O PCC e suas intenções políticas

abr 1, 2008 by     10 Comentários    Postado em: Atualidades

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Segundo saiu em matéria do Estadão de ontem, o crime organizado está pretendendo ter uma infiltração no mundo político. Mobilização de massas em protestos e passeatas e financiamentos de campanhas são algumas das ações políticas dos agente do PCC.

Isso me lembrou de um texto que li há alguns anos atrás.

Na mais recente edição do livro Coronel, Coronéis, de Marcos Vinícius Vilaça e Roberto Cavalcanti de Albuquerque (publicado originalmente em 1965), o crime organizado é posto na introdução revista da 4º edição (2003), como uma representação substitutiva dos velhos coronéis.

Na página 34 desta obra, está escrito: “Essas formas de domínio, quase sempre associadas ao crime organizado, ignorando e desafiando os poderes públicos, reproduzem, no meio metropolitano, com mais violência, crueza e audácia, a personagem ambígua de chefe temido e de benfeitor generoso do coronel, seu protótipo rural.

Com o devido cuidado na analogia/análise, é dito que não se deve mascarar suas diferenças. “Se o coronel do interior se apropria do Estado, cooptando-o e sendo por ele cooptado (…), sua revivescência metropolitana não só o substitui como desafia e confronta, abertamente, as autoridades públicas. Ela cria sua própria ordem, à margem da lei, apoiada em inexorável escalada do crime.”

A tese dos autores é a de que o crime organizado se aproveita da falta de trabalho, e da ausência do Estado nas periferias das cidades, que, em vez de proteger os cidadãos das favelas os orime ainda mais, muitos desses moradores pobres e oprimidos acabam sendo seduzidos, num misto de medo e necessidade, pelas oportunidades oferecidas pelo crime.

Parece absurdo (ou não…), mas o crime organizado está cada dia mais organizado. Na matéria do Estadão, diz-se que uma conversa entre os bandidos e um advogado foi gravada. E, partir dessa conversa fica clara a intenção do Primeiro Comando da Capital (PCC – que já até parece nome de partido político mesmo!) de compor uma representatividade política.
A conversa se dá entre Daniel Canônico, o Cego (porta voz do líder do PCC, Marcola), o Carambola (2º homem do PCC) e o advogado Sérgio Wesley da Cunha.

Marcola

Segundo a matéria do Estadão: “Eles começam tratando da manifestação patrocinada pela facção em frente do Congresso Nacional, ocorrida em 28 de novembro. ‘Doutor, sabe qual a intenção dessa passeata?’, pergunta Canônico. É o porta-voz de Marcola que responde: ‘Era pra mostrar para aqueles deputados federais que nós temos força política.’ A organização criminosa fretou ônibus em dez Estados para levar manifestantes até Brasília. O objetivo declarado do movimento era fazer um protesto contra o descumprimento da Lei de Execuções Penais.”

Em um momento da conversa, o advogado Wesley diz: “Eu sempre falei pro Marcos (Marcola), uma vez que eu conversei com ele longamente, só na grade, olho no olho: ‘Marcos, a gente precisa ter uma representação política! O IRA (Exército Republicano Irlandês) que está bem pra cacete lá na Irlanda (do Norte), eles têm o Sinn Fein, que é um partido de representação política!

É mole ou quer mais?

10 Comentários + Add Comentário

  • Que notícia boa, seria bom que uma das bandeiras que o PCC levantasse fosse a da legalização das drogas. Mas aí acabaria com o instituto do tráfico, sua principal fonte de recursos financeiros. É, parece que todo partido “político” tem seu lobby a defender…

    • deveria liberar apenas a maconha assim acabaria com o trafico mas com leis exemp fumar só na residença

  • Daniel Tabosa,

    Não entendo sua satisfação em fazer apologia as drogas.
    O combate as drogas não pode acabar, nem se cogita esta possibilidade.
    Sou contra aos que se drogam, desejo que os que vendem, percam seus espaços pela simples consciência de que, o usuário ajuda e financia o tráfico.
    Sem os consumidores não há traficantes.

    Infelizmente Marco Bahé, as pessoas não sabem o que escrevem .

  • Caros amigos,

    Lembrem-se que crime é o que está escrito na Lei e só. pra se descriminalizar a droga que qualquer de vcs imaginar, não é preciso votação alguma, em colegiado nenhum. basta que o responsáel pela Agência reguladora respectiva retire da sua lista de susbstâncias antes denominadas que causam dependência química ou psíquica e hoje simplesmente de droga o princípio ativo tetra-hidro-canabinol, que é o que carrega quem leva maconha e pronto, o primeiro a colocar nas gôndolas de seus supermercados certamente não será marcola. mas outro que responde pela sigla JC alguma coisa.

    o que vcs acham pior? mandar matar e assumir que matou este e aquele desafeto ou matar em atacado como matam por dengue os nossos governantes.

    vcs acham que não tem nenhum deputado, senador, juiz, ou desembargador comprado por criminosos? o que dizer da composição dos tribunais ter a sua última palavra dada pelo chefe do executivo respectivo? o que vcs acham de deputados ou senadores, mesmos que presos em flagrante por crime hediondo terem seus flagrantes imediatamente comunicado à respectiva casa legislativa, que, entre outras coisas, poderá decidir pela sua libertação e até mesmo se será ele submetido a julgamento?

    minha gente, enquanto 12 % de juros ao ano para os bancos for lorota constitucional e parlamentares não amanhecerem com a boca cheia de formiga como fazem com os pequenos bandidos, nada, mas nada vai acontecer, senão o que temos visto. só que agora ao invés de o dinheiro que financia a chegada ao trono dos parlamentares ser proveniente de caixa dois (leia-se roubado com os cargos que cada partidfo ocupa ciclicamente em todas as gestões), será agora vindo de quem o tomou na base do fuzil ou lucrando com as drogas. vai mudar só o tipo penal incriminador da fonte da grana.

    tá, sem onda mesmo. gostaria de ver um deputado chegar no poder e defender os presos que são forjados pra se tornarem psicopatas ao saírem da prisão em que são abrigados a comer comida de bicho (porco).

    não sou ex-presidiário, não sou doido. só estou sugerindo a possibilidade de que vcs talvez estejam fazendo uma discriminação só por que os caras, em vez de desviar verbas, vão para o meio da rua e tomam mesmo.

    antes de me xingarem, ao menos reflitam se estamos mesmo nos engasgando pelos motivos certos.

    abraços cordiais a todos que fazem e prestigiam este importante espaço de reflexão.

  • “o crime organizado está pretendendo ter uma infiltração no mundo político.”

    Rarará piada braba, isso já aconteceu há tempos, afinal será que ninguém acha estranho essa amabilidade do Brasil com as farcs?

    Adivinhem quais facções do crime organizado já estão no poder…

  • Jaspion diz que ainda existem muitos reaças mal cheirosos, e esses conservadores (que pouco raciocinam) não percebem que no Brasil há milhões de anos luz as estruturas de poder são, basicamente as mesmas… E o que é pior a sociedade tem passado por um processo de “autofagia”.

    A elite, historicamente, não mudou muito… As regras do jogo também não mudaram muito. Peraí galera! Tá na cara isso, Jaspion nem precisaria dizer… Mas Jaspion diz, pronto (se é assim que vocês querem)

    Ora, será que os reaças, de fato, não percebem porque não conseguem entender o mundo a sua volta e que foram induzidos por um discurso do senso comum (construído pelas elites que se perpetuam no poder mantendo tranquilamente sua hegemonia)? Ou será que esses reaças, como alguns desses que aqui escreveram não querem mudanças substanciais, estruturais porque seriam eles elite e não desejam perder privilégios?

    As vezes Jaspion tem vontade de xingar Satan Ghost, de falar palavrão, mas não vai resolver muita coisa… Como Jaspion tenta ser educado, Jaspion diz:

    DÁ UM TEMPO SATAN GHOST!

    EU JÁ NÃO AGUENTO MAIS VER AS COISAS DO JEITO QUE ESTÃO

    pela liberdade sou Jaspion

  • O crime organizado e suas redes sociais de sustentação

    O fenômeno social, crime organizado, é um estado de coisas que ameaça a consolidação do Estado Democrático de Direito. Pouco se tem produzido academicamente sobre esse fato social. Entretanto, a busca para uma definição do fenômeno tem sido proposta por algumas abordagens sociológicas. Em recente artigo publicado, “As peças e os mecanismos do crime organizado em sua atividade tráfico de drogas”, o cientista político pernambucano, Adriano Oliveira (2007), procura definir um conceito operacional, do ponto de vista explicativo, do crime organizado.

    O que é assustador na realidade desenhada pelo cientista político, em seu breve, mas minucioso relato etnográfico, é a rede social que forma a malha de sustentação do fato social: crime organizado. Uma das constatações do artigo é a presença constante de autoridades representantes de órgãos públicos cooperando com essas organizações criminosas. Em poucas palavras, a simbiose das organizações criminosas com o poder estatal é uma das engrenagens que permite o funcionamento dessas organizações dentro de uma teia complexa de interações com vários outros grupos sociais.

    Os “nós” de sustentação da malha social que estrutura e sustenta o crime organizado envolve além de um “poder institucional cooperativo”, grandes somas em dinheiro, a capacidade de gestão das organizações criminosas, o tráfico de drogas e seu mercado consumidor. Outra característica de algumas dessas organizações é sua transnacionalidade, ou seja, sua articulação com organizações criminosas internacionais.

    A extensa rede social onde essas organizações criminosas se estabelecem na esfera estatal envolve, segundo o politólogo pernambucano, agentes estatais da Polícia Federal, Poder Judiciário e até Câmaras de Deputados que garantem a eficácia dessas organizações. O uso da violência, uso da intimidação, controle territorial e da presença da lei do silêncio são os principais mecanismos que operam na confecção de redes sociais que estruturam o tecido social, onde o crime organizado age e cria estratégias de expansão.

    Os estudos feitos pelo professor Adriano Oliveira apontam para um modelo de explicação sociológica que toma como base uma definição dessas organizações criminosas como instituições, formadas por mais de um indivíduo, criadas para aumentar e distribuir benefícios entre os envolvidos e que tem como ação estratégia a captura de atores sociais pertencentes ao poder público do Estado. Entretanto, há a presença de outros atores sociais que costuram dentro dessa intricada malha social, tais como doleiros, pilotos de avião, seguranças, transportadores, fornecedores, advogados e gerentes de bancos que tornam o fenômeno do crime organizado muito mais complexo do que parece.

    No nosso entender, descrever os intercâmbios institucionais que sustentam o crime organizado é apenas uma parcela da explicação dos mecanismos geradores das ações humanas. Um modelo de pesquisa empírica que permita mapear os mecanismos que expliquem as paixões e os interesses dos indivíduos que participam e cooperam com essa extensa rede criminosa, ainda é, um grande desafio para os cientistas sociais. A possibilidade de encontrar os mecanismos de formação de crenças e de preferências individuais tem encontrado lugar em um quadro teórico interdisciplinar que combina conhecimentos no campo dos estudos das culturas sociais, da neurobiologia e da escolha racional do indivíduo.

    O crime organizado, em sua modalidade tráfico de drogas, entendido como fruto de ações estratégicas de indivíduos que querem aumentar seus lucros e expandir suas riquezas pessoais é explicado por uma formação e agregação de crenças individuais diferentes daquelas que são formadas na cabeça dos consumidores finais.

    Bom, a possibilidade do desenvolvimento de instituições públicas, que tenham como propósito a construção de uma cultura cívica que acomodem dentro de um determinado ambiente social, indivíduos que estejam preparados para garantir os valores da coisa pública e da dignidade humana, e não de interesses e paixões privados é, sem dúvida, uma necessidade da sociedade brasileira. Como chegar lá? Como livrar as instituições sociais dos interesses e paixões individuais movidas por propósitos sórdidos e do peculato?

  • Caro Michel,

    Fiz uma ironia. E pelo visto bem sutil.

    Abraços

  • Fernandes, você escreveu no dia primeiro de abril, mas não é mentira! Concordo em número, gênero e grau, com tudo que falaste, e quero acrescentar:
    a – que as pessoas que escrevem aqui, não tentem confundir as coisas,porque se entende que a função deste espaço é de clarear a mente das pessoas, e, não confundir, como fasem;
    b- o Brasil está entregue ao banditismo, em todos os seus quadrantes;
    c- criticar o pcc é hipocrisia, ele só existe porque tem quem compre seu produto, e é de preço elevado, o que significa que pobre não pode comprar.
    Seria melhor, que dessem mais folga à lingua e mais ocupação ao cerebro. Assim, tos seriam beneficiados.

  • eu acho que o pcc tilha que esta no governo sim
    sem muito comentario
    Só em três dias, entre tantas coisas, o Primeiro Comando da Capital:

    - Reduziu o transito;
    - Retirou os camelôs das ruas;
    - Reduziu a carga horária de trabalho (sem reduzir o saldo do final do mês);
    - Aumentou o contingente de policiais nas ruas;
    - Mobilizou os deputados;
    - Aumentou o poder da fé entre as pessoas;
    - Potencializou o ambiente para uma subida do dólar e auxiliou aos exportadores;
    - Permitiu que as famílias jantassem juntas, tirando as crianças das ruas e os jovens da noite;
    - Baixou a taxa de roubos;
    - Uniu opositores na briga por um mesmo objetivo;
    - Fez os direitos humanos e o ministério público visitarem as prisões e acabou com a revolta.

    Além das sextas básicas que são distribuídas em algumas favelas, coisa que o governo não faz!

    Sem contar que é uma facção criminosa “organizada”. E não propõe acordo nem dança comemorando a pizza, como faz os engravatados.

    E isso tudo, foi feito através de celulares, em celas e sob ameaças física; agora imagina se fosse do gabinet

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).