Um passo atrás e voltamos para o século passado

jun 19, 2015 by     9 Comentários    Postado em: Cultura

Por Jairo Lima


Se hoje a questão de gênero, diversidade e orientação sexual são assuntos polêmicos, avalie no início do século passado. Na última quinta-feira, uma carta íntima datilografada pelo escritor modernista Mário de Andrade para o colega Manuel Bandeira, em 1928, foi revelada por determinação da Controladoria Geral da União (CGU) ao público por meio da Casa de Rui Barbosa.

 

A Justiça atendeu ao pedido do jornalista Marcelo Bortoloti, da Revista Época.

 

Num trecho da carta, Mário de Andrade não confirma sua homossexualidade como se considerasse um fato menos importante para qualquer ato desempenhado na sua vida.

 

“Mas em que podia ajuntar em grandeza ou milhoria para nós ambos, para você ou para mim, comentarmos que eu elucidar você sobre minha tão falada (pelos outros) homossexualidade? Valia de alguma coisa eu mostrar o muito de exagero que há nessas contínuas conversas sociais? ”

 

Em outro momento, ele queixa-se de nem sequer ter vida social comum devido às falações.

“…sou incapaz de convidar um companheiro daqui a sair sozinho comigo na rua…”

 

Um retrato de uma opressão desmedida.

 

Nesta semana, através do posicionamento do deputado pastor Cleiton Collins (PSC), na Assembleia Legislativa de Pernambuco, ficou decidido que seria suprimido do Plano Estadual de Educação (PEE) todas as referências a “gênero, diversidade e orientação sexual”.

 

Um passo atrás e voltamos para o mesmo lugar.

 

A discussão legítima é uma proposta sobre a igualdade de gênero, respeito à diversidade, à mulher e aos diferentes modelos de famílias.

 

A introdução do debate nas escolas poderia evitar repressões e violência no âmbito familiar, pode esclarecer alunos e familiares, pode evitar crimes nas próprias escolas, fora dos muros da escola e dentro das famílias.

Analogicamente, falamos de 1928, repito 1928 para falar de 2015. É absurdo. Incrível mesmo é perceber que o que acontecia a Mário de Andrade ainda acontece nas escolas, nas famílias, no trabalho, em qualquer lugar, vira pauta de Legislativo Estadual e o resultado é o mais conservador possível. Independentemente do homossexualismo do escritor existir ou não.

 

Até mesmo Oswald de Andrade, grande amigo de Mário de Andrade ao longo do movimento modernista, rompeu com o então amigo, em 1929, por motivos que podem beirar a boataria. Porém, ninguém o reprimia, pelo contrário, o aplaudiam quando dava seus passeios públicos de braços dados com as belas Tarsila de Amaral e Pagu. Aliás, digno de aplausos mesmo. Contudo, a questão é a forma sobressaliente que o machismo impõe a aceitação às sociedades e de como seus representantes planejam seu futuro.

9 Comentários + Add Comentário

  • Entre outras coisas, a “causa” gay parece padecer da síndrome do Baby-Sauro: “Você tem que me amar; você tem que me amar!” Ora, por que reclamar tanto a aceitação, a compreensão e o amor de alguém, quando o respeito é o que de fato importa??? Héteros não temos porque simpatizar com o que quer seja do mundo do arco-íris, desde que o respeitemos nos limites da civilidade. Nada mais, nada menos.

    • PS: escola é o lugar de se aprender o conhecimento científico (infelizmente, nossos dipRomados analfabetos demonstram bem o contrário). Civilidade, bons-modos e RESPEITO deve se aprender na FAMÍLIA.

      • Flávio: A educação, dever do Estado e da Família, compreende processos de formação do indivíduo que culminam no desenvolvimento PLENO do educando, devendo focar sempre a PRÁTICA SOCIAL, O PREPARO PARA EXERCÍCIO DA CIDADANIA E PARA O MERCADO DE TRABALHO. Isso está na constituição. E isso também: educação formal baseada nos preceitos de solidariedade, profundo respeito à liberdade e à diversidade. O combate ao preconceito perpassa de forma definitiva a educação formal. Essa, não se engane, é uma herança de estudos liberais. O que você propõe? Substituir a letra da lei pelas opiniões de uma nova massa politizada advinda das páginas do Face?

    • Gays não pedem amor de héteros. Essas manifestações, passeatas, entre outros, pedem o fim da violência contra homossexuais e mais consideração. Vc está sendo arrogante, e fica evidente no “não temos por que simpatizar”.
      A questão é tratar com naturalidade. Eu sou homem e meu interesse é mulher. O que tenho a ver se dois homens querem viver juntos, ou seja, casarem-se um com o outro? Nada. A vida é deles.
      Seguindo o pensamento: e daí que eles se beijam na rua? A boca é deles. O amor é deles.

      Se héteros preconceituosos, que mais me parecem enrustidos, estudassem, tivessem um mínimo de conhecimento sobre o ser humano, não haveria discriminação contra gays. Eles são normais, não há nada de doença, de opção sexual ou safadeza. É a natureza de algumas pessoas. Nascem e morrem assim.
      Não é opção porque não se escolhe. “Hoje quero ser gay. Amanhã quero ser hétero”. Não, não. O indivíduo nasce gay. É orientação sexual.
      Eles têm capacidade de amar pessoas do mesmo sexo. O que isso tem de mais?
      “Ah, dois homens não podem ter filhos juntos”. E se eu que sou hétero não quiser filho? Alguém vai me obrigar a ter com minha esposa? Isso é assunto privado que diz respeito a ela e a mim.
      E se o casal hétero for estéril? Vão se intrometer também, dizendo que eles devem se separar, pois são anormais? Enfim, o que falta é instrução.

      • Paulo, tudo não passa de uma questão de aceitação. Boa parte dos gays não aceitam a si próprios; por isso vinculam a ideia de uma melhor existência à obrigatoriedade de que todos os outros os aceitem. Não por menos, vivem se incomodando com o que acham ou deixam de achar de si. Coisa, portanto, de quem não está bem resolvido, pois, como se sabe, as pessoas que o são pouco se importam com a opinião alheia. Como disse – e repito – o respeito é a grande base para o convívio civilizado. O resto, pouco importa. Só acho uma pena que, no afã de se fazerem respeitar, os gays que vão às paradas o façam ostentando o que a comunidade tem de pior: a promiscuidade, inclusive infantil. Saudações.

  • A mim não interessa quem é gay ou não

    Vale se é honesto, competente, gente fina, elegante e sincera.

    Não sei para quê levantar essa lebre agora.

    E a repressão também existe contra quem não é gayzista e o Olavo de Carvalho foi bloqueado no Facebook por que postou esse comentário:

    “Um ser humano maduro, equilibrado e saudável não hesitará em pensar, falar e agir CONTRA os seus mais óbvios interesses sexuais, em nome de valores que lhe pareçam mais altos. Por isso é que digo: um homossexual pode ser uma pessoa madura, equilibrada e saudável. Um gayzista, NUNCA. A essência do gayzismo CONSISTE em colocar o desejo homoerótico acima de todos os valores reais, possíveis e imagináveis”.

    Querem atenuar a discriminação contra os homossexuais, discriminando os hétero.

    Não sei se concordo inteiramente com o famoso filósofo mas existe um perfil que declara o combate aos religiosos e esse nunca sofreu repressão do Facebook.

    Isso é preocupante.

    • Prezado, Olavo é muito fraquinho. O que esperar de alguém que escreve um livro com o seguinte título: “O Mínimo Que Você Precisa Saber Para Não Ser Um Idiota”. Pior, o que esperar dos leitores?? ehehehheh Mas, o próprio Olavo já os definiu bem:

      “Aparentemente, não tenho alunos nem leitores: tenho seguidores, devotos, fiéis, militantes e cultores idolátricos. Todos iletrados e de baixíssimo QI.”

  • Eu devo admitir que não tenho condições de julgar adequadamente o trabalho do Olavo de Carvalho, não li os livros dele e nem tenho ainda conhecimentos suficientes para tal.

    Alguns artigos e vídeos que assisti, porém, pareceram-me bem interessantes.

    A busca e o acúmulo de conhecimento, aliados aos bons valores, torna as pessoas mais capazes e, por consequência, menos idiotas.

    Quais os bons conhecimentos e os bons valores?

    Cabe a cada um decidir.

    • Comece sabendo que ele não era filósofo. Olavão era um astrólogo que inventou de se chamar filósofo.

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).