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direitos autorais X direito ao acesso a informação

Direitos autorais X Direito ao acesso à informação

Anteontem, a Polícia Civil interditou dois estabelecimentos reprográficos (xerox) na UFPE. Um deles se localiza no térreo do Centro de Filosofia e Ciências Humanas – conhecido como “xerox do DCE”. O outro fica do lado de fora da universidade, conhecido como “verdinha”.

O episódio aconteceu no início da tarde da quarta-feira, e foram apreendidas todas as pastas dos professores.

Pra quem não conhece esse esquema das cópias, é o seguinte: os professores abrem uma pasta na copiadora, e lá colocam os textos que pretendem utilizar durante o semestre. Os alunos vão à copiadora, solicitam a pasta do professor “X”, disciplina “y”, e reproduzem os textos.

Algumas vezes copia-se o livro inteiro. Esse esquema é utilizado há anos e anos por quase todos os professores e alunos da UFPE.

Alega-se que essa prática viola os direitos autorais das obras, que são editadas e colocadas no mercado sob o manto da proteção do copyright. Ou seja, seria uma modalidade de pirataria. Por outro lado, a proibição violaria também o direito ao livre acesso de informações.

A questão é que existe o seguinte impasse: a prática da cópia de mais de 10% de uma obra é ilegal, constituindo pirataria. Porém, além das polêmicas que envolvem os debates sobre o livre acesso à informação, existe ainda o fato de que as bibliotecas dos Centros são insuficientes para atender à demanda dos alunos que, por sua vez, não possuem condições financeiras para comprar os livros.

A interdição das pastas das reprografias criam um problema à conclusão do semestre, que está próximo do fim. Conversei com alguns alunos da UFPE, que classificaram a atitude como uma hipocrisia, já que acontece há muitos anos, sendo interditas as copiadoras durante um certo tempo, e depois a prática volta à normalidade. Alguns professores também estão revoltados, e defendem o livre acesso às informações.

Na noite da quarta-feira, a reitoria da UFPE ainda não havia sido notificada oficialmente.

Essas interdições não são novidade, e acontecem de tempos em tempos, gerando polêmicas e controvérsias. Consta que em algumas universidades brasileiras essa prática da “xerox” não existe.

Ontem à tarde fui ao CFCH para tentar apurar o que teria ocorrido. Chegando às copiadoras, os respectivos proprietários não estavam nos locais, e os funcionários, aparentemente assustados, não quiseram dar muitas informações.

Também fui ao 4º andar do CFCH, mas a vice-diretora do Centro, Socorro Ferraz, estava na reitoria, em reunião.

Ainda irei em busca de mais informações sobre o que aconteceu. Mas, de toda forma, creio que seja importante já colocar aqui as informações de que disponho sobre o caso.

Sobre a polêmica Direitos autorais X Direito ao acesso à informação, gostaria de indicar um texto de João Ibaixe Jr., publicado no Última Instância e reproduzido no site do Ministério da Cultura.

O texto é intitulado “Xerox de livros é crime?“, e pode ser acessado no link abaixo:

http://www.cultura.gov.br/site/2008/11/14/xerox-de-livros-e-crime/

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