A inacreditável “Nova Favela da Rocinha”

jan 23, 2012 by     18 Comentários    Postado em: Atualidades

rocinha

Parece inacreditável, mas esta é uma das áreas reformadas da Favela da Rocinha. Essa rua, inspirada no Caminito de Buenos Aires, era a antiga Rua 4, que era uma ruela fétida do alto do morro.

O IG fez uma bela reportagem sobre a reforma da Favela, que coloco abaixo para discussão. Inclusive fala do morador, contratado para a obra, que chegou a apanhar dos vizinhos que queriam esculhambar o ambiente, fazendo um puxadinho de garagem logo que a rua foi aberta.

O grande problema agora será o de manter isso. Pelo que tinha lido, a ideia era utilizar o popular Favela Tour para gerar receita para a manutenção da pintura nas casas. Isso é o mais difícil já que é responsabilidade individual de cada morador.

E convenhamos, o Governo Federal e Estadual já fizeram a sua parte.

Mas essa obra mostra que quando se tem vontade política as coisas andam.

Segue a bela reportagem do IG, de Raphael Gomide.

Revitalizada pelo PAC, Rocinha espera conclusão de 1/4 das obras

Do IG

Com a inauguração da piscina semi-olímpica, de 25 metros, do Complexo Esportivo da Rocinha, ela deu as primeiras braçadas perto de casa, na maior favela do Brasil. A menina atravessa a via-expressa pela passarela projetada por Oscar Niemeyer – semelhante aos arcos da Praça da Apoteose, no Sambódromo – sobre a auto-estrada, e sai em frente ao complexo, para as aulas de natação duas vezes por semana.


Maria Eduarda, 8 anos, aprendeu a nadar
no complexo esportivo da Rocinha

O conjunto de 15 mil metros quadrados – com duas piscinas, campo de futebol de grama sintética, quadras poliesportivas, pista de skate e patins, vestiário e tatame de judô – foi construído após a remoção de casas precárias, em área com um valão a céu aberto e muito lixo, à beira do Túnel Zuzu Angel, na Auto-Estrada Lagoa-Barra.

Apesar das obras já feitas, após quatro anos e meio e R$ 278,8 milhões, ainda falta um quarto do previsto pelos governos federal e estadual e muito para ser feito em urbanização e saneamento básico. Restam muitas línguas negras e esgoto exposto, com mau cheiro.

Ministério dá sinal amarelo, de atenção, para obras, por demora nos projetos

Segundo o Ministério do Planejamento, 77% das obras de urbanização previstas para a Rocinha foram entregues, ao custo total de R$ 278,8 milhões – R$ 156,5 milhões do governo federal e R$ 122,3 milhões do Estado. Em 21 de novembro, quando foi divulgado o último relatório periódico do PAC, a pasta avaliou a atuação da Rocinha com “sinal amarelo”, de “atenção”. Na avaliação do ministério, havia “demora na aprovação dos projetos do escopo remanescente de obras”.


Passarela do PAC projetada por Niemeyer
leva moradores da Rocinha ao complexo esportivo

Apesar disso, um novo pacote de complementação do PAC foi lançado pelo Estado em dezembro, para mais reurbanização, prevista inicialmente em mais R$ 50 milhões. A estimativa de gastos no primeiro anúncio na Rocinha, de R$ 110 milhões, multiplicou-se por 2,5, chegando aos atuais R$ 278,8 milhões.

As vedetes dessa segunda parte são o plano inclinado (que já estava previsto desde o início e não foi feito), com três estações, a drenagem e pavimentação do Caminho dos Boiadeiros e a construção de um mercado público.


Rocinha, vista do complexo esportivo

Favela simbólica no Rio, pelo tamanho e localização, a urbanização da Rocinha já estava nos planos de governador do Rio, Sérgio Cabral, antes mesmo de assumir e da existência do PAC. Na semana anterior à posse, ele já acertara convênio de R$ 90 milhões com o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a comunidade e obras no Maracanã.

Intervenção transforma viela, foco de tuberculose, em “oásis” e ponto turístico

De todas as obras já entregues – que, de fato dão nova cara a alguns pontos da Rocinha –, o PAC fez diferença real especialmente em um lugar: a Rua 4, no alto da favela. Antes uma comprida e insalubre viela no alto do morro, com pouco mais de um metro de largura, a Rua 4 era um dos principais focos de tuberculose na Rocinha, cujas estatísticas na doença estão entre as piores no País. “A rua era desta largura”, anunciou o guia turístico local a um grupo de gringos, abrindo os braços comedidamente.


A nova Rua 4, antes uma viela de 1 metro, agora urbanizada e arborizada, com vista para a Pedra da Gávea. Ao fundo, amarela, a casa do traficante Nem

A intervenção abriu e pavimentou uma rua com 6 metros de largura no local, removendo 350 casas e facilitando a circulação de ar. De insalubre e quase intransitável, a área hoje recebe turistas estrangeiros e a colorida pintura das casas lembra o Caminito, ponto turístico de Buenos Aires, com a vantagem da vista para a Pedra da Gávea e um pouco do mar de São Conrado.


Zenildo Marinho apanhou de vizinhos por
defender os canteiros da nova Rua 4

Entre plantas e paredes com intervenções artísticas, na via ventilada em pleno verão carioca, a Rua 4 se tornou um oásis bucólico no meio de uma das mais movimentadas e frenéticas comunidades do Rio. “A mudança está em nós”, diz pixação em um muro de contenção recente. Mas nem todos concordam.

O autônomo Zenildo Marinho, que cuida dos canteiros da rua, chegou a apanhar de vizinhos por suas constantes reclamações contra quem quis abrir garagens e portas e se apropriar dos jardins. “As pessoas não entendem que isso é um bem comum e não querem as árvores”, disse.

Dali também é possível ver, destacada e imponente, uma casa amarela de três andares, janelas amplas e terraço coberto por telhas. Era a moradia do chefe do tráfico da Rocinha, Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, preso em novembro, no cerco à favela. À noite, homens armados de fuzil faziam segurança à porta para permitir ao “Mestre” – como gostava de ser chamado – dormir tranquilo. Hoje, é sua mãe que vive ali.


Com sombra, silêncio e o maciço ao fundo,
prédios têm estilo de vila

Moradores foram removidos para apartamentos em prédios coloridos

O conjunto de nove prédios vizinhos – de quatro andares cada e 144 apartamentos –, também do PAC, conseguiu criar uma atmosfera de vila, silenciosa e tranquila, com árvores. Nesses dois lugares, é fácil esquecer que se está na maior favela do Brasil, com 69.161 moradores.

Muitos dos antigos moradores da Rua 4 receberam, como contrapartida, um apartamento no conjunto entregue em 23 de dezembro de 2010. Na tarde do último dia 4, porém, funcionários usavam rapel para consertar infiltrações nos prédios do PAC. Com um produto de vedação nas juntas, eles buscavam impedir novos vazamentos e refaziam a pintura em tons fortes, além de dar manutenção preventiva.

‘Ganhei a casa porque quase morri no tiroteio do Intercontinental‘, diz morador


Operários usaram rapel para consertar

infiltrações nos prédios do PAC

O treinador de futebol do Rocinha Esporte Clube, Paulo Sérgio Gomes, ganhou uma casa depois de ter passado um susto, ao cruzar um tiroteio naação que levou à invasão do Hotel Intercontinental, em São Conrado, por traficantes da favela, em agosto de 2010.

“Ganhei (a casa) porque quase morri. Para mim, foi um presente de Deus, morava em uma casa no Valão. Era uma quitinete, não era boa, ficava em cima da vala. Aqui é tudo novinho, agradeço a Deus pelo resto da vida”, disse Paulo.

O Valão, onde ele morava, foi outra área urbanizada e que teve melhorias nas fachadas de 60 casas, com pintura.

O PAC também construiu uma UPA 24h (Unidade de Pronto-Atendimento), administrada pelo município, em área de 2.800 metros quadrados, na “Curva do S”, na Estrada da Gávea, principal via da Rocinha.

A unidade, com capacidade para atender 450 pacientes, tem emergência, ortopedia, odontologia, fisioterapia, raio-X, eletrocardiograma, ultrassonografia e vacinação.

Outros equipamentos entregues foram uma creche, um centro de convivência, cultura e cidadania. Uma biblioteca comunitária, da rede de Bibliotecas Parque – a mesma de Manguinhos – deve ser inaugurada nos próximos 30 dias.

18 Comentários + Add Comentário

  • Muito bom, qualidade de vida, para quem mora com simplicidade!

    Sonho com isso na regiao metropolitana do Recife!

    • É ótimo que o dinheiro do tráfico deixe de circular. No começo isso gera problemas, claro, mas a comunidade se adapta e, agora, tem a chance de crescer.

  • “Zenildo Marinho apanhou de vizinhos por defender os canteiros da nova Rua 4″

    Mundiça é mundiça. Não é dinheiro ou moradia nova que vai fazer pobre deixar de ser pobre e sim mudança de atitude perante a vida e a si próprio.

    • Mundiça é um termo tão feio para se referir a pessoas, sejam elas quais forem.

      “Não é dinheiro ou moradia nova que vai fazer pobre deixar de ser pobre”. E ainda assim, faltará o “habitus”?

      • “Imundicia” para você é um termo melhor?

  • Se fosse aqui em Recife, acho q a primeira coisa que fariam era aumentar o IPTU.
    Houve aumentos de mais de 60%.
    Absurdo completo.
    Cadê os vereadores? Só tão preocupados com o auxílio-alimentação?

  • O que me preocupa é tentar imaginar o destino da indústria do tráfico que existia na Rocinha.

    Até agora não li nada mais profundo, incisivo e contundente sobre o que realmente aconteceu ali. Só muito confete, purpurina e, claro, “mais de mil palhaços no salão”.

    Sempre que alguém se coloca numa posição um pouco mais pensativa e indagadora ganha logo a pecha de pessimista, negativista, “do contra” etc.

    Mas, enfim, teimosia nunca é demais. É preciso, vez ou outra, fazer o papel de advogado do diabo.

    Quem assumiu o lugar de Nem? Ou será que o mesmo está comandando tudo de dentro de algum presídio de “segurança máxima” como fazem seus colegas beira-mar e marcola?

    Se a Rocinha era uma das indústrias de fabrico de drogas, para onde os traficantes mudaram essa indústria? (partindo da premissa, é claro, que na Rocinha não mais existe tráfico).

    O que garante que tudo isso não é mais uma operação no estilo “Operação Poeira debaixo do tapete”?

    A dinheirama que rolava por baixo dos lençóis da Rocinha simplesmente desapareceu e os rapazes (inclusive os engravatados) que brincavam de ficar milionário com o tráfico foram pra casa levar bronca da mamãe?

    Há quem pense que parte da produção do tráfico será interiorizada para ficar longe dos holofotes da mídia e do Estado. Assim, a classe média continua vivendo suas vidinhas nas capitais achando que no Brasil, tráfico é coisa do passado.

    Há quem diga que a produção do tráfico será dividida entre as outas centenas de favelas espalhadas pela cidade do Rio de Janeiro, o que já vinha acontecendo há pelo menos 5 anos, já que os barões do tráfico, sobretudo Nem, já tinham informações de agentes do próprio Estados de que a “farra” na Rocinha estaria com os dias contados. Como um bom e visionário empreendedor, Nem começou a desmontar a “linha de produção” que havia na Rocinha e espalhá-la por favelas adjacentes e menos “badaladas”, sob o comando de “aliados”.

    Enfim, daqui a alguns anos veremos para onde foi a “Rocinha do Nem”.

  • Eu queria morar numa favela, o sonho é morar numa favela…

    Está parecendo o Cabo de Santo Agostinho…

    • Pois é, não dá pra só criticar a intervenção. Mas também não tá pra entender a questão lendo só esse artigo. A princípio, acho interessante terem “resolvido” questões de esgoto aberto (mas isso nem sempre corresponde a resolver o problema do saneamento, pq não foi citado por exemplo uma estação de tratamento esgoto), os equipamentos comunitários. Mas em parte, parece mais uma preparação de mais um ponto turístico do Rio para receber Copa e Olimpíadas. Eu particularmente não achei o texto bom. Mas vou fazer críticas contundentes ou exaltadas aqui nesse espaço? Deus me livre, acabou sendo taxada de ignorante, analfabeta e estressada.

  • Puts
    Passo todo dia em frente a rocinha, isso não passa de uma maquiada.
    São 150 mil pessoas numa favela de cair o queixo de tão feia, e com problemas de todo tipo.
    Cada um que tire sua conclusão, maas isso ta na cara que é reportagem para as próximas eleições.

  • Faço as mesmas perguntas que o Ricardo…
    Mas partindo do que estou vendo nas fotos, falando só do superficial, do estético…espero que a população consiga manter o mínimo do que está sendo apresentado; pois é muito melhor viver em um lugar com essa aparência do que o que víamos pela televisão!!! Um ambiente com a aparência digna ajuda, a ao acordar, ter forças para encarar o dia… Agora… essa transformação é só na entrada da comunidade ou está atendendo o pessoal lá do fundão, do alto?!!! E o esgoto à céu aberto… estão resolvendo isso?!!!

  • quero morar lá… ta mt lindo.

  • Como brasileiro fico feliz e otimista, vendo esta mudança que acontece neste estado. Não é apenas mudar uma face, que era oculta, mas que hoje que pela foto, mais parece que foi tocada por uma varinha de condão, em que onde antes só existia, uma simbologia de vida, hoje estar se transformando de sonhos, sonhados de esperança, a realidade visível e transformadora na vida das pessoas. Parabéns a todos/as que contribuíram para esta nova e consagradora transformação, com especial atenção a um grande homem da vida pública brasileira, Luís Inácio (Lula), que deu o pontapé nesta mudança, a partir daí é não sofrer processo de continuidade, o que com certeza, vai ser seguido por a presidente Dilma.

    • Só uma correção no comentário de (Ramalho) Não poderá sofre processo de (descontinuidade) de Dilma.

  • Parabéns Voluntários!

    Precisamos valorizar atitudes como a do Zenildo de cuidar do bem comum da Comunidade da Rocinha.
    Hoje temos uma rua arborizada como pode se constar nas fotos um bem comun para a nossa comunidade.

    Vale resaltar que todo o trabalho que o Zenildo faz de cuidar do canteiro jardim da RUA 4 na Rocinha é VOLUNTÁRIO.

    Ah! além do Zenildo também temos que resaltar o Aurelio que cuida das plantas em frente a sua casa.

    Está na hora do Poder Público se manifestar e lançar uma recompensa para essas pessoas voluntárias que estão engajadas com o zelo da sua comunidade.

    Alô Secretário!
    Vamos prestar atenção e valorizar estes colaboradores voluntários pois são eles que fazem as diferenças nas urnas.

    Um grande abraço do,
    Beto.

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).