A história de Satanás

dez 2, 2010 by     18 Comentários    Postado em: Cultura

http://www.youtube.com/watch?v=FXFJeKGIhpk

Se você morre de medo do capeta, recomendo muitíssimo que assista ao filme A História de Satanás. Ele mostra que o diabo é uma invenção histórica. Sua imagem passou por diferentes representações ao longo dos séculos, ao sabor das conveniências de cada época. Assim se revela um tinhoso que se prestou e se presta como um poderoso dispositivo de dominação espiritual e política sobre as almas e os corpos da humanidade.

Assista acima a primeira parte, e as demais logo abaixo.

http://www.youtube.com/watch?v=jcgEHJ6B0Uc

http://www.youtube.com/watch?v=meeCLOGgHPs

http://www.youtube.com/watch?v=GPgKDdRIdG0

http://www.youtube.com/watch?v=ryAb7_bk9QE

http://www.youtube.com/watch?v=Q3K4ms9K2u0

18 Comentários + Add Comentário

  • Vade retro!

  • A parte histórica é bem esclarecedora. Mostra como um mito evoluiu dos homens primitivos do oriente médio até chegar no imaginário popular do homem primitivo do mundo urbanizado.

    • E qual o problema ? É pecado ?

  • O Diabo é o pai do rock e também uma das invenções mais convenientes de todos os tempos. O que seria de muitas religiões se o Coisa Ruim não existisse?

    Gibran Khalil Gibran escreveu um texto brilhante para ilustrar a utilidade de Satanás:

    SATANÁS

    (Gibran Khalil Gibran)

    O Padre Simão era conhecedor profundo dos assuntos espirituais e teológicos, versado nos segredos do pecado venial e mortal e nos mistérios do Inferno, Purgatório e Paraíso. Percorria as aldeias do Líbano do Norte, pregando penitência aos fiéis, curando suas almas do mal e prevenindo-os contra as armadilhas do demônio, a quem padre Simão combatia dia e noite sem desanimar e sem descansar. Os camponeses veneravam padre Simão e gostavam de comprar suas preleções e preces com prata e ouro, e disputavam o privilégio de presenteá-lo com o melhor de suas colheitas.

    Certa tarde de outono, padre Simão caminhava por um lugar isolado em direção a uma aldeia perdida entre aqueles montes e vales, quando ouviu gemidos dolorosos vindos da beira da estrada. Olhou e viu um homem desnudo, estendido sobre o pedregulho; o sangue jorrava-lhe de feridas profundas na cabeça e no peito, e ele implorava socorro: “Salva-me! Ajuda-me! Tem pena de mim! Estou morrendo.”

    O padre parou, perplexo, considerou o homem e concluiu: “Deve ser algum
    salteador, que atacou um viajante e foi repelido. Está agonizando. Se expirar em minhas mãos, responsabilizar-me-ão pela sua morte.”

    E reiniciou sua marcha. Mas o moribundo deteve-o de novo: “Não me abandones, não me abandones. Tu me conheces e eu te conheço. Vou morrer se não me socorreres.”

    O padre empalideceu, e pensou: “Deve ser um dos loucos que vagueiam por estas campinas. O aspecto dos seus ferimentos me arrepia. Em que posso ajudá-lo? O médico das almas não cura os corpos.”

    E andou mais alguns passos. Mas o ferido lançou um grito que comoveria até as pedras: “Aproxima-te de mim. Somos amigos há muito tempo. És o padre Simão, o bom pastor; e eu não sou um salteador nem um louco. Aproxima-te de mim para que te diga quem sou.”

    O padre aproximou-se, inclinou-se sobre o moribundo e viu uma face estranha, na qual se misturavam a inteligência e a astúcia, a fealdade e a beleza, a perversidade e a doçura. Recuou e gritou: “Quem és tu? Nunca te vi em minha vida.”

    O moribundo mexeu-se ligeiramente, fitou os olhos do padre com um sorriso significativo, e disse numa voz profunda e suave: “Eu sou Satanás.”

    O padre soltou um grito terrível, que ecoou pelos recantos daquele vale, examinou novamente seu interlocutor, verificou sua semelhança com a figura dos demônios pintados na do Juízo Final que guarnecia a parede da igreja da aldeia,e bradou, trêmulo: “Deus me revelou tua face infernal para alimentar meu ódio por ti. Sê maldito até o fim dos tempos!”

    O demônio respondeu com certa impaciência: “Não sabes o que dizes, e não calculas o crime que cometes contra ti mesmo. Eu fui e continuo a ser a causa de teu bem-estar e de tua felicidade. Menosprezas meus benefícios e negas meu mérito, enquanto vives à minha sombra? Não foi minha existência a justificação da profissão que escolheste, e meu nome, o lema de tua vida? Que outra profissão abraçarias, se o destino decretasse a minha morte e os ventos desvanecessem o meu nome?
    “Há vinte e cinco anos, percorres estas aldeias para prevenir os homens contra minhas armadilhas, e eles compram tuas preleções com seu dinheiro e os frutos dos seus campos. Que outra coisa comprariam de ti amanhã, se soubessem que seu inimigo, o demônio, morreu e que estão livres dos seus malefícios?

    “Não sabes, em tua ciência, que quando a causa desaparece, as consequências desaparecem também? Como aceitas, pois, que eu morra e que tu percas, assim, tua posição e o ganha-pão de tua família?”

    O demônio calou-se. Os traços do seu rosto não exprimiam mais a súplica, mas, antes, a confiança. Depois, falou de novo:
    “Ouve-me, ó impertinente ingênuo, e te mostrarei a verdade que liga meu destino ao teu. Na primeira hora da existência, o homem pôs-se de pé diante do sol, estendeu os braços e clamou: ‘Atrás das estrelas, há um Deus poderoso, que ama o bem.’ Depois, virou as costas ao sol e viu sua sombra alongada no chão, e gritou: ‘E nas profundezas da terra, há um demônio maldito, que gosta do mal.’ “E o homem voltou à sua gruta, murmurando: ‘Estou entre dois deuses terríveis: um é meu protetor; o outro, meu inimigo.’ E durante séculos, o homem sentiu-se vagamente dominado por duas forças: uma boa, que ele abençoava; outra má, que ele amaldiçoava.

    “Depois, apareceram os sacerdotes e eis, meu irmão, a história de sua aparição: Havia, na primeira tribo que se formou sobre a terra, um homem chamado Laús, que era inteligente, mas preguiçoso. Destestava os trabalhos braçais de que se vivia naquela época, e muitas vezes tinha que dormir de estômago vazio.

    “Numa noite de verão, quando os membros da tribo estavam reunidos em volta do chefe, a conversar descansadamente, um deles levantou-se, de repente,apontou para a lua e disse com medo: ‘Olhem para o deus da noite: sua cor empalideceu, ele está se transformando numa pedra preta.’ “Todos olharam a lua, e tremeram. Então, Laús, que tinha visto outros eclipses, levantou-se no meio da assembleia, ergueu os braços ao céu e, pondo em sua voz todo o fingimento de que era capaz, disse piedosamente: ‘Prosternaivos,meus irmãos, e orai; pois o deus das trevas está agredindo o deus incandescente da noite. Se o primeiro vencer, morreremos; se for derrotado,viveremos. Orai para que vença o deus da lua’.

    “E Laús continuou a falar, até que a lua voltou ao seu esplendor natural. Os presentes ficaram maravilhados e manifestaram sua alegria com canções de danças. E o chefe da tribo disse a Laús: ‘Conseguiste, esta noite, o que nenhum mortal conseguiu antes de ti. E descobriste segredos do universo que nenhum de nós conhecia. Regozija-te, pois a partir de hoje serás o segundo homem da tribo, depois de mim. Eu sou o mais valente e o mais forte, e tu és o mais culto e o mais sábio. Serás, portanto, o intermediário entre os deuses e mim, revelando-me seus segredos e ensinando-me o que devo fazer para merecer sua aprovação e sua benevolência.’“Respondeu Laús: ‘Tudo o que os deuses me revelarem no meu sonho, eu te revelarei ao despertar. Serei o intercessor entre os deuses e ti.’ “O cacique regozijou-se e presenteou Laús com dois cavalos, sete bois, setenta cordeiros e setenta ovelhas. E disse-lhe: ‘Os homens da tribo construir-teão uma casa igual à minha e oferecer-te-ão, em cada colheita, parte dos frutos da terra. Mas, dize-me, quem é esse deus do mal, que se atreveria a agredir o deus resplandecente?’“Laús respondeu: ‘É o demônio, o maior inimigo do homem, a força que desvia a marcha do furacão para as nossas casas, que manda a seca às nossas plantações e as moléstias aos nossos rebanhos, que se alegra com nossa infelicidade e se entristece com nossos júbilos. Precisamos estudar seus humores e táticas para prevenir seus malefícios e frustrar seus ardis.’“O cacique apoiou a cabeça em seu cajado e sussurrou: ‘Sei agora o que ignorava: a humanidade saberá também o que sei e te honrará, Laús, porque nos revelaste os mistérios do nosso terrível inimigo e nos ensinaste a combatê-lo vitoriosamente.’ “E Laús voltou à sua tenda, eufórico com sua habilidade e imaginação. E o cacique e seus homens passaram uma noite povoada de pesadelos. “Assim apareceram os sacerdotes no mundo. E minha existência foi a causa de sua aparição. Laús foi o primeiro a fazer da luta contra mim a sua profissão. Mais tarde, a profissão prosperou e evoluiu até se tornar uma arte fina e sagrada, que abraçam somente os espíritos maduros e as almas nobres e os corações puros e as vastas imaginações.

    “Em cada cidade que se erguia à face do sol, meu nome era o centro das organizações religiosas e culturais e artísticas e filosóficas. Eu construía os mosteiros e os ermitérios sobre o medo, e fundava os caberés e os bordéis sobre a luxúria e o gozo. Sou o pai e a mãe do pecado. Queres que o pecado morra,com minha morte?

    “Curioso é que me esfalfei a mostrar-te uma verdade que conheces melhor do que eu, e que serve a teus interesses ainda mais do que aos meus. Agora, faze o que quiseres. Carrega-me em tuas costas para tua casa e medica meus ferimentos, ou deixa-me agonizar e morrer aqui!”

    Enquanto o demônio discursava, o padre Simão se agitava e esfregava as mãos. Depois, disse numa voz encabulada e hesitante: “Sei agora o que ignorava há uma hora; perdoa, pois, minha ingenuidade: Sei que estás no mundo para tentar, e a tentação é a medida com que Deus determina o valor das almas.
    “Sei agora que, se morreres, a tentação morrerá contigo, e assim desaparecerão as forças que obrigam o homem à prudência e o levam a rezar,jejuar e adorar. Deves viver, porque sem ti os homens deixarão de temer o inferno e mergulharão nos vícios. Tua vida é, portanto, necessária à salvação da Humanidade; e eu sacrificarei meu ódio por ti no altar do meu amor pela Humanidade.”

    O demônio soltou uma gargalhada similar à explosão dos vulcões, e disse:“Que inteligência e que habilidade, ó reverendo padre! E que conhecimento sutil da teologia! Com tua perspicácia, criaste uma justificativa para a minha existência, que eu próprio ignorava.”

    Então, o padre Simão aproximou-se do demônio, carregou-o às costas e prosseguiu no seu caminho.

    Livro: Temporais
    Autor: Gibran Khalil Gibran
    Tradução e apresentação: Mansour Challita
    Editora: Acigi

  • FAZER O BEM, NÃO IMPORTA EM QUAL RELIGIÃO, OU CASA DE DEUS!

  • Lembrem-se que antes de demo, ele era conhecido como PFL, Arena… etc

  • Bem esclarecedor…o que seria da humanidade sem a ciência histórica. Em pensar que muitos ainda levam ao pé da letra as alegorias do antigo testamento, principalmente para justificar a submissão da mulher…

  • As alegorias dos antigo testamento, também é uma boa justificativa para se tirar dinheiro dos menos exclarecidos.

    O Satanás dá lucro. Fazer um contraponto entre ele e deus, é um bom negócio.

    ET: precisa só saber qual o deus. Alá, Buda, Maomé, Confúcio, Zoroastro, Jesus ou Chiva e muitos outros.

    • Pô Buda é gente boa ;) .

      Sheeva é uma desgraçada ¬¬.

      • buda não é deus. Budista tão nem ai pra deus ou pra o diabo ou pro pfl ou pro pt

        • Ele é gente boa ;)

  • Parece que o time de relacoes publicas do diabo ta trabalhando, hein, heheheheeheheheh.
    Daqui a pouco os adoradores do diabo vao reclamar porque estao dizendo que o guia deles nao existe, heheheheh.
    MAs o diabo esta nos detalhes.
    Nao percam, o video da proxima semana sera sobre o sexo dos anjos.

  • Isses vídeos todos são pra convencer aos leitores do blog de que o diabo não existe? Poxa, massa.

  • Satanás, desde 1 E.C. fazendo a alegria dos dançarinos de axé-metal satânico.

    • kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. A igreja matou mais em nome de seus falsos dogmas do que o nazismo alemão na 2ª guerra mundial ¬¬.

      • CASTILHO, DISSE UMA VERDADE.

        Hoje as religiões deixaram de matar, elas gostam é do seu bolso.

      • A igreja também teve mais tempo. O nazismo oficialmente governou a Alemanha de 1993 a 1945. Já igreja, oficialmente, desde o imperador Constatino por volta do ano 300 d.c. Embora tanto a igreja quanto o nazismo foram bem eficientes na maneira de tratar seus inimigos.

        • 1993??? na época de Collor e Sarney??? uahuahuahuha. zuera. Entendi o que vc quis dizer:P

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).