40 anos do assassinato do Padre Henrique

mai 27, 2009 by     21 Comentários    Postado em: Atualidades
Tela: "Las manos del terror", do pintor Oswaldo guayasamín.

Tela: "Las manos del terror", do pintor Oswaldo Guayasamín.

Há exatos 40 anos, um crime chocou a cidade do Recife. A morte brutal do padre Henrique, pelos repressores da ditadura militar brasileira. Padre Henrique fora indicado pelo Arcebispo de Recife e Olinda, Dom Hélder Câmara (que este ano completaria 100 anos) para coordenar a Pastoral da Juventude.

O padre, que já vinha sendo ameaçado pelo chamado CCC (Comando de Caça aos Comunistas), grupo de repressão da época obscura da ditadura militar, fora sequestrado e brutalmente assassinado naquela famigerada noite de 27 de maio de 1969. O corpo de padre Henrique fora encontrado na manhã seguinte, no bairro do Engenho do Meio, com sinais de tortura e a cabeça marcada por facadas e tiros.

O crime contra o padre Henrique abateu a cidade, e mobilizou cerca de 20.000 pessoas em seu cortejo.

Hoje foi realizada, na Câmara de Vereadores do Recife, uma sessão solene em homenagem ao Pe. Henrique, e a concessão da Medalha José Mariano pós-morte aos familiares do homenageado. À tarde, uma placa foi descerrada em homenagem ao Pe. Henrique na Escola Padre Antônio Henrique, no bairro da Ilha do Leite. Em seguida, foi inaugurado um monumento na Praça Padre Henrique (rua da Aurora), para marcar os 40 anos da morte do padre.

As homenagens contaram com a presença do ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vannuchi.

[Atualização] - Sobre o assassinato do Pe. Henrique, recomendo a leitura do texto de Diogo Arruda Carneiro da Cunha, indicado em comentário neste post por Andrei Barros Correia. Para acessar, cliquem no título que segue:

“As forças armadas e o assassinato do padre Henrique”

Abaixo, coloco um breve texto biográfico-histórico sobre Pe. Henrique e sobre seu assassinato, ainda sem uma investigação séria e profunda pela justiça brasileira – assim como inúmeros crimes cometidos pela repressão militar dos anos de chumbo, que eliminava seus opositores políticos.

Em seguida, posto também uma entrevista concedida pela irmã do Pe. Henrique, Isaíras Pereira Padovan, ao jornalista do JC, Sérgio Montenegro Filho, publicada no último domingo.

Seguem abaixo, o texto enviado ao blog pela assessoria de imprensa da Prefeitura do Recife, e a entrevista:

Padre Henrique

Padre Henrique

SOBRE PADRE HENRIQUE – O Padre Antônio Henrique Pereira Neto, nasceu aos vinte e oito dias do mês de outubro do ano de mil novecentos e quarenta, nesta cidade; foi o primeiro dos doze filhos do casal José Henrique Pereira da Silva e Isaíras Pereira da Silva, que residia no Bairro da Torre.

Sempre foi um menino dedicado aos estudos e à leitura e ainda muito jovem, aos 16 anos, descobriu sua vocação para o sacerdócio, conservando opiniões críticas em relação à Igreja, se dedicou à vida cristã até o final de sua vida, quando foi barbaramente assassinado.

Sua vocação ao Sacerdócio foi nutrida pela orientação pedagógica cristã que recebeu nas escolas de ensino religioso; estudou no Colégio Salesiano e no Seminário da Imaculada Conceição, na Várzea. Antônio Henrique se ordenou padre em 1965, pelas mãos de dom Helder Câmara, que assumira o comando da Arquidiocese de Olinda e Recife (AOR) em abril de 1964, doze dias após o golpe militar que instalou 21 anos de ditadura no país. Destacou-se pela visão critica e idéias progressistas. Logo foi indicado pelo “Dom” para coordenar a Pastoral da Juventude. Pregou a paz, a harmonia e a consciência social de cada ser humano, em si; tornou-se fiel seguidor de Dom Helder, embora sendo mais moderador que o “Dom”.

Mas a Ditadura foi cruel com seus opositores e a herança desta era político está retratada nos cadáveres e nas perseguições. A estratégia era eliminar qualquer oposição real à plena dependência e associação do Brasil aos interesses do capitalismo, do imperialismo estadunidense. Para isso, os golpistas elaboraram a Doutrina de Segurança Nacional, que declarava guerra ao “inimigo interno”, assim definidos todos aqueles que se opusessem aos seus objetivos.

E, apesar do cenário crítico, o padre Henrique buscava o diálogo para resolver os chamados conflitos de geração que afastavam os jovens de suas famílias e buscava conscientizá-los para exercerem seu papel de cidadão, afastando-os das drogas. Segundo o jornalista Ivan Maurício, que participou de reuniões com o sacerdote, ele tratava de todos os temas que interessavam à Juventude, despertando para uma visão consciente da realidade, mas não falava de política, de ideologia. Era carismático, exercia forte influência sobre os jovens de classe média, falava sua linguagem. A Ditadura fez censura absoluta àqueles que pregoavam consciência política e, na calada da noite, pichavam muros das igrejas, metralhavam as paredes da Igreja das Fronteiras e da casa em que ele residia, davam telefonemas ameaçadores e sempre se identificavam como CCC (Comando de Caça aos Comunistas).

Como pretendia se legitimar, por meio de uma fachada democrática, a ditadura não assumia oficialmente as perseguições, torturas e mortes, mas hoje não existem mais dúvidas de que tudo isso era de conhecimento das mais altas autoridades e contava com seu apoio, especialmente após AI-5, editado em dezembro de 1968.

No início do ano de 1969, dom Helder lançou um programa de evangelização popular, e o Padre Henrique foi um dos integrantes da equipe que preparou a Semana de Evangelização Popular e, logo depois, começou a receber telefonemas ameaçadores do CCC. As ameaças não demoraram a se concretizar. Na noite do dia 26 de maio, Padre Henrique participou de uma reunião de jovens em Parnamirim. Na saída, recusou duas caronas e foi visto entrando numa Rural Branca e Verde. E, na manhã seguinte, dia 27 de maio de 1969, foi encontrado sem vida na Comunidade do Engenho do Meio, próximo à Cidade Universitária, Recife; seu cadáver estava muito machucado, com ferimentos graves, enforcado, e a cabeça varada por balas.

A imprensa foi proibida de publicar até convite para o enterro e a missa de sétimo dia. A comunicação se deu por meio de carta de Dom Hélder, divulgada nas paróquias. Na carta, segue nota do Governo Colegiado da Arquidiocese em que são citadas as ameaças dos últimos dias, inclusive o atentado ao estudante Cândido Pinto (ficou paralítico), dirigente da União dos Estudantes de Pernambuco (UEP), e conclama a todos pela continuação do trabalho pelo qual o Padre Antônio Henrique doou a vida. No velório, dom Hélder garantiu aos jovens que eles não ficariam órfãos.

O enterro, no dia seguinte, foi a primeira manifestação de massa contra a ditadura após o golpe. O cortejo saiu da Igreja do Espinheiro para o Cemitério da Várzea. Reuniu 20 mil pessoas. No cruzamento da Rua Conde de Irajá com a Rua Visconde de Albuquerque, um forte aparato policial. A massa cantava: “Prova de amor maior não há que doar a vida pelo Irmão”. Um impasse. Os padres colocaram o caixão no chão e todos se sentaram. A repressão deixou o cortejo seguir, mas tomou as faixas, entre as quais a que era conduzida por Umberto Câmara Neto, líder estudantil, que dizia: “A DITADURA MILITAR MATOU O PADRE HENRIQUE”.

Como Dom Hélder prometera, os jovens não ficaram órfãos. A Pastoral da Juventude cresceu e se firmou, assim como o Encontro de Irmãos, a Comissão de Justiça e Paz, embora a ditadura não tenha dado trégua. Cumpriu-se o que dissera a nota divulgada pela Ação Católica Operária (ACO) no dia 30 de maio de 1969, assinada pelo seu dirigente, padre Romano Zufferey: “…Se o seu assassínio teve por finalidade amedrontar o clero e os leigos dedicados à missão de libertação do povo pelo Evangelho, não conseguiu seu objetivo. Ao contrário, o sacrifício do Padre Henrique será para todos nós uma fonte de coragem no cumprimento da nossa missão até o fim das exigências”.

As investigações tomaram muitos rumos e, por muito tempo, os mistérios e os autores da crueldade que fizeram com o Pe. Henrique ficou sem definição; mas hoje não resta dúvidas de que o assassinato teve motivação política e que “mesmo sem ter ocorrido em dependência policial, dúvida não há de que sua morte ocorreu sob custódia dos agentes do Estado [...] A morte, não natural, com sinais de crueldade, ficou evidenciada pelo atestado de óbito firmado pelo legista Saldgado Calheiro, que considerou como causa ‘os ferimentos penetrantes e transfixantes do crânio e hemorragia cerebral’.” ( voto aprovado por unanimidade na CEMDP).

“Ninguém investigou de verdade”

por Sérgio Montenegro Filho
do JC

Seis anos mais nova que o padre Henrique, a irmã do sacerdote, Isaíras Pereira Padovan, diz não ter perdido a esperança de ver os culpados identificados. Mas admite que, depois de 40 anos de sofrimento, a família não está mais disposta a pedir a reabertura do caso. “A Justiça sabe os detalhes. Por que não toma a iniciativa?”, questiona.

Professora do Departamento de Histologia da UFPE, ela lembra, nesta entrevista ao JC, os dias difíceis que se seguiram ao crime, com a prisão do pai, ameaças à mãe e perseguição aos irmãos.

JC – Que memórias a senhora tem do dia em que aconteceu o crime?

ISAÍRAS PEREIRA - Entrei na faculdade em 1969, em Biomédicas. Estava na aula de anatomia quando avisaram que havia um corpo num terreno no campus da UFPE, mas não fui olhar. Quando voltei para casa, por volta do meio dia, começaram a chegar pessoas amigas perguntando pelo meu irmão, e nós não sabíamos de nada, dizíamos que esperassem que ele chegaria para o almoço. As pessoas davam uma desculpa e iam embora, com pena de nos contar. Lá pelas três da tarde, minha mãe, preocupada, pediu ao meu pai que fosse procurar nos hospitais. Ela tinha medo porque tinha acontecido pouco antes o atentado a Cândido Pinto. Às três e meia dom Helder chegou e deu a notícia. Meus pais foram com ele ao necrotério. Enquanto isso, um policial chamado Rivel Rocha foi lá em casa e queria entrar. Eu tive que pegar o revólver do meu pai e ameaçá-lo. Acho que ele queria plantar provas.

JC – A senhora lembra da comoção que o fato causou, inclusive no enterro?

ISAÍRAS - Do necrotério, meus pais levaram o corpo à Igreja do Espinheiro e marcaram o enterro para o dia seguinte. Mas policiais apareceram no velório e queriam que a gente enterrasse meu irmão naquela noite, mesmo sendo proibido. Precisou que os padres e amigos intervissem para que não o levassem. Meus pais temiam que eles roubassem o corpo. Enquanto isso, dom Helder telefonava para todo mundo ir ao enterro, porque os jornais se recusavam, por ordem da repressão, a botar notas fúnebres. Mesmo assim, apareceu uma multidão no enterro, e durante o cortejo foram feitas ameaças, bateram nas pessoas e fizeram prisões. Em certo momento, os padres sugeriram que a gente cantasse o Hino Nacional, porque os policiais se perfilariam e parariam de ameaçar as pessoas. Mas o clima era tenso e quando chegamos ao cemitério os estudantes estavam tão agitados que dom Helder fez apenas um ato simbólico de despedida, com um lenço branco, e pediu que todos fossem embora calmamente para evitar mais confrontos.

JC – Depois disso tudo, como ficou a situação da sua família?

ISAÍRAS - Quando voltamos para casa, a polícia estava esperando, e na mesma hora levou meu pai preso. Ele foi interrogado por cinco horas, e só depois da intervenção de dom Helder o soltaram. Mas a partir dali acabou o sossego. Passamos a receber ameaças de morte, telefonemas dizendo que iriam matar meus pais. Tentaram sequestrar meu irmão caçula João Henrique, jogavam pedras nas janelas. Éramos doze filhos, e mamãe mandou alguns dos meus irmãos embora do Recife. Mas um deles, Adolfo, fazia curso de oficial e vivia sendo preso, acusado de subversivo. Ele terminou saindo da academia, e ainda assim prepararam um falso flagrante para ele, mas alguns repórteres avisaram e evitamos. Também mandaram gente nos dizer que a culpa da morte tinha sido de dom Helder, e até ofereceram uma casa no exterior e dinheiro, se deixássemos que eles plantassem documentos que incriminariam o arcebispo.

JC – A família resistiu a tudo, mas não conseguiu que punissem os culpados…

ISAÍRAS - Depois que nos recusamos a colaborar, tentaram mudar o motivo do assassinato para crime passional ou tráfico de drogas, mas nada deu certo. As pessoas sabiam o que tinha acontecido. O resultado é que três anos depois, em 1972, papai definhou e morreu de tristeza, diante da injustiça do caso. Já a minha mãe cresceu, ficou mais valente, foi estudar Direito, se formou em 1982, passou no exame da OAB e se dedicou exclusivamente ao caso do meu irmão. Ela brigou muito, mas faleceu em 2006 sem ver os culpados identificados.

JC – Como a senhora viu o resultado das investigações?

ISAÍRAS – Ninguém investigou de verdade. Quem estava investigando tinha envolvimento com o crime, ou então estava sendo pressionado, como a Comissão Judiciária. Ela tinha todos os detalhes, sabia da Rural do Dops utilizada naquela noite e quem estava de serviço. Por que não prendeu ninguém? Eles sabiam também da Risoleta Cavalcanti, a mulher que na véspera do crime foi procurar meu irmão dizendo que tinha um problema com o namorado, mas sequer conseguiu dizer o nome desse namorado. Ela pediu para voltar à noite e meu irmão, inocentemente, disse que estaria numa reunião de pais e filhos na casa de Mário Bittencourt, em Parnamirim. E foi onde o pegaram. Essa moça fez o mesmo com Cândido Pinto antes do atentado a ele. Rogério Matos (principal suspeito) também foi pronunciado e despronunciado. Ninguém pagou.

JC – Por que a família não agiu após o arquivamento do caso? Acha que agora é impossível apurar os fatos?

ISAÍRAS - O meu irmão foi vítima de sequestro e tortura. Esses dois crimes não prescrevem. Então, o caso pode ser reaberto a qualquer tempo. Mas não cabe à família pedir isso. Em 2006, a Comissão de Mortos e Desaparecidos do governo federal reconheceu o crime como um assassinato praticado pelo regime de exceção, e inclusive pagou a indenização à família. Se a Justiça sabe disso, por que não toma a iniciativa e reabre o caso? Uma promotora disse certa vez à minha mãe que ainda havia na Justiça pessoas na ativa que estiveram envolvidas no crime, mas não quis dizer quem. Só disse que por isso o caso não era reaberto. Acho que estão esperando todos os culpados morrerrem para reabrir as investigações.

21 Comentários + Add Comentário

  • A justiça de transição, no Brasil, cometeu tantos erros quantos possíveis. Principiou por indenizações e só principiou.

    Indenizaram-se várias pessoas, algumas que nem indenizações deveriam receber. Isso ainda forneceu discurso contra a realização de algo mais sério. Não sem alguma razão.

    Indenização é o último passo, quando é dado. No Brasil, fez-se o último para deixar de fazer os antecedentes. E os antecedentes teriam que ser feitos se indenizações foram pagas.

    Considerando-se que não se indeniza sem causas, é forçoso aceitar-se que houve causas. E elas foram atuações criminosas de quem não tem isso por regra legal. Dos agentes estatais não se admitem violações às leis, sobretudo aos preceitos fundamentais de integridade da pessoa humana.

    Se alguma coerência sistemática houvesse, de duas, uma: ou o estado punia os agentes infratores, ou buscava de volta o dinheiro gasto. Pois se foram pagas indenizações e não há violadores, elas, as indenizações são sem causa. Outra saída é revogar as indenizações.

    Além dos problemas jurídicos, há o viés de barganha. Não se conhece uma mãe da Praça de Maio que se tenha calado por dinheiro. Já do outro lado da fronteira…

    O episódio do Padre Henrique é significativo do faz-de-contas aceito amplamente. Na época, abriu-se um inquérito e ele ficou assim, aberto…

    O secretário de segurança pública prometeu apurar – e podia não ter prometido, mas o fetiche pelas aparências sempre é forte – e nada foi apurado. Demitiu-se? Não. Já se viu passeando em baixo do monumento Tortura Nunca Mais.

    André, a tela que colocaste é angustiantemente bela. Mas, há outra, que me chamou muito a atenção quando estive na casa de Guayasamín, que se chama “Pino shit”.

    É um retrato, deformado, obviamente, do general chileno cujo nome deu o trocadilho do nome da tela. Não me pareceu bonito, mas servia de epílogo a uma postagem dessas.

    • Andrei,

      Apesar de apreciar muito as obras de Guayasamín, não conhecia esta tela que citaste, “Pino Shit”. Estou vendo-a agora.

      Bem que poderia servir de epílogo, mas creio que goste mais da eloquência do azul, …, não pela cor, mas pelas mãos e olhos, entende?

      Aos que quiserem visualizar Pino Shit, o link coloco abaixo:

      http://picasaweb.google.com/lh/photo/gmzWXraj5Nv02prqWO4ZZw

      Quanto à sua sentença:

      “No Brasil, fez-se o último para deixar de fazer os antecedentes. E os antecedentes teriam que ser feitos se indenizações foram pagas.”

      Concordo plenamente. De fato, vivemos numa ordem social de Alice no País da Hipocrisia.

  • Historia é historia. Ha 40 anos, no plenário da Cãmara Municipal do Recife, o vereador João Bosco Tenório (mdb) foi a única voz, em todos parlamentos brasileiros, a denunciar o trucidamento do Padre Henrique. E Bosco Tenório teve seu mandato político cassado, pelos militares, quatro meses depois.

  • André,

    Prefiro, sim, a eloquência do azul, e as belezas de mãos e olhos. Olhos muito andinos, por sinal. Os rostos parecem talhados em madeira. O retrato de Neruda parece mesmo uma talha em madeira com profundidade plana. Desculpe a ambiguidade.

    A propósito do Padre e seu assassinato por agentes públicos, há uma interessante tese
    http://www.rj.anpuh.org/Anais/2006/conferencias/Diogo%20Arruda%20Carneiro%20da%20Cunha.pdf
    sobre a construção de várias personagens para ele.

    • Andrei,

      Ótima indicação. Ajeitei o seu link, e incorporei-o ao post.

  • Valeu, André(s) por não deixarem essa data passar em branco.
    A história nunca deve ser esquecida, pois como disse T.S. Eliot, “só através do tempo, o tempo é conquistado”.

  • Quem conhece algum jovem recifense na faixa dos 18 anos que tenha ouvido falar de Padre Henrique?

    O que será de nós….

    • MEU FILHO HOJE DE 17 ANOS ! POIS CRESCI SENDO INFORMADA DA BARBARIE AO Pe HENRIQUE , CUJA MÃE ESTAVA NO CAFÉ DOMINICAL EM CASA DE MINHA TIA APO´S A MISSA DA IGREJA DO BURITY NA MACAXEIRA. E ATÉ PELO ALMANAQUE DO LAFEPE TEVE ELE ACESSO AOS FATOS. HOJE NUM PROCESSO EXTREMO VEJO A INÉRCIA LETARGIA DA JUSTIÇA , ONDE A “JUSTIÇA ” TORNA-SE TETRAPLÉGICA E INÓCUA; ONDE TODOS RIEM DA JUSTIÇA … EXCETO AS VÍTIMAS !!!

  • É trágico, Arthemísia. Pus-me a pensar e cada vez mais acho trágico.

    Se só se tivesse perdido a memória, por exemplo, do Padre Henrique, seria um caso de filtragem por viés político.

    Mas, ninguém sabe mesmo quem foi Costa e Silva. Ou seja, é um caso de ignorância muito ampla.

    Até por isso, ou seja, pelo baixíssimo nível de conhecimento histórico, não são possíveis grandes seduções à direita, nem à esquerda.

    O que é evidentemente possível é a esculhambação e o casuísmo.

  • Em 1988 o procurador geral de justiça Telga de Araújo, que havia reaberto o processo, apresentou denúncia contra os acusados pelo crime do padre Henrique, baseado em trabalho feito pelo então promotor de justiça Célio Avelino. A denúncia foi fartamente divulgada pela imprensa pernambucana e nacional. Algumas manifestacoes da época:

    Dona Isaíras Pereira, mãe do sacerdote: “Estou admirada da coragem do Procurador Telga Araújo, pois até um delegado já foi morto neste caso, o bacharel Sérgio Soares de Aquino”. Folha de Pernambuco, 19/08/1988;

    Dona Isaíras Pereira sobre a denúncia: “Não fiquei otimista em qualquer momento. Mas agradeço a boa vontade de Dr. Telga – cheguei a temer pela vida dele – e de todas as entidades que lutam pela não prescrição do crime”. Jornal do Commercio, 22/10/1988;

    Arquidiocese de Olinda e Recife, através do setor de Justiça e Paz, agradecia a coragem e “seu fiel compromisso com a sociedade que ainda acredita na Justiça dos homens, em denunciar os verdadeiros responsáveis pelo assassínio do padre Henrique há 19 anos”. Diário de Pernambuco, 31/08/1988;

    OAB/PE, através do então presidente em exercício Jorge da Costa Pinto Neves e da secretária geral, Nadeje Domingues: “o Comitê Pela Não Prescrição – convocado pela Comissão dos Direitos Humanos – vê hoje recompensado o seu esforço com a denúncia oferecida pelo procurador geral de justiça em Pernambuco, Dr. Telga de Araújo, perante a 2ª Vara Privativa de Júri, recebida pelo juiz titular, interrompendo assim a contagem do prazo prescricional que expiraria em maio de 1989”. Assinam o documento, além da OAB/PE: Conselho Municipal de Defesa dos Direitos Humanos, Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares, Comissão de Justiça e Paz, Centro Josué de Castro, Grupo tortura Nunca Mais, Sindicato de Jornalistas e Radialistas de Pernambuco, Associação de Imprensa de Pernambuco e os Conselhos das Igrejas Anglicana e Metodista. Folha de Pernambuco, 19/08/1988.

    A denúncia foi aceita pelo Dr Nildo Nery dos Santos, mas o Tribunal de Justiça decidiu pelo trancamento da ação penal e o crime prescreveu. O texto completo da denúncia está no site da Assembléia Legislativa por transcrição solicitada pelo então Deputado Roldão Joaquim. Sem dúvida, se a Justiça de Pernambuco é acusada de omissa deve-se registrar que o Ministério Píblico cumpriu o seu papel.

  • Apesar de ser amigo do Pe. Henrique, termos passado, juntamente com uma turma de concluintes do “científico” do colégio Marista, onde era nosso orientador, o da Av. Conde da Boa Vista, um período em dezembro/68, em Garanhuns e, ele ter passado na minha casa um domingo, recente, ao ver o corpo jogado, não o reconheci e fui fazer uma prova no curso de engenharia que havia recem ingressado. Este registro serve para definir o estado em que a ditadura deixou este saudoso amigo.

  • acho que mesmo depois de 40 anos, a justiça deveria colocar alguns desses culpado na cadeia, padre henrique morreu de um jeito muito cruel e barbaro, isso nao pode ficar inpuni

  • Em 1998, fiz uma monografia sobre Pe. Henrique, no curso de História do Nordeste, e em 2009 em parceria fizermos uma literatura de cordel. Esta entrevista pela a irmã do Padre se encontra correta e atualizada. Não houve e não existe interesse da justiça na verdade.

  • Parabéns por essa importante e comovente matéria!
    Conheci a mãe do padre Henrique, Sra. Isaíras, em eventos sobre Direitos Humanos e não esqueço o seu olhar sempre triste mas cheio de esperança.
    Não acredito em punição ou coisa semelhante.
    Infelizmente, essa é a dura realidade.
    mariahelenareporter.blogspot.com

  • Eu era pequeno mas apesar da idade de 12 anos (nasci em 1965), eu gostava de política porque meu pai tinha sido militante do PCB e passou por torturas. Freqüentava a igreja católica na Av Caxangá perto da feira do cordeiro. Onde a mãe de Padre Henrique frequentava também. Ela foi uma heroína, ela nunca desistiu, minha mãe me mostrava ela e contava o que ela estava fazendo, nunca esquecerei o rosto daquela mulher. Ela fez de tudo, tudo mesmo.
    É uma pena ver a história esquecida pelo povo pernambucano e pior ainda foi não ver os matadores presos e nem os mandantes do crime. Todo mundo que viveu aquela época sabe quem foi, menos a justiça.

  • EU ESTIVE NA MISSA E CORPO PRESENTE DO PADRE HENRIQUE, TINHAMOS UM GRUPO NO ROSARINHO QUE TODA SEMANA TINHA UM ENCONTRO COM Pe HENRIQUE, O CONHECI DE PERTO, VELEI, JUNTAMENTE COM COLEGAS ESTUDANTES, DURANTE TODA A NOITE O CORPO DO PADRE, E CADA INSTANTE A COMUNIDADE ESTUDANTIL, TRAZIA CARAVANAS A IGREJA DO ESPINHEIRO, INIMBINDO E IMPOSSIBILITANDO TODA E QUAISQUER AÇÃO DOS ASSASSINOS.
    NO CORTEJO, À FRENTE DOM HELDE, TODOS UNIDOS, A CADA RUA A CADA BAIRRO, ESSE CORTEJO AUMENTAVA SUCUMBINDO OS OPOSITORES, POIS MESMO ESTANDO ARMADOS, NÃO TERIAM TANTA CORAGEM DE ENFRENTAR UMA MULTIDÃO EMOCIONADA E GRATA.

  • Eu fico pensando nos momentos cruciais que ele viveu antes de morrer…
    Mas ele está vivo gente! mortos estão os que fizeram isto com ele, se de todo o coração não se arrependerem.

  • so os canalhas tem uma ideologia que os inocentam e os absorvem a justiça pode ate demorar mas chega

  • Eu, naquela época, já morava no Rio de Janeiro e minha familia no bairro do Engenho do Meio. Quando eu cheguei de férias minha irmã me contou o que tinha havido. Fui até o local e vi lá uma cruz indicando o acontecimento. Minha irmã chegou a ver o corpo disse que estava em péssimo estado. Hoje, no local, não existe a tal cruz. Caiu para muitos no esquecimento. E tudo que eu li, diz que esse crime foi mais para atigir D. Helder. Que Deus tenha o padre Henrique em um bom lugar. Certamente ele era um homem do bem.

  • Sugiro encaminhar ao Papa Francisco o maior numero de informações possivei, com todos os detalhes. O extremo sacrificio do martirio é previsto na Igreja Católica. Talvez resulte ser analisado pela Causa dos Santos;
    Só vi o Padre Henrique uma vez no Caxangá Golf e Country Club, ele me foi apresentado pelo meu conhecido Paulo Bitencurt, que morava no Parnamirim;
    Paz de Cristo

  • Só agora pude ficar a par dessa história, mesmo vivendo tanto tempo em PE e nascendo lá. Embora sendo militante das causas progressistas, só hoje ao saber da anistia de um tio, que no discurso de reconhecimento homenageou e se emocionou ao lembrar do Pe Henrique, foi que fui saber do seu martírio. Vivemos um momento conturbado onde, mesmo aqueles que não viveram esse tempo, clamam por intervenção militar. São jovens e pessoas que se dizem inteligentes a se manifestar em busca do atendimento dos seus anseios, que necessitam conhecer nossa verdadeira história. História de mártires e heróis como Pe Henrique.

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).