Dizimar: doar ou aniquilar?
diploma do dizimista

Diploma do Dizimista, assinado por Jesus. Clique para ampliar

A imagem acima foi enviada pelo leitor Dedéu Figueiras (valeu, Dedéu!) em um comentário no post Igreja Univer$al: a divina lavanderia, publicado ontem aqui no blog. Fui atrás da fonte, e descobri uma história sinistra de abuso praticado pela Igreja Universal do Queijo do Reino, digo do Reino de Deus.

Isso aconteceu no estado de Minas Gerais, e a matéria saiu no Portal Uai, em agosto do ano passado. A história é a seguinte.

Edson Luis de Melo foi zelador de um prédio, e portador de deficiência mental permanente. Era um dos milhões de fiéis da Igreja Universal, mundo afora. Vocês podem ver que é o nome dele que está assinado no “Diploma do Dizimista”, também crivado pela assinatura do Sr. Jesus Cristo.

Edson

Edson exibe seu "diploma"

Frequentando a Igreja desde 1996, Edson se tornou um dizimista. Além de entregar seus salários de zelador à Igreja durante vários anos, Edson também assinou diversos cheques pré-datados, além de ter doado o dinheiro que adquiriu com a venda de um terreno.

Tudo isso para cumprir com o ato de dizimar para conquistar bençãos e glórias divinas. Como recompensa, Edson recebeu o seu “diploma”. Só que ele não conseguiu obter as bençãos prometidas pelo pastor…

Na verdade, o fiel teve foi um agravamento de sua doença, e foi afastado do emprego.

Como ele dizimava (aqui, uso o termo no sentido de aniquilava mesmo) tudo o que tinha, Edson se viu numa situação delicada, pois começou a faltar dinheiro para comprar seus próprios remédios.

Seu suado dinheirinho foi total e literalmente dizimado pelo Igreja…

 Edson Luiz e sua mãe, Dulce Conceição de Mello, 65 anos. Foto: Fotos: Sidney Lopes/EM/D.A Press

Edson e sua mãe, Dulce Conceição de Mello, 65 anos. Foto: Fotos: Sidney Lopes/EM/D.A Press

Foi aí que sua mãe resolveu acionar a Justiça para mover um processo contra a Igreja Universal do Reino de Deus, junto ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

O advogado do fiel afirmou que pediria uma restituição de cerca de R$ 50 mil, além de R$ 5 mil por danos morais.

De acordo com o processo, o pastor da Igreja fazia promessas fantásticas em troca dos dízimos e doações financeiras. Edson chegou a comprar uma “chave do céu”. Depois disso, ele recebeu seu “Diploma de Dizimista”, tornando-se um “abençoado”.

Mas o tiro saiu pela culatra, e Edson, na verdade, abraçou o capeta, iniciando uma fase de tristeza e infortúnios em sua já desafortunada existência.

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