Essa ‘justiça’, às vezes, me dá nojo

abr 3, 2008 by     11 Comentários    Postado em: Atualidades, Sala de Justiça

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Estou cada dia mais convencido (parafraseando o presidente Lula) de que o grande entrave para a verdadeira democratização do Brasil, hoje, está no Judiciário. Executivo e Legislativo já são razoavelmente bem fiscalizados pela imprensa e pela população. Já o Judiciário continua a ‘caixa preta’ dos poderes constituídos. E vou dizer por quê.

Deparo-me nos jornais de hoje com a vergonhosa notícia de que o Tribunal de Justiça do Pará decidiu (por 15 votos a 7) negar que fosse instaurado processo administrativo disciplinar contra a juíza Clarice Maria de Andrade. A tal juíza foi justamente a que manteve presa aquela adolescente de 15 anos junto com 20 homens numa cela comum. Durante 24 dias, a garota foi estuprada e torturada sabe-se lá quantas vezes.

“Não podemos ceder à pressão da opinião pública e nem da imprensa”, argumentaram os desembargadores, num clássico do corporativismo da magistratura.

E a presidente do TJ do Pará, Albanira Bemerguy, disse num cinismo assustador que a tragédia pessoal da adolescente poderia ter acontecido a “qualquer pessoa, inclusive da nossa família”.

É de dar nojo.

11 Comentários + Add Comentário

  • Marco,

    Esse é o preço que se paga por termos um Judiciário Independente, livre de pressões políticas (às vezes nem tanto, não é mesmo ministro Marco Aurélio ?!). A classe política é forte por natureza e os partidos fiscalizam-se mutuamente. Decisões como essa – da absolvição da juíza – são de causar repúdio, mas eu penso que o corporativismo no Poder Judiciário seja a arma que eles utilizam para se fortalecer e se equiparar aos demais Poderes.

  • Na minha humilde opinião o judiciário é o pior dos poderes, o mais imoral… eu não confio na justiça apesar de não ter precisado recorrer a esta ainda..

  • Daniel Tabosa,

    como o judiciário pode “se fortalecer” com o corporativismo?
    Acho que isso tira toda a credibilidade desse poder…

    Quanto a “se equiparar” aos demais poderes, é só ir nesse caminho que ele conseguirá ficar com a mesma imagem que o Poder Legislativo tem na opinião pública… Só pode ser isso que você quis dizer!

    Amigos,

    o pior de tudo é que o chefe de secretaria e o escrivão que trabalhavam na vara da juíza vão, ou melhor, já estão respondendo a um processo administrativo.
    Um erro desse tipo, no entender dos Desembargadores paraenses, pode passar despercebido por qualquer pessoa, menos pelo escrivão e o chefe da vara…

  • Já ouvi falar que se o Brasil não acabar com a praga do judiciário, o mesmo acabará com o Brasil. Altos salários, privilégios pomposos, morosidade e enfado corporativista, etc. Pronto, ta lá um país estendido no chão!

  • Caros Rodrigo e reci,

    Muito pelo contrário, um Judiciário mais forte pode cumprir bem a sua missão de frear as atitudes arbitrárias dos demais Poderes através das ações de inconstitucionalidade, por exemplo.

    Se o Judiciário tivesse o rabo preso, o ministro Joaquim Barbosa, que foi indicado ao STF pelo presidente Lula, não teria aceitado a denúncia do mensalão contra José Dirceu e Cia.

    Se acabarmos com a “praga” do Judiciário, como preconiza o nosso amigo aí acima, vamos deixar o país PARA SEMPRE nas mãos desses mesmos políticos que hoje estamos criticando.

  • Concordo com o que você falou agora, mas no primeiro post não concordo com nada.

    como o judiciário pode “se fortalecer” com o corporativismo?
    Acho que isso tira toda a credibilidade desse poder…

    Quanto a “se equiparar” aos demais poderes, é só ir nesse caminho que ele conseguirá ficar com a mesma imagem que o Poder Legislativo tem na opinião pública… Só pode ser isso que você quis dizer!

  • Rodrigo,

    Eu não havia expressado uma posição pessoal, apenas constatado um fato (o corporativismo). Mas na minha modesta opinião, dos três poderes, o Judiciário é menos contaminado pelo vírus da sujeira e da malandragem.

  • Daniel Tabosa,

    De qual judiciário você está falando? No Brasil? O judiciário brasileiro é o que menos interessa ser exposto pela imprensa, talvez por esta ser parte envolvida em inúmeros processos judiciais. Isso não torna o judiciário um poder menos corrupto, apenas mais protegido. Como você pode dizer que um poder que faz o que o TJPA fez é menos contaminado com o vírus da sujeira e da malandragem? Precisa mais provas?

    Creio que, na democracia, devemos defender com unhas e dentes as instituições na quais o povo exerce o poder livremente, mesmo que isso, às vezes, signifique ter um Congresso como o nosso. Nenhuma instituição deve ter poder absoluto e vitalício, pois isso caracteriza os regimes totalitários. O judiciário brasileiro é corrupto sim, tanto quanto o legislativo e o executivo, a diferença é que os dois últimos têm mandatos e o primeiro é eterno.

  • Arthemísia
    vc foi brilhante….no Brasil o judiciário tem poder demais.. faz o que quer , na hora que quer , e coitado de quem desafiá-lo…..alguem já reparou que ministro de supremo tem mais autoridade que presidente da república ? promotor que governador? que saudades do governo militar…..

  • Colega, concordo com muitos dos seus comentários. Sabemos que juízes ou desembargadores são humanos… erram como nós, cometem absurdos como cometemos… Realmente, como nós, precisam também serem responsabilizados. Quanto a fiscalização, acredito que já deve haver representação ao CNJ, órgão constitucionalmente responsável pela fiscalização dos órgãos do poder judiciário

  • Pois eu tenho é nojo disso tudo deveria acabar legislativo executivo e judiciário.

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).