Venho aqui polemizar com meu companheiro de blog Pierre Lucena e?com o?seu post E a classe média assumiu o Maracatu (clique aqui para ver). Concordo que a classe média apreciar a cultura popular é uma boa notícia. Envolver-se, mais ainda.
O problema é que uma das coisas mais exóticas neste Carnaval foi ver um negro desfilando num maracatu. No máximo, víamos algum na função de serviçal do rei e da rainha – segurando aquele guarda-sol enorme, atividade obviamente sem glamour e rejeitada pelos garotos brancos bem-nutridos.
Outro aspecto é que o maracatu é um manifestação ligada à uma atividade religiosa – o candomblé. Esses grupos que vemos desfilar, não têm essa ligação.
São apenas grupos de batuque e percussão que adotaram o ritmo. E devem se assumir como tal em respeito à tradição e à religião alheia!



Compreendo a preocupação em relação aos blocos de Maracatu. O desacoplamento da origem e ritmo pode resultar em prejuízo cultural e, no futuro, até numa desfiguração completa. O Maracatu não é só ritmo, não é só dança, é muito mais que isso, daí a sua beleza e a energia contagiante. Por outro lado, a aproximação de outras classes sociais pode representar mais apoio, quebra de preconceitos e mais oportunidade de crescimento, uma vez que se podem aplicar possíveis novos recursos a grupos nativos. Acho que vale o alerta. Sugiro que as entidades envolvidas com os movimentos culturais e as autoridades devem estar atentas aos desmandos financeiros e atuar de forma a fortalecer os grupos originais, dando o apoio necessário à manutenção da cultura. Também, nós que amamos a nossa cultura, podemos e devemos participar, prestigiando os grupos populares nativos, denunciando desmandos e falta de apoio.
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Caro Bahé,
Não chego a ser xenófobo e acho até bacana a burguesada sair por aí balançando os bracinhos e fazendo cursos de “alfaia” (é esse mesmo o nome do instrumento da moda, não é?). Concordo que isto pode até reduzir o preconceito, como se falou por aqui. Mas o problema é que, muitas vezes, a participação desta categoria mais abastada nessas legítimas manifestações culturais de dá com uma regularidade espantosa: ela se utiliza, descaracteriza e some.
O resultado é que uma manifestação tradicional como o maracatu acaba virando um modismo sazonal da turma que aprendeu o que danado é isso nas lições mal dadas pelo movimento mangue. Como no passado se dizia que a classe proletária adorava ir ao paraíso, é como se hoje, no Recife, a classe média tivesse aprendido, e apreciado, o caminho da senzala. Vamos devagar…
Portanto, há que se ter um certo cuidado e não pensar que o maracatu “clareou” de uma hora pra outra. Se for apenas uma moda, isto é péssimo. Mais cuidado ainda para que os representantes originais e legitímos dessa importantes manifestação artística não sejam escanteados da folia em benefício de quem acha que fazer maracatu é gastar a grana do papai comprando roupas de chita e aprendendo a tocar “alfaia” (acertei!!).
Grande abraço e parabéns pelo blog!