UFPE consternada com falecimento do professor emérito Manoel Correia de Andrade

jun 22, 2007 by     Sem Comentários    Postado em: Atualidades

Do Boletim de Notícias da UFPE

O falecimento do professor emérito da UFPE Manoel Correia de Oliveira Andrade, na madrugada de hoje (22), deixou consternada toda a comunidade acadêmica, que, até o início da semana, conviveu com este que foi, nas palavras do reitor Amaro Lins, “um exemplo de dedicação à causa da educação e ao conhecimento das condições sociais e econômicas vinculadas à construção da sociedade, do povo de Pernambuco, do Nordeste e do País”. O reitor decretou luto oficial de três dias na UFPE pela morte do docente.  O governador Eduardo Campos também determinou luto de três dias em todo o Estado.

Vítima de complicações cardíacas que o levaram ao falecimento, o geógrafo e historiador tinha 84 anos, deixou viúva, a senhora Maria de Lourdes Correia de Andrade, dois filhos, nove netos e um bisneto. Por ser membro da Academia Pernambucana de Letras, o corpo do acadêmico está sendo velado nesta casa e o sepultamento ocorre às 16h, no Cemitério Parque das Flores.

Segundo Edvânia Torres, diretora do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFPE (CFCH), unidade acadêmica à qual o autor da obra definitiva “A terra e o homem no Nordeste” mantinha-se vinculado como pesquisador do CNPq, “Manoel Correia continuava trabalhando à frente da Cátedra Gilberto Freyre, onde empreendeu diferentes e sistemáticas atividades, dentre elas o seminário Redescobrindo o Brasil, para possibilitar, por meio de convites aos diferentes intelectuais proeminentes do Brasil, a discussão sobre as idéias e obras de grandes referencias do pensamento nacional”.
Oficialmente, Manoel Correia aposentou-se em 1985, mas jamais deixou de atuar na Universidade, como docente e pesquisador. Em 15 de setembro de 1989, ele recebeu o título de Professor Emérito, um reconhecimento da instituição, onde ingressou em 1952, a uma vida comprometida com o desenvolvimento da ciência e voltada para as causas sociais. Fundador do Mestrado em Geografia da UFPE, o professor também foi diretor do Centro de Estudos de História Brasileira, da Fundação Joaquim Nabuco. Com mais de 100 livros publicados, Manoel Correia foi coordenador dos cursos de Mestrado em Economia e em Geografia na UFPE.
Nascido em 03 de agosto de 1922, era licenciado em Geografia e História pela Universidade Católica de Pernambuco, sendo bacharel em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco. Concluiu o curso de Altos Estudos Geográficos, na antiga Universidade do Brasil, e de Estudo Técnico do Meio Natural, na Universidade de Paris.

Em nota de pesar enviada à UFPE, a Sociedade Brasileira de Sociologia que, em 2003, prestou homenagem ao geógrafo, destacou a sua contribuição como fonte de inspiração de um número incontável de estudantes e pesquisadores do Brasil e do mundo.

Depoimentos de autoridades e membros da comunidade acadêmica

Amaro Lins (reitor da UFPE)
“Costumávamos chamá-lo de mestre. Ele é um exemplo de dedicação à causa da educação como um todo e ao conhecimento das condições sociais, econômicas vinculadas à construção da sociedade, do povo de Pernambuco, do Nordeste e do País. O maior estudioso de Geografia hoje do país, uma referência nacional e internacional. Um homem que sempre teve um grande compromisso com as causas do povo e se preocupou muito em compreender as razões das diferenças entre as pessoas, entre as regiões. Ele sempre pensou no passado, planejando e projetando coisas para o futuro. Importante dizer que o último projeto surgiu de um pedido meu, a partir de suas viagens para o interior. Pedi a ele para organizar um programa de seminários para mostrar, principalmente aos alunos da universidade, o que é o Estado de Pernambuco, nos diversos aspectos sociais, econômicos, culturais. Vamos realizar estes seminários, agora muito mais como uma homenagem.”

Eduardo Campos (governador de Pernambuco) 

“Era um homem de enorme dedicação ao trabalho acadêmico e de grande comprometimento político. Além disso tudo, era um amigo cuja perda teremos de lamentar por muito tempo.”

Luciano Siqueira (vice-prefeito no exercício da Prefeitura do Recife) 

“O Brasil perdeu um dos estudiosos mais argutos, autor de uma obra vasta, sistêmica e coerente, que comparo a outros ilustres pensadores como Aurélio Buarque de Holanda, Milton Santos, Nelson Werneck Sodré e Gilberto Freyre.”

Sergio Rezende (Ministro da Ciência e Tecnologia e professor emérito da UFPE) 

“Foi com muita tristeza que soube do falecimento do professor Manoel Correia, um dos intelectuais mais importantes do Nordeste e do Brasil nos últimos tempos. Acompanhei de perto a trajetória do professor Manoel Correia desde a década de 70, quando fomos colegas no Conselho Universitário da Universidade Federal de Pernambuco. Encontrei-o há um mês e ele estava com toda a energia e o entusiasmo de sempre. Era um profundo conhecedor da realidade do Nordeste e suas contribuições para o conhecimento da história e da geografia serão inestimáveis para traçar melhores caminhos para o desenvolvimento da região.”

Edvânia Torres (Diretora do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFPE) 

“Este cientista, que morre com 84 anos, em plena vitalidade intelectual e produtiva, conseguiu imprimir um ritmo marcante pela profundidade e vanguardismo de suas idéias. Sua tenacidade e vitalidade reconhecida por todos, ficou presente mais uma vez, na sua última participação em eventos acadêmicos, ocorrido na mesma semana de seu falecimento.”

Tânia Bacelar (Economista e professora do Departamento de Ciências Geográficas da UFPE) 

 “O professor Manoel Correia fazia parte de uma geração que pensou o Brasil e que, embora muito crítico em relação ao país, sempre acreditou que era possível uma nação melhor. Ele era um otimista.”

Jaime Gusmão (Professor emérito da UFPE, do Departamento de Engenharia Civil) 

“A relevância dos serviços prestados à sociedade é imensa. Suas contribuições no campo da geografia humana fazem dele uma figura excepcional.”

Jorge Siqueira (Ex-diretor do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFPE) “Perdemos um grande leitor, decifrador e intérprete do Nordeste e do Brasil. Ele era uma figura singular e seu legado científico é de suma importância para o entendimento da terra, do homem e da cultura desse País.”

Bibliografia (algumas obras importantes)

• Geografia do Brasil, 3a. série ginasial. São Paulo, 1952;
• Geografia geral para a 1a. série ginasial. São Paulo, 1954;
• Geografia geral para a 2a. série ginasial. São Paulo, 1954;
• Geografia geral para a 4a. série ginasial. São Paulo, 1957;
• Geografia e história de Pernambuco. São Paulo, 1959;
• A pecuária no agreste pernambucano. Recife, 1961;
• O Distrito Industrial e suas condições climáticas. Recife, 1962;
• Geografia do Brasil: região Nordeste. São Paulo, 1962;
• A terra e o homem no Nordeste. São Paulo, 1963;
• Geografia do Brasil, curso colegial. São Paulo, 1965;
• Geografia geral: física e humana. São Paulo, 1965;
• A guerra dos cabanos. [Rio de Janeiro], [1965].
• Espaço, polarização e desenvolvimento: a teoria dos pólos de desenvolvimento e a realidade nordestina. Recife, 1967;
• Geografia dos continentes. São Paulo, 1968;
• Geografia econômica do Nordeste: o espaço e a economia nordestina. São Paulo, 1970;
• Nordeste, espaço e tempo. Petrópolis, 1970;
• Movimentos nativistas em Pernambuco: Setembrizada e Novembrada. Recife, 1971;
• Aceleração e freios do desenvolvimento brasileiro. Petrópolis, 1973;
• Geografia econômica. São Paulo, 1973;
• O processo de ocupação do espaço regional do Nordeste. Recife, 1975;
• Os trinta anos do Brasil. Recife, 1976;
• História econômica e administrativa do Brasil. São Paulo, 1976;
• O planejamento regional e o problema agrário no Brasil. São Paulo, 1976;
• O processo de ocupação do espaço pernambucano. Recife, 1976;
• Agricultura & capitalismo. São Paulo, 1979;
• Latifúndio e reforma agrária no Brasil. Rio de Janeiro, 1980;
• 1930: a atualidade da Revolução. São Paulo, 1980;
• Capital, Estado e industrialização do Nordeste. Rio de Janeiro, 1981;
• Nordeste: a reforma agrária ainda é necessária? Recife, 1981;
• As alternativas do Nordeste. Recife, 1983;
• Projeto, avaliação e diagnóstico da Geografia no Brasil. Brasília, 1983;
• Poder político e produção do espaço. Recife, 1984;
• Classes sociais e agricultura no Nordeste. Recife, 1985;
• Abolição e reforma agrária. São Paulo, 1987;
• Geografia, ciência da sociedade: uma introdução à análise do pensamento geográfico. São Paulo, 1987;
• O Nordeste e a Nova República. Recife, 1987;
• O homem e a cana-de-açúcar no vale do Siriji. Recife, 1987;
• Imperialismo e fragmentação do espaço. São Paulo, 1988;
• A Revolução de 30: da República Velha ao Estado Novo. Porto Alegre, 1988;
• O Brasil e a África. São Paulo, 1989;
• Caminhos e descaminhos da Geografia. Campinas, 1989;
• A Itália no Nordeste: contribuição italiana ao Nordeste do Brasil. Recife, 1992
• Uma geografia para o século XXI. Recife, 1993;
• O desafio ecológico: utopia e realidade. São Paulo, 1994;
• A questão do território no Brasil. Recife, 1995.

* Fonte: Site da Fundação Joaquim Nabuco

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).