O Recife das Palafitas ou as Palafitas do Recife

nov 2, 2007 by     9 Comentários    Postado em: Atualidades

edificios-e-palafitas.jpg
Palafitas no Bairo da Torre.
Imagem cedida por Leo Rodrigues e Thiago Wagner.

Esta imagem é parte do ensaio fotográfico intitulado: “Casa-Grande e Senzala… Sobrados e Mocambos… Edifícios e Palafitas.”, dos estudantes de jornalismo Leo Rodrigues e Thiago Wagner.

Segundo o dicionário Houaiss, palafita quer dizer ‘conjunto de estacas que sustetam habitações sobre a água’, ou ainda, ‘habitação construída sobre essas estacas’.

As palafitas podem ser dos mais variados tipos: de ricos ou de pobres. Podem haver mansões construídas sobre palafitas; e, podem haver favelas.

O Recife certamente se enquadra no segundo caso. Ainda existe mais de uma comunidade na cidade do Recife que se sustenta em cima de palafitas, na beira do Rio Capibaribe.

Passamos todos os dias sobre as pontes da cidade avistando ao longe esses precárias moradias, sem que possamos fazer muitas coisas.

Esse ainda é um grave problema que nossa cidade há que superar. Para isso, acredito, a prefeitura bem que poderia destinar verbas para deslocar seus moradores para habitações menos precárias, como fez com os moradores das palafitas de Brasília Teimosa.

Serão gastos quase 30 milhões de Reais para a construção do Parque de Eventos Dona Lindu, em Boa Viagem. Fico pensando: uma gestão que iniciou um primeiro mandato com os pés no chão, parece estar fechando o segundo mandato com os pés sobre palafitas.

9 Comentários + Add Comentário

  • André, você está confundido a parte com o todo. Do jeito que você fala, até parece que o prefeito João Paulo não fez nada pelas palafitas. Isso não é verdade.

    Vamos aos exemplos: a gestão JP removeu as palafitas de Brasília Teimosa, as que ficavam embaixo do viaduto entre Casa Forte e a Madalena, as da ponte da Torre, aquelas outras perto do clube Internacional, as da ponte do Limoeiro……

    Essas palafitas da foto se chamam Abençoada Por Deus. Pois bem, se vc passar pela Paralela da Caxangá, vai ver que o conjunto habitacional para essas palafitas já está quase pronto. É mais um exemplo. Há outros em andamento. E com as verbas do PAC, milhares de palafitas serão removidas.

    Como eu disse no comentário anterior, a mesma oposição que agora cobra “remoção de palafitas em vez da revitalização da orla”, é a mesma que passou séculos no poder e nada fez para resolver o problema das palafitas.

  • Também concordo que a prefeitura do PT fez mais e melhores casas para moradores de palafitas, favelas, pontes e etc. Só que este parece um problema insolúvel no Recife e sabem por que? Porque muitas dessas famílias que recebem gratuitamente a casa da prefeitura, vendem e voltam a morar em condições precárias. Precisamos parar de encarar as situações de pobreza e os pobres de nossa cidade como vítimas inocentes de um sistema cruel. Sou a favor da construção de casas, mas também quero responsabilidade da parte de quem as recebe porque toda a cidade está investindo neles e isso não pode ser ignorado. Assim como também sou favor de obras para a orla, pois Recife é uma cidade pobre e o turismo é uma fonte de renda, e sem renda não há como construir casas. SE ficarmos governando só para os pobres, distribuindo tudo gratuitamente, quem vai pagar a conta?

  • Caros Juan e Arthemísia,

    vocês estão ambos corretos.
    No entanto, o comentário de vocês apenas reflete o lugar social do qual estão escrevendo. E, o meu também.
    Um filósofo francês, chamado Michel de Certeau, ensinou-me que os dircursos (no caso do filósofo, ele fala do discurso e da pesquisa historiográfica, mas alargo-o para o dircurso social e político em questão), eles sempre estão delimitados pelo lugar social do qual partem. Estão subjacentes e implícitos uma gama de aspectos silenciados.

    Enfim, estamos, nós três, sentados em frente a um computador. Isso, por si só, já nos trás muitas informações “não-ditas”.

    Juan, não quis com meu post dizer que a Prefeitura nada fez pelas palafitas na cidade do Recife. Talvez eu não ter pronunciado isso seja o meu erro. O atual governo fez sim, muito pelos moradores de palafitas que (como acrescentou Arthemísia) “muitas dessas famílias que recebem gratuitamente a casa da prefeitura, vendem e voltam a morar em condições precárias.” Mas, se considero a progressão (não progresso!)histórica do governo de João Paulo, acredito que ele parou no meio da pista, por frear suas políticas de deslocamento desses moradores.

    Mas, não acredito que seja “demonizando” as pessoas que se favorecem dessas políticas sociais para obter outros fins que chegaremos a conclusões e soluções mais positivas.
    Existem contingentes sociais que as levam em rumos arbitrários. É certo que esses “cidadãos” da margem nunca tiveram oportunidades como a nossa, quais sejam, oportunidades intelectuais, alimentares, de vestes, etc.

    O que fazer Artemísia? Parece ser um contrasenso isso de “voltar para condições precárias”. Parece estranho isso, não?

    Não acho que seja a política correta (e, as condições de efeitos nos levam a pensar assim) apenas a de “doar” casas para essas pessoas sem que haja o mínimo de acompanhamento posterior. É como nas formas insuficientes de se fazer uma tal “reforma agrária” no Brasil, onde o único papel do governo seria “dar” terras para os assentados sem nenhum acompanhamento posterior. Esses efeitos que você fala, Artemísia, também acontecem de forma bastante semelhante no campo.

    O que fazer, então? Parar as políticas sociais? Mandar às favas essa população? “Se querem lixo, vivam nele!”

    Nõa, não acredito que seja assim o modo correto de lidar com tais problemas. É crônico. Eu sei. Nós sabemos. Mas, se pensarmos que não há mais solução, talvez seja melhor irmos residir na Europa. Ainda me resta um pouco da enfadonha “esperança”. Aonde está o núcleo de minha “esperança”? Na escola pública.

    Mas, quando falo isso, lembro de meu pai dizendo: “no meu tempo, as escolas públicas eram boas.” Ele está certo, no tempo dele. Atualmente, sobretudo em nosso Estado, as escolas públicas são precárias e não dotam de oportunidades ao menos semelhantes, pobres, classe média e ricos. É precária a situação atual do ensino público de base. Isso não é segredo.

    Acredito que algumas soluções não se darão de imediato. Apenas a médio prazo parece ser possível algumas melhorias. mas, se não começarmos desde ontem, nosso médio prazo tornar-se-á longo prazo. A escalada da violência urbana é um dos efeitos imediatos disso. Será colocando câmeras na cidade que iremos superar estas problemáticas?

    Pensemos juntos evitando “travar” em questões ideológicas.

    Abraços!

  • OK. Acho que chegamos a um acordo.

    Mas mudando de assunto: sempre questiono essa lenda de que “antigamente a escola pública era boa”. Sabe por quê? Ela pode até ter sido boa, mas era predominantemente para os ricos. Pobre não tinha acesso nem à educação pública. Basta ver os índices de analfabetismo antes e hoje.

  • Prezado André,
    Exatamente por não querer travar em questões ideológicas achei importante fazer meu primeiro comentário. Quando li seu post, entendi que vc estava atacando a obra da orla mais por uma questào ideológica. Talvez tenha entendido errado.
    Minha intenção neste debate é acrescentar outras perspectivas à questão do enfrentamento da pobreza. Nesse caso o que mais me incomoda é o fato de que as políticas sociais dos governos de esquerda tratam os pobres como se esses não fossem indivíduos, apenas sujeitos coletivos. Dessa forma, pensam que basta atendê-los como massa, como classe. E isso não é verdade, não funciona.
    Veja bem, não estou dizendo para parar políticas sociais de maneira nenhuma, mas temos que avançar na qualidade dessa oferta senão os resultados que almejamos não aparecerão.
    Juan está correto quando diz a escola pública era boa quando não atendia toda a população. Agora temos escola para todos e os resultados são os piores possíveis; por que? Não adianta só culpar a qualidade da escola, uma vez ruim com ela, pior sem ela. Assim mesmo podemos pensar no SUS, é ruim, mas sem ele como era antigamente, os pobres não teriam nenhum acesso à saúde. Ou seja, bem ou mal o estado faz sua parte; e os cidadãos? Não acho que os cidadãos pobrem façam sua parte, mas também acho que a culpa é da concepção de cidadania presente nas políticas dos governos petistas. Cidadão pobre só tem direitos, não tem deveres.
    Na minha opinião, isso não funciona, porque eles são seres humanos, dotados de individualidade, não são simplesmente animais que precisam de comida e abrigo.
    Temos que cobrar deles responsabilidade com a sociedade também porque eles fazem parte dela, não são atores convidados para o filme. Não adianta ter escola, professor, merenda, fardamento, livros (como algumas escolas públicas tem e de qualidade) se não se exige que o alune estude e apresente resultados porque esse é a única obrigação dele e ninguém pode fazer isso por ele.
    Só para acrscentar informação: no primeiro mandato do PT em Recife, todas as casas entregues pela prefeitura passavam por amplo acompanhamento que incluia até o projeto da casa, que era discutido indefinidamente por arquitetos e engenheiros com a população. Além disso, tinha um acompanhamento social que só faltava querer dar casa, comida e roupa lavada, principalmente depois que as casas eram entregues. Eles nunca ficaram sem o acompanhamento de que você fala. Esse trabalho era feito também nos conjuntos habitacionais mais antigos, entregues em gestões anteriores, os quais eram verdadeiras favelas. Sei disso porque fiz parte dessa equipe como assistente social e, muitas vezes, discordei desse encaminhamento de ficar quase como babá da população. Nunca gostei da posição de considerar outra pessoa como incapaz, inferior, totalmente necessitada de ajuda. Nào sei se isso continua existindo no segundo mandato, pois me afastei dessa atividade.
    Espero ter oferecido esclarecimento suficiente.

  • [...] último sábado (3) colquei um post sobre as palafitas do Recife (clique aqui para ler o post). Uma boa discussão se iniciou, e por isso gostaria de trazer algumas questões que foram [...]

  • Matéria de grande valia para que possamos avaliar a situação, priuncipalmente, de moradia na cidade do Recife. Mas vocês deveriam colocar uma foto mais legível. Tirada em dia de sol para se ver os detalhes…

    Zeca

  • eu acho que nao devia ter enchentes

  • Olá André, entrei na sua página quando pesquisava sobre palafitas. Acho justo seus comentários, ao que se refere a melhores investimentos públicos para as palafitas. Aqui na minha cidade ,Laranjal do Jari, no estado do Amapá também temos PALAFITAS. E o mais curioso é que, foi lá aonde tudo cidade começou. Hoje Laranjal do Jari já com 24 anos de emancipação à cidade cresceu muito, e cresceu para terra firme. Hoje temos a área das palafitas e a área de terra firme. Sendo que a área de terra firme está cada vez maior, enquanto as palafitas estão se acabando: não existe investimentos para as mesmas e, a nossa hitória está sendo destruida pouco a pouco. É Lamentável , mas enquanto existe dinheiro públco para tantos outros setores , e até para ser gasto atoa , as nossas palafitas são a cada dia mais feias, desarrumadas e miseráveis. Convido você a visitar minha escrivaninha no Recanto das Letras e dá uma olhada no meu poema ‘A CASA DAS PALAFITAS”.

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).