Do blog do Noblat, por Inácio França
O empresário Marcelo Tavares de Melo, genro do poderoso João Carlos Paes Mendonça, casado com sua única filha, foi acordado de manhã cedo pela Polícia Federal. O porteiro do prédio na sofisticada avenida beira-mar de Boa Viagem deve ter custado a acreditar no que presenciava: os hômi, de jaleco preto e letras amarelas, levando o dotô! Paes Mendonça, donos dos maiores shoppings-center de Pernambuco, dono do Jornal do Commércio, dono de uma TV que retransmite o SBT, dono de rádios.
Antes das 9h, praticamente toda a Imprensa pernambucana já sabia da prisão do empresário e de quase toda a diretoria do grupo Tavares de Melo, acusados de formar cartel para padronizar o preço da gasolina e de praticar dumping. Os sites dos três jornais continuavam mantendo seus leitores na santa ignorância, as rádios continuavam mudas. É verdade que a CBN, em seu noticiário nacional, noticiou. Na programação local, cuja franquia está nas mãos de Paes Mendonça, silêncio absoluto.
Foi aí que começou a acontecer algo curioso: os leitores mais bem informados começaram a fazer comentários nos blogs hospedados nos portais dos jornais pernambucanos. Mesmo antes das prisões serem noticiadas pelo NE TV e por um blog independente, Acerto de Contas (temporariamente hospedado no portal do JC, mas com as horas contadas), os leitores cobravam informações dos veículos de comunicação. Algo inesperado, impensável para os jornalistas do grupo: leitores cobrando uma posição dos jornalistas. Logo de jornalistas, profissionais acostumados a, em nome de seus patrões, representar o papel de fiscais e palmatória do mundo.
Foi um deus nos acuda. Os blogueiros passaram horas deletando comentários. No portal JC Online, houve uma súbita mudança nas regras para os comentários das notícias: antes liberados, passaram a depender da aprovação de um mediador. Curiosamente, o mesmo aconteceu nos blogs e sites mantidos pelas empresas concorrentes. Foi assim no blog da Folha (da Folha de Pernambuco), também no Pernambuco.com, do Diário de Pernambuco. Um caso raro de leitores censurados pela mídia.
O episódio é bastante interessante e pode ilustrar a dificuldade que os donos dos meios de comunicação tradicionais (e os jornalistas a seu serviço) têm para lidar com o fato de que, as novíssimas tecnologias, tornaram o processo de comunicação multicêntrico, descentralizado e, o melhor, um pouco mais democrático. No episódio mencionado, durante várias horas, tentou-se impedir o estouro da barragem, vazando água por diversas fissuras, usando pequenas rolhas de cortiça. A custo da credibilidade, no caso das empresas. A custo de algo que poderíamos chamar de dignidade profissional, no caso dos jornalistas.
Só no meio da noite, às 20h14min, um dos blogs assinados por um jornalista do JC publicou a informação da prisão dos empresários. Marcelo Tavares de Melo, o genro do patrão, foi apresentado como o sócio da distribuidora de combustível Ello-Puma. Cinco minutos depois, nova postagem: desta vez, anunciando que o advogado dos empresários considerava a prisão arbitrária e desnecessária.
Foi impossível não lembrar da cobertura dos episódios envolvendo os petistas em 2005 e 2006, todos julgados e condenados durante os telejornais antes mesmo do fim dos depoimentos. Não seria o caso de tratar a todos com os mesmos pesos e medidas?
Também vale ressaltar para um fato interessante, que diz respeito aos que se interessam pelo modo como os acontecimentos viram notícia: durante todo o dia, vários repórteres telefonaram para os editores do blog Acerto de Contas (de quem não tenho autorização, mas sou amigo pessoal), sugerindo que fossem mais “cuidadosos” e avisando que eles iriam perder o direito à hospedagem. Será que em Pernambuco a honestidade profissional de um repórter custa o equivalente a hospedagem em um provedor de Internet?
Inácio França é jornalista



Parabéns pela coragem, sr. Inácio França, que não conheço pessoalmente. Esse epísódio tem que ser melhor estudado. E aí sobra responsabilidade para os sindicatos da comunicação, se não pipocarem,
O-A-B, movimentos sociais. A divulgação ficou restrita a rede Globo, com notas e poucas imagens, Universitária-FM, única rádio que não deixou a polícia federal muda, e os blogs, alguns blogs. O Acerto de Contas pode perder a hospedagem, pois acaba de ganhar um patrimônio caríssimo: credibilidade. Algo destruído em seis meses por Paes Mendonça. Primeiro na tendência absoluta da cobertura eleitoral, pró-PFL; depois com a censura na operação 2-7-4. Tão grave quanto a censura do Sistema J-C é a subserviência dos outros dois sistemas. A comunicação em Pernambuco está sob suspeição. Ministério Pública nela, ou, neles!
A imprensa de Pernambuco escreveu na sua história um dos capitulos mais triste. Se submeteu ao pode econômico.
A força do poder foi tão grande, que praticamente quase todos os veículos sucumbiram as ordem recebida para se calar. E se calararam.
Além da imprensa, o esquema do silencio e das criticas a ação da Policia Federal recebeu o apóio de um senador da oposição, que teve a coragem de subir na tribuna do Senador para defender os empresários presos e dois a três deputados estaduais, que deram entrevistas, denunciando a PF. O estranho é que, quando existia um silencio quanto as prisões, foram abertos espaços para aqueles que desejavam fazer a defesa dos aprisionados.
Pobre imprensa pernambucana.
Esse tal de Marcelo Tavares de Melo (leia-se grupo João Carlos Paes Mendonça) fez de palhaços e bonecos marionetes o editor geral do JC, Ivanildo Sampaio, a editora executiva Maria Luíza Borges, o editor adjunto Laurino Ferreira, o blogueiro Jamildo Melo e todos os demais jornalistas que fazem aquele jornal, pois todos tiveram suas bocas arrolhadas, mãos atadas e ficaram caladinhos sem poder dizer nada neste caso absurdo. É essa a credibilidade, a isenção e a imparcialidade que o JC diz que tem para nós, leitores e assinantes? Agora, depois dessa, cai de vez a máscara do JC. Pior, essa história cai como uma grande mácula para toda a imprensa pernambucana, feita de palhaça mais uma vez.
[...] e senhoras, errei. Ao contrário do que escrevi no texto O dia em que a mídia censurou os leitores, publicado originalmente no Blog do Noblat e, logo em seguida, no Acerto de Contas. O portal [...]
Inácio, só mesmo um TRICOLOR para ter a coragem de escrever, e publicar, a verdade verdadeira.
Mas, quero registrar que, durante 7 anos e meio, nunca li um artigo de qualquer jornalista de um dos 3 jornais, ou nas emissoras de rádio e de TV, que fizessem a mínima crítica aos governadores no período 1999 a 2006.
Durante quase 8 anos, o saudoso Arraes era o mais perverso e incompetente, enquanto a gestão sucessora governava com 2 bilhões da venda da Celpe no bolso e era o máximo em eficiência e competência.
Hoje, a verdade é clara e cristalina: escolas, hospitais, postos de saúde e delegacias, quase tudo sucateado, e o povo acreditando que Pernambuco havia se transformado numa Califórnia.
Que a imprensa pernambucana seja menos comprometida com as forças dominantes, quer sejam políticos, ques sejam empresários, e abarace a verdade que interessa ao povo de Pernambuco.
fico feliz em conhecer o Inácio e que Deus o proteja e o Espírito Santo, que hoje começa Sua semana: possa iluminar e dar força e coragem a todo ser humano que tenha dignidadede denunciar e buscar a verdade, sempre, em defesa dos mais pobres. Sim, porque são estes que são roubados, quando são desviados recursos,quando uns pouquiissimos só pensam em lucros exorbitantes, em luxar, como se dizia antigamente. Vou fazer uma novena ao Espírito Santo – o que faz parte da Trindade Santa para que se desmacare essa mídia, que se apressa a dizer o que o Papa não disse, qdo afirma que ele condena a Teologia da Libertação que simplesmente segue os ensinamentos e o testemunho de Jesus.
Vejam: demitiram ( ou fizeram demitir ) a Superintendente do INCRA, Maria Oliveira,aqui em PE, interlocutora dos trabalhadores rurais e conhecedora das causas da demora da ligth reforma agrária ainda possível de ser feita; e, mesmo assim, saboteada, escamoteada.Cadê destaque na imprensa?Cadê notícias sobre as discussões na CELAM? S[o queriam informar onde e como o Ppaa dormia…É mesmo uma pena esses jornalistas submissos aos seus patrões;depois não querem um conselho federal de Jornalismo, como todoas as outras categorias o têm.
Foi bom ler isto aqui.