Ontem, o jornal americano Los Angeles Times publicou uma matéria da Associated Press sobre o Recife.
Uma bela divulgação da cidade no exterior, não fosse o caráter negativo da reportagem. A matéria está em inglês, mas caso você queira ler, clique aqui.
Resumindo, a publicação (que tem a triste história de Inês Maria da Silva, residente na favela do Coque, como pano de fundo) diz que a mídia fala mais do perigo dos tubarões na praia, que sobre o perigo do banditismo social nas ruas da cidade – um dos motivos para isso seria por causa de a violência ser mais pesada nos bairros pobres da periferia.
Diz ainda que no Recife o número proporcional de homicídios é bem maior que na cidade do Rio de Janeiro – assolada pela “sangrenta guerra do tráfico”.
A matéria fala também do trabalho do pessoal do pebodycount e seu contador de mortes por violência, atualizado diariamente.
O corrdenador do Pacto pela Vida, e professor da UFPE, José Luis Ratton disse (com muita razão, por sinal) à reportagem, que “No Rio de Janeiro, o problema é o crime organizado“, e que aqui, “O problema é o crime desorganizado.”
A matéria fala também do fato de as notícias sobre violência serem “primeira capa” apenas quando as vítimas são pessoas da classe média. E também que alguns programas populares de televisão “concorrem” para narrar os detalhes dos crimes de uma forma que mistura a indignação e uma narrativa bombástica das mortes.
A matéria trata ainda de coisas que nós conhecemos bem, como a “lei do silêncio” que impera nas bordas dos acontecimentos.
É triste, é chato ver esse tipo de notícia sair em jornais internacionais, mas é preciso encarar de frente essa “realidade”.
Querer posar de paraíso das praias (apesar dos tubarões…) pode até atrair mais turistas, mas isso não ajuda muito a resolver nossos problemas.



André,
Como se dá essa contagem de mortos por homicídio no Recife ? Até o cara que leva uma peixeira no bucho lá no sertão de Cabrobó vem socorrido de ambulância para morrer aqui no HR. Não seria esse o motivo de tantas mortes computadas ao Recife, de certo modo, injustamente ? Bala e facada tem em todo lugar, mas somente um hospital em Pernambuco é capaz de atender a esse tipo de atendimento emergencial. Não acho que Rio, São Paulo ou Salvador sejam menos violentas que Recife.
Além disso, é com desconfiança que devemos tratar essas matérias estrangeiras sobre o nosso cotidiano. Alguns repórteres gostas apenas de perturbar, como aquele americano que tentou denegrir a imagem de Lula acusando-o de alcóolatra. Por essas e outras, acho que o Brasil não é tratado com a devida seriedade pela grande imprensa internacional.
Acredito que este blog tem uma característica intrigante: comentamos os post’s, mas também os comentários…! Bem! Passemos aos comentários…
É interessante que a Imprensa estrangeira “leia” a Imprensa estrangeira lendo o Brasil… Ao contrapor tubarões ao banditismo local, acredito que a matéria acaba dando uma maior contribuição social do que “sujando” uma imagem. Embora, seja urgente perceber de que Coque estamos falando nestes começos de século XXI! É um Coque com significativos avanços de organização social em muitas áreas e com redução representativa dos níveis de controle pelo crime.
Temos, sim, um indíce assustador de mortes por homicídio. Mesmo descontados os mortos “importados” do interior… A quantidade de armas apreendidas, a população carcerária jovem, também são alarmantes.
Não acredito, portanto, como o leitor Daniel que este seja um caso de estrangeiros querendo denegrir a imagem do país.
Não acho que a leitura crítica seja necessariamente destrutiva e fatalista. Pelo contrário, de que adianta discutir se os mortos por violência são originários do nosso próprio caos ou se apenas sentimos com agudeza a reverberação de uma violência sem fronteiras? Sejam quais forem os motivos de nossa desordem social, o quadro deve chamar a atenção de todos quantos prezam pela cidade, pela sociedade e pela vida.
Para o meu xará acima,
De que adianta classificar as grandes cidades citadas como mais violentas do que Recife? Qual a serventia dessa comparação? O que interessa é que Recife é sim uma cidade com índices de violência altíssimos, e não é esperando que no Rio ou em Salvador as coisas desandem ainda mais que nossa ciade irá se sair bem na foto!
E mais… diante da qualidade do jornalismo que nos acostumamos a ver, e conviver, por aqui, como é que alguém ainda se sente convencido de que um jornal como o NYT deve ser lido com “desconfiança” por causa de uma reportagem inútil perdida nos idos anos de… nem me lembro quando! E olha que nem se trata do mesmo jornal noticiado nesse post! Como é que devemos encarar as notícias vínculadas em nossos “respeitosos” jornais locais?
ps: O presidente bebe, vc bebe e eu bebo… se gostamos disso, quem é que tem a imagem denegrida?
O problema é esse nosso provincianismo, porque adoramos quando o Brasil é notícia lá fora, seja pra falar dos tubarões do Recife, da criminalidade ou do presidente beberrão, não importa ! Temos essa cultura subserviente, como o escravo que conseguia chamar a atenção do senhorio, mesmo que para ser humilhado por este. O Brasil é dez vezes mais importante que a Venezuela, no entanto a imprensa (sobretudo a norte-americana) faz questão de estampar a foto do “neo-ditador comunista”, quase que diariamente, numa picuinha sem-fim para minar a imagem do bolivariano. Chavez é mais conhecido que Lula lá fora, embora o Brasil seja uma peça muito mais necessária ao jogo político internacional.
Recife é muito violento ? É claro que sim ! Uma metrópole que cresceu desordenadamente, sem educação e emprego para todos dá margem ao surgimento da criminalidade, assim como acontece no Rio, São Paulo ou Salvador – essa é uma discussão incipiente. O problema da violência não está aí a olhos vistos, passa por um processo de inclusão social e educação que vise ao longo prazo, não pode e não deve ser debate eleitoreiro.
André,
Para que conter tubarões e o avanço do mar (promessa de certo prefeito desde o 1º mandato) se podemos ter uma obra de Niemeyer e encher Boa Viagem e o Recife de turistas?
Quem precisa de segurança pública, se podemos ter um transporte público maravilhoso como no Corredor Leste-Oeste? Temos é de discutir se a “burguesia” deve ou não continuar a andar de carro e não tratar do problema da segurança.
A reportagem já é reflexo do maravilhoso investimento de 3 milhões que foi feito na aniversariante do dia, a Estação Primeira de Mangueira (que este ano quase que ia para a Segundona!).
Não quero discutir; apenas chatear e lembrar que várias discussões surgidas neste Blog nem de longe são político-partidárias, apenas realidades que alguns insistem em não ver.
DIZER O QUE DESSA TRISTE, PORÉM REALISTA CONSTATAÇÃO? NEGAR O ÓBVIO? ENQUANTO ISSO DISCUTIMOS O GASTO DE 30 MILHÕES NUM PARQUE BY NIEMEYER, MAIS OUTRO TANTO UM TÚNEL QUE LIGA O NADA A LUGAR NENHUM. O FATO É QUE SOMOS BAIRRISTAS POR EXCELENCIA E AINDA NÃO APRENDEMOS A ESCOLHER NOSSOS GESTORES.