A influência da Selic nos investimentos

abr 14, 2009 by     6 Comentários    Postado em: Economia

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Por Leandro Martins

Definição: taxa de juros média que incide sobre os financiamentos diários com prazo de um dia útil (over-night) lastreados por títulos públicos registrados no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic).

Instrumento de controle inflacionário: a taxa de juros possui forte interferência na economia, pois é através dela que os agentes, em geral, decidem entre viabilizar um projeto de investimento, ou aplicar esse valor em um título público, o qual renderá uma taxa de juros próxima à da Taxa Selic. Como também influencia na decisão de gastar em bens não produtivos e lazer em vez de deixá-lo aplicado, aumentando assim o consumo agregado. Sendo assim, uma taxa de juros alta significará poucos investimentos e baixo nível de consumo, e uma taxa de juros baixa significará maiores investimentos produtivos e maior nível de consumo. Contudo, taxa de juros real (descontada a inflação) alta significará baixa demanda agregada, não exercendo pressão inflacionária, mas também baixo crescimento do PIB. Taxa de juros real baixa favorecerá o crescimento do PIB, mas também poderá exercer pressão inflacionária pelo aumento da demanda agregada.

Influencia na renda fixa: a atratividade dos investimentos em renda fixa como CDB, títulos do tesouro direto ou mesmo fundos de renda fixa, está relacionada com sua rentabilidade, com isso um aumento da taxa de juros aumentará o volume investidos nestas opções de investimento, por outro lado uma queda da Selic fará que alguns investidores realizem resgates dessas aplicações.

Influencia nos investimentos em ações (renda variável): a renda variável sofre impacto direto da alta ou da baixa na taxa de juros, pois se há um aumento na taxa, parte dos investidores vende suas ações para aplicar em ativos de renda fixa, e com isso os preços das ações tendem a cair. Com uma queda na taxa de juros, parte dos investidores vende seus ativos de renda fixa para aplicar no mercado acionário, com isso os preços das ações tendem a subir.

Adicionalmente, como influência de médio a longo prazo, o nível da taxa de juros interfere no custo do capital (tomada de crédito) das empresas e dos consumidores, estimulando ou desestimulando o consumo e os investimentos na cadeia produtiva, interferindo diretamente no desempenho da economia e das empresas participantes, as quais também podem possuir ações negociadas na bolsa.

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6 Comentários + Add Comentário

  • Esse texto é muito didático e está muito bem escrito. Parabens!

  • Como os paises desenvolvidos conseguem com que seus juros sejam baixos, e ainda assim, conseguem controlar sua inflação. O que falta para que o Brasil consiga estar neste patamar? Diminuição dos impostos?

  • Se houvesse o congelamento da lançameto de novos titulos da divida publica, com certeza teriamos o financiamento de capital de giro para investimentos e geração de emprego e renda para quem sabe ter lucro!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  • Caro Fred

    Se a União fizer isto ele teria de resgatar todos os títulos no vencimento. Nem ela tem este dinheiro, nem isto é recomendável pois levaria a um excesso de liquidez no mercado, com efeitos diretos sobre a inflação. Mas de fato os juros cairiam.

  • Todos sabem que a taxa de juros sempre foi um instrumento utilizado no BC para manter a inflação sob controle ou para estimular a economia.
    Se os juros caem muito a populaçao tem maior maior acesso ao crédito e consome ainda mais, e, se os juros sobem a autoridade monetária inibe o consumo e investimentos,ficam mais custosos, a economia desacelera e evita-se que os preços subam, ou seja, que ocorra inflação.
    É preciso ter muito cautela neste controle, para que a economia não sofra alterações bruscas e prejudiciais no mercado.

  • De que forma a taxa Selic pode afetar nos quatro grandes agragados da Demanda Agragada (consumo, investimento, gastos do governo e setor externo)?

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).