Alguém tem notícias das notícias sobre o desfecho oficial da Operação Satiagraha? Será que se teriam perdido nos escaninhos das grandes redações?
Registro aqui um fato curioso.
O único jornalão que publicou matéria sobre o desfecho oficial da Operação que prendeu o banqueiro Daniel Dantas, e agora o indiciou junto com mais 12 pessoas (entre os quais, Dório Ferman) foi o Estadão.
A matéria é do jornalista Fausto Macedo – segundo Nassif, o “previsibilíssimo Fausto Macedo”. Leia a matéria em nossa clipagem (aqui), mas cuidado: a segunda parte do texto é uma das mais descaradas tentativas de desqualificação da Satiagraha que li nos últimos meses.
O mais estranho é que, depois de tanta atenção da grande imprensa à Operação, tantas manchetes, tantas reportagens, capas, urros e sussurros, não se lê praticamente nem uma linha sobre o desfecho oficial da Operação que, agora, indicia 13 pessoas.
Realmente curioso tanto silêncio da imprensa. Depois do barulho, a Operação chega oficialmente ao fim, e.. nem um pio.
Os indiciados são:
Daniel Dantas
Roberto Amaral
Verônica Dantas
Willian Yu
Rodrigo Bhering Andrade
Carlos Rodemburgo
Arthur Joaquim de Carvalho
Dório Ferman
Norberto Aguiar Tomaz
Eduardo Penido Monteiro
Daniele Silbergleid
Itamar Benigno
Humberto Braz
Sobre o “silêncio, estranho silêncio” acerca da conclusão oficial da Satiagraha, reproduzo abaixo texto de Luciano Martins Costa publicado hoje no Observatório da Imprensa.
Leia:
OPERAÇÃO SATIAGRAHA
Silêncio, estranho silêncio
Por Luciano Martins Costa em 30/4/2009
Comentário para o programa radiofônico do OI, 30/4/2009
A chamada Operação Satiagraha, que mereceu tantas páginas de jornais e revistas, foi oficialmente concluída. O inquérito segue para a Justiça, sob um estranho silêncio da imprensa.
Na quinta-feira (30/4), apenas o Estado de S.Paulo registra que a Polícia Federal indiciou o executivo Roberto Amaral, mais um colaborador do dono do Banco Opportunity. Agora são treze, oficialmente, os acusados de envolvimento em crimes de evasão de divisas, formação de quadrilha e outras falcatruas.
O personagem do dia, Roberto Amaral, é velho conhecido de jornalistas que cobrem a confluência da política com a área de negócios. Ele costumava circular com desenvoltura pelos gabinetes de Brasília desde os anos 1970, sendo apontado como lobista da construtora Andrade Gutierrez.
Durante o governo Fernando Collor, era dos personagens que entravam e saíam do gabinete presidencial a qualquer hora, mesmo sem ter seu nome anotado na agenda de audiências. Foi grande amigo do notório tesoureiro de campanha do ex-presidente Collor, Paulo César Farias, lembra a reportagem do Estadão.
Primeira instância
Se fosse do tipo falastrão, Roberto Amaral teria muitas histórias para contar. Mas, ao que parece, não há muitas pessoas dispostas a ouvi-lo. Nem mesmo na imprensa.
Pois nada justifica os outros jornais terem ignorado o fato de que, com o indiciamento de Amaral, conclui-se o inquérito que a Polícia Federal batizou de Satiagraha.
O observador atento, que de tão atento pode até ser tido como chato, perguntaria: por que razão, depois de tanto escândalo sobre as práticas do delegado Protógenes Queiroz, que deu início e estruturou o inquérito, os jornais ignoram seu desfecho?
O indiciamento de Roberto Amaral foi feito há uma semana. A publicação da notícia e da conclusão do inquérito parece ter sido resultado do interesse exclusivo do repórter, já que não há nem mesmo uma palavra de referência na primeira página do jornal.
O caso agora está na Justiça. Daniel Dantas vai responder por cinco crimes: gestão fraudulenta, formação de quadrilha, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e operação irregular de crédito. Terá a companhia de doze sócios e colaboradores. Ele já foi condenado a dez anos de prisão, em primeira instância, por corrupção ativa. E, de repente, a imprensa perdeu o interesse por ele.
Link:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=535IMQ011




André,
Silêncio cúmplice com os indiciados. Cumplicidade e parcialidade evidenciadas pela diferença de ênfase quando se trata de falar dos investigados e dos investigadores.
Estes últimos são tratados depreciativamente. Os primeiros, quando não são qualificados de gênios, contam com o silêncio.
Não sei quanto à mídia impressa, mas os telejornais da Globo News deram espaço durante alguns dias para a divulgação do desfecho da operação. Claro que não fizeram o estardalhaço que tinham feito para divulgar as escutas sem áudio e outras coisas que pretendiam incriminar Protó. Mas ouve divulgação nos telejornais que eu assisti, e não foi num dia só. Passaram uns dois dias divulgando, inclusive com imagens de DD e de sua maninha.
De toda forma, é claro que a imprensa não vai fazer estardalhaço, pois empresário não fica feliz com prisão de empresário. Aliás, se existe identidade de classe (coisa na qual não acredito) deve ser entre a classe empresarial. Ô povinho unido! Mas talvez o termo mais adequado seja “corporativismo” mesmo.
ops! “ouve” não. “Houve”.
Nestas horas que vimos a credibilidade da imprensa. eu particularmente não leio mais jornais escritos, somente internet e telejornais, com exceção da GLOBO.
Depende de cada um de nós, basta não prestigiarmos os “silenciosos” que acabarão na ruína.
A Satiagraha foi um desaforo, nunca deveria ter existido.
Mas ela eclodiu, à revelia dos indiciados, que logo trataram de desqualificá-la.
Buscaram e conseguiram socorro na mídia e na instância máxima judiciária que, prontamente, engrossaram o coro contra os investigadores. Acendeu-se a luz amarela para membros da classe política nacional.
Transformaram um suposto grampo ilegal num crime maior que lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas.
Tentaram moldar a opinião pública a fim de satanizar o mocinho e inocentar o bandido, que ainda ironizou no congresso: “sou vítima”.
E a Satiagraha vai, q
ERRATA – na última frase cliquei sem querer no “enviar”. Vou repeti-la:
E a Satiagraha, que jamais deveria ter nascido, vai ao encontro de sua morte prematura.
em relação aos jornais impressos eu não sei, mas os noticiários das TV´s abertas deram a notícia, sem armar um circo, é claro. Eu vi reportagens na band, record e globo… pelo menos o PIG citou alguma coisa…
Pior é nada…