Ordenamento do Recife é positivo, mas centro de comércio informal é ideia atrasada

jun 4, 2015 by     7 Comentários    Postado em: Atualidades

A Prefeitura do Recife vem tentando, e conseguindo, realizar o mínimo de reordenamento no Centro da Cidade, dada a bagunça generalizada dos últimos anos. Primeiro foi a Ponte da Boa Vista, depois a Conde da Boa Vista e agora a Avenida Guararapes (na foto acima sem os ambulantes). Alguns lugares nas proximidades de mercado também passaram pela mesma organização (mas não sei se mantiveram).

Para quem não sabe, a cidade foi loteada e entregue aos vereadores na gestão passada. Isso foi relatado pelo Deputado Daniel Coelho, cuja oferta para indicação do capa-preta da Dircon local lhe foi oferecido, e denunciado no Acerto de Contas.

Para começar, é bom saber que a taxa de desemprego não é motivo para o trabalho de ambulantes, pelo contrário. Quanto mais atividade econômica, mais mercado terão em função do aumento de renda das pessoas. Quem quiser entender, pode ler um texto que escrevi ao Blog do Nassif.

Mas vamos ao problema em si: a reorganização do Centro da Cidade.

Precisamos partir de um pressuposto básico: é preciso arrumar os bairros centrais. A partir daí, também devemos buscar alternativas para as pessoas que trabalham, porém sem agredir o espaço público. E outro fato relevante: as calçadas são espaço público, não particular. Quando caímos em campo, o fato que se comprova é o seguinte: para reordenar, não vai caber todo mundo onde hoje estão aglomerados.

Duas soluções são possíveis, uma boa e uma péssima.

A péssima é justamente a opção feita no passado e que parece que querem dar agora: espaços comerciais para alocação de ambulantes. Parece que o tenebroso Camelódromo da Dantas Barreto não serviu de lição, e agora desejam shoppings populares. A Prefeitura parece querer alguns pequenos locais e os ambulantes um mega shopping popular onde era o Marista. Este projeto tem tudo para se tornar o elefante semelhante aos mercados públicos, onde ninguém sabe como se consegue uma licença pública. Algo semelhante às barracas de coco da avenida Boa Viagem, cujas licenças são repassadas na maior desfaçatez.

Este projeto é muito ruim para a cidade e também para os ambulantes, que são amontoados em terrenos. Em um ou dois anos as licenças de funcionamento se transformarão em um grande esquema, se bobear controlado por chineses ou por empresários de ambulantes.

O outro caminho é um projeto semelhante ao de Nova York que poderia ser aplicado ao Recife.

Lá se mapeou toda a cidade, e demarcaram todas as esquinas ou calçadas com área sobrando em que um ambulante poderia se estabelecer. É feito um leilão a cada dois anos, onde cada local é repassado ao ambulante pessoa física, inclusive com o que pode vender na área. É importante dizer que ele paga pelo uso do solo, mesmo que seja pouco.

Por aqui poderíamos fazer o mesmo, inclusive fazendo com que o próprio ambulante ajude na fiscalização do local que ele está pagando. Para quem não sabe, no Rio de Janeiro se faz algo semelhante com as quadras de praia.

Isso ajudaria a dar movimento em alguns locais da cidade (os espetinhos do Recife provaram ser possível) e daria o mínimo de formalidade e legalidade a atividade, além de dignidade a quem está trabalhando.

No caso específico da ação de ontem, onde dos 300 ambulantes da Guararapes apenas 83 teriam ficado, é justamente o ordenamento que sempre defendemos no Acerto de Contas e que deve ser feito. A alternativa para o restante seria o projeto citado acima.

O que não dá é para ver o Centro do Recife na desorganização em que chegou. Como morador da Boa Vista, só torço por dias melhores.

7 Comentários + Add Comentário

  • O ordenamento ao comércio informal é o menor dos problemas. Quero ver a prefeitura colocar
    ordenamento nas ocupações irregulares, casas feitas em morros, aterros e outros lugares sem o mínimo de condições para serem consideradas seguras e dignas.
    Nosso governo consegue estragar o que era para ser bom, destruir o que é ruim e afortunar os que comandam.
    Para o povo, o osso e para os membros do governo, a carne.

  • Absurdo é não ter entregue a população ainda o Terminal Integrado de Joana Bezerra, o TI do Barro, o “BRT” , o anexo do fórum Rodolfo Aureliano. Absurdo é o MPPE contratar um buffet por mais de 800 mil em pleno ajuste fiscal, um deputado gastar todo o dinheiro da emenda em shows, faltar uma série de coisas básicas dentro de um hospital. Quero ver colocar ordem dentro de um corredor cheio de macas dentro no Hospital da Restauração. Absurdo é ter regiões da cidade ainda sem saneamento básico. O resto é só balela!!

  • Pierre, sou também morador da Boa Vista devido as facilidades oferecidas pelo centro do Recife, mas é de chorar toda a vez que tenho que percorrer a Avenida Conde da Boa Vista, geralmente o faço aos sábados.
    Uma zona!
    Pela faixa da direita, sentido Guararapes, há aquele amontoado de ambulantes desde o Colégio São José até o Atacado dos Presentes. Pela outra calçada no mesmo sentido, após a Sete de Setembro dá medo a quantidade de cheira cola.
    O que seriam estes ambulantes ? Credenciados a vender “legalmente” produtos de procedencia “improcedente” ?
    Qual a contrapartida deles para o municipio ? Recolhem taxas ou pagam toco ?
    A proliferação dos ambulantes é apenas um, dos vários problemas do centro da cidade.
    Sujeira, segurança, dezenas de linhas de ônibus que obrigatóriamente passam pela Conde da Boa Vista quando na verdade poderiam fluir pela Suassuna ou Mario Melo.
    Em cidades como Buenos Aires, o centro talvez nem seja esta lindeza toda, mas há vida noturna com teatros, reataurantes, supermercados e até livreiros abertos até altas horas.
    Dificil … mas não impossível.
    Falta coragem para mudar e melhorar aquela área em definitivo.

  • Dalto, é isso mesmo!

  • De quanto seria essa taxa. talvez não seja justo cobrar um valor sobre uso do solo desta maneira.

  • Essa opção de copiar o projeto de Nova York é bem mais fácil e barata de ser implementada. O que falta é vontade de dar uma solução definitiva para a questão.

  • F Gomes, concordo contigo!

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).