Não é só a geografia que nos separa do Japão.

jul 31, 2015 by     18 Comentários    Postado em: Atualidades, Cultura, Meio Ambiente

 

Por Pedro Jácome


Eu estava no jogaço entre Itália e Japão na Copa das Confederações.
Na entrada da Arena, o que mais se via eram brasileiros usando camisas d’Azurra.
É natural que os brasileiros, fãs de futebol, se sentissem mais próximos da Itália do imortal Buffon, Pirlo Highlander , Balotelli, etc.

Mas, na hora do “vamo ver”, o brasileiro sempre acaba torcendo pra o mais fraco.
O amor pelos “underdogs” é uma das características mais marcantes do Brasil.

Cativados pela torcida japonesa e pelo futebol guerreiro do Japão, que jogou de igual pra igual com a tetra-campeã do mundo, no final do jogo, o estádio já quase inteiro gritava em coro: “Japón, japón” (saiba-se lá em que raio de língua Japão se pronuncia Japón).

Mas o mais impressionante ainda estava por vir. No final do jogo épico, os japoneses começaram a limpar o estádio.
Isso. Exatamente. Os japoneses começaram a catar o lixo do chão do estádio. A atitude ganharia destaque nacional

Pois bem.
Essa semana, um grupo de japoneses está aqui em Pernambuco por ocasião dos 120 anos do acordo de amizade entre o Brasil e o Japão.
E, claro, deram mais uma lição pra gente.

Marinheiros japoneses limparam o lixo das ruas no entorno da estação central do Recife.
Ou seja, os caras vieram a visita, lá de detrás do raio que o parta e tão limpando a sujeira que nós mesmos jogamos em nossa cidade.
Bonito pra nossa cara, né?

Pois bem, a consul japonesa, Hitomi Sekiguchi, explica a origem da diferença:

“Desde criança, na escola, aprendemos que devemos fazer a limpeza. Então as crianças, na sala de aula, elas limpam as cadeiras e, conforme vai avançando a idade, aprendem a limpar outros lugares, como corredor, banheiro. Nós sempre fomos educados a limpar”

O que a consul relatou tinha me chamado a atenção em uma cena do filme “Imperador”, que trata da decisão do General Bonner Fellers, sob o comando de Douglar MacArthur, sobre se o Imperador Hirojito deveria ou não ser tratado como criminoso de guerra, após o fim da Segunda Guerra Mundial.

A cena das crianças limpando a escola me marcou porque contrasta profundamente com a nossa cultura educacional.

Em 2009, no Rio Grande do Sul, uma professora foi processada porque mandou um aluno limpar as pichações que ele mesmo tinha feito. No mesmo ano, em São Paulo, pais denunciaram uma escola porque ela obrigava os alunos a limparem a escola no fim da aula.

Eu não quero entrar no mérito jurídico da questão, porque esse tema não é minha especialidade e porque eu também não estudei o caso concreto.
Mas acho que fica clara a diferença de cultura educativa entre os dois países. O que lá é visto como um dever, aqui é visto como um abuso. E isso explica muita coisa.

Não é só no campo das ciências que as escolas japonesas estão nos dando um banho.

O amigo japa manda um abraço.

 

18 Comentários + Add Comentário

  • No brasil, se um professor mandar um aluno limpar a pichação, o professor apanha do aluno, é processado pelos pais do aluno e é demitido da escola.

    Nesse país, o marginal tem sempre razão.

    O brasil não é, nem nunca foi uma nação. Isso aqui não passa de um grande favelão.

    • O Brasil virgula, ja passei um tempo no interior de sp, região de rio preto, bem melhor que aqui, em tudo.

    • Pedro Jácome, obrigado por trazer esse tema ao AC

      Infelizmente estamos longe de ser um país

      Somos apenas um amontoado de gentes num território
      a cidadania passa longe

      O comportamento geral é de envergonhar e isso explica abusos como o petrolão

  • O Brasil já ocupa as piores posições nas avaliações internacionais sérias sobre educação, principalmente na área de exatas e ciências.

    E a doente mental da Dilma ainda chama esse chiqueiro de “pátria educadora”.

    • No Cubão não existe educação. Existe doutrinação em marxismo. Não existe pesquisador. Existe militante.
      Enquanto não se cortar do ensino baboseiras como “pedagogia do oprimido” ou “preconceito linguístico” será daqui pra pior!

  • O episódio da limpeza do estádio não teria sido na copa, no jogo Japão x Costa do Marfim?

  • Por esses dias estava andando calmante pela rua, quando enxergo um motorista em um carro parado no sinal abrir o vidro e arremessar um pacote vazio de biscoito pela janela.. Esse tipo de conduta expressa a realidade nacional….

    • É lasca! Quando o cara anda pelas ruas da cidade é comum encontrar muito saco plástico nas ruas, no metrô… Eu já vi inclusive pais pegando o saco de pipoca do filho e jogando no meio da rua como se aquilo fosse normal. É um dever de cada um manter a cidade, o problema é que existe uma cultura de achar que isso é só dever dos garis. Os japoneses estão de parabéns pelo povo que tem.

  • Esse é um dos motivos que me envergonham de ser brasileiro. O Brasil é um local de gente porca. O que mais se vê pelas ruas é sujeira. No transporte é fácil flagrar motorista e passageiro jogando lixo pela janela.
    E aqui as pessoas são contra o trabalho infantil, como se uma atividade interferisse no desenvolvimento de uma criança. Trabalho escravo e/ou incompatível com o organismo é outra história, muito diferente. A ocupação desde cedo enobrece e prepara o indivíduo pro futuro.

  • Vagabundos de esquerda são os primeiros a desqualificarem quem lava privada. E considerando que a educação é baseada nessa ideologia vagabunda , tudo fica explicado. O brasileiro acostumado a ouvir baboseira esquerdista durante toda formação acha humilhante limpar o chão. Acha que por pagar impostos pode avacalhar . E justifica dizendo que é importante para dar emprego a garis!

  • O povo japonês aprendeu muito com os bombardeios nucleares em Hiroshima e Nagasaki. O Japão se reergueu das cinzas disposto a se consolidar como uma das maiores potências do planeta.

    Setenta anos depois do pesadelo nuclear, este pequeno e isolado arquipélago se tornou uma das principais referências mundiais em qualidade de vida, longevidade, respeito ao ser humano e progresso científico, tecnológico e educacional.

    No caso do Brasil, acredito que nem uma bomba atômica aprumaria essa bagaceira.

    Se bem que, com o PT, quem precisa de bomba atômica?

    • Enquanto o japonês se vê como alguém contribuindo com crescimento da nação, o brasileiro cresce visando sugar a nação. Basta verificar a existência da profissão de concurseiro. Sem contar os que entram na política com o único objetivo de enriquecer. Além dos milhares que fraudam a previdência, compram atestados médicos, falsificam diplomas e etc e etc.

      • Teve um boy de 17 anos que passou num concurso, e na pagina do DP, todo mundo admirado e dando os parabéns. kkkkkkkkk…um genio a ser tornar burrocrata, é como disse uma vez o blog, se bill gates fosse brasileiro teria virado funcionario publico. Seremos engolidos.

  • O próprio autor do texto tem as respostas. A lógica maior do Brasil é sua cultura jurídico-burocrática. Isso sim é a fonte de atraso do país. Educação com trabalho? É crime, processa-se. Trabalho produtivo? É crime, processasse… Nós não temos uma orientação voltada para educação, mas, sim, para indústria dos litígios.

    As nossas escolas são lugares inóspitos, enquanto nossos tribunais são palácios sagrados. ehehehe

  • Tudo é possível, basta querer, mas parece que grande parte da nação resolveu cruzar os braços diante de tanta bagunça. Se pelo menos cada um fizesse a sua parte já era grande coisa. Que tal começar dentro de nossas casas?

  • Sou Recifense e tenho vergonha da falta de educação da população da cidade. Já fui em muitas capitais do país e sinceramente acho que a população do Recife é a que tem maior falta de educação. Sinto vergonha!

  • Esse povo não tem educação doméstica. Muitos quando chegam no shopping dão uma de educado e joga o lixo na lixeira. Basta sair nas ruas para voltar a ser a pessoa de sempre. Muito dizem que falta lixeira nas ruas, mas isto não é desculpa, pois em Tóquio não tem lixeira nas ruas e nem por isso o povo suja a cidade. Eu boto o lixo no bolso e jogo dentro do carro ou quando chega em casa jogo na lixeira.

    • Isso aí.

      Também guardo o lixo comigo. E ultimamente tenho tido que guardar bastante, pois sempre encontro lixeiras quebradas.

      Aí o cidadão pagador de impostos joga o lixo no chão, arrebenta a lixeira, e quando o poder público contrata mais garis e gasta mais dinheiro consertando as lixeiras e resolve aumentar impostos pra bancar essa atividade, o cidadão pagador de impostos se irrita e protesta… jogando mais lixo no chão!

      Bomba atômica, please…

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).