Por que o cinema se encheu de continuações, franquias e remakes?

jul 10, 2015 by     9 Comentários    Postado em: Cultura

Por Pedro Jácome

Como eu desenvolvi uma certa “fobia” de aglomerações e lugares fechados, eu evito ao máximo ir a shoppings e cinemas.
Mas a gente sabe que um homem só tem essas liberdades enquanto é solteiro.

Fui ao cinema ver Crimes Ocultos (um dos piores filmes que eu já vi! Nunca, nunca, nunca vou recuperar as mais de 2 horas que perdi ali).

Já na entrada, tomei um susto. A maioria dos filmes era dublado e o cinema tinha sala de espera.
Pois bem, já na sala de cinema, outro susto.  A incrível quantidade de traillers que remetiam a remakes ou franquias ou filmes derivados de sucessos do passado.

Quando cheguei em casa, fui dar uma olhada nos blockbusters desse ano:

Jurassic World
Ted 2
Mad Max (que eu fiquei reticente em ver, porque o clássico com Mel Gibson é quase sagrado pra mim),
Minions
O Quarteto Fantástico
Dragon Ball Z
Carga Explosiva
Atividade Paranormal 5
O Exterminador do Futuro
Superman vs Batman (Eu votaria para o Batman ser aposentado depois da trilogia do Nolan, não tem como nada ser melhor do que aquilo. Aí os caras vêm e me botam Ben Affleck como Bruce Wayne… putz)
007
Star Wars (que sempre são piores que os episódios IV,V,VI, mas sempre valem a pena. O “The Force Awakens” vai contar com Harrison Ford e Chewie, então, pré-estréia, com certeza).

Não há nada de novo sob o projetor.

Não sei se foi a crise financeira ou há uma crise de criatividade em Hollywood.
Mas apostaria que com a concorrência do PopCorn e do NetFlix, os produtores estão apostando em franquias consagradas que dependem de efeitos especiais e, portanto, da alta qualidade dos equipamentos do cinema.

Dia desses tava passando na frente de uma locadora falida nas Graças. Ainda se lia a placa: “Veja um filme sem sair de casa, disk -telefone-”

Acho que se eu contar aos meus sobrinhos pequenos que, antes, para ver filmes sem sair de casa, não abríamos o laptop e conectávamos o home theater. Nós ligávamos para que alguém nos levasse, de bicicleta, um VHS. Tenho certeza, eles irão rir à beça.

E eu vou rir também, porque sei que para aproveitar um filme não é preciso 3d, som surround, nem um cinema que lhe sirva vinhos e canapés.
Pra esse final de semana, aliás, já está combinado.

Eu quero ver novidades. E por isso não vou aos cinemas.

Vou procurar The Good, The Bad and The Ugly.

Um clássico com Sérgio Leone, Clint Eastwood e Sergio Morricone é, certamente, capaz de atravessar eras e ir do Cinema ao Netflix.

Nao sei se os filmes de hoje terão a mesma sorte.

9 Comentários + Add Comentário

  • Os melhores filmes e seriados da história do cinema são dos anos 70, 80, 90 até meados dos anos 2000. Até hoje me emociono com os grandes clássicos desses tempos (Jurassic Park, Arquivo X, Exterminador do Futuro, Friends, Batman (em que Jack Nicholson interpretou o Coringa), Robocop, Tubarão, O silêncio dos inocentes, Matrix, Missão Impossível, Os embalos de sábado à noite e tantas outras obras-primas inesquecíveis do cinema).

    Depois da crise de 2009, a indústria só conseguiu produzir lixo com efeitos especiais bizarros, salvo algumas exceções do cinema europeu. A crise abalou profundamente a indústria cinematográfica principalmente nos EUA.

    Esses seriados americanos que passam na tv por assinatura também são umas porcarias. É por isso que a juventude está abandonando a televisão e migrando para a internet.

    • Eu sou do tempo em que se esperava por um filme e, após assisti-lo, os comentários duravam muitas semanas ou mesmo anos pois não havia possibilidade de vê-lo novamente já que não havia locadoras que surgiram apenas no início dos anos 80 (Vídeo Clube da Cidade e nem internet.

      Comentava-se o argumento, o roteiro, direção, atuação dos atores, música, etc

      O impacto era bem maior do que se sente hoje e tudo parece meio descartável, um modo de evitar apegos e ensejar gastar o seu dinheiro na próxima atração.

      Um dia desses escrevi que seria difícil se gerar o mesmo impacto que o álbum Time do Pink Floyd gerou, e não só por razões artísticas. A grande oferta de títulos não permite se aprofundar nos detalhes de cada canção e atuação dos músicos;

      Ouve-se uma música e já estamos enjoados e pensado na próxima novidade.

      É isso o que quer a indústria cultural e é complicado escapar dela.

      Rever antigos filmes traz prazer mas algumas decepções quanto à produção pois a tecnologia digital produz maravilhas. O que não consegue é trazer bons roteiros e atuações.

  • Acredito ser uma mistura de falta de criatividade com dar o que o público gosta. Se não gerasse dinheiro, não fariam. As pessoas aceitam qualquer coisa. Assim como existem as músicas descartáveis, filmes também.
    Há poucos dias vi o anúncio de um CD musical. De R$29,90 por R$5,00. Eu ri. Isso é como dizer: “Faz tempo que tento vender. Agora vou desistir da margem de lucro. Pague só a embalagem”. :-D

  • Hollywood costuma lembrar dos efeitos especiais e esquecer da história. Os bons filmes independentes são interessantes porque como eles não tem muitos recursos financeiros, eles acabam fazendo filmes com ótimas histórias.

  • Pior que tem muita coisa boa sendo feita, vide o oscar desse ano. Birdman, Whiplash, Hotel Budapeste, etc. Não se via filme bom ganhando oscar há um tempo. Sem falar nos vários diretores consagrados que tão produzindo a todo vapor.

    Agora, o grande problema é o que colocam pra passar nas salas de cinema. Você tem umas 7 salas pra jurassic park, outras duas pra uma comédia idiota brasileira, um filme infantil e só. E isso pra pagar 30 reais numa meia entrada.

    Aliás, sequer se pode chamar de “cinema” essas salas digitais imax 3D XD HD. A sensação é de que o cinema está dando lugar a outro tipo de coisa. É como uma atração de Admirável Mundo Novo, a que você vai somente pra “sentir a experiência” e quando sai da sala a primeira coisa que você pensa é: “vamos comer uma pizza?”.

  • A falta de criatividade é notória nos filmes atuais, principalmente nos filmes de ficção científica. Mentes geniais como Steven Spielberg, James Cameron, Stanley Kubrick e George Lucas e roteiros mirabolantes como os de Jurassic Park e Blade Runner estão em falta. Dinheiro os estúdios tem de sobra, basta ver os orçamentos das grandes produções atuais e os salários dos atores top chegando a 150 milhões de dólares por uma única atuação.

  • [...] Fonte:Acerto de Contas (function(d, s, id) { var js, fjs = d.getElementsByTagName(s)[0]; if (d.getElementById(id)) return; js = d.createElement(s); js.id = id; js.src = "//connect.facebook.net/pt_BR/sdk.js#xfbml=1&appId=331482807022588&version=v2.0"; fjs.parentNode.insertBefore(js, fjs); }(document, 'script', 'facebook-jssdk')); [...]

  • A indústria tem que apelar para os remakes, os filmes atuais estão muito pobres em conteúdo. Os grandes clássicos do passado são os que mais emocionam. Outro dia passou “Laranja mecânica” na TV a cabo, grande clássico do mestre Kubrick.

  • És mesmo um conservador! Até no cinema…heheh

    Tenha um pouco mais de fé no cinema! Ou pelo menos na Pixar/Disney.

    Mas sobre Hollywood, fico na justificativa que remake dá dinheiro mais fácil e os produtores e exibidores americanos não querem riscos.

    Sobre o Batman (e sobre qlqr super heroi na verdade), discordo radicalmente! Sou contra aposentadoria deles nos quadrinhos e no cinema…e vc viu o trailer que saiu hoje na Comicon? Cuidado Nolan…

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).