Impressões luso brasileiras. Quero ser rei na minha terra.

abr 20, 2009 by     40 Comentários    Postado em: Cultura

escrita221

por Andrei Barros Correia*
Procurador Federal

Há muitos brasileiros em Portugal. E porque são muitos, são pessoas aparentemente com interesses muito diversos. Eis uma oportunidade de ver o Brasil de fora e perceber o que pensam os brasileiros que aqui estão. Bem, no fundo é uma amostra pequena, mas pode ser bastante significativa, pois as pessoas fora de casa sentem-se muito à vontade para ir da rejeição grosseira ao elogio e às saudades piegas. Tornam-se mais sinceras pela comunhão de sua ausência do país de origem.

A figura mais evidente de todas quantas se encontram por aqui é o emigrante não assumido. Os mais cautelosos precisam de uma desculpa para obter o visto de entrada no país e os estudos prestam-se muito bem a isso. Os menos cautelosos simplesmente ingressam como turistas e permanecem até que surja algum problema, ou até que o decurso do tempo lhes permita regularizar sua situação.

Essas pessoas estão amarguradas com o Brasil, sentem-se mal tratadas pelo país ou simplesmente acham que podem viver melhor em outro lugar. Querem sair, mas esse desejo não me parece muito mais que um certo escapismo. Ou, melhor dizendo, esse desejo nem sempre é bem explicitado e as causas do desconforto são pontualmente apontadas. Podem encontrar desconfortos até maiores em outros sítios, mas a lembrança dos inconvenientes anteriores é mais forte.

Há também os estudantes saudosos do país de seus hábitos, de seus amigos, de seus parentes, de suas comidas, de seu clima. Pretendem concluir o que há por fazer e retornar às origens. Declaram – a maioria – o intuito de contribuir com as informações e qualificações adquiridas à melhora da terra natal. Querem o reconhecimento dos esforços acadêmicos com louvações e, principalmente, com pecúnia.

Não estabeleço aqui uma hierarquia entre tipos, apenas tento lançar uma visão panorâmica e superficial – alguém poderia dizer pitoresca – da bagagem mental que trazem e levam de volta as pessoas nas suas travassias atlânticas. Essa bagagem é impossível de perder-se, pois encontra-se atada ao passageiro seu portador. Ninguém se esquece dela como se pode esquecer uma camisa nalgum quarto de hotel. Alguém mais poeta ou mais filósofo talvez se inclinasse a dizer que não se pode deixar ficar a alma num canto e partir sem ela.

Há um componente dessa bagagem mental presente com frequência enorme: o anseio pelo protagonismo, o sonho com o modelo do senhorzinho de província, a conquista do lugar ao sol – expulsando alguém que antes lá estava, é claro – a marca de algum ritual obedecido que autoriza a ganhar mais dinheiro. Ora, esse elemento pode ser abordado com uma enumeração enorme de suas características periféricas. Seria inútil continuar alinhando suas marcas, portanto.

O caso é que não ouvi uma mísera, única, criatura, a dizer que voltaria ao Brasil para ensinar algo que aprendera, porque dá-lhe imenso gosto ensinar. Via de regra, ensinará porque há vastos mercados para professores com mestrados, doutorados e outros gruas semelhantes e isso atualmente é bem remunerado. Não vi brilharem os olhos de algum estudante porque vislumbrou uma fórmula de se economizarem recursos na administração de alguma coisa pública. Brilham porque o grau acadêmico vai importar-lhe um aumento salarial de tantos ou quantos por cento, ou porque vai fazer-se chamar pelo nome, agora precedido de mestre ou doutor.

Ora, o cronista não é o mensageiro da moral e do altruísmo idealista. Todavia, não consegue deixar de perceber a falta de vocação e de paixão das pessoas pelo que estudam. A falta da mais mínima preocupação com a utilidade pública dos conhecimentos adquiridos, com a noção geralmente aceita de que a informação acadêmica é patrimônio comum e, ademais, voltada a ter alguma serventia para as vidas das pessoas. O retorno pecuniário, a glória pessoal são efeitos laterais dessa utilidade, não sua finalidade principal.

Antes de ser acusado de apontar o dedo às intenções das pessoas e assacar contra suas liberdade de adquirirem o conhecimento para as finalidades que melhor lhes aprouverem, lembro que significativa parcela dos estudantes brasileiros no exterior é custeada pelo velho estado brasileiro. Esta entidade assaz vituperada e acusada dos mais variados delitos cuida de muitos ingratos filhos seus, ora mantendo-lhes os salários, ora custeando-lhes uma bolsa de estudos. A prole, em retribuição, quando da volta, pedirá mais.

Tive ocasião de escutar uma preciosa manifestação – não posso dizer que entabulei um diálogo mesmo – de uma brasileira que faz algum curso, não sei qual, nem em que grau. Ela dizia – você não imagina o respeito que as pessoas tem quando eu digo que estudo fora, e eu estou louca pra ir embora daqui e ganhar mais no Brasil e ser chamada de doutora, deixar de dar aulas, ficar orientando uns alunos e com pouco aposentar-me. Calei-me, pois do ponto de vista da lei nada demais nisso.

Calei-me, mas não pude deixar de lembrar de Baudelaire: Esta vida é um hospital onde cada doente está preocupado em mudar de cama. É só. Cada doente quer ser o reizinho de província, obter seu posto de lugar-tenente dos senhores e afastar-se dos servos. Deixar claro onde está e convaslecer numa cama adornada, olhando de cima os outros doentes em camas de campanha.

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* O Procurador Federal Andrei Barros Correia está passando uma temporada em Minho, Portugal, realizando atividades de seu mestrado em Direitos Humanos, e durante sua estada naquele país irá enviar crônicas semanais ao Acerto de Contas, com o relato de suas impressões sobre aquela cidade e país, comparativamente com o cotidiano brasileiro.

Clique nos links abaixo para ler cada uma das crônicas já publicadas:

1 – Impressões luso-brasileiras.

2 – Impressões luso-brasileiras. O prego no pão e outras coisas.

3 – Impressões luso brasileiras. A surdez e os barulhos.

4 – Impressões luso brasileiras. Fatos e factos.

5 – Impressões luso brasileiras. A feijoada e o tamanho do abismo.

6 – Impressões luso brasileiras. O hábito

7 – Impressões luso brasileiras. Como os brasileiros veêm a si próprios.

8 – Impressões luso brasileiras. Riqueza e muito trabalho.

9 – Impressões Luso brasileiras. Cinema com lugar marcado.

10 – Impressões Luso brasileiras. Saramago, aquele escritor…

11 – Impressões luso brasileiras. A procura por um peru de natal.

12 – Impressões luso brasileiras. A obviedade dos trens.

13 – Impressões luso brasileiras. Cadê as serviçais?

14 – Impressões luso brasileiras. O jornalismo onisciente.

15 – Impressões luso brasileiras. A arquitetura política espanhola.

16 – Impressões luso brasileiras. O canto de ossanha.

17 – Impressões luso brasileiras. Tapioca com vinho.

18 – Impressões luso brasileiras. Descida da ladeira.

19 – Impressões luso brasileiras. Falar português.

20 – Impressões luso brasileiras. Pedro, Maria, Joaquim, João…

21 – Impressões luso brasileiras. O hábito, novamente.

22 – Impressões luso brasileiras. Esses espanhóis são muito estranhos.

23 – Impressões luso brasileiras. A gata das orelhas amarelas.

24 – Impressões luso brasileiras. Recebi Vergílio Ferreira e ofereci Zé Lins.

25 – Impressões luso brasileiras. Auto-complacência e a falta dela.

26 – Impressões luso brasileiras. Uma procissão.

27 – Impressões luso brasileiras. Uma ópera.

40 Comentários + Add Comentário

  • Andrei,

    De fato, o argumento da moça é claramente egoísta. Quanto a isso não há o que duvidar. Mas eu acho que também não é saudável partir para o outro extremo.

    Ninguém é obrigado a ser profissional-sacerdote, trabalhar por puro amor e desapêgo, não importando o salário de fome que venha a ganhar. Por mais que os estudos de nível superior de muitos brasileiros de classe média sejam bancados pelo Estado, e eu me incluo neste grupo, é importante perceber que também pago impostos, meus pais pagam impostos, então o Estado têm obrigação de investir em mim, sim. O Estado não dá nada de graça para ninguém, é a gente quem custeia.

    O que não se pode perder de vista é a necessidade de conciliar nossos interesses individuais (um bom salário, condições dignas de trabalho etc.) com os interesses do país.

    Quem vai lá fora se capacitar, vai para voltar e ganhar bem, sim. E deve ganhar. Não há mal algum nisso. Todos devem ganhar bem. E eu desconfiaria muito de alguém que fosse se doutorar na Alemanha e voltasse dizendo: – Minha pátria não terá de me pagar mais nada! Abraçarei minha profissão como a um sacerdócio! Viverei de doações e trabalharei por amor à pátria!

    As pessoas devem ganhar bem e prestar um serviço de qualidade no setor público ou privado. Simples assim.

  • Concordo e não estou a sugerir que se entreguem as pessoas a trabalhos voluntários ou à caridade acadêmica.

    É apenas uma percepção de certo pensamento de mão única em interesse pura e exclusivamente pessoal. Além de um traço interessante de senhorismo de província.

  • Andrei,
    O que me parece grassar é isto mesmo que você muito bem colocou. O egoismo de quem quer ter o seu resultado, justo prêmio do seu esforço, mas viabilizado pelo Estado a quem o cidadão verdadeiro deve retorno. Esta ética precisa ser praticada mesmo. A comunidade não dá de graça, aliás, ela não deve dar, deve trocar e cada um tem o dever do retorno. Parabéns pela percepção. Talvez a sociedade, o Estado, devesse cobrar o investimento feito num cidadão que foi bancado pelo Tesouro e não apenas esperar que casualmente o beneficiado lembre e se disponha a ressarcir de algum modo, com seu esforço em prol da sociedade ou outra forma. Não falta meio para quem quer fazer. Mecanismos que lembrem da ética. Sem esquecer que o incentivo maior é o resultado que cada um consegue, mas nunca apenas pelo seu próprio esforço, mas viabilizado pelo dinheiro dos impostos recolhidos por todos. Acredito que em todos os povos vamos encontrar isso, em menor ou maior grau. Parece que na nossa Pátria Mãe Gentil, o grau é maior.

  • Luciano,

    O que me chamou mais a atenção foi realmente a preocupação consigo mesmo antes de qualquer coisa. Que as pessoas queiram ganhar bem e queiram ganhar mais é natural.

    Na verdade, mais que dinheiro, prende-me a atenção a ânsia de importância social, dentro de um esquema que é sempre o mesmo.

    A aquisição de informações não leva as pessoas a quererem alterações no esquema. Então, de certa forma, a aquisição de informações não implica necessariamente uma visão mais ampla. Ou seja, uma visão que contemple o geral do grupo que compõe a nação.

  • Andrei,

    Eu tenho a impressão que esta mesma conclusão que você chegou pode ser obtida analisando os alunos de direito e medicina. Muitos, talvez a maioria, não estão ali por uma vocação ou uma vontade de melhorar alguma coisa no Brasil. Mas, simplesmente, para ficaram ricos, sem se preocupar com o mundo.

    Pode até parecer hipocrisia minha, já que eu fiz direito, já depois de formado em física, “apenas” para ganhar o suficiente para viver dignamente. Mas é algo além disso. Eu quero ganhar dignamente, mas quero poder ajudar a melhorar o mundo ou o Brasil ou o Recife com o que eu faço. E muita gente que não tem, às vezes, a coragem de dizer que está ali só pelo dinheiro, na prática, pouco se importa com o que vai fazer.

    Esse pensamento da professora (?) que você ouviu é exemplar disso. Nada contra, muito pelo contrário, que a pessoa vá fazer uma pós-graduação fora para ganhar um salário melhor, para ser mais respeitada ou simplesmente para ter uma visão diferente de mundo. Mas custa querer voltar e trabalhar decentemente?

    Eu não entendo certos profissionais (professores, principalmente), que não gostam do que fazem e pouco fazem. Ora, por que não escolher uma profissão que dê mais dinheiro e prazer, onde a pessoa trabalhe com gosto?
    Como pode um professor que não gosta de dar aulas? Um jornalista que não gosta de escrever? Um músico que não gosta de tocar?

  • Márcio,

    Penso no sentido do que você disse. E por isso aceito frequentes e, algumas vezes, enfáticas acusações de idealismo. Que não reputo precisas conceitualmente.

    O que se tem visto em direito e medicina, como você aponta precisamente, é o retrato de um oportunismo que pode ser dramático. Com relação ao direito, o encanto já está se desfazendo muito rapidamente.

    Mas, médico que não goste de medicina é a porta da loucura. E há muitos, porque é a profissão mais segura que existe no Brasil, por larga margem.

    No fundo, a maioria das pessoas não está minimamente preocupada se o modelo de defeitos. Quer inserir-se no modelo e mantê-lo restritivo do mesmo jeito.

  • “Esta entidade assaz vituperada e acusada dos mais variados delitos cuida de muitos ingratos filhos seus, ora mantendo-lhes os salários, ora custeando-lhes uma bolsa de estudos. A prole, em retribuição, quando da volta, pedirá mais.”

    De fato, deveriam trabalhar de graça. Como certamente fará o querido amigo.

  • Espantoso, muito bom o texto,

    aí ou aqui, parece que a demanda das pessoas e das acadêmias e tirarem e darem “graus”, de que, especificamente, parece pouco importar.

  • Amanda Costa,

    Simplesmente, não foi isso que eu disse e você sabe ou é capaz de saber.

    Inclusive, está repetido explicitamente em comentários meus.

    Não é recurso belo tentativa de ironia vulgar ou grosseira, seja pinçando isoladamente algum trecho, seja não o fazendo.

    Não escrevi uma louvação do trabalho voluntário. Quando quiser fazê-lo chamarei louvação do trabalho voluntário.

  • Pedro,

    O grau acadêmico parece ser o centro das atenções. Ou seja, sua obtenção tem um simbolismo imenso de prestígio social, ainda que o esforço seja rapidamente esquecido ou que o acervo adquirido não seja mais manejado.

    É algo muito além de dinheiro. Há uma figura prototípica de protagonista social no Brasil. Trata-se de ocupar um espaço e não se indagar se não seria o caso de aumentarem-se os espaços.

  • Andrei, desculpe, talvez a sua linguagem pomposa seja muita muito erudita para a minha pobre compreensão.

  • Talvez seja um pouco dessa modernidade doente a que se refere Baudelaire (citado belamente pelo cronista, cujas críticas são bastante pertinentes), a que Walter Benjamin também faz menção em alguns trabalhos seus – falo dos textos “O Narrador” e “Baudelaire, um lírico no auge do capitalismo”.

    Ainda mais caso somada à análise benjaminiana da perda dos vínculos narrativos (recomendo ler “O narrador: considerações sobre a obra de Nikolai Leskov”), cujo efeito é uma sociedade sem elos de interesses em compartilhar experiências.

    O viajante e o homem da província já nada têm que ver um com o outro, senão uma relação hierárquica do ego vaidoso. E, esta batalha não é equânime, embora o homem da provínica plante batatas como ninguém…

    A narrativa extingue-se, ou, no mínimo, sua característica de troca, de soma; assumindo esta relação um caráter vaidoso – quando, na pior das hipóteses desse pessimismo schopenhaeuriano, muito.

    Que intenção há em dar lastro à cadeia de troca de conhecimentos, quando o único interesse é o umbigo, cada vez ‘mais maior’, ‘mais gordo’, por conseguinte ‘mais fúngido’, se basta ir ali na farmácia, comprar um tubo de cetoconazol, à espreita do vizinho, claro, cujo interesse é lustrar o extinto cordão umbilical do arrabaldado, olvidando voluntariosamente o seu próprio?

    Em uma palavra, se acaso tal sentença precisa de tradução aos olhos: é cada um desdenhando a sujeira do umbigo alheio e se esquecendo do seu. Assim está composta nossa ópera dos horrores, representada pela nossa sociedade endofágica.
    Mas, voltando a Benjamin – para olvidar o tédio ‘câncrito’ das relações de vaidade – há um aspecto preocupante nesta perspectiva, onde talvez seja preciso falar de T. Adorno (sem o trocadilho vaidoso, apesar de procedente, neste caso).

    O “progresso” de um indivíduo está passando cada dia mais longe de um “desenvolvimento” social.

    Perdeu-se sintomaticamente os vínculos coletivos em pró da totalização das liberdades individuais – e, isso agrava-se com o caráter inculto de boa parte dos segmentos que se envaidecem em rotular-se ideologicamente como “de direita” (talvez o aspecto mais danoso dessa horda, pois não se é “bonzinho” ou “mauzinho” por ser “de esquerda” ou “de direita”, respectivamente ou vice-versa.

    A perversão consiste nas totalizações, como na totalização das liberdades individuais, ou, por outro lado, na totalização dos deveres coletivos.

    Há que se saber dosar, e se ter discernimento onde começa uma ou outra postura.

    Por isso, tenho dito: correntes ideológicas são apenas isso: “correntes”… Assim é a expressão, se vista com abolição de metáforas, o que convém deveras, aqui.

    E, o ônus… esse fica pra “modernidade” (ou pós), já que apenas em tempos hodiernos o Ocidente parece ter descoberto o pensamento Oriental de milênios (falo do TAO)- inclusive estando na moda, e, não falo de novelas, mas da quântica mesmo. O “sujeito” está a se diluir, invariavelmente – Lao-Tsé bem o sabia.

    “Chique é ser inteligente.”

    De preferência com uma diplomação das maltas…

    Em vez de cair nas teorias quânticas, alegra-me mais citar a “Carta aos Reitores das Universidades Européias”, de Artaud:

    Senhores Reitores,
    Na estreita cisterna que os Srs. chamam de “Pensamento”, ..
    .”

    Basta.

  • parece que as pessoas só podem existir a partir de um lugar referencial…

    mas não precisam ser todas.

  • André, !!!

  • Sai da escuridão e faça-se a luz. Nas vésperas de uma provável grande mudança em minha vida, ainda penso muito no meu umbigo, no meu dinheiro, na minha vida. Concordo que o conhecimento, de fato, deve servir para operarmos grandes mudanças benéficas nas vidas de outras pessoas, e como via reflexa, na nossa. Esta ordem vem geralmente trocada. Grande palavras!!

    A propósito, como apego ao passado provinciano:

    Esp. Rafael Vilar.
    KKKKKKKKKKKKK!!!!!

  • André,

    Eu tenho achado que a parte do mundo de matriz grega-judáico-romana é muito, mas muitíssimo jesuíta. E não tem me parecido uma conclusão agradável, essa.

    A fábrica de hipocrisia da companhia de jesus deve ter achado graça em quantas ações ocorreram como a de Pombal. Eles deviam saber que a semente deles era fortíssima para sofrer alguma coisa com uma simples proscrição.

    Eu passei onze anos num desses lugares onde se ensina sofística o tempo todo. Eles são o que de melhor se inventou na arte de forjar mentes que dizem uma coisa e fazem outra. Seria difícil que não fossem a matriz da empulhação dominante.

    E a coisa é fechada e arriscadamente suicida. Porque tem horas em que não se sai pelo argumento nem pelas formas. Vai-se ao cadafalso argumentando, como se ainda fosse possível enganar o carrasco.

    No Brasil, sob o verniz jesuíta, ainda há aquilo que bem ou mal Gilberto Freire identificou. Casa Grande e Senzala somos nós todos, em quase todos os segundos das nossas vidas. O fim último é entrar na casa grande, ainda que seja para lustrar as botas do senhor e dormir embaixo da mesa. Ainda que implique saciar a lascivia do senhor.

    Ainda que se deixe um rastro de destruição atrás do caminho percorrido. Ainda que a uma entrada corresponda uma saída.

    E ninguém fala de aumentar a casa grande! Há uma prisão intelectual, a prisão dicotômica.

    Assim, a vida é uma corrida de cavalos. E pode-se morrer de enfarto no meio.

  • Caríssimo Especialista Rafael,

    Certeza, só tenho da morte, como tu já me ouviste dizer muitas vezes. Mas, tenho quase certeza que teus conhecimentos, inclusive de especialista, serão muito úteis aos pobres do sertão cearense que tu representarás como defensor público.

    E tenho quase certeza também que tu farás um bom trabalho, mesmo sabendo que se fizeres um trabalho mal feito o salário seráo mesmo no final do mês.

    Mas não dê carteiradas em policiais na estrada, pelo amor dos deuses e das nossas conversas de filosofia de botequim em Campina Grande.

  • Andrei,

    Gostei muito dessa crônica de hoje. Talvez a mais aguda, até o momento, em certo sentido.

    Já não diria “Casa Grande & Senzala”. Como ode ao triunfo rearranjado das nossas bem-aventuradas “liberdades individuais”, diria, sem titubear: “Edifícios & Favelas”.

  • Andrei, querido, desculpe minha indelicadeza.

    Estou na TPM esta semana, logo, aviso aos navegantes que qualquer comportamento estranho, indelicado, temperamental ou coisa que o valha é fruto do ser biológico recém-saído das savanas africanas que subjulga tão facilmente o ser cultural que coabita este mesmo corpinho.

  • Amanda,

    se eu fosse você procuarava a psicanálise.

    Concordo com o Raboni, o Andrei tá muito puto.

    Que bom.

    Mas, Andrei, quando você foi praí, não queria um pouco disso? Ser reizinho da dispensa, ou do sapateiro do senhor?

    De todo modo, o vermizinho pode ser sabotador? E pra quem? Para o outro que não é ele?

    Talvez longe do egoísmo, não haja ser de fato nessas pessoas… só potências, potências de um ato-falho.

    Não se está sozinho nem de olhos fechados numa caixa enterrada no Saara. Querer levar a vida passando os outros pra trás, é estar se passando pra trás junto com quem lhe leva.

    O sentido da vida dessas pessoas realmente não deve estar num grau conferido, mas em suas próprias experimentações. De todo modo, tem muita gente que acredita nisso…

  • Calma, Amanda
    Toma apenas um charzínho de camomila nestas fases biológicas, e vc. ficará calma serena e tranquila.
    Grande abraço.

  • quando fui a primeira vez a Portugal, começo da década de 1980, e aproveitei para o viajar de cima abaixo por três meses, espantei-me por em todo lugar, mesmo nas mais pequenas vilas, encontrar “brasileiros” (portugueses que viveram muitos anos no Brasil e que após retornar a terrinha, morriam de saudades de nossa esculhambação, em todas as suas dimensões) e aqui e acolá algum brasileiro nato, nas mais diversas funções, geralmente humildes. Estes, ficavam feliz por encontrar um brasileiro e para não perder o hábito, tentavam alguma vantagem, nem que fosse numa despesa de bar. Na década de 1990, já encontrei uma quantidade bem maior de brasileiros natos, e de filhos de portugueses imigrantes no Brasil, ou seja lusos-brasileiros, tal como eu, alguns da colônia daqui de PE. A desilução com o Brasil estava no auge, pois o choque de competitividade promovido pelo panaca FHC abriu a porteira e ainda não chegou a vez do que vai apagar a luz. O que mais me chamava a atenção eram as críticas dos brasileiros em relação aos demais, principalmente sobre as mutretagens daqui postas em prática por lá, “sujando” a imagem dos brasileiros. De fato, na década de 1980, as piadas de “português” de lá, eram, em especial, sobre os moçambicanos. na década, de 1990, eram o brasileiros, julgados preguiçosos e ladrões-natos. Aqui, no Brasil, cresci ouvindo piada de português e lá ouvindo de brasileiro. Tô fudid… !

  • Ops! “Subjulga” não, subjuga.

    Pedro,

    “Concordo com o Raboni, o Andrei tá muito puto.”

    O que é estar muito puto?

    “se eu fosse você procurava a psicanálise.”

    Onde ela mora? Ela tem MSN? :)
    Brincadeira! :)

    Jorge,

    Vou tomar o chazinho sim. Obrigada!

  • Andrei
    Muito bom,voce tocou num aspecto muito importante ,aqueles que deixam a terrinha em busca da vaidade ,da importancia que o titulo lhe trará.A vivencia ,a riqueza de um aprendizado que poderia ser bem passado e ou partilhado não faz parte desta busca. Mas não precisa ir muito longe, vi isto muito de perto aqui na terrinha “Recife”,médicas amigas que falavam”voces podem me chamar pelo nome ou até apelido mas de “dona fulana “jamais e o ideal seria mesmo doutora.Imagine agora os filhos ou netos destas “doutoras”que partem para outras terras em busca de um título de doutor ,neste caso “muito mais importante.”
    Abraços Aghata

  • Reci,

    Hoje, com a presença massiva de leste europeus e russos e ucranianos, o objeto de piada diluiu-se muito, principalmente com relação à mutretagem.

    O preconceito exercido aqui contra ciganos é fortíssimo e eles são majoritariamente romenos, quanto à nacionalidade. É notável que se tratando de preconceito eles não são nem mesmo objeto de piadas.

    As abordagens mais discriminativas com relação a brasileiros, hoje, dizem respeito à prostituição feminina. Realmente, o número é assustador.

    Permanece uma surda discriminação de cor, relativamente aos originários das ex-colônias africanas. Não se exerce abertamente, o que não deixa de ser um relativo sucesso das proclamações legais de igualdade e coisas semelhantes.

  • André,

    Não me assuta tanto o egoísmo, nem esse caráter humano me impele a propor um altruísmo desinteressado ou que as pessoas vivam sem cuidar de dinheiro e de suas tão orgulhosamente proclamadas posições sociais.

    Assuta-me levar isso a um ponto de difícil retorno. Pela milésima vez eu diria que pensar uma reformatação seria interessante até mesmo por instinto de sobrevivência. E isso não virá de estudantes de ciências humanas, quer eles estudem no Brasil, que o façam em qualquer outro lugar.

    É notável que uma parcela enorme dos mandatários africanos subsaarianos seja composta de pessoas formadas em França, na Inglaterra, nos EUA. E dai?

    E daí, nada. O doutor de Oxford volta para assumir o poder em Botswana, as pessoas lá continuam a vender qualquer coisa que haja de valoroso para manter-se numa guerra louca, o doutor assiste a tudo isso e dá uma festa de aniversário de 180 mil dólares. E morre-se de fome.

    No fundo, é disso que eu falo. De uma certa cegueira de tantos quantos não recuariam um milímetro se fossem convidados a discursar sobre ter descendência, continuísmo e que tais. Contudo, não se preocupam com o que vão legar, nem se propõe a desprezar a possibilidade de legar alguma coisa.

    Ou seja, o indivíduo instala-se numa situação, tem condições de ver algumas coisas e depois acha ruim o que é gerado por ele mesmo. Domina fazendo de conta que não sabe e negando-se a aceitar que isso pode ter consequências.

    É como o sujeito que vai para a guilhotina reclamando. Ora, reclama-se até a manhã da degola.

  • Não ia mais postar, mas como os meus dedos estão coçando, tomei o chazinho do Jorge e voltei ao teclado.

    Como disse, o importante é que os profissionais, tanto do setor público quanto do privado, sejam honestos e prestem um bom serviço. Quanto ao que vai na cabeça dos outros, se acham bonito ser doutores, especialistas, mestres etc., isso é da cabeça de cada um e nenhum mal há nisso. Eu não chamo ninguém de doutor nem de doutora, nem mesmo o meu médico, nem o advogado da família e nem ninguém. No máximo chamo de Sr. ou Sra. quando se trata de pessoas de idade avançada, mas não valorizo títulos nem nos outros e nem em mim. Mas há quem valorize e, se alguém me disser que se sente mais confortável sendo chamadado de Doutor Fulano, chamarei sem problemas. Não há mal nisso quando as pessoas são honestas e prestam um serviço de qualidade. Tem muito fulano sem título algum chupando as cabras dos cofres públicos, e a falta do título não os faz mais honestos ou prestativos. Para mim é um falso dilema. Tem doutor ladrão e tem verdureiro ladrão, tem doutor honesto e comprometido com o trabalho, assim como muitos feirantes.

    Eu gosto de pessoas comprometidas com a promoção humana e eu mesma fiz trabalho voluntário por anos na área de educação, só deixei porque a instituição onde atuava descambou para o paternalismo puro e simples. Ter compromissos que ultrapassem os limites do próprio umbigo me parece saudável e importante, mas ninguém é obrigado a pensar desse jeito. As poessoas não são piores por não terem compromisso com o social, desde que sejam honestas e prestem um serviço de qualidade onde atuam. Se todos fossem apenas assim, o mundo já seria outra coisa.

    Queixar-me porque nem todos são e pensam como “eu” acho bonito é simplesmente autoritário, mas como é um discurso politicamente correto, agrada às massas e elas sempre estarão presentes para aplaudir este discurso (como aplaudiram tantos outros discursos autoritários e supostamente comprometidos com o belo e o bom ao longo da nossa custa história humana), o que não o legitima.

    Por fim, quando o Estado me obriga a pagar impostos, ele também se obriga a investir em mim. Logo, pagar os meus estudos é obrigação do meu país. Assim como é obrigação me oferecer um sistema de saúde que não me mate em vez de me tratar, oferecer segurança pública que me proteja em vez de me matar com balas perdidas, oferecer saneamento em vez de deixar o lixo tomar conta das ruas etc. E se eu for simplesmente honesta e boa profissional, já estarei retribuindo muito bem pela educação que custeei com meus impostos. Ter compromisso social é um plus, e eu acho louvável quando ele existe, mas não é obrigação de ninguém. Obrigação é ser honesto e trabalhar direito.

    Quanto a hierarquias (casa grande e sezala, condomínio e favela…), elas sempre existirão. Aqui mesmo neste blog alguém já disse que não há vácuo de poder, e não há mesmo. Alguém sempre estará disposto a ocupar o ponto mais alto da hierarquia, o que não significa que isso precise acontecer nos moldes do Zimbábue. A hierarquia pode ser exercida com honestidade e presteza, sem virar o Zimbábue e sem virar a casa da mãe Joana. E isso também não tem nada a ver com títulos, pois a ditadura poder vir do meio do povo.

  • Eu tava morrendo de vontade de postar algo ao ler o texto, ótimo por sinal, do amigo Andrei…
    Mas o povo faz uns posts tão grandes e complexos que chega dá uma canseira nas vista, rssss…

    Bem, verdade que o ser humano é egoísta por natureza. Em meu caso específico, ainda não me animei tanto a seguir a carreira do magistério por pura falta de experiência nesta área. Com certeza tentarei fazê-lo ao voltar ao Brasil. E tenho fé que conseguirei fazer um trabalho com dedicação e amor, caso consiga “meu lugar ao sol”, como você colocou ficarei feliz.

    Mas no que diz respeito ao Brasil ajudar os estudantes brasileiros no estrangeiro, não sei até que ponto isso existe, se existe não sei se funciona a contento!
    E digo mais, há alguns países que ajudam mais que o Brasil, ouvi falar por aqui por Salamanca que China e México ajudam muito seus nativos que saem para se especializar!!!

    É mais ou menos isso…abração querido Andrei!

  • Caro Thiago,

    A propósito do Brasil ajudar seus estudantes fora, ainda que tenuemente a este propósito, estava agora lendo a respeito das deportações na França e na Espanha.

    Muito embora eles insistam na estória do atendimento dos requisitos, como seguro e etc, na verdade a coisa é meio aleatória.

    Tem gente sendo barrada na base do critério da aparência, pura e simplesmente. E os serviços consulares brasileiros não dão a mínima importância. Não servem aos brasileiros.

    Primeiro que não há interesses comerciais em jogo e segundo que os barrados geralmente são do andar de baixo do andar de cima (o andar de cima inclui quem pode viajar ao exterior).

    A verdade, tragicamente, é que o Itamaraty nunca se preocupou muito com isso, como se assumisse a premissa de que o barrado merecia mesmo isso. Quem mandou ter a pele escura, não ser fluente em quatro linguas, não ter muitos milhares de euros em espécie e um cartão sem limites, não ter a gesticulação e a expressão corporal do Rei de Espanha?

    A representação consular brasileira no Porto é muito ruim. Parece-me que se sentem à vontade para serem mal educados porque a maioria da clientela são prostitutas brasileiras que perderam os passaportes. Mas, e daí? Deixaram de ser brasileiras por isso?

    Eis um belo exemplo de Edifícios e Favelas transplantado no exterior pelos serviços públicos brasileiros.

  • Andrei,

    Altruísmo puro e simples é um devaneio do qual não coaduno, embora eu devesse ter deixado isso mais claro em meu primeiro comentário.

    Ganhar um bom salário, e dedicar-se à titulação visando ganhar mai$ é muito justo. Não há nada de errado nisto, pelo contrário.

    Assim como Amanda Costa, também já fiz trabalhos voluntários, embora tenha largado alguns. Outros, fui até o fim. Certa vez ouvi rumores de que intencionavam colocar nos currilum vitae das pessoas, seu trabalhos voluntários. Sou um tanto desconfiado com isso, embora possa ser motivo para mais discussão entre nós.

    Vou relatar uma experiência de um trabalho voluntário que tive, certa vez. Alerto que eu ganhei muito com ele (e, não foi grana), e não o fiz por altruísmo. Obviamente, quero dizer que quando se empreende alguma coisa, faz-se por interesses que não giram em torno, apenas, de dinheiro.

    Após concluir o 1º período de História, umas 12 pessoas de minha turma se juntou para formar um grupo de trabalho para catalogar uma coleção de quase 30 anos das revistas Veja e IstoÉ, que existe em uma desconhecida biblioteca do 4º andar do CFCH.

    Havíamos descoberto este acervo, e queríamos torná-lo útil, até para nós mesmos.

    Fizemos todo o trabalho em algumas semanas, durante as nossas férias, e foi muito prazeroso.

    O que assusta, e esse foi o motivo que nos levou enquanto grupo, a fazer este trabalho, foi a existência de uma segunda biblioteca (no 4º andar, como disse) com um acervo de quase 20.000 volumes no CFCH, fechada ao público por falta de catalogação das obras. Vi livros incríveis neste acervo – “proibido” aos estudantes.

    Para nosso grupo, todos calouros do curso de História, fazer este trabalho de catalogação de acervo, meter luvas e máscaras nas mãos, cheirar ácaros, foi tão profícuo quanto qualquer estágio na área de arquivologia. E ganhamos, todos, muito com isso, e não foi dinheiro.

    Fizemos não para arrotar nosso “grande derinteresse financeiro”. Mas porque queríamos ter algum tipo de contato inicial com nosso metier: papéis ‘velhos’.

    Além da aproximação sociável que nossa turma teve, criando, todos nós, bons vínculos de amizade, claro.

    _______________________________________

    Outra coisa,

    O processo de ocaso dos vínculos narrativos que falei, citando W. Benjamin e T. Adorno, não se trata de uma escolha individual, pura e simples. Não é um gesto egoísta das pessoas que está conduzindo este processo.

    É mais além.

    É um desarranjo da estrutura da própria sociedade, em suas profundezas – muitas vezes tão profundo que foge aos olhos de algumas pessoas.

    É o resultado de um processo secular de fragmentação social, que se iniciou nos primórdios do capitalismo, e parece vir se acentuando ainda mais com o advento o capitalismo industrial/financeiro, em meados do XIX/XX.

    O que, talvez, arrisco a falar, em contraponto ao processo de fim da narrativa analisado por Benjamin, é que é significativo o fato de estarmos aqui, nestes momentos, tratando dessas coisas todas, aqui neste blog.

    Tu aí em Portugal, Andrei, tem-nos enviado ótimos relatos, e nos ajudado a fomentar belas trocas de informações e experiências. E, isso é maravilhoso. Agradeço-te por isso, ainda mais pelo fato de que tu o fazer sem remuneração financeira.

    Mas, certamente, tuas recompensas existem.

    E, são de várias formas. Recebes, em troca, coisas que não arrisco listar, e tu bem o sabes. Desde as coisas mais simples, como uma prática semanal de escrita, o que é algo salutar e recompensante. Também ganhas os comentários dos que aqui pousam e repousam, e, imagino, isso deva ser recompensante para tu.

    Se recebes estes elogios, merece-os.

    Fico imensamente feliz quando vejo que nem tudo que Benjamin inscreveu, pode-se totalizar como verdicto de ultimato histórico.

    A narrativa ainda vive, Andrei, e cada um de nós que aqui se dispôe a comentar, ao que parece, dá sua contribuição para a existência desta nobre faculdade humana: a troca de experiências e saberes via narrativas.

    Andrei, és o viajante. O marinheiro das letras!

    De cá, somos os plantadores de batatas, os ficantes que estão – interessados em tuas narrativas impressionistas, assim como tu, interessado em nossos feedbacks (e merecedor de muitos elogios).

    (Perdoai os demais leitores meu aparente romantismo-XIX-se-piegas; é que me sinto muito feliz hoje – talvez por causa do sol que faz. Além disso, como escreveu Antônio Maria, o cronista, “cada um dá o que tem”.)

  • Corretissímo Andrei. Assino embaixo. Não cabe aqui relatar, mais sei de umas histórias hilárias, comico-trágicas, sobre ciganos na beira baixa, inclusive envolvendo parentes meus. Quanto ao europeus do leste, de fato, estão tomando nosso lugar no imaginário da mutretagem. Até nisto estamos para trás. Só as prostitutas para manter a fama! rsrsrsrs

  • Amanda,

    “Por fim, quando o Estado me obriga a pagar impostos, ele também se obriga a investir em mim. Logo, pagar os meus estudos é obrigação do meu país.”

    Faz este teu discurso na primeira favela que encontrares, mas é melhor ir logo pensando na resposta a ser dada quando fores questionada por um pobre sobre o investimento do Estado nele, ou a sra. acha que quando se compra um pacote de macarrão não se está pagando imposto?

    Outra coisa, deixe dessa paranóia de trabalho voluntário, essa não é a única forma de se trabalhar para comunidades pobres, honestidade e trabalho social não são suficientes para suprir o abismo que existe no Brasil. As pessoas tem que parar de segregar.

  • Olivia,

    O que vc diz só confirma o que digo.

    “Faz este teu discurso na primeira favela que encontrares, mas é melhor ir logo pensando na resposta a ser dada quando fores questionada por um pobre sobre o investimento do Estado nele”

    O Estado não investe nele porque não é honesto nem trabalha direito. É obrigação do Estado investir em mim! É obrigação do Estado investir em você! É obrigação do Estado investir neles. Em nenhum momento eu digo que o estado não deve investir nas outras pessoas.

    “ou a sra. acha que quando se compra um pacote de macarrão não se está pagando imposto?”

    Claro que paga. E por isso mesmo o Estado é obrigado a investir no bem estar de todos! Não o faz porque não há honestidade nem compromisso com o trabalho, há compromisso com a corrupção e a preguiça.

    “Outra coisa, deixe dessa paranóia de trabalho voluntário, essa não é a única forma de se trabalhar para comunidades pobres, honestidade e trabalho social não são suficientes para suprir o abismo que existe no Brasil. As pessoas tem que parar de segregar.”

    Minha querida, vc leu direito o que escrevi? Pois eu estou defendendo justamente o contrário do que vc alega. Trabalho voluntário é o que o próprio nome diz: voluntário! Faz quem quer. Ninguém é obrigado a trabalhor por amor, ao contrário, as pessoas devem ser bem pagas por seu trabalho.

    Eu defendo que as pessoas sejam honestas e comprometidas com o trabalho que fazem para ganhar o seu pão de cada dia. Se as pessoas fossem simplesmente honestas e trabalhassem direito oferecendo serviços de qualidade, o mundo seria outra coisa.

  • Detalhe: Quando digo “O Estado não investe nele porque não é honesto nem trabalha direito”, estou dizendo que O ESTADO nào é honesto nem trabalha direito.

  • Lendo o a crônica só pude pensar que o provincianismo ainda está, e o será ainda por muito tempo, calcado na alma do colonizado. Nossos senhorizinhos, ao procurar conseguir um grau a mais numa instituição de ensino qualquer, num país estrangeiro qualquer, buscam apenas o respaldo e reconhecimento como profissionais. É como se nosso país não fosse capaz de formar bons doutores ou mestres, fica mais “bonito”, mais “chic” dizer-se pós-graduado no exterior, mesmo que seja num curso obscuro, em um país obscuro. Como província, respeitamos o fato de o senhorzinho oportunista-dominador poder dar-se o direito de fugir da mediocridade dos nossos próprios cursos, pois acreditamos que o que é oferecido à plebe não está a sua altura. Isto tudo, digo esse respeito, se reverte em pecúnia para o senhorzinho, mas, dificilmente se revertará em proveito do país.

  • Após tantas e tantas semanas afastado – não voluntariamente – das Impressões, sinto o quanto perdi…

    Minha avidez por comentários, nesta oportunidade, será contida. Afinal, as Impressões pretéritas hão de ser conferidas.

    A problemática, perspicazmente abordada, lembrou-me que o escapismo parte – em geral – de quem em vida teve acesso a faculdades (ato volitivo), a opções. Parte de quem preferiu tentar – e pode fazê-lo – algo melhor longe das terras tupiniquins. E, mesmo em contato direto com conhecimentos amplificadores, não consegue conscientizar-se de que o determinismo cultural e geográfico de ocupar os edifícios, a casa grande implica conseqüências diretas, cíclicas e desastrosas ao meio.

    Ao final, mesmo com a transcendência formal dos conhecimentos, pretende-se tão-somente “mudar de cama”, sem perceber a contribuição particular ao panorama geral.

    Então, pergunto: se o conhecimento não amplia necessariamente a percepção macroscópica – tão apenas a individual – de onde vem a sutileza?

  • Caro Ubiratan,

    Creio que a sutileza, se ela existe, vem da clareza, do conhecimento e da aceitação de que as circunstâncias pessoais não condicionam o processo histórico.

    Agora, a sutileza, se ela existe, não vem do pacote adquirido junto à academia, esteja ele repleto ou vazio de conhecimentos.

    Confesso que senti sua falta. Terá estado sem ineternet?

  • Exatamente… Mudanças e burocracias limitaram meu acesso virtual.

    É muito bom retornar, Andrei!

  • eu achei um coco lixo merda

  • [...] isso me fez lembrar do texto de Andrei “Quero ser rei na minha terra.” ainda no Acerto de Contas… É como se o curso de medicina antes, desse o passaporte ao [...]

Tem algo a dizer? Vá em frente e deixe um comentário!

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).