Impressões luso brasileiras. A arquitetura política espanhola.

por Andrei Barros Correia*
Procurador Federal
Estamos acostumados a falar em Espanha como se se tratasse de um monolito político, antigo e bem estabelecido. O mesmo acontece com relação à lingua castelhana, que recebeu o nome de espanhol e parece a muitos um elemento de individualização bastante preciso e seguro. Olhando as coisas mais de perto, as evidências anteriores perdem a nitidez, contudo.
Alugamos um carro e saímos em direção a Santiago de Compostela, na região da Galícia. Esta bela cidade tornou-se assunto obrigatório para muitos brasileiros, desde que Paulo Coelho escreveu um manual de como ficar em paz consigo mesmo e enriquecer o autor. Comecei a pensar que a municipalidade compostelana devia fazer uma grande homenagem ao escritor brasileiro. Antes da obra, poucos brasileiros viam-se naquelas paragens, embora o fluxo de europeus sempre tenha sido estável.
O deslocamento desde Braga a Compostela é rápido e tranquilo, embora saia caro para quem optar pelas auto-estradas, por conta dos pedágios, mais custosos em Portugal que na Espanha. É curioso, mas ainda tenho certo receio de confessar minha preferência discreta pelos trens. Embora goste muito de conduzir, sobretudo em carro e estradas boas, sempre me lembro do incoveniente dos automóveis nas cidades desconhecidas.
Se a cidade for, além de não conhecida, bastante antiga, o incauto automobilista ainda se depara com os problemas da circulação e do estacionamento. Felizmente, as coisas passaram-se bem e nós estivemos perdidos poucos minutos em Compostela. Encontramos um parque de estacionamento público, deixamos o carro e fomos ao hotel.
Se São Tiago deu em ir para Compostela descansar os ossos sob o altar da catedral é algo que pode sair da cabeça do visitante rapidamente, desde que seja um apaixonado por arquitetura como sou. O burgo é belíssimo e repleto de edifícios bonitos, principalmente as igrejas. Devo reconhecer que a opção do santo foi vantajosa para quem veio depois dele.
Um pouquinho de atenção leva o visitante lusófono a perceber que, com poucas dificuldades, entende-se bem com os galegos e quase sempre sente-se à vontade. O idioma galego é a origem do português e, ainda que sob intensa pressão castelhana, mantém-se nas suas linhas gerais. Esta alvissareira semelhança poupa-nos daquelas patéticas tentativas de falar castelhano, como se isso fosse a coisa mais fácil do mundo e resultasse em algo verdadeiramente próximo do real.
As semelhanças entre o Minho – o norte de Portugal, em geral – e a Galícia são enormes e vão além do intenso intercâmbio comercial. São proximidades culturais perceptíveis na culinária, nas sonoridades, na arquitetura, na postura das pessoas, no ritmo e aspecto da vida, enfim.
Tudo está escrito em galego, o que surpreende quem se acostumou a ler os nomes das calles, em Madrid, Quito ou Buenos Aires, porque na Galícia as vias chamam-se rúas – assim mesmo, com acento. Isso não é um cultivo de resistência, praticado às escondidas, dentro de casa, e evitado fora dela. É a comunicação oficial, são as placas das estradas, os nomes dos prédios, os jornais escritos.
Enfim, a língua é o galego, a região é a Galícia – com parlamento, inclusive – a capital é Compostela e tudo isso encontra-se inserido na criação política que se convencionou chamar Espanha. Parece-me inegável o êxito dessa ficção composta por tantas regiões autônomas, embora não diga que seja desejável, porque se é bom ou ruim, isso não é problema meu.
Essa situação, com seus matizes e intensidades próprios, reproduz-se em Barcelona, em Oviedo e em Bilbao. A autonomia das regiões é um assunto seriíssimo em Espanha, porque tem que ser calibrada na medida exata do necessário à manutenção do reino e da satisfação das populações locais. Claro que o país vasco oferece mais dificuldades a tais harmonizações. Isso, porém, é previsível nesse povo rico, altivo e indócil a todos os conquistadores. Nem César conseguiu subjugá-los…
A admirável obra que representa este reino devia inspirar cautelas a tantos quantos reputam fácil interpretar e rejeitar tais ou quais sistemas políticos. Em Espanha, a monarquia faz todo sentido e o soberano é rei de Aragão, de Leão, de Navarra, de Castela, de todos os espanhóis, enfim. Cumpre um notável papel de redutor dos atritos decorrentes do histórico e arrogante imperialismo castelhano, ávido em dominar a península, desde os áridos planaltos em que se fez Madrid.
Na volta, escutávamos Amália Rodrigues e pus-me a pensar nos lindos versos que dizem Lisboa, não sejas francesa, tu és portuguesa, tu és só pra nós. Os franceses do general Junot foram-se embora logo, Amália triunfou no Olympia e Madrid continua alí, a menos de mil quilômetros, manejando bem as autonomias.
_______________________________
* O Procurador Federal Andrei Barros Correia está passando uma temporada em Minho, Portugal, realizando atividades de seu mestrado em Direitos Humanos, e durante sua estada naquele país irá enviar crônicas semanais ao Acerto de Contas, com o relato de suas impressões sobre aquela cidade e país, comparativamente com o cotidiano brasileiro.
Clique nos links abaixo para ler cada uma das crônicas já publicadas:
1 – Impressões luso-brasileiras.
2 – Impressões luso-brasileiras. O prego no pão e outras coisas.
3 – Impressões luso brasileiras. A surdez e os barulhos.
4 – Impressões luso brasileiras. Fatos e factos.
5 – Impressões luso brasileiras. A feijoada e o tamanho do abismo.
6 – Impressões luso brasileiras. O hábito
7 – Impressões luso brasileiras. Como os brasileiros veêm a si próprios.
8 – Impressões luso brasileiras. Riqueza e muito trabalho.
9 – Impressões Luso brasileiras. Cinema com lugar marcado.
10 – Impressões Luso brasileiras. Saramago, aquele escritor…
11 – Impressões luso brasileiras. A procura por um peru de natal.
12 – Impressões luso brasileiras. A obviedade dos trens.
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Andrei, a crônica da semana incita a imaginação histórica e arquitetônica daqueles que na Corunha não pisaram.
Deve ser de uma beleza… impactante.
Desta vez, não tenho pretensiosos comentários, mas apenas o intuito propositado de saciar a curiosidade. Se dispuseres de tempo e paciência…
Alguém relatou, não lembro se Vidal, que até as mulheres da Galícia, nos tempos de César, eram seres extremamente fortes e, como os homens, não hesitavam em adentrar na batalha. É perceptível algum reflexo disto hoje em dia ou a civilidade e os séculos dissiparam a bravura? Ou melhor, a bravura não encontra razão de ser na civilidade?
Você teve a oportunidade de conhecer a Cidade da Cultura de Galícia? O andamento do projeto e, principalmente, a maneira como foi recepcionado pelos locais?
A crônica mostra, também, como a comunicação local em sua substância por essas bandas – seja oficial ou popular, como parece segundo suas palavras – não permite a detecção de indícios xenófobos ou de uma resistência qualquer. É identidade pura, nada mais do que isso.
Por fim, sobre formas de organização política, ainda acreditamos no “american” tupiniquim “dream”. Democracia sinônimo de evolução, garantismo social e participação popular. A diversidade existe – embora não diga que seja desejável –
e não é difícil perceber quem vive melhor, afinal.
Ubiratan,
Confesso-lhe que não sabia da Cidade da Cultura de Galícia. Fui agora ao sítio de internet e vi que se trata de um grandioso projeto a ser finalizado em 2012.
O sítio é interessante e todo escrito em galego. Dá para perceber a proximidade com o português.
Vidal está na minha memória, com Criação e Juliano. Mas, numa memória já meio distante,de quem já está na hora de reler.
As pessoas são muito simpáticas, isso pude perceber. Claro que se trata de uma cidade turística, mas há delas em que a tolerância é bem menor.
Se a monarquia espanhola é um remédio eficaz para a unidade nacional, poderíamos adotá-la como meio de prevenir os separatismos gaúchos, por exemplo. O que achas?
Já vejo as lantejoulas e os paetês da insurreição.
Rsss
Gaúchos? Separatistas?!!
Ah, que se vão todos!! heheheheh.
Daniel,
Aqui, em Braga, tive ocasião de ouvir um discurso separatista gaúcho. Daqueles que afirmam que são gaúchos antes de serem brasileiros. Que celebram a farroupilha uma semana inteira e por aí vai.
Acho que a melhor postura é não se contrapor. Se o RG do Sul de separa do Brasil, termina virando Argentina.
Então é como você disse: que se vão, se quiserem
Perfeito.
Não se deve impor vínculo de nacionalidade a ninguém, seja isto vantajoso ou desvantojoso, ainda que a política e as questões econômicas trilhem pelo caminho contrário.
No mundo, são vários os exemplos em que os territórios previamente fixados perfazem mera conveniência de interesses mais antigos. Além do caso “Espanha”, lembremos ainda da Bélgica.
Daniel,
O caso belga está dando o que falar aqui. Pensam seriamente na divisão. O interesante é que cogita-se a agregação da Valônia à França.
Os flamengos não querem tanto virar Holanda. O nó a ser desatado é Bruxelas. Geograficamente na área holandesa, capital da UE, mais francófona, muito cosmopolita.
Lá, a monarquia não tem tido êxito em ser elemento agregador.
Isso mesmo Andrei.
Aliás, ninguém quase ouve falar da Corte Belga!!!
Não me importo muito com as decisões dos gaúchos, se querem ser brasileiros ou não. Mas seriam bom se os colegas separatistas do sul dessem olhada nas razões históricas e culturais que alicerçam esses movimentos pela Europa. É óbvio que lá, na Europa, eles têm muita razão de ser.
Os nossos sulistas, ao contrário, têm sua história e cultura amalgamada ao restante do Brasil, em que pesem as óbvias peculiaridades locais. Mas talvez seja ainda possível formar um reino ítalo-germânico ultramarino…
Daniel,
Talvez esse separatismo gaúcho seja um tanto decorrente de visões de curto alcance histórico.
Eles celebram a Farroupilha como se fosse o único movimento separatista ocorrido no Brasil.
Mas, a Confederação do Equador, para ficar em apenas um exemplo, foi anterior – bem anterior – e mais elaborada politicamente.
Separatista – a Confederação – por não monarquista. Resultado meio tardio da efervecência humanista iluminista, fermentada no Seminário de Olinda.
Andrei,
Também tinha me recordado dos confederados (Frei Caneca e companhia) e do trecho daquela música que sonha com um Nordeste independente…
Não o citei apenas para não parecer ser um apoiador deste tipo de movimento ou invocar qualquer primazia no assunto separatista. Mas já que você citou, acrescento que a Confederação do Equador, naquele momento histórico, fazia muito mais sentido que o atual “desgarramento” gaúcho, por razões políticas e/ou culturais.
Daniel,
Vejo a questão de maneira bem semelhante à sua.
Não há muita adequação histórica do separatismo gaúcho. A federação brasileira não é opressora, até porque não veio se sobrepor a independências anteriores.
Se o RG do Sul quisesse separar-se do Brasil, não acredito que encontrasse dificultades reais. Alguém imagina uma guerra?
Não vejo problemas, nem para o Brasil, nem para o RG do Sul. Os gaúchos que são separatistas ficam meio escandalizados com essa postura. Creio que isso denuncia o quanto há de folclore nessa posição. Desejam alguma reação.
Mas, retornando a Frei Caneca, adianto-lhe que ainda vou estudar e escrever alguma coisa sobre o Seminário de Olinda. Produziu grandes figuras e – fato raro – com pouco atraso em relação ao centro do mundo de então, a europa.
Olívia,
Penso que os riograndenses do sul querem somente se separar de São Paulo, e por inveja mesmo da diferença de desenvolvimento econômico entre aqueles estados.
O RS ainda engole fácil Santa Catarina e consegue ignorar o Paraná.
Se se bandearem para a Argentina estarão mais desfavoráveis ainda, alguém vai ter que incorporar pelo caminho o malcriado Uruguay.
Outra dúvida: será que os argentinos vão querer incorporar Pelotas e os seus folclóricos pelotenses ao novo território? Já tem muito maricón na Argentina e a concorrência dos boiolas importados pode não ser muito bem vinda.
Com relação aos delírios dos brasileiros pós Paulo Coelho para percorrer o caminho de Santiago, um conhecido meu me disse que as maiores mortificaçoes a que se submeteu foram as dormidas em albuerges e pousadas cheias de pulgas e de metano circulando em quartos apertados e cheios de beliches.
As alternativas penitencias para essas mortificações Paulo Coelho não deu nos seus primeiros livros mas um dia, certamente, editara um guia das pousadas “pulga free” no caminho da salvação.
Acho que o país é uma fraternidade. Quando o irmão não quer mais conviver comigo, abro as portas para que ele se vá. Por mim, poderia fazer uma votação direta com as populações separatistas. Se querem se separar, que se separem. Desgraça!
Se os gaúchos querem se separar, que se separem! Se o país Basco quer se separar, que se separe.
Andrei
Tive a grata satisfação de ir a Compostela e sentir isto ai que você fala.Adorei falar o portugues com o povo galego que nos entendem tão bem,me senti em casa em termos de lingua.Conversar com um povo tão simpático e agradavel foi adoravel.A arquitetura é algo realmente impressionante e vai ficar gravada na minha mente.Muito bom .
Aghata
[WORDPRESS HASHCASH] The poster sent us ’0 which is not a hashcash value.
Andrei
Tive a oportunidade de ir a Compostela e sentir a mesma coisa .O povo é realmente muito simpático e falar o portugues com eles é leve .O galego tem a mesma melodia do portugues fazendo a comunicação bem agradável.A arquitetura impressiona principalmente das igrejas. Não podemos esquecer a culinária ,maravilhosa.
Parabens pelo artigo, Aghata
Sidarta,
Muito bem observada a questão dos incovenientes da incorporação do RS à Argentina. Penso que os próprios gauchos, no afã separatista, não pensaram na logística dessa incorporação ao Pampas, nem nas consequencias diretas que podem vir da mesma, a exemplo dos pelotenses.
Sobre as pulgas e ao metano, resistir bravamente a estes faz parte da caminhada para encontrar a luz. O peregrino tem que sofrer. Vi em Santiago umas camisas que diziam “No pain, no glory”, os albergues fazem parte do “pain”.
Rss
Separatismo sim
Na internet brasileira, sites de relacionamento, e implicito dentro de muitas declarações vistas em jogos de futebol
existe sim uma vontade de autonomia não só gaucha, como sulista, Paulista e até nordestina.
procurem e vejam
abraço
Carissima Olívia,
O caminho de Santiago que topo fazer vai do bar de algum hotel 3# “pulga and methane free” na própria cidade até as escadas da catedral, em um percurso máximo caminhando de uns 500m; mais do que isso é masoquismo islamita ou fanatismo cristão das Filipinas, ah,ah,ah
Sou capaz de apostar que você e Andrei seguiram essa alternativa de expiação dos pecados da glutonice com a culinária de España, aceitando, no máximo, alguma dorzinha de barriga pelo excesso de óleo de oliva para a glória do Senhor!
Um beijo,
Sidarta
Separatismo no Brasil, bairrismo puro e simples. Alguém com mais de dois neurônio saberia que nehnum estado ou região seria capaz de sobreviver sem as outras. Algumas pessoas utilizam do sentimento de orgulho pela terra natal, deturpam e vendem essa idéia (separatista) no mínimo burra, quando não, mal intencionada.
Luciano,
Aborrece-me no separatismo, notadamente gaúcho, a arrogância e falta de sentido histórico. Ou seja, muita ignorância há por trás disso.
Contudo, acho que seria, no caso do RG do Sul, economicamente viável, embora difícil de tornar operacional. Já imaginou as indenizações cruzadas que isso demandaria.
De uns tempos para cá, minha postura, quando alguém se propõe a tais discursos, é não me contrapor.
Já vi gaúcho desconcertado ao ouvir que acho mesmo que deviam ser um país à parte.
Prezado Lapa,
Deve ter sido uma experiência fascinante ouvir, na Galícia, a língua da qual se originou o português. A invasão muçulmana e a reconquista foram acontecimentos determinates na formação das três línguas peninsulares( o galego-português a oeste, o castelhano no centro e o catalão a leste). Estas línguas – nascidas no Norte mais infenso às influências mouras – foram levadas para o Sul pela reconquista. Demonstra o povo da Galícia um poder de resistência cultural imenso, pois não deve ter sido fácil se opor à avassaladora pressão do idioma dominante( o castelhano).
Um abraço,
Ênio Matos
Andrei,
Quando passei uns meses estagiando na Bélgica, no fim do século passado, percebi bem rápido como as coisas eram divididas entre os flamands (do norte, protestantes, industrializados e mais ricos) e os wallons (do sul, católicos, produtores de leite e de manteiga e mais pobres).
Raramente havia casamentos entre as duas bandas e preferiam se falar em ingles a um falar a lingua do outro. Em Bruxelas falávamos “franglês” em todos os cantos.
Discutindo a questao com o nosso orientador do estagio na federacao das industrias metalurgicas da Bélgica, uma entidade bem flamand, o orientador, um engenheiro wallon que falava frances, holandes, ingles, italiano, espanhol e alemao (era o “faz-tudo” da entidade), me disse que se a Belgica um dia se dividisse os flamands não se juntariam à Holanda e os wallons tambem não se juntariam à França.
Disse, rindo, que era mas provável que se comportassem como casais que se separam, não casam novamente mas continuam se encontrando nos moteis às escondidas para não esquecer como eram os surtos de amor e de ódio dos tempos de legalmente casados.
Acho mesmo muito dificil que os boiolas do Rio Grande do Sul, se optarem por se separar do Brasil, consigam viver sozinhos ou venham a se juntar aos boiolas do Uruguay e da Argentina; vão mesmo continuar se encontrando com os boiolas do resto do sul do Brasil e, de vez em quando, até com os odiados de São Paulo para apanhar um pouco….e manterão, sem dúvidas, uma ponte aérea para irem dar no Rio, que eles adoram.
Sidarta…
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Espere um pouco… dor desviada.
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Ainda bem que não se falou em esfíncter… ainda!
Valeu Ubiratan!
Doravante vou tentar poupar nos comentários os esfíncters dos gaúchos e de outros também mais afoitos; alguns membros da minha muito liberal “sangha” (comunidade) zen budista me criticaram por uma certa falta de decoro que pratiquei em outros comentários anteriores.
Penalizo-me perante a sangha e talvez um dia faça o caminho de Santiago… de carro e ficando em humildes hotéis 3# and up!, “methane and pulga free” como disse a Olívia.
Um abraço.
Ubiratan,
A interessante frase abaixo está logo no seu primeiro comentário a essa crônica de Andrei.
“…..até as mulheres da Galícia, nos tempos de César, eram seres extremamente fortes e, como os homens, não hesitavam em adentrar na batalha.”
Para não perder o mote, lembrei-me das mulheres descendentes mais diretas dos aztecas que vi na cidade do México.
São também fortes, não tão dedicadas à siesta como os homens e, inevitavelmente, comprovadoras da teoria da evolução: suas pernas parecem com pilares de concreto redondos e engastados em uma cintura também redonda e com lados verticais, com os pés afastados um do outro para alargar a base e manter o centro de gravidade bem no meio da linha dos apoios no solo.
Deveriam subir as sierras a mais de 2500m de altitude caminhando com sacos de cereias ou jarras de água na cabeça e desenvolveram um feitio e um porte físico adequados ao seu trabalho.
Os homens, pelo jeito, subiam as serras em burros e desenvolveram cinturas grossas e pernas mais arqueadas, tal qual o Sargento Garcia dos filmes do Zorro.
Hoje as filhas de Montezuma pintam os cabelos de louro “Laura Bush”, usam óculos escuros imensos mas deverão levar muito tempo até que consigam modificar os traços físicos gerais impostos pela teoria da evolução.
Por outro lado, pelo que sei, as mulheres aztecas não eram muito de ir à guerra….
Amigo Sidarta,
Lendo mais detidamente meu último comentário, transpareceu a repressão à discussão dos esfíncteres. Porém, não foi esta a intenção. Para a ironia não existem limites, pelos menos para mim, um pobre mortal, apedeuta aos ensinamentos budistas e apóstata cristão.
Minha mortificação, certamente, será ainda mais implacável… quem sabe estabelecimentos 2# e profusão de metano, decorrente da digestão de muito repolho refogado, com ovo mal passado de galinha de capoeira; acompanhados de sobremesa de batata doce, regada, abundantemente, com o mais mefítico azeite de oliva. Tudo pela glorificação do Senhor.
Sidarta, quem tem esfíncter, tem medo. E os riograndenses do sul sempre foram os homens mais destemidos do país, afinal.
Abraço
Caro Ubiratan,
Também, como apóstata cristão, vejo que você parece estar enveredando para as bandas de uma refinada mortificação terminal maometana.
Com efeito, a sua opção de mortificação no caminho de Santiago parece-me muito mais muçulmana e levada a lhe conduzir a um rápido martírio e à contemplação das 72 virgens prometidas no céu de Allah, se for mesmo comer o que tem descrito (a sua dieta é bem mediterrânea do sul…).
Lembre-se, também, de que no inverno fecham as janelas dos quartos multibeliches nos albergues e a coisa pode também virar antes uma câmara de gás franquista.. e não vais ter em vida a visão contemplativa de Jesus nem de São Tiago, vais morrer mesmo sem tempo de escrever um livro alertando os amigos sobre os reais perigos do caminho de Santiago!!!
Bem, se o desfecho do seu martírio for se dar pela inalação do metano ou pela eliminação, via esfíncter das proteínas e fluidos necessários ao seu organismo, cheirando o gás parece-me mais rápido e indolor…além de não estragar o sistema de escapamento.
Mas tem um problema: só se ganha as virgens prometidas se o candidato topar “explodir”, o que pode ser feito ingerindo a sua dieta e fechando a saída do escapamento por uma semana.
Transfira a sua peregrinação para Las Vegas… como você bem diz, “Tudo pela glorificação do Senhor”.
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Queres dizer que os riograndenses do sul, por serem os homens mais destemidos do país já não mais têm esfincter… gastaram????
Sensacional dedução, não devem ter mesmo os esfincteres reprimidos, mas sim, bem relaxados !!!!!!!!!
Um abraço.
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Falando sério, tire da cabeça os hoteis 2# nessa peregrinação espanhola (passamos o penúltimo fim de semana em Tamandaré, devemos ter engolido um pouco da água do chuveiro durante o banho na casa de um amigo – de poço raso e não tratada – e já tomamos antibiótico, mebendazol e giamebil para não estragar mais as “saídas” e conseguir escapar do exame do proctologista).