no apagar das luzes...

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A simpática casa da foto acima é a sede pernambucana da União Brasileira dos Escritores (UBE). O terreno fica no bairro de Casa Forte, na Rua Santana, nº 202. Antes de o terreno ser doado à UBE (1992), a casa bicentenáriana estava em ruínas.

Ela fora reformada com contribuição de Francisco Brennand, que recompôs o piso e doou uma peça de seu acervo pessoal, posta no jardim da casa.

O terreno já havia sido doado à UBE em 1992, ainda na gestão do ex-prefeito Gilberto Marques Paulo, através da Lei 15.740/92, e a doação sancionada por Roberto Magalhães em 2000, através da Lei 16.631/2000.

A UBE realiza frequentemente saraus, debates, reuniões, palestras e oficinas literárias. É uma instituição importante na vida cultural da cidade, e ter uma sede é imprescindível.

Fundada em 1958, a UBE sucedeu a Sociedade dos Escritores Brasileiros, fundada em 1942 por Mário de Andrade. Consta entre seus ex-presidentes os nomes de Sérgio Buarque de Holanda, Antônio Cândido e Lygia Fagundes Telles.

A seção pernambucana foi fundada em 1978, após campanha do escritor Paulo Cavalcanti. Sua antiga sede era localizada na Rua da União, no Espaço Pasárgada.

Pois bem. Depois de anos de existência e histórias, veio o ex-prefeito João Paulo e fez a maior lambança com a UBE. No apagar das luzes do segundo mandato – mais precisamente na véspera de natal do ano passado -, JPLS assinou um decreto cedendo parte do terreno da sede da UBE para a CPRH (Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos).

Acho que o ex-prefeito estava com a cabeça no Dona Lindú quando assinou o decreto sem levar em consideração a Lei que doou o terreno, publicada no Diário Oficial de 29 de dezembro 2000.

Com esse gesto, JPLS conseguiu promover uma celeuma com os escritores pernambucanos que frequentam aquela casa, e estão indignados com o cabeça do movimento “Volta Delúbio”.

[Atualização - 14:41h]

Conversei há pouco com o presidente da UBE-PE, Alexandre Santos, que me falou com muito penar sobre o episódio.

Ele me disse que a UBE já conta com o apoio de outras instituições regionais dos escritores, para que se arregimente representatividade na cobrança de uma reversão na medida sancionada pelo ex-prefeito João Paulo, sem que para isso seja preciso recorrer à Justiça.

A UBE também espera uma sensibilização da Prefeitura da Cidade do Recife e do Governo do Estado – que se mantém em silêncio.

Inclusive, fui informado sobre um gesto de muita truculência por parte da CPRH (órgão do Governo de Pernambuco), que veio a bloquear parte do terreno da sede onde se encontra o estacionamento da casa.

O bloqueio aconteceu esta semana. Na segunda-feira, foi realizada uma festa na sede, e o estacionamento estava bloqueado. Também na quarta-feira, uma revista internacional foi lançada na UBE, e o estacionamento ainda bloqueado por carros da CPRH.

Tudo isto é um absurdo que poderia ser resolvido com a sensibilização da Prefeitura da Cidade do Recife e do Governo do Estado, reconhecendo o valor da UBE para a vida cultural da cidade, e a necessidade da manter a integridade do terreno, na parte onde se encontra o estacionamento da instituição.

O Acerto de Contas se coloca ao lado da UBE-PE nesta causa.

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