Mudanças climáticas levará à escassez de água e comida

abr 6, 2007 by     7 Comentários    Postado em: Atualidades, Meio Ambiente

da Folha

Os efeitos das mudanças climáticas sobre o ambiente e a sociedade não só já são nítidos como podem levar, ainda na primeira metade deste século, à escassez de água e de alimentos, além de fenômenos inusitados – e assustadores – como dengue na Europa.

Esta é a mensagem que os cientistas do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática) devem divulgar hoje, em Bruxelas (Bélgica), com os dados da segunda parte do chamado AR4, o Quarto Relatório de Avaliação da saúde do clima do planeta.

Direcionado aos “policymakers” – os fazedores de políticas públicas -, o sumário apresenta evidências dos impactos físicos (os mais nítidos), biológicos (os mais bem-documentados) e sociais (os mais controversos) causados pelo aquecimento global.

O texto também analisa a vulnerabilidade das regiões do planeta e as ações a serem tomadas para aumentar a “capacidade adaptativa” da humanidade à porção inevitável das mudanças climáticas.

Cientistas ouvidos pela Folha rejeitam, no entanto, a idéia de que os dados podem cristalizar uma visão apocalíptica sobre o futuro do planeta.

“Não é uma apresentação catastrofista, é um relatório científico honesto, as pessoas verão que as mudanças não vão acontecer do dia para a noite”, disse Mohan Munasinghe, vice-presidente do IPCC.

“As boas notícias são que temos evidências científicas claras, sugestões de iniciativas políticas para reduzir a vulnerabilidade e para melhorar a habilidade da sociedade de se adaptar às mudanças”, completou.

Europa doente

O brasileiro Ulisses Confalonieri, da Fiocruz, coordenador do capítulo do relatório que trata sobre saúde, é outro que relativiza o tamanho do problema, no que tange aos fenômenos já observáveis.

“De implicação para o Brasil, na parte de saúde, não tem nada. A Europa parece estar mais vulnerável”, diz Confalonieri.

“Eles estão assustados com doenças como dengue, leshimaniose, malária, coisas que podem vir da África, cujos vetores podem começar a subir para a Europa com o aumento da temperatura.” O maior calor amplia tanto a zona de distribuição de insetos quanto o período quente, propício à sua reprodução, durante o ano.

Não que o impacto sobre a saúde seja desprezível: a exacerbação da poluição urbana, a seqüência de ondas de calor nos países de clima temperado e o maior número de eventos extremos (tempestades, inundações etc.) aumentam o risco para seres humanos – especialmente velhos, crianças e, claro, moradores de áreas pobres.

Mas, segundo o pesquisador brasileiro, entre os dados que serão apresentados hoje o impacto “mais chocante e mais bem-documentado” será na diversidade biológica do planeta.

Outra inter-relação que vai ganhar mais destaque a partir dos novos dados é aquela entre as mudanças projetadas e questões de segurança.

Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção do Clima das Nações Unidas, alertou em comunicado para o perigo de que as mudanças climáticas disparem conflitos por água.

“Os impactos projetados nos mostram que precisamos lançar urgentemente um acordo para ações internacionais futuras e para a criação de fundos para ações de adaptação.”

Conselho de Segurança

A seriedade do problema foi corroborada ontem pelo anúncio de que o Conselho de Segurança da ONU debaterá pela primeira vez, no próximo dia 17, a mudança climática como ameaça à paz e à segurança.

“De acordo com algumas estimativas, as mudanças ambientais já deslocaram quase tantas pessoas quanto o número de refugiados tradicionais”, diz De Boer em seu texto.

“À medida que os impactos do clima forem mais drásticos, o número de desabrigados deve crescer consideravelmente, chegando possivelmente a 50 milhões de pessoas em 2010.”

A falta de água e comida como fator de migração também é considerada por Confalonieri.

“O IPCC projeta, para a primeira metade deste século, uma redução na produção de alimentos nos trópicos, pela diminuição das chuvas”, explica.

7 Comentários + Add Comentário

  • Que catástrofe!!! O fim do mundo!!!

    Faltará água, comida e a roupa ficará sem ser lavada!!!

    Rarará!

    Estamos sendo expulsos do planeta!

    No século XIX o mundo também viveu uma histeria desse tipo com os estudos de Malthus sobre o avanço populacional e a disponibilidade de recursos. Ao contrário do que se alardeava estamos vivos hoje e nosso padrão de vida é melhor que o do século XIX.
    Nossos netos estarão vivos em 2100, não haverá fome, a seca será compreendida e o homem adaptar-se-a as mudanças climáticas, como sempre vez ao longa da história.
    Vejo nessa histeria do clima que se apoderou da mídia e das mentes dos desavisados uma forma mais que conservadora de ver o mundo, uma forma retrógrada. O poder do homem é completamente anulado, a ciência passa a ser vilã, a tecnologia uma desgraça.
    A forma mais conseqüente e, portanto, mais radical desse neo-conservadorismo-ecologista-cristão seria o próprio apocalipse, onde a maior parte da população fosse eliminada e só restasse aqueles com plena consciência da importância da consevação.

  • O que adianta as pessoas ficarem só falando sobre a importancia da água se não colocam em prática os meios de diminuir a poluição dela.Devemos nos cocientizar e começar se mexer,pois a cada dia que passa nossos oceanos,lagos e rios ficam mais poluídos

    • vc n vale nada mauis eu gosto de vcccccccccccccccccccccccccccccccc quuuuuuuuuuuer³??????????????????????????? vc é mutioooooooooooooooooooooooooooo

  • muito chato

  • chato de mais

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).