As homenagens de Cartola à ingrata Escola de samba Mangueira

nov 15, 2007 by     10 Comentários    Postado em: Atualidades

cartola1982.jpg 
Cartola, o compositor que está sendo esquecido
pela escola que tanto amou

Angenor de Oliveira, o Cartola, gênio da música brasileira, nasceu em 11 de outubro de 1908. Dedicou grande parte de sua vida e sua energia criadora à agremiação carioca Estação Primeira de Mangueira.

O que ele está ganhando em troca é o esquecimento. Mas, acredito que onde ele estiver, deverá estar cantando

“Não faz mal amor,
Deixa-me dormir (…)
Só tens ambição e vaidade
Não pensas em felicidade
E eu não descanso um momento
Por pensar que teu amor
É só fingimento…
Mas eu vou entrar com meu jogo
Eu vou pôr à prova de fogo
A tua sincera amizade
Para ver se tu falaste a verdade”

Abaixo, reproduzo a letra da canção Mangueira e trechos de No tom da Mangueira.

Tirem suas próprias conclusões.

Mangueira

Fita os meus olhos
Vê como eles falam
Vê como reparam o seu proceder…
Não é preciso dizer deve compreender
Até mesmo notar só no meu olhar

Não abuses por eu te confessar
Que nascestes só para eu te amar
Gosto tanto, tanto de você
Que os meus olhos falam o que não vê

Ainda há de chegar o dia
Que eu hei de ter grande alegria
Quando você souber compreender
Num olhar o que eu quero dizer…

No tom da Mangueira

(…) Em Mangueira
Quando morre
Um poeta
Todos choram

Vivo tranqüilo em Mangueira porque
Sei que alguém há de chorar quando eu morrer (…)

Todo tempo que eu viver
só me fascina você,
Mangueira
Guerriei na juventude, fiz por você o que pude,
Mangueira
Continuam nossas lutas, podam-se os galhos, colhem-se as frutas e outra vez se semeia
e no fim desse labor, surge outro compositor, com o mesmo sangue na veia.

Sonhava desde menino,
tinha um desejo feliz
de contar toda tua história
este sonho realizei
um dia a lira impunhei
e cantei toda tuas glória
perdoa-me a comparação, mas
fiz uma transfusão
eis que Jesus me premeia
surge outro compositor
jovem de grande valor com o mesmo sangue na veia

10 Comentários + Add Comentário

  • André, a Estação Primeira tem alguns principios diferente das demais escolas, um deles é não aceitar reedição nos enredos o que ja esta autorizado pela Liga, e no ano de 1983 o enredo da mangueira foi o CARTOLA, com o samba verde que te quero rosa, semente viva do samba

    Amor, vem agora
    Ver o esplendor do luar
    A noite é linda senhora
    Que o poeta vai acordar
    Desperta Cartola
    Vem pra avenida
    Se a Mangueira é uma porta aberta
    Você é a razão da sua vida
    Você plantou, viu germinar
    E a semente cresceu formosa
    Deu Mangueira verde de manga rosa
    Seus frutos de alegria e tristeza
    Afagaram o pranto
    Acendendo a chama da beleza
    Seu nome é poesia
    Nasceu da primeira estação
    As suas pastoras, estrelas de um novo dia
    É forca, é raça, é coração
    Cantar, cantar, brincar, brincar
    Deixa a brisa da euforia nos levar
    Para reviver de novo
    Tradições do Rio antigo
    Monteiro Lobato, samba festa de um povo
    Lendas do Abaéte

    Mangueira é um canto de fé
    E leva o samba na poeira e no pé

    Em 2002, no último campeonato da escola falando sobre o nordeste, cartola foi mencionado no samba e na avenida, este ano, mesmo sendo o frevo, a escola vai terminar o desfile fechando o centenario do ritmo pernambucano e abrindo as comemorações dos 80 anos da escola e o centenario do Cartola, ou seja esquecido ele não tá não.

    • Isso é DEUS… que pena não poder ser reeditado… mas na verdade, essa maravilha será sempre reeditada, pelo simples fato de ser eterna!!! Smplesmente não há como escrever sobre isso!!!

  • Caro maurício, não se reedita enredos, tudo bem, mas só se faz 100 anos uma vez, não?

    Abraços!

  • Concordo, assim como também só se morre uma vez… no caso do Cartola para Mangueira não existe 100 anos , 72, ou 101, ele pode ser enredo novamente a qualquer ano, o que não pode é colocar na avenida nos dias de hoje um carnaval sem grana.

    E lembrando o Sport Recife, no carnaval de 2009 o cartola terá 100 anos, rs

    Mas esquecido ele não tá não.

    Abraços André.

  • Concordo Maurício.

    Ele não está esquecido. A prova disso é a atenção que estamos (nós do Acerto de Contas, e vós leitores-comentadores) oferecendo ao nosso querido sambista.

    Abraços!

  • O centenário de Cartola não começa em outubro de 2008? Parece até a virada do século que todo mundo errou.

    Mangueira ingrata? Quem é você para falar da mangueira? Vocês são jornalista ou dois garotos bobos?

  • digo… quem são vocês? Jornalistas ou dois garotos bobos?

  • Tô injuriada com isso faz é tempo…. Desde quando homenagear Cartola uma vez só basta???
    A minha verde-e-rosa não vai desbotar por isso, mas esse ano, no meu coração, vai ter um brilho mais triste! Uma pena!

  • o cartola não é apenas mangueira ou rio de janeiro: é norte, nordeste, enfim, brasil, samba… o talento q vem da alma, q canta p alegrar as almas,como a minha e as tuas. digno de mil homenagens,ainda é tempo de reparar o pouco caso com 100 anos de um mito. vamos pensar em algo à sua altura.tomara q o o atual enredo dê o titulo à verde e rosa, senão terá sido 2 equivocos.

  • Acho pesado afirmar que a Mangueira está esquecendo seu maior compositor, até porque os dois me parecem coisas indissociáveis. Se a reedição de um enredo é coisa proibida na escola, existem outras formas de homenagear esse grande compositor de nossa música e tenho certeza de que ele nunca será esquecido.

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).