João do Morro, um sambista de verdade
Acompanhei pela imprensa, nas últimas semanas, uma polêmica artificial gerada em torno do sambista João do Morro. Para quem não conhece, João é um músico famosíssimo na periferia recifense. Sem patrocínio nem gravadora, sem pagar ‘jabá’ para tocar nas rádios, seu disco é um sucesso de vendas em qualquer carrinho de CDs piratas que circula pelas ruas da cidade. É um fenômeno.
Acho que fui do um dos primeiros ‘boyzinhos’, como ele nos designa, a subir do Morro da Conceição para assistir a um show (na rua e gratuito) de João. Eu e mais dois amigos jornalistas. Naquele dia, ele nos disse: “É mais fácil vocês serem assaltados quando descem dos edifícios bacanas dos Aflitos e de Boa Viagem do que subindo aqui no morro”.
De lá para cá, João foi capa de suplementos culturais ‘cabeças’ dos jornais locais e caiu no gosto da cena cult recifense. Sua música excrachada, porém, ofendeu a uma duvidosa associação representante de homossexuais, que puxou um movimento de boicote ao sambista e o ameaça de processo. Reclamam de uma música de João intitulada “Papa Frango”, que relata uma relação entre um homossexual e um rapaz da periferia baseada no interesse. Nada mais comum, vamos e convenhamos.
Como acho odiosa essa patrulha do ‘politicamente correto’, vibrei ao ler o artigo do advogado André Mussalem, hoje no Diario. Ele mostra que o recifense João do Morro é legítimo herdeiro de Noel Rosa, Clementina de Jesus, Bezerra da Silva e outros cronistas da periferia.
Para o deleite de todos, reproduzo abaixo o artigo de André Mussalem e as minhas duas músicas preferidas do primeiro CD de João do Morro, “Papa Frango” e “Camarote Girl”, que comprei por 5 reais no show do sambista.
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Free, João do Morro, Free
por André Mussalem
João do Morro é um sambista na última acepção da palavra. Nasceu no morro. Já o samba nasceu nos fins do século 19, foi gravado nas Casas Edison, a primeira gravadora do Brasil. O disco de João do Morro foi gravado a custos baixos, traz a linguagem da periferia recifense e caiu nas graças da classe média “moderna”.
O samba do morro de ontem, quando surgiu, era uma picardia só; chegou denunciando a desmoralização da polícia do Rio de Janeiro incapaz de conter a jogatina no Largo da Carioca: “O chefe da polícia, pelo telefone, manda me avisar/ que na Carioca há uma roleta para se ganhar”. João do Morro de hoje insiste na primeira linha do samba, tantas vezes reafirmada por Noel Rosa, de noticiar com picardia o que o subúrbio lhe traz como ambiente. Noticiar, eu insisto. João do Morro é um cronista que interpreta o que lhe rodeia. João do Morro de hoje é cronista de um modo natural, sem intelectualismos, sem direções ideológicas. Reinterpreta os temas que gravitam ao redor dele de maneira jocosa, reafirmando a vocação do brasileiro para a picardia, como já havia notado Gilberto Freyre. Observou uma relação patrocinada entre um homo afetivo e um rapaz que se aproveita de tal situação e a transformou em samba.
O samba do morro de ontem também transformava em samba relações patrocinadas consideradas escandalosas, onde o sexo tido por “mais frágil” se dispunha a custear um intercurso, transformando o amor em caso de polícia: “Quando a polícia vier e souber/ quem paga casa pra homem é mulher” (novamente João da Baiana, gravado por Clementina de Jesus). A música de João do Morro de hoje tem acentos preconceituosos, sem dúvida. Mas João do Morro não é preconceituoso. É só ouvir a música “Camarote Girl” em que ele se declara um “simpatizante” da luta homo afetiva. João do Morro não disse qualquer mentira, noticiou um caso que poderia acontecer em qualquer tipo de relação. O viés envernizado da relação foi o mote para a música jocosa.
Outras músicas do morro (ou do asfalto) de ontem também possuem acentos preconceituosos; “Mulata” dos Irmãos Valença, modificada por Lamartine Babo para “Teu Cabelo não Nega, Mulata”, é um exemplo inegável do preconceito que perdeu o sentido com o tempo. Afinal, todos cantam “mas como a cor não pega, mulata /mulata eu quero teu amor,” sem que se note a pecha preconceituosa da letra. ” Teu Cabelo não Nega, Mulata ” é uma das músicas mais executadas nos carnavais de hoje.
Chegará o dia em que não haverá viés jocoso em qualquer tipo de relação entre homens e mulheres. Mas este dia não será abreviado através de censuras disfarçadas de coisas-dignas. Proibir uma música, interpretando-a de uma maneira descontextualizada é reiterar a censura de ontem com novas bases de legitimação para o hoje. Há um perigo imerso na censura muito maior do que deixar a execução do samba se perpetuar enquanto se aguarda o dia em que os termos preconceituosos da música fiquem sem qualquer sentido para nós, homens iguais e diferentes. Quem tentaproibir a música do João não entende do samba de ontem, nem do morro de hoje.
Advogado e professor universitário
amussalem@hotmail.com
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O texto do advogado André Mussalem é brilhante, sobretudo quando indica que a tenbtação da censura ainda existe na nossa sociedade, só que “travestida” (termo politicamente incorreto?) na defesa de supostas minorias sociais.
Sua conclusão é genial: não há como compreender a nossa realidade sem fazer SÁTIRA dela, como João do Morro faz.
Para finalizar, André Mussalem compreende o que é o samba.
é muita frescura mesmo, eu conheci João do Morro no aniversário de um amigo meu numa cobertura em Boa Viagem, tô falando isso pq ele tb é o rei da playboizada… hehee
Gosto muito do jeito deles, eles tiram onda com frango, com o jeito “mala” de se falar do morro, das chapinhas das mulheres de cabelo ruim, dos LISOS que dão toques de 3 seg no celular etc…
.. Daqui a pouco vão denunciar um estádio de futebol todo , quando a torcida chamar um jogador ou juiz de viado….
Muito bom o artigo. Os politicamente corretos são chatos de doer, além de hipócritas.
André Mussalém é um velho colega meu dos tempos da Faculdade de Direito onde ficou conhecido por seu excelente texto, apresentado a nós através do anárquico e ótimo jornal ” Pântano”.
Mas anarquias e preconceitos a parte, acho meio exagerada esta associação da música de péssima qualidade do João do Morro com temas sociológicos e antropológicos, como fez o meu também prezado amigo Zureia.
Cada coisa em seu lugar. O Preconceito contra uma manifestação cultural, qualquer que seja, é condenável. No entanto, comparar João do Morro com Noel Rosa, Clementina de Jesus e Bezerra da Silva é um pouquinho demais né Zú. !!?
Artista populares conhecidos como Cartola, Geraldo Pereira, Nelson Cavaquinho, e outros menos como Jé Côco do Riachão, Argemiro Patrocínio etc.. conseguiam fazer música legítima, de raiz, sem perder o refinamento e erudição que brotava de seu talento, puro e simples.
Sinceramente….. Intitular de genial esse tal de João do morro é forçar ao extremo, é demonstrar nenhuma intimidade musical, é assassinar (DE FORMA CRUEL) os grandes sambistas desse país, é ser, no mínimo, um grande piadista, como inclusive, o próprio joãozinho do morro parece ser, que de tanto falar besteira em suas músicas (só faz inventar apelido), se fosse pro show do Tom Cavalcanti faria um gracejo para nós. Enfim…. TEM QUE TER MUITA PACIÊNCIA!!!!!
Mussalém falou e disse.
Esses homossexuais também, viu… qualquer coisa agora é motivo de denúncia, querem se fazer de coitadinhas. Mas garanto que, se eles forem pro estádio ver um jogo do seu time, não vão pensar 2 vezes antes de ofender a mãe do juiz. E se forem enquadrados por isso vão logo dizer que isso é discriminação para com eles. Ah, faz favor…
Quem nunca chamou o chefe estressadinho, ou o vizinho barulhento incoveniente, ou o torcedor do time rival, ou o motorista imprudente do carro ao lado, de BROCHA, VIADO, BONECA, PEDERASTA, BICHA, CHUPA-ROLA, que atire a primeira pedra. Vejamos… ninguém? Eu sabia.
Eu aqui não gosto de samba, felizmente tive acesso à boa música (sim, porque João não é músico, é um cronista). A definição acadêmica de música é: arte de combinar sons e silêncio de maneira agradável, com atenção à melodia, ritmo e harmonia. João, assim como a maioria dos “músicos” brasileiros, conta histórias muito bem contadas, utilizando recursos de expressão próprios do meio em que vive, mas NÃO É, A RIGOR, UM MÚSICO.
Não obstante, felicito o João do Morro pelo sucesso alcançado com a sua “arte”, um tapa na cara dos metidos a politicamente corretos e um retrato da nossa sociedade hipócrita, que se enoja com a própria sujeira, que dá pitaco em tudo sem ter conhecimento.
Se fosse o um “playboy” cantando músicas contra viados aí o blog condenaria, mas como é uma outra “minoria do morro” aí é “expressão popular”.
Afinal, nada mais politicamente correto do que elogiar música popular de péssima qualidade só porque “não tem gravadora” e é “comprada em carrinho de cd pirata”.
Impressionante como vocês se superam a cada vez que acesso este blog!
Noel Rosa, Clementina de Jesus e Bezerra da Silva devem estar se revirando no túmulo até agora!
Há tá?! Eles são melhores não é?! é PQ TUA HIPOCRISIA NÃO TE DEIXA PERCEBER A REALIDADE QUE TE ENVOLVE… TALENTO ESSE QUE JOÃO DO MORRO TEM (embora eu não aprecio o estilo de música dele).
Pernambuco deve melhorar muito seu modo de ver as coisas e respeitar os diferentes gostos e talentos…. Pois assim tá parecendo um balde de caranguejo, ningém sai e o que tenta sair os outros puxam para baixo!!
Bom, eu nunca disse que o samba de João do Morro é de qualidade.
Em nenhum momento do artigo eu teço loas à melodia das canções, ou a alumbramento poético de qualquer natureza.
É samba. Compasso binário sincopado. Sob este aspecto descende dos sambas que foram criados desde o começo do século XX. A qualidade fica por conta do ouvinte. Tem “muderno” que gosta. Tem “muderno” saudosista dos sambas de Cartola que ojeriza. Eu, particularmente, tenho curiosidade pelos textos do João. Consigo ver mais do que uma mera piada preconceituosa.
Isso não me aparta de Noel Rosa, Jair do Cavaco, Paulinho da Viola, Cartola, João da Baiana, Donga, Pinxinguinha, Candeia, Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e tantos outros compositores genuinamente brasileiros.
Meu texto é sobre o custo de se censurar uma manifestação artística: qual o custo social da censura? Não se trata de fazer defesa da estética da fome ou do subúrbio. Poderia ser uma música de um grupo de pagode da classe média alta de zona sul recifense. O efeito seria o mesmo. Eu me sentiria provocado a escrever sobre o tema.
Por fim, para mim, samba de raiz é macaxeira. E para os puristas que torcem o nariz para a falta de erudição do João:
Madame diz que a raça não melhora/que a vida piora/por causa do samba. Madame diz que o samba tem pecado/que o samba, coitado, devia acabar…
Abraços a todos
Amanda, você acha mesmo que Noel, Bezerra da Silva e Clmentina estão se revirando no túmulo? Deixo-lhe de recordação o seguinte trecho de música do velho Bezerra:
“E com minha sogra eu não quero graça, a ela tenho muito respeito/
Ela bebe cachaça e fuma charuto, tem bigode e cabelo no peito/Eu não sei não minha sogra parece sapatão/Eu não sei não minha sogra parece sapatão”
Vou cascavilhar algumas coisas de Noel. Clementina não vou atrás porque ela não compunha, apenas interpretava…
Hum – creio que o Bezerra compos uma ou duas musicas – a musica citada é do sambista e comediante carioca Dicro.
Lembrando que Noel Rosa começou com musicasà epoca consideradas regionais sertanejas, influencia, lais do pessoal dai que desce u para o Rio – leia Joao Pernambuco. Luperce – Turunas e outros tantos
Uma boa de Noel Rosa, na qual exalta uma bela morena e diz ter alergia a um travesti (ou transexual, se preferir) loiro:
“Essa morena cheia de beleza e graça
É o símbolo da raça, cor de leite com café…
E esse loura nunca foi, nem é meu tipo
Perto dela eu me constipo…
Atchim!… Atchim!…”
Viva o preconceito!!!
Estas tentativas de pasteurizar as manifestações populares são de uma tolice imensa!
Quem assim o faz, é porque gosta de ver a própria mediocridade em tudo que existe!
O “preconceito” faz parte da natureza humana e, se por um lado não pode ser criminoso, por outro lado deve ser matéria-prima de qualquer boa piada!
Bahé, vc está certo. Eles não devem estar se revirando, não.
Sabe o que incomoda mais, é ver que uma realidade, a do “boyzinho” que “papa o frango” para conseguir “brindes” não pode ser cantada em versou ou prosa!!!
Mas pq isto?!?!
Isto não acontece??!?! Vai me dizer que voê não conhece um caso assim? Marias-gasolina, Marias-chuteiras são comuns, cantadas e decantadas, mas o “papa-frango” não existe, é “PRECONCEITO”!
Ah, já sei, se fosse uma música da Ana Carolina falando de como o “amor entre iguais” é lindo, podia, né?
A falta de noção está completamente espalhada!
Certamente João do Morro não possui a elegância de Noel nem a malandragem refinada de Bezerra. Os tempos são outros. O morro é outro. Também parece lhe faltar formação musical ou um parceiro que a tenha para melodias mais rebuscadas. Mas a fonte me parece a mesma. E a crônica da periferia segue perfeita.
Quem tiver 5 reais sobrando, recomendo comprar o CD de João e ouvir a faixa número 6. Ele faz um verdadeiro roteiro de “pega-bebo” por todos altos e morros de Casa Amarela. A cada ponto citado a galera vai ao delírio.
Em outra faixa, ele explica também porque o Loló (aquele lança-perfume de pobre) agora é chamado de Sucesso. Em outra, “Celular de 3 segundos” é um crítica pura ao consumo de aparelhos com funções que nunca se usa e sequer tem dinheiro para fazer ligações.
Muitas dessas coisas podem não dizer nada para a classe média, mas é um retrato do morro de hoje. Queiram os puristas ou não.
É certo que quase todos os grandes sambistas se utilizam do cotidiano para compor suas músicas, mas, o que se percebe, é que o João do Morro ainda não demonstrou competência suficiente para ser considerado um sambista de “catiguria”, daqueles malandros que poetizam os fatos sociais. Ora, não precisamos nem chegar a Noel, pois este merece ficar fora dessa comparação, basta escutar Almir Guineto, Germano Mathias e o finado Bezerra da Silva para perceber a estrondosa diferença de qualidade musical. Tudo bem!!! Pode ser que futuramente João do Morro venha a fazer um grande sucesso e, como bom Pernambucano e amante do samba, torço para que isso seja concretizado, mas Bahé e Lucena, mesmo não se discutindo gosto alheio, a prudência nesse caso fala mais alto.
O que o João do morro faz é swingueira. Uma melodia nefasta que retira do cavaquinho um conjunto mínimo de notas repetidas a exaustão em todas as músicas, e que portanto, vai muuuuuuuito longe do samba.
Concordo com o pessoal que diz que compará-lo aos grandes sambistas é forçar a barra. Pra mim é mais que forçar, é quebrar a barra no meio e jogar fora.
Ao mesmo tempo concordo que esse carnaval que estão fazendo em cima das músicas dele é desnecessário. De letras apelativas, de péssima qualidade , cheias de repetição e que em nada contribuem para o engradecimento de ninguém, Recife tá cheio (ou alguém acha que chupa que é de uva é um clássico do forró? Que beber, cair e levantar merece o prêmio TIM de música?).
Mas o que me intriga mesmo é como os grupos de proteção aos homossexuais conseguem, com esses estardalhaços pontuais, promover esse tipo de cultura encampando uma verdadeira caça às bruxas por conta disso e não conseguem eleger um senador, um grupo de deputados forte, que defendam e promovam a regularização de direitos civis básicos para eles, bem mais importantes, na minha opinião.
Nem sabia quem era joão do Morro até ler uma matéria no Diário sobre ele e odiei a música, que me veio aos ouvidos dias depois através de um desses carros de “boyzinho” que acha que ao levantar o capô do carro é o dono da rua. Por mim, ele pode ter uma longa vida lá no morro e cantar pra “frango”, “quenga”, “pobre”, “gaieira”, “corno” e todos os estereótipos que servem de escracho pra nosso povo.
No entanto, não dá pra pegar somente ele pra Cristo. Se vai processar, censurar, impedir, tem que fazer isso com todo músico que, com sua obra, expõe alguém ao ridículo. E vou logo avisando, acho bom fazer um mutirão porque vai ter muito réu pra pouco juiz!
Concordo que qualquer que seja o tipo de tentativa de censura deve ser condenado.
Entretanto, não posso deixar de demonstrar minha crítica com relação ao texto. Sou um grande admirador do samba e acredito que um grande equívoco foi cometido. Desculpem, mas dizer que João do Morro é um sambista de verdade é, como já falou Juliene, quebrar a barra no meio e jogá-la fora. Corrigindo o que falou Amanda Costa, nossos saudosos sambistas devem não apenas estar se revirando no túmulo, mas “morrendo” novamente.
Não só os já citados, mas Cartola, João Nogueira e tantos outros VERDADEIROS REPRESENTANTES DO SAMBA merecem mais respeito. Compará-los a alguém que tem a capacidade de unir 3 ou 4 acordes e repetí-los de maneira incansável sobre uma letra de péssima qualidade é, no mínimo, desrespeitoso, para não dizer ridículo.
Por coincidência, tomei conhecimento do João do Morro através de um daqueles “boyzinhos” que abrem o porta-malas do carro e acha que todo mundo tem a obrigação de ouvir o lixo musical que eles ouvem, como a Juliene. Achei péssimas as suas músicas e não gastaria 1 real sequer para comprar seu CD!
Agora, é certo que vivemos numa democracia. Então, deixa o coitado fazer o trabalho dele. Afinal, temos um número incontável de exemplos de música de péssima qualidade, desde Excesso de Bagagem, passando pelas bandas de brega e chegando em Saia Rodada e Aviões do Forró.
Para quem se interessar, leiam o texto de Anselmo Alves sobre a qualidade da música dos nossos tempos. É um belo exemplo de alguém que conhece acerca da qualidade musical. Segue o link.
http://www.overmundo.com.br/blogs/eu-quero-meu-sertao-de-volta
Eu só acho muito estranho esse argumento “a priori” de que isso ou aquilo é lixo. Eu não gosto destas bandas elétricas que se dizem de “forró”, mas não jogo essa responsabilidade para uma estética universalista, metafísica, que me permite dizer o que é belo ou o que não é.
A responsabilidade é minha: “eu não gosto, pessoalmente, destas bandas de pseudo-forró, acho que não há qualquer criatividade nas letras, o tipo de sensualismo é um sensualismo fácil que descamba para o pornô…”
Mas qual a legitimidade que possuo para dizer que essa ou aquela música é lixo? Que tipo de argumento de autoridade estamos produzindo aqui?
O mesmo samba “de raiz” que é tratado a pão-de-ló nos comentários acima comeu o pão-que-o-diabo-amassou e foi considerado como simplório, de baixo nível, sem qualquer sofisticação rítmica ou poética no começo do século XX.
Será que esse padrão não está sendo repetido aqui?
André,
‘Mas qual a legitimidade que possuo para dizer que essa ou aquela música é lixo?”
A legitimidade de alguém que conhece e aprecia outros estilos.
Estamos exercendo a mesmíssima liberdade que vc exerce para tecer elogios e críticas ao referido aspirante a sambista. Ninguém aqui está tecendo um tratado sobre o samba, mas expressando opiniões pessoais sobre o tema, assim como vc.
Por que não podemos?
Caro André,
Desculpe se, em meu discurso, deixei transparecer em algum momento que sou o dono da verdade absoluta. Não foi a minha intenção afirmar o que é belo ou não, o que é lixo ou não. Apenas expus a minha opinião de que a “música” que o João do Morro, bem como outras tantas que hoje ouvimos é de baixíssima qualidade.
Continuo com o mesmo pensamento. Acredito que estamos carentes de qualidade musical há algum tempo, pois antes do João ou do Calypso já existia um tal É o Tchan e tantos outros que se valeram das mesmas bases apelativas e de péssima qualidade (no meu entender). Mas não vem ao caso tecer comentários acerca disso no momento.
Acho que estamos aqui discutindo opiniões sobre um referido tema e não tentando argumentar como autoridades, nem utilizando bases metafísicas, como você falou. Como a Amanda falou, não só eu como todos os outros que aqui expõem sua opinião temos a mesma legitimidade que você quando compara o João do Morro com Bezerra da Silva e outros bambas. É como comparar Luiz Gonzaga com Aviões do Forró!
Se você pode dizer que o João é um sambista de verdade, por que nós não podemos afirmar o contrário?
André,
A legitimidade é verificada a partir do momento que o artista expõe o seu trabalho ao público e, implicitamente, dá autoridade para que a sociedade o critique. Logo, a responsabilidade é individual, sem dúvida, você opina se quiser, ninguém pode lhe obrigar. Mas se podemos elogiar, por que não criticar? O trabalho do artista sai da esfera do privado por vontade do mesmo (Ex:. Ator, pintor, escultor), sem qualquer pressão, e justamente por isso é que deve suportar as conseqüência advindas de sua profissão, do contrário, é melhor ficar em casa cantando no chuveiro.
Ademais, reiterando minha opinião… MUITO FRACO!!!
Prezados
Em nenhum momento disse que não se poderia criticar João do Morro; A única coisa que discordo é estabelecer um argumento a priori de que a música dele é lixo. Acho que em termos de arte (ou de qualquer manifestação de pensamento), devemos estabelecer um argumento que não exclua os demais. Ao dizermos “a música do João é lixo”, estamos estabelecendo uma crítica que exclui quem acha que há algo de válido, artisticamente falando, na música de João.
Gostaria de explicitar também que não fiz comparação, em termos de qualidade musical, com João do Morro, João da Baiana ou qualquer outro sambista de quem eu goste. O que quis mostrar é que a censura à música do João do Morro não possui legitimidade do ponto de vista do “politicamente correto”. Há uma tradição da música brasileira baseada na picardia. Isso independe da qualidade ou do bom gosto musical. O custo social de se censurar um “pré-conceito” é maior do que deixar essa música perder o sentido com tempo. Meu texto é sobre isso, e não sobre a qualidade musica do João do Morro.
Em nenhum momento quis expor ou impor meu gosto musical. Acho que toda crítica é válida, desde que não exclua o argumento do outro. Afinal, a democracia vive de suas diferenças e não de suas semelhanças.
Bom, de qualquer forma eu agradeço às críticas e elogios ao texto publicado por este Blog.
Forte abraço a todos. Fico bastante feliz com o conhecimento acerca do samba demonstrado aqui, por tanta gente,nos comentários acima.
Meu ponto de vista se equipara ao do Renan.
O Mussalém tem razão quando afirma que o samba “de raiz” sofreu, na época do seu surgimento, um boicote semelhante ao que João do Morro sofre hoje.
Mas o que ocorre é o seguinte: podia ser o João falando das “bichas”, das “quengas”, dos “negões”, “manés”, “bráulios”, e o escambau… Não é música como se diz música. Basta comparar as músicas de Noel, Almir Guinetto e outros com isso aí que agora chamam por aí de música. João não tem harmonia. Não tem melodia. Talvez tenha um pouco de ritmo. A diferença é no mínimo audível.
Eu aqui também não sou dono da verdade absoluta, nem tenho a pretensão de sê-lo. Mas sou estudante de música, toco teclado, componho, arranjo, e o pouco que aprendi no Conservatório e na UFPE (tenho fé que vou me formar um dia) me fornece argumentos mais que suficientes para reiterar o que já disse lá em cima. Pois, ao contrário das celebridades da vida moderna, eu não dou pitaco em assunto que não conheço.
Complementando… Isso é que faz grandes escritores como Renato Russo, Cazuza, Raul Seixas e tantos outros serem reconhecidos como “músicos” pela sociedade inculta. Os caras escrevem um texto bem cabeça (bem, hoje em dia já não se preza mais por esse negócio de “cabeça”), juntam com 2 ou 3 acordes no violão e pronto. São logo chamados de músicos.
Modernamente, nem o violão é mais necessário, basta botar uma batidinha “funk” e botar no palco umas garotas requebrando com mais piercings do que o Xerxes do filme 300. Mas será que algum desses caras que berram ao microfone conhece a origem do termo e as reais características do funk?
Caro André,
Concordo com você no que concerne aos questionamentos acerca da censura, como já havia inclusive escrito no primeiro comentário.
O que me levou a comentar seu artigo foi apenas o fato do João do Morro estar sendo chamado de “sambista de verdade”. Como amante do samba, apenas expus minha opinião.
Por fim, gostaria de agradecer o espaço cedido para a discussão e também me desculpar se, em algum momento, fui agressivo ou ofensivo em minhas declarações.
O texto de Mussalem discute sobretudo uma questão de direito: censura x legitimidade. Ele questiona se João do Morro teria ou não o direito a contar suas piadas preconceituosas. Vejamos até onde podemos estender o seu texto.
João do Morro, ao que parece, não está ofendendo apenas aos juízes da sexualidade, mas também aos da estética. Há o politicamente correto em relação à homossexualidade, ASSIM COMO TAMBÉM HÁ em relação à estética do samba. O samba, apesar de inicialmente marginalizado, agora é considerado patrimônio cultural (patrimônio mesmo, daqueles que muita gente acha ter a posse). A homossexualidade, apesar de inicialmente marginalizada, também vem se tornando algo (bem mais) aceitável.
Na verdade, o que está em jogo aqui é algo bem simples: praticamente todos vocês apoiam o desagravo de Mussalem à censura contra João do Morro, mas não percebem que fazem a mesma censura com o cara. A suposta “ofensa” que ele faz aos defensores da dignidade homossexual É A MESMA que ele faz aos defensores da dignidade do samba. Ele tá é tirando onda, brincando. E o que vocês estão fazendo é, como diz o próprio Mussalem, censuras disfarçadas de coisas-dignas! Usando a dignidade de Noel, da Baiana e Cartola pra censurar o sujeito.
Mais desconcertante ainda é estudante de música se achar digno de julgar a música do cara simplesmente por aprendizados técnicos. Cara, você pode saber o que for, saber tocar violino com os pés, mas não há “graduação em música” que garanta verdades estéticas. Sentimento, sensibilidade e criatividade espontânea (ok, tautologia) são coisas que tomam formato com a vida, com experiências pessoais. Você poderia até chegar pro João do Morro e se propor a dar umas aulas a ele, mas se ele não quiser, isso não o faz menos músico do que você. Eu sei que isso deve doer, mas é a vida, cara. A privada suja de Duchamps foi a prova material daquele velho ditado: gosto? é que nem CU… c’est la vie…
O que deve ser amplamente discutido – e aí sim é preciso julgar – é a questão jurídica que está rolando. Pois João do Morro não deve estar nem aí pra essa discussão boba sobre Cartola estar se revirando no caixão ou a ‘barra estar sendo quebrada’. O que ele quer é não ser processado. E, já que os “músicos” e herdeiros do “verdadeiro samba” não podem procurar o Ministério Público como a tal ONG o fez, ele deve tá é se cagando de rir dessa querelinha sobre sua “linhagem (im)pura”. Quem sabe ele não faz um sambinha pra vocês?….
Longe de mim, porém, querer ofender ninguém aqui. Só estou tentando chamar atenção pra alguns pontos. Não sou músico, apenas escuto, e talvez mal.
Parabéns a André Mussalem e aos que apóiam não o “samba” de João do Morro (já que, como concordamos quase todos, isso é pessoal), mas seu direito de brincar e de tocar.
Abraços a todos
O cara conseguiu o que queria!
Todo mundo já sabe quem é João do Morro! srrsrsrsrs
Aos vencedores (todos nós) as batatas!
Lucas,
“Há o politicamente correto em relação à homossexualidade, ASSIM COMO TAMBÉM HÁ em relação à estética do samba.”
ASSIM COMO TAMBÉM O HÁ em relação à crítica que se pode fazer aos “músicos” dos morros.
“…o que vocês estão fazendo é, como diz o próprio Mussalem, censuras disfarçadas de coisas-dignas! Usando a dignidade de Noel, da Baiana e Cartola pra censurar o sujeito.”
O que vc está fazendo é censura disfarçada de coisa-digna, usando a dignidade de João do Morro para nos censurar.
“O que deve ser amplamente discutido – e aí sim é preciso julgar – é a questão jurídica que está rolando.”
Só porque vc quer.
“pois João do Morro não deve estar nem aí pra essa discussão boba sobre Cartola estar se revirando no caixão ou a ‘barra estar sendo quebrada’.”
Mas NÓS estamos interessados. E não obrigaremos ninguém que não o queira a participar do debate contra a vontade. Nem lhes dirigiremos palavras chulas.
abraços
Agora pronto!!! Quer dizer que não podemos criticar música de mais ninguém pelo simples fato de existir um ou dois gatos pingados que gostam dela? Faça o favor!!! O lucas falou e não disse nada, não saiu do lugar. Sua análise nada mais é do que uma defesa sobre seu ponto de vista, ou seja, o sujo falando do mal lavado. A amanda está correta. Foi objetiva, como aliás, todos devíamos ser. Sem hipocrisia por favor, a questão aqui discutida é simples: A música do João do morro presta ou não. Pra mim não!!! Para outros pode ser o êxtase, e eu estou obrando pra isso, mas minha opinião vai continuar prevalecendo pra mim, como as demais opiniões contrárias para os seus respectivos titulares. Logo, a questão jurídica relevante não incide sobre as opiniões aqui ofertadas, muito menos sobre a música do João do Morro, até porque suas letras falam do cotidiano, sem dar “nome aos bois”. Assim, acho que o debate deveria focar apenas a qualidade das letras, rimas e melodias que fazem parte do trabalho do “artista” em comento. Sem lero-lero!!!
Lucas: “Mais desconcertante ainda é estudante de música se achar digno de julgar a música do cara simplesmente por aprendizados técnicos. Cara, você pode saber o que for, saber tocar violino com os pés, mas não há “graduação em música” que garanta verdades estéticas. Sentimento, sensibilidade e criatividade espontânea (ok, tautologia) são coisas que tomam formato com a vida, com experiências pessoais. Você poderia até chegar pro João do Morro e se propor a dar umas aulas a ele, mas se ele não quiser, isso não o faz menos músico do que você.”
Pessoal, não façam mais faculdade de música nem de coisa nenhuma, porque isso não dá suporte para apreciar as nuances e sutilezas de um artista como João do Morro.
Bom, se você considera música meramente como impressão sonora, dotada de um contexto psicossocial e cultural próprio da época em que foi criada, isso é extremamente válido. Entretanto, há a questão técnica, estética, artística, científica, que não deve ser esquecida, que passa entre aquelas discutidas aqui, e afinal é a minha área de competência. Como já disse, não dou pitaco em assunto que não conheço.
São duas opiniões distintas, nenhuma das quais invalida a outra. Você continua apreciando (ou não, sei lá) o João do Morro porque ele mostra fielmente um retrato do morro, do meio de vida dele, um prato cheio para sociólogos, historiadores e outros profissionais do gênero. E eu continuo não gostando porque não acho, segundo meus conceitos e valores, que ele seja um bom MÚSICO, e a letra repleta de conteúdo socialmente relevante dele não é suficiente para me convencer – em duas palavras: não presta.
Agora, se você realmente tem um parecer jurídico sobre o assunto, poste-o e não me encha o saco, porque não é disso que estou falando.
o pântano, ao menos era bem mais engraçado.
Bastante esperto esse tal “João do Morro”, até bem pouco tempo só se ouvia o lixo de música que ele compõe e diz que canta, nas carrocinhas de cd pirata nas ruas, foi só acontecer essa polêmica envolvendo seu nome com hofobia, que essa figura, de um mal gosto doentio e beirando a sociopátia, se aproveitou para fazer uma jogada de marketing muito bem planejada pelos seus produtores.
Vivemos em uma sociedade que sofre com a falta de valores tangíveis, onde espertos dessa natureza proliferam como moscas sobre a carniça, era de se esperar que isso viesse a acontecer.
O histórico de suas composições não deixa dúvidas. Sua cultura é mínima, quer se fazer passar por personagem “cult”, mas não passa de mais um espertalhão aproveitando os ventos do momento, sua cultura, isto sim, é baseada em evidente e sólida experiência preconceituosa.
Esse senhor enoja a nos pernambucanos e a toda a parcela da sociedade que cuida de preservar os valores culturais e incetivar as manifestações genuinamente populares.
Sua “onda” vai passar, espero que as pessoas possam questionar e tirar alguma coisa de positivo, se é que há algo de positivo nesse personagem homofóbico e oportunista que fere os nossos ouvidos com o seu trabalho de gosto artístico duvidoso, e que quer sobreviver da desgraça alheia arrancando uma “grana” em cima do preconceito a da baixaria.
joão do morro e o cara mo vey aquim em caruaru so da elle agalera não escunta outra coisa não a não ser joão do morro
oi para o joao do morro, fica eu sou a irma do kaue,,,ok.
mas nao te conheço, nunca ouvi uma musica sua, mas deixo aqui para todos, joao do morro esta no rio de janeiro e esta arrebentando , o cara e conhecido como o sociologo da periferia de recife, agora vcs. do nordeste podem falar que tem um grande nome rodando o brasil todo, agora o joao do morro explodiu no rio de janeiro, com um carisma inegaláve,ele esta tocando no alto da lapa- rj parabens e boa sorte.!
oxe oxe . isso é muito équeijo deesses viados .
nnois num tem culpaa do povo nascer com cabelo ruim .ou fangoo mim !
Joãao do Morro – tudo de boom meu sarara
bjs
dale joão do morro eu curto seu som cara e ta mais que certo bota pra fuder nos jornalistas mesmo meu pirraia
joão do morro é 10 sua melhor musicas e as nega nega indoida……..
e pros que n gostam de joão do morro va come um janbo ou um bolo de bacia………
joão do morro o cara