E corre o boato no mercado jornalístico de que as Organizações Globo estão comprando o jornal O Estado de S.Paulo. Se tiver fundamento, será a maior aquisição de um meio de comunicação por outro nas últimas décadas. E também mais um grande passo para aumentar ainda mais a concentração da mídia no país.
Conversei com uma amiga que trabalha no Estadão há vários anos. Ela me contou que a redação está atordoada com o boato e com acontecimentos recentes que sugerem ser tudo verdade. Dois dos manda-chuvas da redação foram demitidos. A sucursal do Rio também recebeu um novo chefe ligado à empresa do plim-plim, contou-me ela.
Lembro que a Globo já é dona da revista Época, do jornal O Globo e (em sociedade com a Folha de S.Paulo) do Valor Econômico. Isto sem falar dos diversos outros títulos da Editora Globo.
O estudo “Donos da Mídia”, de autoria do Fórum Nacional pela Democratização dos Meios de Comunicação, expõe a concentração desse setor no país. Segundo o fórum, “seis famílias controlam as redes privadas nacionais de TV aberta e seus 138 grupos regionais afiliados, que são os principais grupos de mídia nacionais”.
Destaque também para a Editora Abril, “que domina 69,3% do mercado de revistas e 14% do mercado de TV por assinatura”. Só o Estadão e a Folha representam, juntos, cerca de 10% da tiragem de todos os jornais diários existentes no país.
Esse avanço da Globo sobre o Estadão, se confirmado, só pode ser lido como uma reação à aliança entre o Governo Lula e a Rede Record, de propriedade do bispo Edir Macedo, aquele mesmo da Igreja Universal.
Dizem que o Governo Lula vem tentando várias estratégias de esvaziar o poder da Globo. Uma é apoiar a Record. Outra foi o lançamento da TV Brasil, uma rede nacional de TVs públicas. Pode ser coincidência, mas o fato é que a Globo já perdeu 20% de sua audiência total desde que Lula tomou posse.
E a Globo nunca teve um jornal impresso de forte presença em São Paulo, principal centro econômico do país. A suposta aquisição do Estadão seria entrar nesse mercado já como gente grande. Em ano eleitoral, é uma ameaça e tanto.
Esse um filme de enredo complicado. Podem ter certeza. O projeto de poder do PT não se viabiliza com a mídia hostil que existe hoje. E os donos da mídia de hoje não estão nem afim que essa festa acabe.
Sei não. Mas minha impressão é que, de uma forma ou de outra, no final desse filme morre apenas mocinha: uma tal democracia.





E agora? Agora nós nos f… mais um pouco!
O cenário midiático do país é tenebroso. A Abril concentra a distribuição impressa em todo o país, a Globo compra o Estadão, a pseudo-concorrência na TV paga, etc.
Enquanto isso ficamos cada vez com menos voz. Quem realmente se sente representado pela grande imprensa do país?
Resta jogar as esperanças na Internet. Mas aí a gente lembra que a maior parte da população não tem nem saneamento, que dirá acesso à computadores.
O governo Lula tem se mostrado bastante covarde em relação as barões da mídia. Trocar a Globo pela Record é trocar seis por meia dúzia. Com a agravante de ter como parceiros evangélicos obscurantistas. Eu não entendo o porquê do governo gastar tanto com publicidade nesses veículos, enquanto a mídia independente claudica. O governo apanha, apanha e mesmo assim continua a dar agrados para os magnatas.
Aliás, fica difícil esperar mudanças quando se tem no Ministério das Comunicações um basbaque como o Hélio C(b)osta. A implantação da TV digital, que ele (a mando dos tubarões) defendeu com unhas, dentes e ameaças tem se mostrado vergonhosa.
Achei ótimo. São as regras soberanas de mercado. Portanto, quem der o maior lance leva. Está em ótimas mãos o Estadão. Até por que deveríamos nos orgulhar por termos a quarta TV privada do Mundo e portifólio ímpar. Por que a revista Carta Capital não deu um lance generoso? Seria bom ver o Carta, falando besteiras diariamente.
SANCHO PANÇA, o protuberante.
Discordo, Raboni. O jornais estão agonizando com a Internet.
Esse monopólio midiático vai pro espaço daqui a alguns anos. O numero de fontes de informação estão crescendo e ninguém mais vai ser dono da verdade.
Caro MERCADO,
Os EUA proíbem a acumulação de várias mídias na mão de um mesmo grupo.
As coisas não são tão simples assim, meu caro.
Caro Felipe:
Desconheço que os Estados Unidos proíbam várias mídias nas mãos de um só grupo – é o CADE da imprensa? Você deve de ter confundido com Cuba, China, Coréia do Norte, Rússia, Venezuela,etc. O que sei é que eles vedam fusões,e,ou, aquisições em setores estratégicos da economia. Tais como: matriz energética, telecomunicação(limitação), água, segurança nacional e extração das riquezas naturais em geral.
Nosso modelo de capitalismo tem sua inspiração nos moldes de nossos irmãos do norte. O Brasil, graças à Deus, evoluiu no campo democrático das leis de mercado. Portanto, sejam benvindos: Globo e Estadão – os espectadores e leitores soberanos agradecem. Quanto à imaginar que o novo grupo vai ter como inimigo figadal, a população, pode esquecer. Todos são livres e autônomos nesse país.
Saiba que vc também é americano; do sul- a bem da verdade.
Grato.
Sim, os EUA proíbem acumulação de mídias no mesmo dono. Para o bem da democracia.
Os Estados Unidos da América não exercem proibição alguma em fusões e, ou, aquisições midiáticas. Há inclusive, grande independência das Tvs estaduais em relação as afiliadas. Isso, valoriza por demais à cultura e hábitos de cada estado ou cidade. Na verdade são poderes concorrentes da união e dos estados. Por exemplo, A Emenda número 1, dentro do pressuposto pela Declaração de Direitos e Garantias (Bill of Rigth), fala da Liberdade de Imprensa. A Corte Suprema possui a autoridade final para interpretar a Constituição. Tem poderes para repelir qualquer lei – federal, estadual ou municipal. A Seção 8 fala da competência do Congresso. E por ai vai,etc.
Atenciosamente.
Os Estados Unidos têm sim regulação que limita a concentração de mídias. A responsável por rever a regulação – a cada 2 anos – da mídia norte-americana é a Federal Communications Comission.
E proíbe, inclusive, propriedade cruzada.
“The current rule [de 2006] prohibits common ownership of a full-service broadcast station (television or radio) and a daily newspaper if the station’s service area completely encompasses the newspaper’s city of publication”.
http://www.fcc.gov/ownership – neste link estão as regras relacionadas à concentração de propriedade.
Liberdade de imprensa nada tem a ver com liberdade de constituir empresas de comunicação sob quaisquer circustâncias.
A concentração de propriedade no campo da comunicação é contrária a qualquer princípio de diversidade e pluralidade. E, ainda que a internet venha crescendo consideravelmente (que bom!), o alcance de TVs no Brasil ainda a torna o meio de comunicação com mais poder de influência no país.
Oona
A Tv Globo tem que se defender como pode.Se ela nunca vai ter o apoio desse molusco,então está certíssima em “correr para os lados”.
Não sei como alguém pode aguentar,um bando de corja governando esse país.
Como diz uma frase:Não sou dono do mundo,mas sou filho do dono.
Então,por essa frase dá de ver certo quem está certo.
A Rede Globo defende o catolecismo(Deus,Jesus,Nossa Senhora)e o outro defende só o bolso dele.
Por esse motivo,eu acho certíssimo,a compra do jornal Estadão pela Globo.
Cara, se isso for verdade só tenho a lamentar. Não lamento pelo Estadão, que é um jornal elitista, de uma família (os Mesquitas) e que não me agrada. Lamento porque é mais uma oportunidade que o jornalismo brasileiro perde para crescer. A Globo quer ter o monopólio da informação e fracassou com o Diário de S. Paulo (que foi vendido para a Traffic) aqui em São Paulo. Não vejo nada positvo nisso, é apenas uma família influente comprando os negócios de outra família influente. Abraços.