sul (o Millenium é do Rio de Janeiro), foi o único responsável (o evento contou com a coordenação de OrdemLivre.org, Instituto Mises Brasil, Movimento Endireita Brasil, IEE, Instituto Liberdade, entre outras organizações) pela campanha que se limitou a uma meia dúzia de postos (foram quatro) em três estados (de novo, quatro) vendendo gasolina sem a CIDE (CIDE representa 4% do preço final do combustível; a gasolina foi vendida isenta de outros impostos como ICMS, PIS, COFINS, INSS…).”

      Belo Jornalista esse Nassif. Faz-me rir !

  • Acho que no fundo, claro, os impostos são demasiadamente elevados. Porém, pouco se reclamaria se tivéssemos no nosso país benefícios oriundos dos impostos que pagamos. Se tivéssemos uma educação descente, um sistema de saúde descente, um sistema de transporte em massa descente, se tivéssemos rodovias descentes, isto é, se tivéssemos um governo descente, que ao invés de a toda hora termos que ficar discutindo passagens aéreas para deputados ou pra quem quer que seja, estivéssemos discutindo pacotes para a educação. Todos estes serviços que temos que pagar do nosso bolso pois o governo não nos entrega, nós também pagamos impostos sobre eles, e isso vira uma bola de neve. Nós não temos o serviço quando pagamos impostos, vamos lá e compramos de uma empresa particular, por este serviço, pagamos impostos que não voltam pra gente em forma desse mesmo serviço… Enquanto isso, temos que aturar pagamento de passagens aéreas para namoradas, sogras, cunhados, etc… e ainda um salário de dezenas de milhares de reais enquanto o povo que trabalha ganha misérias e ainda perde metade dessa miséria para pagar impostos, que assim, começa todo o ciclo novamente… e o povo segue em paz e dando risada…

    • Parabéns Henrique, você foi perfeito no comentário.

    • Temo que não. “Descente”, em sentido estrito, é aquilo que desce ou decresce, ou é mal adaptado do inglês “descent”, que significa quase o mesmo.
      Acho que ele quis dizer DECENTE, o que não é o caso em nosso país. A qualidade de tudo é “descente” mesmo.

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).