A imagem acima foi enviada pelo leitor Dedéu Figueiras (valeu, Dedéu!) em um comentário no post Igreja Univer$al: a divina lavanderia, publicado ontem aqui no blog. Fui atrás da fonte, e descobri uma história sinistra de abuso praticado pela Igreja Universal do Queijo do Reino, digo do Reino de Deus.
Isso aconteceu no estado de Minas Gerais, e a matéria saiu no Portal Uai, em agosto do ano passado. A história é a seguinte.
Edson Luis de Melo foi zelador de um prédio, e portador de deficiência mental permanente. Era um dos milhões de fiéis da Igreja Universal, mundo afora. Vocês podem ver que é o nome dele que está assinado no “Diploma do Dizimista”, também crivado pela assinatura do Sr. Jesus Cristo.
Frequentando a Igreja desde 1996, Edson se tornou um dizimista. Além de entregar seus salários de zelador à Igreja durante vários anos, Edson também assinou diversos cheques pré-datados, além de ter doado o dinheiro que adquiriu com a venda de um terreno.
Tudo isso para cumprir com o ato de dizimar para conquistar bençãos e glórias divinas. Como recompensa, Edson recebeu o seu “diploma”. Só que ele não conseguiu obter as bençãos prometidas pelo pastor…
Na verdade, o fiel teve foi um agravamento de sua doença, e foi afastado do emprego.
Como ele dizimava (aqui, uso o termo no sentido de aniquilava mesmo) tudo o que tinha, Edson se viu numa situação delicada, pois começou a faltar dinheiro para comprar seus próprios remédios.
Seu suado dinheirinho foi total e literalmente dizimado pelo Igreja…
Foi aí que sua mãe resolveu acionar a Justiça para mover um processo contra a Igreja Universal do Reino de Deus, junto ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais.
O advogado do fiel afirmou que pediria uma restituição de cerca de R$ 50 mil, além de R$ 5 mil por danos morais.
De acordo com o processo, o pastor da Igreja fazia promessas fantásticas em troca dos dízimos e doações financeiras. Edson chegou a comprar uma “chave do céu”. Depois disso, ele recebeu seu “Diploma de Dizimista”, tornando-se um “abençoado”.
Mas o tiro saiu pela culatra, e Edson, na verdade, abraçou o capeta, iniciando uma fase de tristeza e infortúnios em sua já desafortunada existência.






A pergunta é: se “De acordo com o processo, o pastor da Igreja fazia promessas fantásticas em troca dos dízimos e doações financeiras”, a decisão não valeria para TODOS os (a?)lesados?
Quer dizer, a justiça não deveria sumular a parada e exigir a restituição de TODAS as contribuições feitas pelos fiéis, uma vez constatado o 171?
Eita… pensei que já havia decisão em favor do Edson. My bad
Dedéu,
De acordo com a matéria do Uai:
“Em 1ª Instância o juiz havia ponderado que a incapacidade permanente do fiel só se deu a partir de 2001, quando houve sua interdição. Dessa forma, ele entendeu que a igreja não poderia restituir valores de doação anteriores àquele ano, motivo pelo qual estipulou em R$ 5 mil o valor que deveria ser devolvido.
Já em 2ª Instância, o desembargador Fernando Botelho, relator do recurso, considerou que o fiel não tinha “condições de manifestar, à época dos fatos, livremente a sua vontade, já que dava sinais (quando da emissão dos cheques de doação à igreja) de ter o discernimento reduzido” sendo “os negócios jurídicos ali realizados nulos”, e por isso determinou, juntamente com os outros dois desembargadores, a devolução do valor integral das doações.”
Abraço!
PS: valeu pela indicação do diploma.
Valeu, André!
Que a igreja vai onde a sua fraqueza é maior todo mundo sabe .. agora onde tava essa “familia” do “fiel” pra deixar ele fazer isso tudo ? Va ser besta assim na casa do chapéu, DEUS NAO INVENTOU O DINHEIRO BEM COMO NÃO TEM POUPANÇA, LARGUEM DE SER TROUXAS E CONTINUEM COM A FÉ DE VOCÊS !
André,
Isso é muito interessante sob a ótica da liberdade. Há quem acredite nela, incondicional, plena, sempre existente, o valor primeiro a ser incondicionalmente respeitado.
Acontece que a vida anda a desmentir a liberdade plena como um grande valor de pacificação social. Além de nem sempre se dispor de todos os elementos aptos a permitir o exercício da liberdade.
Na falta de informações, que liberdade de escolha qualquer cidadão tem? Se se puserem dois venenos, rotulados com seus nomes científicos, para uma pessoa comum escolher, que liberdade tem ela? A liberdade de matar-se sem saber como e porquê?
A liberdade de culto tem sido uma das coisas mais mal compreendidas recentemente. Ela não se confunda com liberdade para praticar estelionato. Não se confunde com liberdade para incomodar os outros com sons altos. Não se confunde com liberdade de discriminar em função de opção sexual.
Enfim, o equilibrio das liberdades é a verdadeira liberdade. A barbárie feita a bem de alguma liberdade é só isso, crime e barbárie.
As recentes (e inócuas) tentativas que a Justiça inicia para punir a Universal é apenas um paliativo. Mesmo que todas as multas e penas previstas forem aplicadas, isso não devolverá o dinheiros aos fiéis. Ao contrário, ele irá para a Receita Federal.
A meu ver, todos os processos são pródigos em provas de crimes como charlatanismo – o que deveria ser suficiente para por um basta nessa vergonha.
Antes que mais tetos caiam, ou ocorra um suicídio em massa como o de Jim Jones, é necessária uma severa intervenção nessa instituição.
Atenciosamente, Rodolfo.
Rodolfo,
No Brasil abundam leis punindo isso e aquilo, sumariamente desprezadas e, via de regra, ocupando-se do acessório.
A liberdade de crença e culto é fundamental e deve ser respeitada, pouco importando que o sujeito seja evangélico, budista, católico, ortodoxo sérvio ou o escambau.
Agora, como você diz, estelionato e perturbação da paz pública e da paz individual devem ser coibidos.
Igrejas, boates e casinos são as melhores lavanderias de dinheiro que existem, além de bancos, é claro, que são hors-concours.
Qualquer negócio cuja entrada é imponderável é uma lavanderia em potencial. Se tudo que entra é teoricamente limpo, as saídas são todas quentes.
Se eu tiver dez milhões de reais da venda de metralhadoras e lança-foguetes, ilegais, é claro, posso entregar a uma igreja e tomá-los de volta limpos, mediante a venda de qualquer serviço, afinal não prestado.
Isso não convém ao estado de direito. A movimentação de doações, a princípio um simples ato de liberdade com o próprio patrimonio, quando assume proporções enormes, passa a ser um assunto de interesse público.
Como qualquer negócio – é um negócio porque envolve transferências de numerário em troca de alguma coisa – isso deve obedecer a regras, civis e fiscais.
Como o Brasil realmente não é um país sério, os cultos podem fazer essas movimentações livremente.
Mais uma vez um direito fundamental é argumento de oportunismo e banditismo no Brasil.
Se o cara é portador de doença que causa debilidade mental ele é um incapaz, portanto os atos civis que tenha praticado nessa condição (como as doações) são nulos de pleno direito ou anuláveis.
Tomara que a justiça acolha o pedido do infeliz.
depende se ele for totalmente incapaz…
Isso mesmo, Artur. Se ele for relativamente incapaz os atos serão ANULÁVEIS, como eu disse.
opa, desculpa, não tinha lido com atenção pois estava no trabalho. realmente vc esta correto.
Ele tem a “desculpa” de ser deficiente mental. E os milhões de pessoas “saudáveis” que voluntariamente dizimam seus rendimentos nas igrejas?
É claro que não estou defendendo quem lhes toma o dinheiro. Mas cada um, em pleno gozo de suas faculdades mentais sabe, ou devia saber, as consequências de seus atos. Os pastores são criminosos espertos. Criminosos, mas muito espertos. Se existem pessoas lesadas é porque são “lesadas” mesmo.
Foi isso que eu quis perguntar: se é assim, como fica a questão Liberdade de Credo x 171?
Essa parada de liberdade de cultoX171 cai no mesmo problema da liberdade de cultoXliberdade sexual… É preciso ver que respeitar não é gostar. Vc pode obrigar uma pessoa a respeitar a opção sexual, mas não pode obrigar essa pessoa a gostar dessa opção.
Tb não podemos colocar todas as pessoas como 171, só pq pedem o dizimo, já que a promessa é mais espiritual do que física, caso seja totalmente física, acho que tem algo errado… Já que o reino de Deus não é físico… E que a bíblia prega as recompensas espirituais e não as físicas, como as principais.
Boa, Artur; agora, independentemente do objeto da promessa, o dano financeiro praticado é bastante físico. E aí?
se vc pede com a liturgia da religião e a pessoa tem plena conciencia desse pedido e que a promessa não é fisica, ela da se quiser… não? e se ela sabe disse, pq vai pedir o dinheiro de volta? se ela sabia?
agora, é claro que esse caso é de um puro 171!! purissimo como os cavalos do nosso senador em limoeiro!!! assinatura de JESUS!!! haaaaaaa, essa dai merecia uma boa pisa, apesar de que eu acredito na justiça, mas que ele merecia …
so completei o pensamento agora pq no trampo não deu pra terminar o pensamento.
Ai é onde mora a esperteza, aproveitar-se de “Deus”, para lograr exito em projeto pessoal. que acham?
Como se o Grande Arquiteto , estivesse participando ou autorizando essa atitude.
Deus está acima das nossas concepções mundanas, nossas idiossincrassias terrenas.
O que nos fza rir , nos faz chorar!
E não existe órgão pra coibir esses abusos. Ministério Público, o TJ, etc… Ou Edir Macedo pode comprar todos? Ele é rico né?… Ou não?
mar, eu acho que ele é um pouquinho rico, sim. Mas só um poquinho, aqui você pode conferir algumas imagens de um dos barraquinhos humildes dele:
http://ricardobraida.wordpress.com/2007/12/28/nova-mansao-de-edir-macedo-e-avaliada-em-6-milhoes/
O que me deixou mais abismado foi o fato de Jesus Cristo ter participado desta falcatrua.
Macedão tem o seu próprio “Jesus Pessoal”…
É triste ver a Igreja Universal, uma igreja em tese “reformada” cair nas mesmas práticas que a Igreja Católica tinha há 500 anos atrás que levaram à reforma protestante.
Muito triste mesmo, ver gente se aproveitando do nome de Deus pra enganar os outros. Mas eu ainda creio que o dia deles chegará.
assinado por Jesus Cristo foi ótimo…
Art. 171 – Obter, para si ou para outrem, vantagem ILÍCITA, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento.
Neste caso específico está claro que se aproveitaram do referido cidadão, porém o dizimo que o pessoal dá na igreja é uma espécie de “gratidão”. Há igrejas sérias que não vivem prometendo terreno ou fazendas no céu. Não podemos generalizar.
perfeito.
Tem um livro muito bom sobre os bastidores da Universal. O título é inteligentemente irônico: Nos bastidores do reino, do ex-pastor Mário Justino. Está fora de catálogo. O ex-bispo se envolveu em uma relação homossexual com outro pastor (sendo ambos casados), conta as peripécias para “conseguir” dinheiro, contraiu Aids e então foi abandonado por Edir Macedo e outros pastores. Eu tenho o livro, porém está emprestado.
e falar que os caras e as meninas ficam na rua entregando o jornal do senhor.
Raboni, esses pastores deram alguma promessa ao santa cruz foi? pq os torcedores estão se sentindo lesados também …
kkkkkkkkkkkkkk
Não é fácil de acreditar em tudo que se lê. Temos que ver os 2 lados da moeda… Quem é esse pastor? tem algum depoimento de outros (ex)fiéis? Gostaria de saber, pois se confirmarem essas acusações aí expostas, essa igreja deve ser investigada severamente e todos os cabeças presos, mas, do contrário… Gostaria que todos fossem pessoas de bem, mas a mentira está em um dos lados infelizmente…
Se alguem souber de alguma coisa, ou alguma notícia nova por favor me mande um e-mail: whiterabbit9891@gmail.com
Obrigado
Rafa Coelho