MinC concede 16,8 mi para Rock in Rio. Será que Medina precisava?

out 5, 2011 by     11 Comentários    Postado em: Cultura

Do excelente blog Post de Gasolina (na minha opinião, entre os melhores de Pernambuco e, por consequencia, do Brasil… ehehehe) trago informações sobre o patrocínio público ao Rock in Rio. Nada menos que R$ 16,8 milhões (entre bônus e apoio direto) foram concedidos ao evento de Roberto Medina, que cobrou 170 reais por cabeça por dia de acesso.

Os números apresentados pelo Post de Gasolina mostram que o evento é muito mais que superavitário. Será que Medina precisava do seu, do meu, do nosso dinheirinho para ficar mais rico?

A pergunta é: quem fiscaliza?

Banco Itaú: 17 milhões
Heineken, Coca-Cola, Wolksvagen, Trident e Claro: 7 milhões cada uma.
Somando 91 pratas + 17 + 35 = 143 milhões de reais.
Fora direitos de transmissão, bugigangas, etc.

Medina, você pode fazer até o Rock Riu 450.

O que você não pode, meu nego, é usar uma Lei de Incentivo para engordar a sua conta, só isso. Porque está escrito lá, no cantinho da sua página, do seu site:

Realização: Ministério da Cultura e Governo Federal(Pais Rico é Pais Sem Pobreza).

Parecer técnico do Ministério da Cultura sobre concessão de incentivo ao Rock in Rio

Festival/Mostra: Realizar o Rock In Rio – um festival cultural / musical e de entretenimento que será realizado durante 6 noites, em setembro de 2011, com apresentações artísticas de diversos gêneros (rock, pop, rock metal, MPB, jazz).

Informamos que o projeto foi diligenciado pela Funarte via Salic Web em 08/09/2010 e 10/09/2010, tendo sido respondido em 10/09/2010 e 20/09/2010 respectivamente. 

Observamos que grande parte do orçamento solicitado se destina à estrutura do evento como um todo, incuindo aí toda a parte de entretenimento, além de lojas, bares e restaurantes, e não às atividades culturais. A presente análise se refere aos itens com eminência cultural. Há receita prevista na ordem de R$34.272.000,00, sendo 58,04% maior do que o valor solicitado, fator que embora não seja impeditivo, deva ser considerado pelos Conselheiros, a fim de se solicitar uma maior contrapartida por parte dos organizadores do evento (observar os valores dos ingressos, na ordem de R$170,00 – normal e R$85,00 – promocional).

Sobre a democratização, o proponente informa que as entidades que serão beneficiadas com a doação dos ingressos serão escolhidas em conjunto com as Secretarias Municipal e Estadual de Educação do Estado do RJ, tão logo o projeto seja aprovado e captado, mas não informa números nem porcentagem de ingressos. Tendo em vista o perfil do projeto, sugerimos a CNIC especial atenção a este aspecto e no que diz respeito a determinação de informação do quantitativo de ingressos gratuitos e recomendamos ao proponente que, antes da primeira apresentação, informe ao MinC a quantidade de ingressos gratuitos ou seu percentual.

Informamos ao proponente que a liberação do item “passagens aéreas” é unicamente para a aquisição de bilhetes em classe econômica, devendo o proponente apresentar na prestação de contas a devida comprovação, incluindo cópia do bilhete utilizado com a identificação do(s) beneficiário(s), especificando a correspondente participação no projeto. Vedada utilização para acompanhantes, jornalistas e similares. O mesmo se dá com a liberação do item “Hospedagem sem Alimentação” que visa exclusivamente a utilização do artista e equipe técnica do projeto, quando fora do local de residência dos mesmos, devendo o proponente identificar os usuários, na prestação de contas, com a devida comprovação, especificando a correspondente função no projeto, sendo também vedada a utilização para acompanhantes, jornalistas e similares. 

Ressaltamos que o proponente não apresentou planilha com os Recursos de Outras Fontes no valor de R$7.000.000,00 conforme informado nos objetivos do projeto. Informamos ao proponente que, para a prestação de contas, deverá ser encaminhada planilha orçamentária referente as outras fontes, reiterando que conforme determinação da Portaria 30/2009, é vedada utilização de recursos de mais de uma fonte para cobertura do mesmo item.

NOTA: Ressaltamos que a análise técnica deteve-se nas informações disponibilizadas no projeto, sendo as mesmas de inteira responsabilidade do proponente.

_________________________________________________

Decisão da 181ª reunião da CNIC

“Aprovado”

Acompanho o Parecer Técnico

Identificação

Nº Projeto

106487 Nome do Projeto

Rock In Rio 2011

CNPJ / CPF

04.458.217/0001-09 Proponente

Dream Factory Comunicação e Eventos Ltda.

Informações complementares

UF do Projeto

RJ Área Cultural

Música Segmento

Música Popular Processo

140001.425320/10-09 Mecanismo

Mecenato Enquadramento

Artigo 26

Situação do Projeto

Dt.Situação

27/09/2011 Situação

Autorizada a captação residual dos recursos Providência Tomada

Relatório de Vistoria “in loco” n. 025/2011 – CGAA/DIC/SEFIC/MINC de 27/09/2011, que conclui pela regular execução do projeto até o momento, com base nas constatações no local da execução e nas informações apresentadas. À Coordenação de Acompanhamento de Projetos de Incentivos Fiscais, para procedimentos inerente a sua área de atuação.

Síntese do Projeto

Rock In Rio é um festival cultural / musical que será realizado em setembro de 2011 durante 6 noites com atuações artísticas de diversos gêneros (rock, pop, rock metal, MPB, jazz), entretenimento como roda gigante, tirolesa, bares e restaurantes.

Valores do Projeto em R$

Solicitado R$ 19.892.316,00

Aprovado R$ 12.301.586,94

Apoiado R$ 4.560.159,36

CNPJ/CPF Incentivador Apoio

1 34.028.316/0001-03 Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) 1.225.159,36

2 05.550.628/0001-84 HURGUS COMÉRCIO LTDA. 200.000,00

3 04.201.672/0001-16 Leader Administradora de Cartões de Crédito S.A 350.000,00

4 00.074.569/0001-00 Rio de Janeiro Refrescos Ltda 700.000,00

5 72.820.822/0001-20 Sky Brasil Serviços Ltda. 1.285.000,00

6 30.094.114/0001-09 União de Lojas Leader Ltda. 800.000,00

Total Geral (6)

Liberado para movimentar conta bancária em 14/06/2011

==========

34 milhões no Caixa, Sr. Medina, até eu faço o Rock Rir.

Ok, 16,8mi, baixemos os números.

Não importa.

Clique no link abaixo e perceba a diferença.

O festival californiano se paga.

http://www.coachella.com/sponsors

Aqui o Rock Riu mama numa Lei de Incentivo.

Maria Bethânia, tua grana é troco.

Boa tarde, amanhã eu volto, largando o cacete nessa palhaçada.

Medina, qual é o sabor do Big Mac do Bob’s?

11 Comentários + Add Comentário

  • Bahé, disse no blog e repito: o festival do senhor Medina se paga somente com a venda de ingressos.
    Com 91 milhões de reais ele só não escala Michael Jackson porque aí já é demais,
    O que ele não pode fazer, mas faz, é usar uma Lei de Incentivo a Cultura para captar recursos para o RR como se o RR fosse um festival qualquer.
    Dói no peito quando se lê que o evento é uma realização do Governo Brasileiro e do Minc.
    Ou a sociedade debate a reformulação dessa lei ou estaremos todos presos ao mecanismo perverso de que os eventos de grande porte e artistas conhecidos tenham “diferenciação” de tratamento dentro do Min. Da Cultura.
    No meu entender, deveriam nominar todos aqueles que analisaram o projeto, o defenderam e o aprovaram.
    Quero ver o texto desse povo, juro.
    A Lei Rouanet caducou.
    Por mim, pode acabar.
    Bom dia e obrigado pela divulgação.

  • Evento restrito ao Rio de Janeiro, mesmo assim já seria absurdo o estado do Rio de Janeiro entrar com um montante desses, imagina a o Governo Federal.

    Isso foi para um evento restrito a uma cidade, imagine a copa do mundo durante um mês… e viva o nosso querido Brasil.

    • O mesmo Rio de Janeiro devastado pelas chuvas do inicio do ano onde em algumas cidades muita coisa ainda está por fazer.

  • Enquanto isso, dah-lhe arrocho nos docentes de IFES!

  • Na verdade a venda de ingressos daria R$ 119 milhões.
    Na verdade não tenho a menor noção dos custos do festival. Não é pequeno, mas vamos dar um chute.
    Uma atração como Elton John sai por volta de R$ 4 milhões, incluído transporte.
    Metallica e RHCP por pouco mais que isso.
    Se contarmos 3 apresentações internacionais (uma grande e duas médias), mais as nacionais, inclusive do palco seundário, teremos um custo de uns R$ 10 milhões por dia (no máximo).
    Isso daria R$ 70 milhões.
    De estrutura mais uns R$ 30 milhões), já com pessoal.
    O evento se pagaria com os ingressos.
    Agora, acredito que parte destes seja já do patrocinador.

    • Desconciderou meia entrada e desconto para clientes do Itau.

      • DesconSidero você como um ser humano.
        Babaca.

  • Em uma palestra feita na UFF para o curso de produção cultural, uma das produtoras do Rock in Rio afirmou que o evento se paga inclusive sem os ingressos. Que poderia ser realizado gratuitamente se quisesse. Os ingressos são cobrados para definir a classe social do público que frequenta o evento.

    E é isso aí. Que venha a copa do mundo, as olimpiadas e por aí vai…

  • Se existe desvios de verba até em licitações de mil contos por aí, quem dirá num montante de 91 milhões como foi o do Rock in RioOu alguém aí acredita em gnomo?

  • Por isso sempre fui – e continuarei sendo – contra os tais incentivos culturais. Por quer todo mundo gosta de fazer uma festinha, com o dinheiro do povo ? Os produtores ficam cada vez milionários…e ao povo uma pequena bolsa família, para iludir os miseráveis. Aqui tivemos um show, no Marco Zero, que custou aos cofres da prefeitura ( leia-se do povo ) cerca de 500 mil reais. Tudo roubo, tudo safadeza. E a Copa+Jogos Olímpicos = muito dinheiro para os políticos e empresários desonestos. Este é o Brasil, brasileiro.

  • Coachella???? Ah! faça-me o favor!!!

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).