Impressões luso brasileiras. O hábito

nov 17, 2008 by     14 Comentários    Postado em: Cultura

por Andrei Barros Correia*
Procurador Federal

As pessoas são mais metódicas do que parecem ou pensam ser. Nas aparentes desorganizações, existe um método e no caos – dizem-no os cientistas de best sellers – há uma ordem. O tempo sedimenta os hábitos, até mesmo pouco tempo revela uns hábitos. E a repetição condiciona a percepção do meio circundante.

Passado pouco mais de um mês em Braga, vejo-me fazendo os mesmos caminhos, almoçando no mesmo restaurante, comprando jornal no domingo, gostando de passear no centro da cidade e gostando de perder tempo em supermercados. Além, é claro, de compreender melhor as sutilezas e dierenças de pronúncia do português luso.

Porém, o hábito não é a inserção absoluta em outra realidade, nem a anestesia para as diferenças. Continuo achando que não nos tornamos outros, nem deixamos de ser os de antes. As mudanças, percebo-as como acréscimos, como superposições de camadas de informações e experiências. Outras cores, outros cheiros, outros barulhos (menos, na verdade), outras sensações tácteis. Sim, outras sensações tácteis, talvez por conta do frio.

Se eu tivesse talento literário poético, me dedicaria ao cheiro, à cor e à sensação táctil do frio, porque é realmente diferente do calor e do frio do ar-condicionado. Bem como é diferente o frio com céu limpo e bastante azul daquele acompanhado de chuva fina e céu cinzento. E não se trata apenas de cores.

Lembro-me bem da impressão que a vegetação me dava em viagens do agreste para o Recife. O verde das plantas vai ficando diferente, vai se tornando mais verde. Contudo, não é só isso, pois sempre me pareceu que esse verde da vegetação do litoral era mais molhado. Ora, molhado não é adjetivo que se dê a uma cor, mas assim sempre me pareceu e na minha cabeça as coisas ficavam bem entendidas.

A presença de quatro estações climáticas suficientemente diferentes dá margem às sutilezas do cotidiano. Para uns, este é um final tardio de outono e não está assim tão frio. Para outros, é inverno mesmo, e pronto. Para mim, tem árvores todas vermelhas, de um vermelho amarelado e meio queimado, belíssimas, e outras sem qualquer folha! E o chão repleto de folhas secas, estaladiças aos nossos passos.

Essa alternância de estações e de sol e chuva faz as pessoas muitíssimo ciosas das ocasiões. É curioso um domingo ensolarado – e frio – como ontem. Os trajes mudam, os ciclistas estão por toda parte, devidamente paramentados de ciclistas tecnológicos, as pessoas sentam-se nas mesas de fora dos cafés e veêm o tempo passar, tomando o sol na cara.

E vão a eventos como a exposição canina nacional de Braga, no parque de exposições local. Além dos cães, chamou-me muito a atenção o número de crianças pequenas, pois este é um país mais morredor que nascedor e dizem-no as estatísticas, não eu. Tenho que confessar que nunca tinha visto um cão São Bernardo e que, depois de apresentado, devo dizer o óbvio: o cachorro é mutíssimo grande, baba o tempo inteiro e sua cabeça é do tamanho de uma bola de futebol. E são dóceis, mesmo. Disso me convenci quando reparei que um deles estava totalmente indiferente ao menino que puxava seu rabo, insistentemente e às risadas.

Muito embora o hábito não transplante as pessoas de um lugar a outro, tem-me parecido fácil habituar-se por aqui, considerando-se o pequeno nível de agressões sofridas do meio. Difícil é habituar-se a viver em constante precaução, a ter medo a cada sinal de trânsito, à aproximação de qualquer pessoa ou a uma conversa meio estranha, que pode ser um golpe.

Acostumar-se ao dia-a-dia selvagem – perdoem-me o adjetivo, mas ao fim e ao cabo é o que serve – é difícil mesmo à distância. O sujeito telefona, manda mensagens, lê notícias e não consegue singelamente ouvir que se continua a jogar futebol, a curtir um sambinha, um choro, um roquenrou. Até a lástima da situação econômica pode parecer pueril.

Um telefonemazinho pode trazer a notícia que um primo foi estupidamente assassinado em Caruaru, a troco de nada. Que uns amigos iam chegando em casa à noite, em Campina Grande, desconfiaram do sujeito na frente do portão, este também estranhou e expressou sua desconfiança com dois tiros de revólver em direção ao carro!

Um acadêmico formalista, vivendo numa bolha blindada, poderia classificar isso de extensão máxima do direito de liberdade, inclusive de expressão. E certamente dissertaria sobre tal liberdade, que antes o privara de todo público.

Para mim isso parece um vale-tudo, por muito pouco. Já pensaram se toda essa energia fosse canalizada para objetivos maiores. Se o sujeito que extingue uma vida para roubar um celular se dispusesse a crimes muito maiores. Poderíamos ser um celeiro de estadistas, pois a diferença de um criminoso banal para um estadista é o tamanho do crime, da mesma forma que remédio e veneno distinguem-se pela dose.

___________________________________________

* O Procurador Federal Andrei Barros Correia está passando uma temporada em Minho, Portugal, realizando atividades de seu mestrado em Direitos Humanos, e durante sua estada naquele país irá enviar crônicas semanais ao Acerto de Contas, com o relato de suas impressões sobre aquela cidade e país, comparativamente com o cotidiano brasileiro.

Clique nos links abaixo para ler cada uma das crônicas já publicadas:

1 – Impressões luso-brasileiras.

2 – Impressões luso-brasileiras. O prego no pão e outras coisas.

3 – Impressões luso brasileiras. A surdez e os barulhos.

4 – Impressões luso brasileiras. Fatos e factos.

5 – Impressões luso brasileiras. A feijoada e o tamanho do abismo.

14 Comentários + Add Comentário

  • ANDREI

    IMAGINE SE VOCÊ TIVESSE TALENTO LETERÁRIO POÉTICO.A MANEIRA COMO VOCE FALOU DAS ESTAÇÕES É POESIA SÓ.
    INFELIZMENTE O SER HUMANO SEM OPÇÃO SE HABITUA AO QUE É BOM OU RUIM.
    FELIZES AQUELES QUE PODEM DESFRUTAR DE COISAS TÃO SIMPLES E SINGELAS FORA DA NOSSA ‘”TERRINHA” SEM A PARANÓIA DO MEDO DO DIA A DIA .
    ENXERGAR E VALORIZAR ESTAS DIFERENÇAS QUE PODEM NOS TRAZER PAZ E PROPORCIONAR MOMENTOS RIQUISSIMOS
    EM SITUAÇÕES DO COTIDIANO É UM PREVILÉGIO.
    OPÇÃO MUITO SÁBIA ,PARABÉNS MAIS UMA VEZ.

    AGHATA

  • É curioso como, em uma trivial conversa com amigos, você pode ser taxado de excêntrico, pedante, comunista ou caipira, por, simplesmente, comentar uma singela constatação: não se vive bem no Brasil!

    Os adjetivos parecem recair mais intolerantes sobre aqueles que não ultrapassaram as fronteiras brasileiras. Como se carimbos de passaportes fossem, necessariamente, pressupostos para percepção das trivialidades.

    É inacreditável como o sonho – sonhado ou vivido – da moradia verticalmente provida; da permuta anual de luxuosos; das viagens turísticas, tão somente turísticas; e da leitura dos mesmos semanais… compromete a sensibilidade.

    Andrei, meus sentimentos aos Seus.

  • Andrei,

    Achei interessante o tema de seu texto porque o hábito, assim como as manias, são, em sua maioria, mal interpretados, vistos como restrição ou bobagem. A mim não me parece nem que sejam bons, nem ruins, são só hábitos, e como tais não tem que ter explicação.

    Enfim, possuir hábitos nunca fez mal a ninguém. Posso imaginar a sensação diferente, e boa, de estar a adquiri-los sem precauções, sem medos, e podendo andar tranquilamente pela rua.

  • Caro amigo Ubiratan,

    Não são só os brasileiros que se enganam ao achar que se vive bem no Brasil. Em uma curta conversa com colegas portugueses do curso essa semana percebi que eles não têm noção alguma de como se vivem mal por ai. Não me aprofundei no assunto da tragédia social brasileira porque choca as pessoas; entretanto, em certa altura uma delas vira e me pergunta:

    - mas o Brasil é um país incrível, não é?
    e eu, desconcertadamente, respondi: – é.. e pensei, seja lá o que isso queira dizer.

    O fato me chamou atenção porque demonstra que o Brasil vai tão mal, que é inacreditável e a informação não chega a ser levada como verdade, e sim como exagero ou algo do tipo.

    O que você disse me lembrou esta situação porque pensei imediatamente que viver no Brasil e achar que se estar vivendo bem é viver quase tão distante da vida real brasileira quanto quem vive aqui na Europa e só vê notícias daí.

  • Amiga Olívia,

    Diante do ímpeto questionamento se o Brasil é um país incrível, provavelmente, minha resposta e a incerteza decorrente seriam as mesmas. “seja lá o que isso queira dizer.” Rss

    A falta de percepção daqui traduz, ao que parece, a realidade da mesma forma do desconhecimento natural decorrente da distância geográfica.

    Como não concordar com o pensamento do último parágrafo?
    É uma pena, sem dúvida.

    Cuide-se e aproveite… MUITO!

  • Ubiratan,

    Você me fez lembrar da mitologia do sujeito viajado, algo tão caro a certos grupos brasileiros.

    O sujeito viaja em férias, para a Europa e para os Estados Unidos, basicamente, para falar que viajou e descobriu um restaurante descolado em Manhatan.

    Tem, no íntimo, um horror e medo profundos que as práticas e hábitos dos países visitados se transplantem para o Brasil. Deixa tudo como está e basta-me assunto para conversas de viagens.

    Há muito tempo, dizia-se que se viagem fosse um elemento de acúmulo de cultura, necessariamente, os pilotos da Varig seriam os maiores intelectuais do Brasil (isso foi lembrado recentemente por Joca Souza Leão em crônica).

  • Andrei…

    Mais uma vez adorei o texto…Não vou comentar da forma como gostaria, pq to de saída agora…
    Ler suas impressões desta terra lusitana, me deixam ansioso pela minha ida a Espanha….A propósito, nossas matrículas (minha e de Sevé) foram confirmadas!!!
    :D DD

    abraços pra tu e Bolívia…

  • Andrei,

    A questão de adquirir e de preservar hábitos, mesmo hábitos novos e em terras novas parece que é comum a muita gente.
    Em viagens para fora do Recife, visitar os mesmos restaurantes que frequentamos em outros tempos sempre é um agradável “dejà vu”…. até mesmo no atualmente temerário Rio de Janeiro.

    É curioso também como alguns lugares para onde nos mudamos temporariamente passam rapidamente a ser as “nossas casas”. Percebemos bem isso quando eventualmente saímos delas, passamos uns dias em outra cidade e voltamos para nossa “cidade temporária atual”. Vivi essas situações em muitas ocasiões e cidades diferentes.

    Isso é mesmo, como você bem coloca, um processo mental humano e natural de tentar instalar alguma ordem no caos e de nos preservar do que o budismo diz ser a causa dos sofrimentos: a impermanência e a frustração!

    Por “ordem no caos” (gostei dessa sua citação) vale até para eventos extremos de insegurança diante de ameaças e de situações novas como a descrita no livro “Alice no país da maravilhas”, que você um dia me emprestou…. e penso que ainda não o devolvi.

    Nessa estória, um dos personagens tinha vários relógios e passava o dia escutando o bater dos relógios e dando corda em cada um deles, certo de que enquanto estivesse ouvindo o bater dos relógios estaria vivo e não tinha perdido a identidade própria.

    Sem perceber explicitamente, vivemos aqui em Recife tentando por ordem no caos, evitando estancar o motor do carro no sinal fechado, não deixando faltar combustível na rua, frequentando os mesmos shoppings, livrarias e restaurantes que sabemos que não vão nos matar de dor de barriga ou em um assalto, etc., tudo isso para que o relógio do personagem de “Alice” não pare de bater; nada de correr o risco de usar um relógio com bateria solar e “faltar sol”.

    Apesar do budismo não recomendar o apego, temos a necessidade psicológica de aprender e de nos apegar a alguns hábitos e marcos permanentemente verificáveis para que possamos nos assegurar de que “estamos em casa” e de que “as coisas estão normais”.

    Felizmente, para quem está vivendo em um mundo mais civilizado a compulsão para ficar constantemente dando corda nos relógios é bem menor e não conduz a paranóias nem ao autismo (há que ser mais de um relógio pois se você tem um só relógio pensa que sabe que horas são mas, se você tem dois, nunca vai ter certeza da hora mas estará mais próximo da verdade e o seu processo de decisão sobre que horas são é mais confiável).

    Vejo que a sua estada em Braga está permitindo que a sua mente fique mais ZEN, que seja capaz até de esquecer de usar algum relógio, que a percepção seja aumentada e que sejam vistas e bem apreciadas as bonitas e inspiradoras cores das folhas do outono europeu, como bem falou nossa comentarista Aghata.

    Invejo mesmo que você tenha tempo e descontração para conversar com o dono do restaurante, admirar um São Bernardo de verdade e apreciar, em um frio natural, os costumes e a arquitetura portuguesa e moura, uma bica ou um bom vinho.

    Gostei da sutil resposta de Olívia quanto ao Brasil ser um país “incrível” (incrível = de não se acreditar): “é”.

    Cara Olívia, não vão entender por aí nunca a razão de nos interessarmos tanto pelos anúncios nos jornais dos preços dos carros blindados usados.

    É ilustradora do absurdo dessa situação a continha que um vendedor de blindagem parcial de carros fez para mim: 80% dos tiros nos assaltos a carros são dados de revolver calibre 38; 70% dos tiros são dados nos vidros (0.8 x 0.7 = 0.56). Daí, blindando somente os vidros do carro com películas de plástico reforçado você tem 56% de probabilidades de não ser atingido por um tiro em um assalto ao seu carro e paga só 10 mil reais por essa pechincha.

    THIS IS BRAZIL … ou a ilusão das conclusões do teorema de Bayes aplicada à segurança pessoal !!!

    Abração,

    Sidarta

  • Meus caros Andrei e Olívia,

    Leio o artigo acompanhado de uma garrafinha pequena de um tinto savignon e, neste momento, brindo à profusão de cores, sabores e odores de vossas impressões. Para que nunca faltem!!

    Sem dúvida, as aves que aí gorjeiam não gorjeiam como cá… e tem uma praça para olhar, um árvore para entreter, uma calçada a trilhar.

    Por aqui, somos incríveis mesmo: a capacidade de distorcer a realidade e de viver em um sonho disforme, encalacrado no mais profundo egoísmo, só não fazem inveja à Alice (aquela dos país dos encantamentos), porque esta mesma Alice e seu sonho dizem mais verdades e são mais reais que o meu dia-a-dia.

    Abraços.

  • Daniel,

    Recomendo-lhe tomar esse vinho à noite, depois das sete e na varanda, se houver varanda na sua casa. O fermentado do mosto da uva no nosso calor nordestino é perigoso.

    As referências à obra de Lewis Carrol fazem-me pensar que o autor era um enorme gozador. O livro foi tido por obra meio infantil e ele nunca desdisse isso.

    A obra é profunda. O personagem mais interessante éo coelho, que parece ter noção do que anda acontecendo.

    Precisamos de um coelho destes no Brasil.

  • Andrei,

    Não se há de negar que o hábito do ser humano faz a sua nação. Infelizmente, o dia-a-dia, o rotineiro das pessoas por essas bandas está cada vez pior. Habituaram-se em ouvir calypso, gatinha preta e calcinha manhosa ao invés de ler um bom livro. Ainda mais, tentar fraternizar suas escolhas, como bem foi lembrado em outra crônica sua.

    O perigo é que o péssimo hábito está sendo copiado pelo Poder Público. Estive bastante temeroso com outro hábito acontecido por essas bandas, mais especificamente pelo MP do teu PE. Visse o que o paladino da justiça ta fazendo para o fim de ano? O hábito agora é fazer a merd… virar boné. Como dizia Mestre Ambrósio, “nem real e nem cruzeiro, bota b o s t a por dinheiro pra ver o enricar”

  • [...] 6 – Impressões luso brasileiras. O hábito Autor: André Raboni – 24/11/08 às 9:43 – Enviar por email – Imprimir [...]

  • Andrei,

    Em algumas gratas oportunidades nas quais pude pisar em solo europeu, inclusive lusitano, pude sim comprovar quão distante estamos do resto do mundo em diversas searas.

    Chamou-me a atenção, mais precisamente, a educação da maioria dos europeus, os avanços sociais (ou, pelo menos, um maior comprometimento neste aspecto) e, principalmente, o amor que povo europeu tem pela sua terra.

    É indescritível poder visitar lugares antes completamente arrasados por sucessivas guerras e se deparar com tais paisagens hoje totalmente reconstruídas, tijolo por tijolo.

    Creio, humildemente, que o Brasil atual, talvez por herança do passado colonial e explorador de outrora, desconhece o que seja o amor e a verdadeira gratidão pelo chão que pisa. Acho até que, se a minha amada João Pessoas fosse atingida por bombardeios intermináveis provenientes de uma guerra sem precedentes, seus eventuais reconstrutores fariam de tudo (ou não empregariam significativos esforços) para ignorar seu glorioso passado e ergueriam uma capital inteiramente diferente, com grandes estruturas de vidro, edificações com geometria inovadora e, com sorte, teríamos apenas um monumento (com ares vanguardistas, claro!) enaltecendo um passado quase esquecido!

    Quem sabe não seja o amor pela pátria a mola propusora que esteja faltando para que o Brasil, um dia, seja capaz de corresponder às nossas mais singelas expectativas?

  • Andrei,
    Gosto muito de acompanhar suas aventuras lusitanas, pois também as tenho esperimentado. Vivo em Lisboa há alguns meses pois meu marido também “inventou” de fazer mestrado por aqui e nós, a família, viemos acompanhando.
    Quando li o título desse post foi inevitável não analisar tudo o que também já se tornou hábito para mim por aqui e que infelizmente tem seus dias contados, já que estaremos voltando para o Brasil em breve.
    Digo infelizmente pois os hábitos a que me refiro são, entre outros, poder usar meus brincos sem preocupação de ter as orelhas arrancadas (como quase já me aconteceu na querida Recife de minhas saudades); levar meus filhos para brincarem num parquinho grátis, periodicamente higienizado e inteiro (não atingido por vandalismo); pagar apenas centavos no meu remédio do hipotireoidismo; andar de transporte público que funcione, sem medo de violência mesmo altas horas da noite…
    Amo nosso país e acho mesmo que só aprendi o que é patriotismo depois que fui estrangeira e também não quero dizer que aqui é o país das maravilhas, mas entriteço-me só de pensar em abrir mão de um hábito que mais sentirei saudades adquirido aqui em Portugal: o hábito de me sentir respeitada como cidadã (mesmo não sendo cidadã portuguesa) e um pouco mais segura.
    Paz…

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).