No último domingo à noite (15), a comunidade do Orkut, “Discografias”, teve seus tópicos banidos. A briga entre os moderadores da comunidade com instituições que se dizem “defensoras dos direitos autorais” e contra a pirataria já duravam vários meses. Ao que parece, os detentores do poder ganharam a batalha. Mas, essa guerra, meus amigos, não vai acabar assim.
Desde outubro do ano passado, a Google Brasil vinha se posicionando contra a comunidade, chegando ao ponto de mobilizar internautas para excluírem tópicos da “Discografias”. Esse tipo de prática era realizada pelos subordinados do diretor de comunicação do Google Brasil, Félix Ximenes. Evidentemente, a pedidos de Edner Bastos, coordenador da APCM (Associação Antipirataria Cinema e Música).
A APCM disse através de uma nota que o fechamento da comunidade é “positivo”. Só se for na cabeça deles, que parecem ter conseguido o que estavam mendigando: aparecer.
Se eu encontrasse pessoalmente com o Edner Bastos, convidaria ele para dar uma volta aqui no meu quarteirão, para contabilizarmos quantos carrinhos de CDs e DVDs piratas iríamos ver. Se ele ficasse insatisfeito, dava uma volta com ele lá na Avenida Dantas Barreto.
O assunto está sendo tratado na base da pura hipocrisia. No bom estilo Sinhá Boça (“Acredite, por favor!”), o Edner Bastos alega que está defendendo a propriedade intelectual dos artistas. Altruísmo nesse briga entre megacorporações e usuários da internet?
Pura conversa mole. De acordo com o levantamento que consta na comunidade “Discografias”, as entidades de defesa dos direitos autorais – como APCM (no Brasil), e a RIAA (nos EUA) -, na verdade, são representantes legais das seguintes empresas e corporações:
Universal Music do Brasil LTDA;
Warner Music Brasil LTDA;
Sony – BMG LTDA;
Sigla – Sistema Globo de Gravações Áudio Visuais LTDA;
EMI Music LTDA;
Columbia Pictures Industries INC.;
Disney Enterprises INC.;
Metro-Goldwyn-Mayer Studios INC.;
Paramount Pictures Corporation;
Twentieth Century Fox Films Corporation;
Universal City Studios INC.;
Warner Bros.;
United Artists Pictures INC.;
United Artists Corporation;
UBV – União Brasileira de Vídeos e Associadas.
Representam também:
IFPI – International Federation of the Phonographic Industry;
MPA – Motion Picture Association no Brasil
Colocadas nessa microscópio, é fácil perceber que essas instituições que defendem os direitos autorais – que arrotam aos quatro ventos que são “sem fins lucrativos” – em verdade, são defensoras legais dessas grandes empresas – que faturam bilhões e bilhões de Dólares, Euros e Reais, todos os anos.
Não sou contra o lucro. Mas, ninguém aqui é tolo o suficiente para acreditar que são os artistas que ganham dinheiro com a venda de CDs. Atualmente, para ganhar dinheiro, é preciso fazer shows. Isso não é segredo pra ninguém.
Quem ganha dinheiro mesmo com CDs são as gravadoras e distribuidoras. Essas são as que lutam de fato contra a proliferação de downloads na internet, e, como agora fica evidente, as entidades defensoras dos direitos autorais não passam de testas-de-ferro dessas megacorporações.
Caindo a máscara dessa forma, nossa luta pelo Copyleft (antípoda do Copyright) fica mais efetiva, pois podemos também recusar os produtos dessas empresas. E, nós ainda temos muitas batalhas pela frente.
Mobilizações de artistas e usuários
A comunidade “Discografias”, neste momento em que todos os tópicos estão banidos, registra 917.093 membros. Mas, possivelmente, o número de usuários ultrapassava 1 milhão – ainda mais se levarmos em consideração as milhares de reproduções de links para downloads repassados via email, blogs e perfis do Orkut.
Na semana passada, o jornal inglês “The Independent”, disse que o secretário de Estado para as Comunicações britânico, lorde Carter, quer classificar a prática de baixar músicas pela internet um crime.
Também na semana passada, um grupo de 140 bandas e cantores formado pelo guitarrista do Radiohead (que fará 2 shows memoráveis aqui no Brasil – RJ e SP – este próximo fim de semana), Ed O’brien e os cantores Robbie Williams, Annie Lennox e Billy Bragg, andaram criticando a genial ideia de lorde Carter.
Só falta o secretário britânico dizer que criminalizar o ato de baixar músicas e filmes pela internet faz parte das ações contra o terrorismo internacional…
Existe um abaixo-assinado rolando na internet contra a exclusão da plataforma “Discografias”, que será enviado à Câmara e ao Senado. Neste momento, ele tem 26784 (com a minha agora) assinaturas.
Quem quiser assinar, é só clicar aqui.
Mais uma coisa: existe um projeto do Senador tucano Eduardo Azeredo (MG), que já foi aprovado no Senado e está tramitando na Câmara, que tem por objetivo “regular os cibercrimes”.
Na verdade, isso é apenas um engodo. O projeto utiliza o discurso do combate ao crime (de forma semelhante ao uso do discurso do “terrorismo internacional” para justificar toda forma de atos espúrios), mas sua motivação real é a restrição da liberdade de expressão na rede.
Ano passado eu escrevi um post aqui no Acerto de Contas, onde coloquei os resultados de minha breve pesquisa na internet, sobre o assunto. Quem quiser conhecer melhor o projeto do Azeredo, clique aqui.
Existe também uma petição publica pelo veto ao projeto do senador tucano, que pode ser assinada clicando aqui.
Lutar contra a aprovação deste projeto nonsense deve ser a próxima batalha dessa guerra que não terminou, nem terminará tão facilmente assim.
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Colaborando com a difusão de música de qualidade
Aproveito a ocasião para recomendar dois sites que costumo baixar músicas gratuitamente.
Trata-se do P.Q.P. Bach, especializado em música erudita, com muitos canais de discussões interessantes também. O link segue abaixo:
http://pqpbach.opensadorselvagem.org/
E também o site Sombarato:





Raboni, faltou um S ali no primeiro paragrafo.
“A briga entre os moderadores da comunidade com inStituições que se dizem(…)”
Um abraço!
Alfredo, obrigado!
Passou batido mesmo, mas já consertei. rsrsrsrsrs
Acrescentei também, ao final do post, o link de dois sites que costumo baixar músicas. O P.Q.P. Bach e o Sombarato. Dá uma olhada, se desejar.
Abraço!
[...] Fonte Acerto de Contas [...]
Mas André, se eu e vc gravarmos um CD de chorinhos, não devemos ser pagos pela compra das músicas? Vamos dar nossos chorinhos de graça na rede? Quem vai nos remunerar?
Rapaz…
Essa é uma correnteza que as mega corporações não tem como parar.
Você exclúi a “discografias” hoje.
Aparece uma outra amanhã.
Os arquivos vão continuar sendo trocados em programas P2P.
Em turmas de amigos, um conseguiu o album completo em Mp3. Vai passar pra turma toda. E cada um destes ainda vai passar pra outros amigos.
A culpa é de quem? Da tecnologia? Do público? A culpa é das gravadoras.
Que durante anos tentaram empurrar ao público trabalhos medíocres em um modelo ridículo: compre um disco inteiro por causa de uma única música.
Nos EUA, a pirataria de filmes existe. É combatida com esforços pífios. Ainda assim a indústria do cinema continua viva e movimenta bilhões de dólares anuais.
Porque a indústria do cinema resistiu e a da música morreu assim que o mp3 surgiu?
André, pelo que entendi do texto você é a favor da pirataria, né?
O que você vai ouvir quando as gravadoras quebrarem? Acha que o Radiohead vai gravar CDs independentes e distribuí-lo na Internet, só por amor aos fãs? Que o Paulo Coelho vai liberar seus livros num site para tornar a vida das pessoas melhor?
O que um artista recebe de royalty por CD vendido é uma questão de contrato. Se ele fizer um centrato ruim, vai receber pouco. Mas quando você pirateia sua música, está tomando-lhe integralmente esse dinheiro – independente de ser pouco ou muito.
E o trabalho que você mesmo realiza – que no final das contas também baseia-se na produção de conteúdo – sobrevive em função dos princípios da propriedade intelectual. Ou eu posso copiar todos os textos do seu site para fazer o meu próprio site?
Levantar a bandeira de pirataria apenas para postar-se contra as “corporações imperialistas” e seus lucros obscenos soa pueril – apesar de você dizer-se favorável ao lucro.
Concordo contigo que pagar R$ 30,00 por um CD é absurdo, mas deve haver uma alternativa diferente de furtá-lo.
Abraço,
Rodolfo Araújo.
A indústria fonográfica não está preparada para as possibilidades da Era Digital e da internet. Na medida em que músicas são facilmente convertidas em arquivos digitais, elas podem proliferar de forma ilimitada e escapam do controle de empresas, de organismos e até mesmo dos artistas.
As relações que envolvem a difusão das músicas estão mudando. A questão é saber lidar com as mudanças. Os navegantes da internet já se adaptaram, isto é, o público já acolheu estas mudanças. A difusão digital é fato consumado. Os programas de compartilhamento só tenderão a expandir seus contingentes de usuários. Quem vai controlar isso?
Amanda,
Passo longe do virtuosismo de um músico que toca choro. Mas, escrevo letras que meus amigos virtuosos tocam – e, algumas até me atrevo a executar.
Existem muitas formas de se ganhar dinheiro com objetos midiáticos. Seja fazendo shows, ou vendendo discos independentes, inclusive nos próprios shows.
Este é o século das ideias e da criatividade, Amanda. Quem as tiver, irá se dar bem. E é preciso usar a tecnologia à favor da criatividade.
Rodolfo,
Quando as gravadoras quebrarem, na pior (ou melhor?) das hipóteses, vou escutar as músicas que eu mesmo componho, ou toco, nos meus violões e nas minhas gaitas e flautas – e, quanto aos livros, lerei os livros e poemas que eu e meus amigos escrevermos.
Quanto aos meus textos, você pode copiá-los à vontade, e reproduzir em seu blog, desde que me cite como autor. Mas, não acredito que meus textos sejam dignos de reprodução.
Aqui no Acerto de Contas utilizamos uma Licença Creative Commons, e todo nosso conteúdo pode ser reproduzido livremente, desde que citado os autores – de preferência com o link do blog.
Abraços!
A favor da pirataria: eu também!!!!!
quantos ao que o sr. chama de artistas, vivo sem, prefiro os mortos a cena atual, podem passar fome ou trabalhar numa outra indústria, seriam mais úteis… E sim, o Radiohead não disponibilizou seu último albúm na internet por altrúismo barato como o sr. quer ironizar, mas porque – sendo uma das maiores (eu sempre prefiro dizer, melhores, sou mais afeito as questões qualitativas) um: eles podem, e podem romper com gravadoras sem correr o risco de ir a bancarrota, basta ver os clipes do novo albúm, todos artesanais e pra lá de rústicos, bem como a produção do próprio, enfim, volto a dizer, quem tiver o que falar, estamos aqui para escutá-los…
quanto aos demais…
E sim, já ia me esquecendo, quem tem os cds pirateados a torto e a direito são no mais das vezes as bandas de brega, forró, sertanejo e cia, e não reclamam tanto, pois, ganham com seus shows lotados, e olhe que nem são bons. Os maus também sobrevierão.
O discurso contra a pirataria é piada. A indústria fonográfica sabia que, havendo os meios, haveria os resultados.
A única forma de frear a pirataria seria retroceder o progresso técnico.
Sabiam e ganharam o suficiente para partir para outra.
Boa, André, obrigado pela irrestrita licença autoral, mas não menospreze a qualidade dos seus textos, senão eu não me daria ao trabalho de comentá-los. Mas veja a singela condição: citar a fonte. Isso é o seu pagamento! Você teria o mesmo desprendimento se eu simplesmente me apoderasse deles?
O ponto é que escrevê-los é o seu trabalho, assim como é o trabalho de todos os demais artistas. E, por extensão, dos executivos das gravadoras e até mesmo dos advogados que defendem seus interesses.
Negando-se a pagar por isso, você está negando o valor do trabalho dos seus ídolos. Se você quer ouvir suas músicas de graça, então também deveria ter o direito de assistir aos shows de graça, não? E por que pagar couvert artístico nos bares?
Suas músicas, você as compõe para seu deleite pessoal – e, claro, daqueles que as ouvem. Mas se você vivesse disso, certamente pensaria diferente. Como disse o Coringa em The Dark Knight: “Se você faz alguma coisa bem feita, tem que cobrar por isso”. Não é justo pagar, também, por aquilo de que se gosta?
Se/Quando as gravadoras quebrarem (adeus show memorável do Radiohead), você vai escutar apenas suas próprias músicas, certo? OK, então é porque você ainda prefere as dos outros e, portanto, sentirá falta delas.
Vender CDs e ganhar dinheiro é o incentivo do artista que faz disso sua profissão. Será que haveria a mesma qualidade se ele não tivesse esse incentivo? Se ninguém lesse seu blog, você continuaria escrevendo-o?
Abraço, Rodolfo.
Rodolfo,
Não há nenhuma correlação entre “ouvir músicas de graça e não pagar pelo show”. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outrra coisa.
Eu pago covert e shows mesmo quando tenho o CD que baixei de graça, caso goste. E, quando gosto muito do CD, procuro comprá-lo quando posso.
Só não vou pro show do Radiohead porque não tenho dinheiro pra isso. rsrsrsrsrsr
Uma coisa não exclui a outra, e não é porque falecerão gravadoras que deixarão de acontecer shows. O Radiohead não tem mais gravadora e está realizando esse show, por exemplo. Qualquer pessoa, empresa ou instituição pode contratar um show. A própria banda/cantor pode produzí-los.
Quanto ao “meu pagamento” pelos meus textos, ou a ausência de remuneração, fico sim muito satisfeito quando os vejo reproduzidos por aí. E, de uns tempos pra cá isso tem acontecido bastante, por sinal.
É uma boa janela para conheceram minha escrita e minhas ideias. A reprodução favorece a difusão delas e dos meus múltiplos estilos. Foi a partir disso que escrevi um artigo em uma revista lá de S.P., de Minas e, vez ou outra me solicitam um texto para algumas revistas culturais de fora de Pernambuco.
Tenho também meu blog pessoal onde publico crônicas, contos e poemas. Poderia divulgá-lo diariamente aqui no Acerto de Contas, mas só o fiz uma vez, em uma ocasião “especial”. Não me importo se pouca gente o conhece. Meus amigos costumam gostar, e isso me alimenta o espírito.
Infelizmente, tenho a impressão que meus textos não fazem juz a qualidade dos textos das revistas culturais e jornais pernambucanos, que não se interessam muito pelos meus escritos – salvo uma revista eletrônica que me solicitou um artigo uma vez.
Caso algum veículo de comunicação queira não reproduzir meus textos do Acerto de Contas, e desejar conteúdos exclusivos, daí é só entrar em contato e me pagar (ou me convencer na lábia, para fazer gratuitamente) que hei de os escrever de bom grado e com muito esmero.
Abraço!
Se a criatividade não faz a feira, porque ser criativo?
A vacina contra menegite, nunca seria descoberta, se o pesquisador e sofredor, não fosse bancado!!!!!
Vale lembrar que graças à internet, algumas bandas também têm mais chance de ter maior exposição, uma vez que certas pessoas podem baixar música que nunca chegaria a elas de outro jeito.
Aqui vai um site francês (que também tem versão em inglês incrível: o Spidart (http://www.spidart.com/)
É um site musical onde qualquer artista pode começar a divulgar o seu trabalho, receber investimentos, etc.
Raboni, dá uma olhada lá e divulga!
Zictor,
Vou dar uma olhada sim. Valeu a indicação. Numa primeira e rápida olhada, pareceu-me um site bem legal.
Abraço!
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PS: Algo curioso apareceu aí nos comentários… Um trackback, no 3 comentário deste post, que foi traduzido em parte e reproduzido por um site da Itália, com um link citando o Acerto de Contas lá.
Interessante isso… Só pode ser por causa do meu sobrenome italiano.
Talvez eu devesse contratar um adevogado, ou melhor, o Chapolin Colorado (!) pra “defender” os meus direitos autorais contra esse site italiano que “furtou o meu” (???) conteúdo… rsrsrsrsrsrs
raboni mastroiani
pela livre circulação das idéias! parabéns pelo texto!
P.Q.P André, tu só podia ser Tricolor mesmo. Eternamente agradecido pela dica. A tempos que procuro versões distintas da 9 siyphonia. Muito Agradecido.
Digo, diversas.
Nalvo,
Que bom que você gostou da indicação. Tem muita coisa boa no P.Q.P. Bach.
Recentemente, baixei o concerto “Quarteto para o fim dos tempos”, de Olivier Messiaen.
Abraço!
Aff’z Odiieii