Impressões luso brasileiras. A surdez e os barulhos.
por Andrei Barros Correia*
Procurador Federal
Diz-se que um cavalheiro não expõe suas mazelas. Realmente, pode ser muito constrangedor para os outros e indigno para si. Mas, isso pode ser um pouco amenizado, desde que seja pouca a exposição e tenha alguma finalidade.
Sou, atualmente, um bocado surdo, por conta de uns problemas nos ouvidos internos. Hoje, utilizo um aparelho auditivo do lado esquerdo, que é o pior. Não melhora grande coisa, mas ajuda um tantinho.
A perda auditiva gera uns efeitos contraditórios, diferentes do que se poderia pensar à primeira vista. Claro que falo da perda parcial. O fato é que barulhos incomodam muitíssimo. Deve ter a ver com a qualidade da percepção, pois o incómodo é maior que quando ouvia bem.
O caso é que carrocinhas de forró eletrónico, buzinas, vizinhos que ouvem som alto desde cedo, vitórias de times de futebol, pregações religiosas e outros trazem o parcialmente surdo desnorteado.
É óbvio que senti enorme diferença por estas terras norte lusitanas. As carrocinhas de forró inexistem. As buzinas claro que existem, mas são usadas com muita parcimónia e das religiosidades apenas se ouvem bonitos toques de sinos e isso se estiveres próximo a uma igreja – o que é bem fácil.
Enfim, o silêncio por aqui é bem maior em ambientes públicos e nos residenciais. Se o sujeito quer ouvir música nas alturas, vai a um bar ou boate, se não quer, vive em paz com os poucos decibéis do ruído ambiente. Obviamente devem existir excepções e para isso serve a polícia.
Estávamos na imobiliária em vias de assinar o contrato de arrendamento do apartamento. Eis que surge uma senhora de média para alta idade e reclama calmamente de barulhos no prédio em que mora. Devo dizer que isso percebeu Olívia, que eu não posso me arriscar a concentrar-me em duas audições ao mesmo tempo.
O barulho, esse fundamental problema, eram arrastares de móveis e descargas sanitárias, pasmem, depois das nove da noite. Os culpados eram dois velhos que moram no apartamento acima da ciosa senhora. A incomodada moradora queria a todo custo que o rapaz da imobiliária ligasse para a administradora do prédio e obtivesse as mais imediatas providências.
Os criminosos, pensei, deviam estar somente pondo uma cadeira de volta ao lugar, depois de jantar e – sem maiores comentários – fazendo o que todos fazem depois de utilizar o banheiro, desde que não se esteja em racionamento de água. Um crime, diria um jurista destes que abundam na terra brasilis, de bagatela. No mínimo, digo eu, não intencional.
Antes de acusar-se a senhora de excessivo rigor, convém lembrar que ela não recorreu à polícia, dando as suas demonstrações de proporcionalidade. À polícia recorreu outra senhora, que conversava na rua com mais duas e dizia que não teve mais como suportar as vizinhas, umas raparigas brasileiras, que faziam um barulho danado, até bem tarde. Não viu outra saída. Coitada dela e das conterrâneas.
Do outro lado do Atlântico, onde se cultivam níveis de tolerância que beiram a cumplicidade, experimente o incomodado – seja por muito ou por pouco barulho – recorrer a alguma expressão do poder público. Dois desfechos são prováveis: primeiro, nada, pura e simplesmente; segundo, ser tomado como desocupado, piadista ou excêntrico.
Esse descuido das autoridades pode perder muita gente pacífica. Imagine-se o cidadão que, vendo-se com os nervos comprimidos e sem ter a quem recorrer, busca no fundo de uma cómoda aquele velho revólver enrolado numa flanela, lembrança do pai ou do avô.
Livra-se, então, o pacato cidadão do tormento sonoro, livra o espírito de alguém da opressão corporal, põe talvez uns órfãos e viúva no mundo e torna-se o perfeito réu a fazer os currículos de delegado, promotor e juiz. Tem onde ser encontrado, nunca delinquiu, não é malicioso, vai ser condenado certamente, depois de extorquido, é claro.
Daí que, independentemente do nível das tolerâncias, é bom que haja limites e que eles sejam respeitados. E, principalmente, que se tenha a quem recorrer quando não são, pois a barbárie confunde-se muito com a falta de poder público.
_____________________________________
* O Procurador Federal Andrei Barros Correia está passando uma temporada em Minho, Portugal, realizando atividades de seu mestrado em Direitos Humanos, e durante sua estada naquele país irá enviar crônicas semanais ao Acerto de Contas, com o relato de suas impressões sobre aquela cidade e país, comparativamente com o cotidiano brasileiro.
Leia a primeira crônica clicando aqui.
A segunda crônica você pode ler aqui.
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Postado em: 
Andrei,
Interessante o relato da preservação do silêncio em uma cidade que conta com uma população bastante jovem. De fato, o dever ao respeito não tem idade, seja ela muita ou pouca.
maria josé
andrei
Mudei para uma pequena cidade do nordeste,80 km distante da capital.Pensei que estaria livre do barulho da cidade grande mas, para minha surpresa a poluição sonora´é maior.Acordamos às 5 da matina com um galo que passeia pelas ruas livre e lépido,cantando em alto bom som acompanhado pelo cacarejar das suas galinhas.Dai em diante um festival de gritos ,buzinas, motores e tudo mais que você possa imaginar.Lamentavelmente o respeito não acompanha o progresso
Andrei,
Até onde sei, a lei brasileira só indica a possibilidade de intervenção das autoridades em ambientes de acesso ao público como igrejas, bares etc, que estejam causando poluição sonora.
Parece que o legislador esqueceu das residências e dos sons ambulantes (carrinho de cd pirata, som automotivo, etc.) Estou certo ?
Com relação aos limites em residências e dos ambulantes, realmente não sei onde estão fixados. Creio que isso é de competência dos municípios.
Estamos morando exatamente ao lado da universidade e não há barulhos. Há, sim, muitos papéis pelo chão, aqui nesta região. Todos disseram que é normal.
Uma coisa é certa, não vimos sinais de violência. Os crimes que se relatam nos jornais são de condução sob efeito de alcool e roubos. Estes últimos praticam-se de esticão. Um bote, em resumo. Outros são com navalhas, para obrigar a vítima a sacar algum dinheiro em caixa automático.
Assassinato banal, a troco de nada, de reação alguma, como se matar fosse a coisa mais comum do mundo, não se vê.
prezado Andrei,
Você tocou num problema muito atual e irritante.Hoje somos obrigados a ouvirtodos tipos de músicas de baixa qualidade.As pessoas acham que são os donos do “gosto musical ” impondo com alto volume, músicas descartáveis e vazias, que está na boca e no som das cabeças ocas.
E essas “igrejas” que botam o som nas alturas, devem achar que Deus é surdo !
Pois é, Fernanda. O barulho é uma das faces da evidente falta de educação para a vida coletiva neste nosso país.
O pior, pior mesmo, não é força de expressão, é que parece normal para a maioria das pessoas. Ou seja, toleramos tais invasões.
Andrei,
O problema é que aqueles que impõem seus “sons” para todo mundo ouvir acham-se donos da razão. Vá pedir para o ambulante que vende cd pirata diminuir o volume !! Ele dirá que está “trabalhando pra não ter que roubar” (apesar de já estar cometendo um crime). Ou para um desses ´boyzinhos´, cheio de cachaça e maconha na cabeça, com um trio elétrico no porta-malas !!
Não é tão fácil tirar satisfação com essa gente. Vivemos na cultura do medo, e o barulho incomoda menos do que a violência.
Aí está, Daniel, a chave do problema. As pessoas sentem-se à vontade para impor aos outros o que acham normal ou desejável.
Onde todos se sentem na condição de impor suas vontades, segundo suas crenças pessoais, substitui-se o impositor comum legitimado, que é o estado.
O pior é que o impositor acha estranho qualquer reação, como se disesse: meu deus, como alguém pode achar ruim a minha magnanimidade de distribuir limão com rapadura a 250 decibéis!
Caro Lapa,
“Só deve merecer a liberdade e a vida quem para as conservar luta constantemente”. No Brasil, infelizmente, para a grande maioria de nossa gente simples as únicas coisas que merecem atenção – a ponto de serem levadas à Justiça- são aquelas que têm repercussão financeira direta. Valores como o respeito ao direito das pessoas ao silêncio e à tranqüilidade não estão dentre aqueles que mereçam, de fato, maior atenção por parte dos brasileiros. Aqueles que recorram à Justiça para ver respeitados tais direito serão rotulados de intransigentes, de sensibilidade extrema e excessiva, de criadores de casos etc.
Não deve ser – como ensina Ihering- o prosaico interesse pecuniário a causa maior de se encetar um processo, mas a dor moral que nos causa a injustiça sofrida. A questão deve deixar de ser de puro interesse para se transformar em questão de dignidade e caráter, em suma, de afirmação ou abondano de personalidade. Parafraseando Ihering digo : somente deve merecer silêncio e tranquilidade quem para os conservar luta constantemente”.
Ênio Matos
Andrei,
De fato as impressões são muito palpáveis, se pode perceber claramante e até visualizar o que você está comentando. Sobre o barulho, o que nos acomete aqui no brasil é algo que tem nome e que se chama condescendencia. As pessoas são muito pacíficas e consentem com a falta de respeito que lhes é imposta diariamente em todos os lugares.
Por outro lado, é certo que sem apoio público, digo, da polícia, fica mais dificil se fazer ser respeitado nessa terra de selvagens que acham que você é quem está errado ao reclamar do barulho.
O fato é que o grau de civilidade, que falta a muita gente por aqui, é uma tragédia na medida em que impede o respeito pelos direitos mais simples que temos, como o de habitar um ambiente silencioso, por exemplo.
Se todo baraulho fosse feito por galos e galinhas, viveríamos no paraíso. Infelizmente Recife e a maioria das cidades do interior de Pernambuco já estão contaminadas pelo barulho e o poder público é parcialmente responsável por isso.
Aqui em Recife, a Dircon só atua quando o barulho é em entidade comercial, o que deveria incluir as carroças, mas aí eles alegam que como a carroça é móvel, os decibéis também se movem e não causam o mesmo transtorno para o ouvido humano quanto o barulho permanente. Isto é parcialmente verdade, tecnicamente falando.
Se o barulho for em residência a Dircon recomenda acionar a polícia, que não virá porque tem mais o que fazer ou porque não quer mesmo. Outro dia, em um prédio vizinho ao meu, foi realizada uma festa que começou às 13:00 (era um sábado) e só acabou lá pelas 22:00; a dita festa tinha som ao vivo protagonizado por um grupo de pagode. Foi barulho o dia todo, chamamos a polícia e, não sei se por coincidência, passaram duas viaturas em frente ao prédio mas nada fizeram. Cheguei à conclusão de que a polícia preferiu não importunar a festa da burguesia, já que o prédio é desses com um apartamento por andar e no qual se paga um condomínio de R$ 1.200,00.
Já que não podia fazer nada em casa porque o barulho não permitia, gastei uma parte do meu tempo a observar o comportamento popular dos moradores do tal prédio fiquei a me perguntar de que adiantava àquelas famílias que lá residem terem tanto dinheiro se eles continuam pensando e se divertindo da mesma forma que os moradores de favela fazem; eles ouvem exatamente a mesma música e as meninas dançam da mesma forma (sexo explícito). Por favor, não me entendam como preconceituosa, mas se melhores condições de vida e de estudo não trazem melhor comprtamento social e respeito para com os outros, que se fechem as escolas porque tudo está perdido mesmo. A festa se resumiu a muita bebida e pagode, tudo para convidados na casa dos 18 aos 21 anos de idade.
Não sou radicalmente intolerante a barulhos, música alta, etc; pelo contrário, gosto de diversão e de dançar como qualquer um deles, mas não quero impor aos outros minhas preferências pessoais. Já basta o carnaval, período em que o barulho é oficializado e nós podemos nos divertir até cair, obrigando as pessoas que não gostam a sair da cidade. Mas uma pessoa decidir dar uma festa em sua casa e com isso incomodar todos os moradores da rua e adjacências aí já abuso mesmo e deveria ser coibido com rigor.
Caro Ênio,
De fato, não lutamos por coisas ditas pequenas, como o silêncio, mas apreciamos fazer discursos de vontade de civilização. É isso, somos discurso sem prátrica. Lembra-me Ortega y Gasset, pois dizemos querer níveis melhores de vida, mas não assumimos a responsabilidade de buscá-los e cultivá-los.
Arthemísia,
Você brindou-me com uma observação que gostaria de ter feito, eu mesmo. Sempre me chamou muito a atenção o fato das classes mais abastadas serem culturalmente quase idênticas às menos. Muito embora rejeitem a identificação e ajam guiadas pelos preconceitos mais abjetos.
Não são meritocráticas, não são educadas, não são elegantes. São violentas, preconceituosas e hipócritas. Por que se encontram na posição em que estão, senão por puro oportunismo?
Andrei,
Já cheguei a colocar toalhas para vedar as pequenas aberturas que ficam nas janelas de correr quando fechadas. Adiantou pouco a mudança dos Aflitos para Parnamirim, as festas nos clubes e os carros de venda de propagandas de bares, festas e mercados, e as bicicletas de venda CD pirata do música funk conseguem superar a melhor vedação acustica aqui no nosso apartamento… mesmo depois da meia noite.
Resisto a também me tornar rude e tento não arrastar cadeiras no apartamento mas ainda não consegui constranger o meu vizinho de cima a fazer o mesmo. Reclamar nem pensar, a vítima pode passar a ser os pneus do meu carro na garagem do prédio. Quanto ao cara da bicicleta de venda de CD que passa à 1h da madrugada com o som alto da música funk, já tive instintos assassinos de passar por cima da bicicleta dele com o meu carro; entretanto, sei que serei morto pelo resto da comunidade dos funkeiros e prefiro tomar meio Lexotan enquanto o sujeito circula o quarteirao e não vai aporrinhar em outro bairro.
Invejo a sua temporária boa qualidade de vida e desejo que a aproveite ao máximo; espero também que continue enviando as suas observações sobre o mundo civilizado para que saibamos que educação e qualidade de vida melhor existem em outros lugares do mundo e retardemos ao máximo sermos também engolidos pelo “nivelamento por baixo” que assola esse país.
Grande abraço, Sidarta
O comentário perspicaz do Buda novamente encarnado corrobora o que tinha dito Arthemísia.
A deseducação é um elemento nivelador da sociedade brasileira. A mudança para uma vizinhança mais abastada não implica vizinhos mais educados.
É preciso muita meditação, ou lexotan, para aguentar. Outra saída é juntar-se ao caos. Mas, é diícil para quem viveu tentando escapar dele.
E há mesmo represálias para quem rejeita a incivilidade. Há delas sociais e o indivíduo torna-se o excêntrico excluído. E há os pneus e carros arranhados também.
Perdemos o brasil.
Andrei,
Penso que o grande problema resume-se à falta de educação familiar. Ora, se o próprio pai financia o som do carro que o filho tem, como pode reclamar ou achar ruim o carrinho do ambulante?
É o mesmo problema de trancar o carro de outrem, na desculpa que vai ser rapidinho. Educação familiar é o que falta.
Meu caro amigo Rafael, não sei se a questão resume-se à educação familiar, tão somente.
Ao pensar assim, o desespero me domina, pois passo a convencer-me, em definitivo, de que a incivilidade cresce proporcionalmente ao ritmo do nosso crescimento vegetativo, afastando, fatalmente, qualquer vã expectativa de mudança, se é que ainda exista.
Não é oportuno, por outro lado, discutir determinismo geográfico ou qualquer outro viés sociológico nestas linhas, no intuito de tentar entender o que acontece em nosso país. Eu não chegaria a lugar algum, certamente.
Permitam-me, também, exemplificar a problemática a partir das eleições municipais em minha cidade, Campina Grande. Conquanto terminado o pleito no último domingo; na terça feira, às 2 horas da manhã, ainda se escutava – em alto e terrível som – as buzinas dos “vencedores”, nas redondezas residenciais ou hospitalares (como se não existisse qualquer restrição sonora sobre esta última).
Vencedores sim, pois definitivamente percebi que o processo eleitoral em nosso país não é permuta de administradores públicos, mas gincana perigosa; oportunista; por vezes, mortífera; e, extremamente desagradável, sempre! Embora colorida tal gincana, o antagonismo das cores – que representa o choque das supostas ideologias – torna daltônica toda uma sociedade.
Acrescento, neste exato momento, os altos decibéis de duplas sertanejas me importunam a escrita, logo, perdoem qualquer incongruência lógica ou equívoco de concordância.
Andrei, não sei se os abastados brasileiros são violentos, preconceituosos e hipócritas por oportunismo ou são, por outro lado, acometidos por uma severa e insistente deseducação cultural e típica do nosso povo.
O respeito com o próximo, a observância dos limites naturais de uma convivência coletiva relativamente pacata, e a civilidade dos lusitanos deve ter sido adquirida ao longo de uma evolução histórica jamais alcançada e intangível, ao que parece, pelo povo brasileiro.
Somos o país onde a deseducação impera e nos tolhe a liberdade.
Enfim, resta-me esperar a passagem da crise, ser mais austero nas finanças e experimentar pessoalmente outro estilo de vida. Na pior das hipóteses, não precisarei recorrer aos ansiolíticos, afinal, o vinho é barato e de boa qualidade, diferente do nosso sangue bovino.
Um forte abraço
Prezados Bira Queiroz e Rafael,
Vocês estão indo ao centro da questão. Lembro que uma vez um interlocutor fez-me uma pergunta interessantíssima. Se retirássemos todo o aparato normativo e repressor – social e jurídico – de uma sociedade bem evoluída, digamos a Suécia, ficaria tudo na mesma?
Ou seja, os elevados padrões de convivência social apenas são mantidos por regras muito estritas? Creio que mantidos, não necessariamente. Contudo, estabelecidos, sim.
São décadas ou séculos, ou até milênios, de disciplina para que a obediência às regras de convívio civilizadas se estabeleçam como algo normal a ser observado.
Andrei,
Sinto-me confortada com seu texto. Recentemente passei por um episódio que reflete bem seu argumento.
Na minha rua as pessoas chamam as outras através da buzina, num bairro de classe alta da cidade de Garanhuns os ” abastados” não tem o controle do seu portão, não podem descer, e jamais tocam o interfone no prédio de alguém, apenas buzinam muito.
Num dia a tarde uma pessoa buzina frenéticamente na frente da minha casa para chamar uma vizinha, saí na varanda e gesticulei no sentido de manifestar meu incômodo. Voltando ao computador(eu resolvia uma prova de seleção do doutorado que exigia concentração e rapidez). A buzina se intensificou enormemente, voltei a varanda e uma senhora com um carro de luxo tira o cinto de segurança como se fosse descer para me agredir e pergunta quem sou eu para questionar alguma coisa… que não existia lei nenhuma que proibisse a buzina,… que eu tinha que aprender a dirigir, … procurar uma coisa para fazer…. e que eu me acostumasse porque ela iria buzinar muito e muitas vezes. Eu com a voz já embriagada de indignação (veja que até então não havia dito nada) disse que não me referia a legislação, mas a respeito e educação coisa que talvez ela desconhecesse. Enfim, ela falou um monte de coisa a amiga chegou e ela saiu reclamando muito.
Havia duas semanas que morava nessa casa que compramos. Eu parei o que fazia tive uma crise de choro, pensei: eu não quero criar meus futuros filhos aqui, eu não quero ser conivente com isso, não quero viver em embate com a vizinhança, …..eu não quero, não quero….
Depois pensei em comprar uma violeta pra cada vizinho e junto uma nota com dicas de boa convivência.rsrsrrsrss Sério eu pensei nisso.
Agora lendo seu texto ele seria ótimo para acompanhar as violetas aos vizinhos, mas não sei se eles compreenderiam. Sei lá, talvez entendessem como ameaça, aqui somado a falta de educação as pessoas são tão violentas que eles poderiam pensar que ia pegar um revolver na gaveta….
Bem, achei o blog pela dica da sua mãe não resisti quando li a crônica, assim deixo o relato.
abraço
Dani (esposa do Lú)
Daniela,
Acho que tu compreendeste o fundo da questão e, além disso, fizeste um comentário precioso.
Às vezes a gente pensa em reagir no sentido de educar. Mas, aí vem a parcepção de que essa tentativa pode ser tomada apenas como ameaça ou que talvez as pessoas nem entendam.
A senhora do carro de luxo que chega ao ponto de dizer que vai persistir na falta de aducação e que os incomodados é que devem se acostumar é o personagem emblemático das classes mais abastadas brasileiras. O povo em geral é menos ruim.
Abraços