Até que enfim

Foto: Raul Kawamura/Recife em Retratos

Finalmente, a prefeitura do Recife tomou uma atitude quanto ao edifício Chanteclair. O prédio tem recursos assegurados para sua reforma há anos pelo programa Monumenta/BID, do Ministério da Cultura e Banco Interamericano de Desenvolvimento. As obras começaram, mas foram paralisadas por falta de entendimento entre os proprietários (leia-se Santa Casa, que de santa não tem nada) e as empresas que planejavam instituir ali um centro cultural (leia-se Paço Alfândega, do empresário Álvaro Jucá, e Unibanco). A PCR, enfim, decidiu declarar o Chanteclair como de Utilidade Pública para desapropriá-lo.

O prefeito João Paulo (PT) assinou o decreto hoje pela manhã. “Tentamos até o último momento viabilizar o empreendimento pela iniciativa privada, mas infelizmente não foi possível. Queremos garantir a manutenção do projeto inicial para o Chanteclair que é de recuperá-lo para ser um centro cultural para a cidade. Após a desapropriação, buscaremos parcerias com a iniciativa privada”, afirmou.

“A desapropriação visa garantir ao município a possibilidade de realizar o trabalho de restauração e recuperação da estrutura, da fachada e da coberta do Chanteclair. A Prefeitura do Recife irá concluir o serviço inicialmente gerenciado pela iniciativa privada, paralisado em 2004. O repasse dos recursos necessários para a realização das obras está garantido pelo Monumenta/BID”, diz a nota enviada pela assessoria da PCR.

A desapropriação está inicialmente avaliada em R$ 900 mil. Já recuperação do prédio é outros quinhentos – melhor, outros milhões.

“O Edifício Chanteclair integra o conjunto arquitetônico do Pólo Alfândega, no Bairro do Recife. Ele data do fim do século XIX e possui três pavimentos. Durante anos ele teve o térreo e sobreloja ocupada por lojas e bares, e os demais andares por apartamentos residenciais. Depois, com o crescimento do porto, o edifício foi abandonado e transformou-se num prostíbulo. Um dos estabelecimentos mais tradicionais do local era o restaurante Gambrinus”, ensina-nos a nota da PCR.

De tudo que está escrito aí, só não sabia que o prédio data do século XIX.

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